8.3.17

A Val e o desapego

Fica aqui meu pequeno agradecimento a Val que impede que a minha mesa na redação se torne um iglu de papel e jornal (e que, de quebra, me lembra da efemeridade do papel impresso, do que escrevi hoje e será ignorado amanhã ou mais tardar semana que vem, da vida). Toda a manhã, suspeito que propositalmente antes de eu trazer meu corpinho para o trabalho, ela confisca as folhas do que vê como passado e, em troca, deixa um amontoado de novas velhas notícias fresquinho, num exercício que com frequência me obrigada a um rancoroso desapego. Afinal, por que raios eu ia querer consultar uma reportagem da semana retrasada?

22.2.17

Fast food à moda antiga

Sento pra bater uma matéria, tomar um café e filar alguma internet. Por indicação do Mauro, acabamos na Leiteira Carioca. O cardápio tem mingau e não tem vergonha de oferecê-lo mesmo com o relógio marcando 16h. Na parede, um quadro com uma página de jornal já amarelada lembra glórias passadas. A manchete: 'Lanches rápidos, e a vida segue'.

25.1.17

Sobre 2016, para 2017

2016 quase fazendo a curva e uma alvorada mineira pra deixar saudade

Faz uns anos que uns dias antes da virada ou um que outro depois, sento por aqui, faço algum balanço do ano que passou e na medida das expectativas, que também variam com as viradas de folhinha no calendário, traço planos.

Eis que chegamos a 2016, ou ao fim dele, e a minha necessidade de que esse ano terminasse era tão grande que estava mais fácil ficar agachada debaixo da cama gritando ‘vem disco voador’ em posição fetal do que querer refletir sobre o que passou.

Então borá traças estas linhas antes que se encerre também o primeiro mês do ano.

Para ser justa, até tentei um ano novo no fim de julho, com direito a espumante e tudo, para ver se o tal do 2016 B vinha mais leve, má che, como diria a minha colônia querida, o ano seguiu – e tomo a liberdade de colocar de usar o plural aqui -, nos patrolando.

A imagem que me vem à mente quando penso nos últimos doze meses, embalada pelo calor e leveza desses primeiros 25 dias de 2017 -- ainda tão coalhados de notícias terríveis quanto seu antecessor --, é a de lutar, com mais ou menos forças, para não submergir. E ainda assim engolir água para caramba e passar boa parte do tempo desnorteada.

Em 2016, penso, envelheci.

Os cabelos brancos, antes raros, se não abundantes, ganharam espaço cativo. Lado esquerdo do cocoruto, meiuca da cabeça, ainda escondidos por uma boa porção de mechas castanho-alouradas-despentedas, mas ali, à espreita.

Tento lembrar de 2015. Não sou capaz. Tudo me parece tão, mas tão longe. Quantos anos vivemos nesses 366 malfadados dias?

Claro, a situação se agrava por conta da síndrome de Estocolmo que é o jornalismo, que nos obriga não apenas a ser testemunha dos fatos, mas a narrá-los, enxerta-los de informações não necessariamente necessárias, e agarrar com força, ainda que muitas vezes sem fôlego, a próxima tragédia.

Ainda assim, acho que o caos foi geral. Como bem disse a Caro, entre janeiro e dezembro ‘a bruxa estava solta’. E tudo leva a crer que só terminamos a mala onda que nos trouxe até aqui em 2018.

Encerrei esse turbilhão no meio do mato, cercada de amigos, acordando e dormindo com uma represa de águas claras e mornas a poucos passos -- me pareceu a versão mais agradável do tal ficar em posição fetal esperando o fim. E foi bom. Se não apagou 2016, resetou boa parte da amargura que me tomava (sdds MG).

(Até escrevi uma carta de intenções, sem grandes ambições, para ver se, de alguma forma, eu procurar ser uma pessoa melhor para o ano que vem aí ao invés de apenas esperar que ele não seja tão dramático ajuda um pouquinho.)

Não há como pedir que 2017 venha assim, facinho e sem ondas – viesse também, talvez me entediasse --, e tampouco é assim que as coisas se desenham, então peço apenas que pelos próximos 11 meses eu tenha a serenidade e a força necessárias para encarar as ondas que aparecerem, mergulhar fundo antes da rebentação e sair nadando, não cuspindo água e quase me afogando, dessa história toda.

Alguma matemática

O plano era passar 2016 tendo ao menos mais 24 livros na lista dos lidos. Posto que 2016 foi, bem, 2016 -- como lidar com esse ano? Como entendê-lo? Como viver depois dele -, terminamos em 18. Matemáticas a parte, me incomoda não ter riscado os dois por mês a que me propus, mas, já citei 2016?, também não ficamos em recuperação.
Pra esse ano, a gente não vai traçar meta. Mas quando chegar na meta, dobra a meta.

20.1.17

Tia Virgínia

E tinham as histórias da família, contadas quase como lendas, nos momentos de descontração e chimarrão. Serviam para rir e também pontuar algum desafeto, temperado pelos laços de sangue que tão bem explicavam os Bianchi.

A tia Virginia, contava o pai, começava a enlouquecer “assim que as folhas começavam a cair”. Por um tempo, deu para ligar lá para casa duas, três vezes por dia. Eram telefonemas longos, azar de quem os atendesse, em que passava 40 minutos, uma hora