Palimpsesto
Sai da internet e vai ler um livro!
26.2.12
31.1.12
Para escrever
1. Write.
2. Put one word after another. Find the right word, put it down.
3. Finish what you’re writing. Whatever you have to do to finish it, finish it.
4. Put it aside. Read it pretending you’ve never read it before. Show it to friends whose opinion you respect and who like the kind of thing that this is.
5. Remember: when people tell you something’s wrong or doesn’t work for them, they are almost always right. When they tell you exactly what they think is wrong and how to fix it, they are almost always wrong.
6. Fix it. Remember that, sooner or later, before it ever reaches perfection, you will have to let it go and move on and start to write the next thing. Perfection is like chasing the horizon. Keep moving.
7. Laugh at your own jokes.
8. The main rule of writing is that if you do it with enough assurance and confidence, you’re allowed to do whatever you like. (That may be a rule for life as well as for writing. But it’s definitely true for writing.) So write your story as it needs to be written. Write it honestly, and tell it as best you can. I’m not sure that there are any other rules. Not ones that matter.
Mais aqui.
25.1.12
24.1.12
Só mais uma espiadinha no e-mail, por favor
Minha irmã é advogada, tem 23 anos, muitos amigos, não usa Facebook nem Twitter e raramente liga o computador em casa. É uma pessoa bem melhor do que eu.
Um dos meus desafios pessoais para 2012 – assim como os de outros milhares/milhões de viciados em internet – é chegar em casa e não ligar o lap top. Simples assim. Ter consciência de que responder um e-mail horas e não minutos depois não fará tanta diferença. Notícia importante, ao menos antigamente, a gente comunicava por telefone. Por que não continuar assim?
Tenho dois celulares e, obrigatoriamente, preciso andar com os dois na bolsa. Coisas de jornalista. Mas ao menos nesse quesito sou exemplar. Acesso a rede só em caso de necessidade ou saguão de aeroporto/rodoviária sem livros na bolsa.
Já é o bastante ter o computador a espreita em casa e no trabalho. Prefiro manter o smartphone esquecido na bolsa.
Se aproxima o dia onde as pessoas irão para retiros sem conexão wireless onde passaram algumas horas, quiça dias, tremendo, sedentos por informação/interação. Opa. Acho que esse dia já chegou.
23.1.12
Ao menos o italiano e os desenhos estão saindo
5.1.12
31.12.11
2012
Nessas horas fico sempre com o poema Cortar o Tempo, do Drummond, que já apareceu aqui umas quantas vezes em anos passados.
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"
E para fechar, 100 fotos incríveis de arte urbana para vocês se divertirem.

Até ano que vem!
30.12.11
O mundo
humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de
fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras
de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem
queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.
28.12.11
Resoluções pra 2012
- Em 2012 quero comer menos carne e me alimentar melhor.
- Aprender a tocar violão
- Aprender outro idioma e estudar os que já aprendi
- Andar mais de bicicleta
- Ler mais
- Desenhar mais
- Escrever mais
27.12.11
Retrospectiva 2011
5.12.11
16.11.11
Ocupação da Rocinha: nem tão cor-de-rosa assim
Passei a quinta, a sexta, o sábado e o domingo na rotina redação, Rocinha, casa, redação, Rocinha, casa. Véspera da ocupação, todos de olho na favela símbolo do Rio.
Além de gastar sola de sapato e ganhar uma bela dor nas costas, graças ao colete à prova de balas que usei por obrigação apesar de me sentir, como bem definiu um colega, como “alguém com roupa de astronauta em um lugar infectado”, aproveitei para conversar com todos que aceitaram conversar comigo.
Parte não falava, por medo; outra por desprezar da imprensa – quem pode culpá-los? Se eu me lesse dia após dia retratada nos jornais como sub cidadã também não ia ficar lá muito feliz com a idéia de ser entrevistada. As leis são diferentes numa terra não sem leis – o tráfico manda mais do que muito governo -, mas carente de Estado, que por décadas preferiu ignorar o morro.
Após muita insistência consegui conversar com cerca de 20 pessoas, do começo e do fim do morro, que subi depois que o Bope decretou o sucesso da operação no domingo de manhã. Para os moradores o problema não era o possível confronto - que não aconteceu -, mas o depois. Eles não confiam na polícia.
O texto que segue ficou na capa da edição online do jornal no domingo à noite e foi unido às observações de outro colega. que também passou o feriadão acompanhando a ocupação na Rocinha na edição impressa de segunda-feira.
Foi escrito as pressas na décima segunda hora trabalhando em um lap top numa lanchonete lá na comunidade mesmo, pra dar tempo de entrar no jornal. Se fosse escrevê-lo agora, mudaria um bom pedaço.
Ou não. Confesso que tenho orgulho dele. Seu maior mérito foi radiografar aquele domingo, com base nas fontes que mais importavam naquele momento: os moradores.
Após ocupação da Rocinha, moradores dizem temer a polícia
PAULA BIANCHI
"Cadê o enxame que é a Rocinha?", pergunta uma moradora em frente a rua vazia, cortada vez por outra por mototáxis e carros carregados com agentes do Bope. Acostumada a ver a estrada da Gávea "mais cheia do que um formigueiro", ela estranha o silêncio.
A madrugada na comunidade, ocupada pela polícia no domingo, foi tranquila, povoada apenas pelo som constante dos blindados da Marinha e dos helicópteros que sobrevoaram a comunidade durante todo o dia.
Nem um tiro disparado, orgulha-se a polícia. No entanto, o que preocupa os moradores são as próximas noites. "Quando vocês [imprensa] forem embora é que o bicho vai pegar", diz X., que prefere não se identificar.
Ela diz que não vai abrir a casa para a polícia. "Eles têm mandado? Se tiverem eu abro. Até onde eu sei até a polícia precisa seguir a Constituição."
X. afirma ter medo de deixar a casa sozinha quando tiver que trabalhar durante a semana e relata abusos, como uma moradora que levou um tapa na cara por não responder o chamado de um policial na quinta-feira (10).
Para ela as coisas "antes" estavam muito bem. "O Nem pagava o aluguel de quem precisava, dava cesta básica, ajudava as creches. Quero ver o governo fazer isso."
X. conta que toda a quinta-feira chegava um caminhão com caixas fechadas de legumes e frutas vindos direto do Ceasa. Eles eram devidamente empacotados e distribuídos pela associação de moradores, a mando de Nem, para aqueles que se apresentavam como moradores carentes.
Cássia Cristina Silva, 25, e quatro filhos filmaram a casa inteira com o celular por precaução. "Podem entrar, mas tem que deixar tudo no lugar."
Ela dormiu com os filhos no quarto e acordou com o som dos helicópteros. "Eu estava com muito medo, mas não aconteceu nada, graças a Deus. Só as crianças, que estranharam dormir comigo e ficavam o tempo todo perguntando se a polícia ia entrar, se ia bater neles."
Y. também não está muito convencida dos benefícios da ocupação. "O tráfico vai voltar assim que a poeira baixar. O Nem era só um representante, quem manda ainda está aí", afirma. "Você acha que a polícia vai aguentar ganhar R$ 1.000 por mês? Mais um tempo e estão todos corrompidos."
"Ninguém vai falar nada, denunciar ninguém, por medo dos caras voltarem", afirma, referindo-se aos planfletos lançados de helicóptero pela polícia na manhã da ocupação com informações para os moradores denunciarem criminosos e esconderijos de armas e drogas
Já Z., 45, encara a nova fase com otimismo. "É a primeira vez em 45 anos que vejo essa rua assim, tranquila. Eu descia ela inteira de carrinho de rolimã, jogava bola aí. Tomava banho em uma cachoeira aqui do lado. Hoje meus filhos não têm isso".
Ele conta que prefere levar o filho de 12 anos para passear na Barra da Tijuca, bairro da zona oeste, por medo. "Quem sabe agora a gente consiga voltar a fazer o lanche em família por aqui. Antes não dava, eles ficavam sentados em cima no balcão dos bares com fuzil na mão."
No entanto, ele também teme a ocupação. A sua casa foi revistada ainda no começo da madrugada de domingo. Os policiais não quebraram nada, mas tentaram levar o seu contracheque, que estava em cima de uma mesa.
"Mostrei o recibo, disse que era o meu salário inteiro. Um outro policial que estava junto que convenceu ele a não levar."
7.11.11
A incompreendida arte de guardar memórias
3.11.11
Um brinde aos sobreviventes
31.10.11
Como salvar o seu piquenique em três lições
28.10.11
Chega de filtro solar
O negócio é conhecimento. Super interessante, pra começar bem o fim de semana. Por uma vida com mais massa e menos manuais.
26.10.11
Foi um rio que passou em minha vida
Já pensei em aceitar o fim e encerrar as portas desse butequim virtual, mas dá mesma forma que vamos construindo lares por aí, o Palim é meu lar virtual. Ele tem tanto de mim quanto a(s) minha(s) casa(s) e, mesmo empoeirado, ainda é um lugar que gosto de visitar.
Não vou dizer que amanhã será diferente, farei a revolução e blá blá blá. Não vai. Amanhã é outra quinta que vem sem um fim de semana, o que a transforma numa quinta ao quadrado. Não pior que as outras quintas, apenas com uma carga maior de ansiedade em relação a sexta. E nesse ritmo, se nem a lista de prioridades a gente cumpre – olha aquela consulta ao neurologista que estou pra marcar a meses -, o blog muito menos.
Ãnfa, sigo por aqui, mesmo que na base da respiração boca a boca. E o Rio continua lindo, apesar do inferno, digo verão, estar chegando a galope.
23.10.11
Rotina
A vida contada em pacotes de chá preto
A vida contada em bom dias para o porteiro
A vida contada em plantões de fim de semana
A vida contada em cestos de roupa suja
A vida contada em cartelas de anticoncepcional
A vida contada em viagens para casa
A vida contada em corridas para não perder o ônibus
A vida contada em reuniões de pauta
A vida contada em promessas de começar a fazer exercícios todos os dias na segunda
A vida contada em leituras de jornal
A vida contada em boletos de aluguel
A vida contada em promessa de escrever posts pro blog
A vida contada em pacotes de chá preto
A vida contada em bom dias para o porteiro
A vida contada em plantões de fim de semana
A vida contada em cestos de roupa suja
A vida contada em cartelas de anticoncepcional
A vida contada em viagens para casa
A vida contada em corridas para não perder o ônibus
A vida contada em reuniões de pauta
A vida contada em promessas de começar a fazer exercícios todos os dias na segunda
A vida contada em leituras de jornal
A vida contada em boletos de aluguel
A vida contada em ...
11.10.11
28.9.11
Na onda do jazz

Quem passa pela rua do Teatro, centro do Rio, nas noites de quarta-feira estranha encontrar diante do Centro Cultural Carioca, tradicional reduto do samba, centenas de pessoas ouvindo ao vivo clássicos de Miles Davis e John Coltrane.
Os garotos do Nova Lapa, centro dessa reunião, integram um movimento que vem tomando ruas e bares da cidade nos últimos meses, reivindicando espaço para um ritmo que remete mais a Nova Orleans que ao Rio: o jazz.
Só nesse ano já foram três festivais na cidade, além da nona edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, em junho, na Região dos Lagos.
“O jazz já é tocado no Rio há muito tempo. A sacada para tocar a juventude foi a rua”, diz Eduardo Santana, 26. Trompetista do NovaLapa Jazz, quinteto que começou em março como uma tímida jam session em frente a um boteco, ele diz se surpreender com a grande aceitação.
Além dos clássicos,eles investem em composições próprias e improvisações, aprovadas pelo público que aumenta a cada semana, e terminam o show passando o chapéu para pagar o equipamento. “As pessoas chegam a roubar nosso set list.”
Para o músico e pesquisador australiano Mike Ryan, dono da Triboz, casa de jazz aberta em 2008 na Lapa, apesar de o ritmo “estar na moda”, faltam espaços para os músicos tocarem.
“O jazz é um estilo difícil de popularizar no Brasil. Não toca no rádio”, afirma Uira Fortuna, diretor da Fundição Progresso, casa de shows na Lapa. Ele vê as redes sociais e o boca a boca como indutores do crescimento. “As pessoas vão a esses shows e são apresentadas ao estilo numa festa.Tem um lado de Carnaval, como tudo no Rio”, diz.
Autor do blog RioCult (www.riocult.info), Pedro Monnerat vê o jazz não necessariamente ressurgindo,mas conquistando novos espaços. O que não impede que o samba do CCC conviva tranquilamente com saxofones e trompetes. “O que o público jovem descobriu é que o jazz não precisa ficar restrito a lugares onde você tem que falar baixo e ficar sentadinho”, diz.
“Não é exatamente o Rio que está entrando na onda do jazz, mas o jazz que está entrando na onda do Rio.”
* A(s) foto(s) são da grande Paula Giolito;
** Falei com uma porrada de gente. Pra variar, ah se eu tivesse mais espaço...
25.9.11
5.9.11
30.8.11
Doce agosto
Agosto chega ao fim, enfim. E foi bom. Nada de desgosto nem de cachorro louco. Só bastante trabalho, aprendizado e sorriso nos lábios. Quem diria.
A parte mais bacana do jornalismo – e também seu calcanhar de Aquiles, já que não nos aprofundamos em nada -, são as diversas vidas que a gente leva. Esse mês conversei com o Paulo José e acompanhei o sequestro de um ônibus madrugada a dentro; dei um tapinha nas costas do Niemayer e fiz plantão na frente do presídio de Bangu a espera do Cacciola; subi favelas pra fazer turismo e corri atrás de entrevistados em frente a delegacia e por aí vai. Às vezes no mesmo dia.
Para setembro nem ouso esperar nada. Parece que já é primavera há muito tempo.
14.8.11
As tais novidades
Hoje saiu a minha primeira matéria com M maiúsculo, sobre o tal turismo em favelas do post anterior. Pra completar, o texto foi capa (em grande parte por causa das fotos belíssimas que o Rafael e Paula G. tiraram). Sou tudo menos blasé e passei o dia só sorrisos.
Pra que quem não leu a Folha hoje, acho que a essa hora não faz mais mal divulgar.
Favelas pacificadas atraem turistas no Rio
PAULA BIANCHI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO
A concepção tradicional de favela vem sendo subvertida no Rio. De lugares simples e muitas vezes miseráveis, elas passaram a ponto de encontro de turistas e cariocas descolados que sobem o morro sem preconceito atrás da cidade maravilhosa além do cartão postal.
O morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul, cenário do clipe de “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson, hoje está na agenda graças aos eventos realizados quase que semanalmente pela comunidade –sede da primeira UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Rio.
Um dos mais famosos é o “Pôr do Samba”, que acontece no primeiro sábado do mês.
No dia em que a Folha visitou o local havia alemães e franceses arriscando passos de samba ao lado de cariocas que entraram na favela pela primeira vez e entoavam clássicos de Cartola e Zé Kéti.
Vitor Lira Adão, 30, já levava turistas para passear pelo morro antes da pacificação. Ele é um dos monitores do Rio Top Tour, projeto criado há um ano pelo governo do Estado para incentivar moradores a atuar com turismo.
“Os estrangeiros sempre tiveram curiosidade, mesmo conscientes do perigo de antes”, lembra ele, que diz nunca ter tido problemas graves nos passeios –apesar de, na folga, já ter corrido para se esconder dos tiros.
“Muitos amigos meus morreram aqui, alguns porque trabalhavam para os traficantes e outros, atingidos por balas perdidas”, conta.
BUFÊ E FEIJOADA
Do outro lado da lagoa Rodrigo de Freitas, outras favelas usufruem da nova fase: no Cantagalo, Pavão e Pavãozinho é comum ver turistas que trocam as praias de Ipanema por um passeio.
“Já recebi um grupo de 35 japoneses”, conta Jailton do Santos, 35, dono do bar e restaurante Bela Vista. O local brinda os visitantes com uma vista de Copacabana e um bufê caprichado, com direito a feijoada no sábado e galinha caipira no domingo.
Já no Chapéu Mangueira, no Leme, é Vítor Hugo Medina, 32, que abre um sorriso ao falar dos novos visitantes. Barraqueiro na praia do bairro, ele se tornou ainda guia turístico e dono de albergue.
Medina promove tours pela favela, mostrando os projetos sociais do local e a área de preservação ambiental vizinha. E cresce sem deixar de lado a comunidade, que recebe uma parcela do lucro.
“Comunidade pacificada é febre. O turista que vem aqui e ainda não foi ao Pão de Açúcar e ao Cristo não vai mais. Aqui, ele vê tudo”.
No Alemão, morador espera boom turístico
Teleférico é a principal atração; movimento se concentra durante os finais de semana
Com a máquina fotográfica em punho, a aposentada Maria Aurora de Araújo, 70, esperava ansiosa pelo começo do passeio. Portuguesa, sempre que pode ela viaja ao Rio. Dessa vez, além das tradicionais visitas ao Cristo e ao Pão de Açúcar, fez questão de conhecer também o Complexo do Alemão.
Última comunidade do Rio a ser pacificada, o complexo de favelas cresceu em meio a bairros tradicionais da zona norte, como Penha, Ramos e Bonsucesso, até tornar-se um dos maiores do país.
Do alto do recém inaugurado teleférico, enquanto crianças soltavam pipas e donas de casa lavavam roupa, era difícil imaginar as cenas de guerra que os moradores presenciaram durante os anos de domínio do tráfico.
A ocupação pelas forças de segurança veio apenas em novembro, e ainda há soldados patrulhando o bairro.
"A gente tem que conhecer de tudo, o bom e o ruim", refletia Araújo enquanto admirava a sequência de morros com casas de tijolos sem tinta que formam o complexo. "Não tem nada parecido com isso. É muito bonito."
O teleférico é uma das principais obras do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) e xodó da presidente Dilma Rousseff, que esteve na sua inauguração em julho. No total, foram gastos R$ 210 milhões no projeto.
Do bondinho, que passa rente as casas, é possível ver tanto pontos turísticos clássicos, como o Cristo e a igreja da Penha, solitária no topo de seus 382 degraus, quanto o cotidiano dos moradores.
Embora ainda seja cedo para falar em invasão de turistas no Alemão e faltem restaurantes e bares que tornem as estações atrativas, os moradores aguardam ansiosos pelos forasteiros e a movimentação da economia local que isso pode gerar.
"O teleférico só funciona de manhã, mas tem turista que chega de carro. Eles aparecem mais aos sábados e domingos, mas vão começar a vir durante a semana também, quando o teleférico funcionar durante a tarde", prevê Anaílton Oliveira, 39.
Ele é um dos ambulantes que fazem ponto no Adeus, uma das seis estações, enquanto torce para que a primeira palavra associada ao local mude de "tiros" para "turismo".
7.8.11
Samba pra inglês ver
O Santa Marta foi o primeiro morro do Rio a ser pacificafo, mas antes disso já tinha ficado famoso graças ao livro Abusado, do Caco Barcellos. Além disso, fica a dez minutos a pé da minha casa, o que significa ter outro planeta no quintal. Porque uma favela é outro planeta.
Como ninguém quis me acompanhar, calcei meus tênis e fui solita averiguar se tinha alguma festa por lá (a ideia da materia é dar dicas de programas legais nas comunidades. Lugares em que eu levaria os meus amigos que viessem me visitar).
Na praça em frente ao morro encontrei um pessoal vendendo cachorro quente que disse que não sabia. Quando comentei que ia subir mesmo assim, um dos clientes da barraquinha me olhou e soltou um, "corajosa". Retruquei que o morro era tranquilo e segui. Um pouquinho depois, aparece o cara. Disse que resolveu subir também. Aham. Agora tu tomou coragem, né amiguinho?
Na hora de pegar o bondinho, todas as preocupações foram para o saco. Encontrei um casal de alemães muito simpático e mais alguns estrangeiros. Eles moram em Sampa, mas passam todos os fins de semana no Rio. Se eles estavam ali e não estavam preocupados, porque eu, que falo a língua e ainda estava perto de casa, estaria?
Esperamos mais um pouco e uns 20 minutos depois estavamos na estação quatro, onde acontecia a festa Pôr do Santa. Como o morro é muito inclinado, com a pacificação foi construído um bondinho que leva o povo até o topo. Pra vocês terem uma ideia, a comunidade fica perto do Pão de Açúcar e a inclinação da montanha é semelhante a do Corcovado. Antes (e antes era há três anos), como disse um senhor que mora lá há 50 anos, o jeito era ir de viação canela.
Mais uns minutos caminhando pelo meio da comunidade, que merecia ganhar prêmios de arquitetura por se manter em cima daquela montanha e não desaparecer cada vez que São Pedro decide presentear um Rio com um temporal, chegamos a Praça Michael Jackson, a mesma do clip.
Gente bonita em clima de paquera, uma vista fantástica e cerveja barata. Mas, porém, toda via, ainda um aparthaid. O povo na pista não se misturava com o povo da comunidade. Sabe aquiela história de eles ali e a gente aqui? Curiosa, fui falar com Fumaça,
- O pessoal do morro nunca vai ir num samba que começa às 16h e acaba às 22h. Pra começar a gente nem gosta desse tipod e música.
- Pois é, eu vi que tocou até Nara Leão...
- Nara Leão, Nara Leão. Me pergunta quem é Nara Leão? Eu não sei! Isso não é a nossa cultura.
Ou seja, samba pra inglês ver.
Continua, que o sol lá fora está muito convidativo.
3.8.11
Vistas
P.S. Vamos ignorar a vista do teto das fábricas do Limão e do Tietê da redação do Estadão em Sampa. Se bem que os pôres-do-sol lá eram marcianos de tão vermelhos - um presentinho da aura de poluição que coroa a cidade.
28.7.11
Pesadelo com Camões
24.7.11
Amy
21.7.11
13.7.11
Entre canetinhas e pães de colônia

E a minha primeira fornada de pães tradicionais (já fiz pãesinhos de iogurte com erva doce), que saiu fresquinha ontem a tempo do café das 22h.

A receita é bem simples. É só misturar 50 gramas de fermento fresco (fica junto com os frios no mercado), 1 copo de óleo, 2 copos e 1/2 de água morna, 1 ovo, uma pitada de sal e 2 colheres de sopa de açúcar, tomando o cuidado de desmanchar o fermento na água antes de bater tudo no liquidificador. Depois você literalmente colocar a mão na massa e acrescenta um quilo de farinha branca, misturando tudo até desgrudar das mãos.
A parte mais chatinha é esperar e amassar. Deixa a massa crescer uma hora, divide em duas partes e faz os pães. Mais 40 minutos crescendo, meia hora de forno e você tem pão caseiro. Acreditem se quiserem, omeu ficou com gosto de pão de colônia.
Porque, se for pra comer, que seja o pão que eu amassei, né.








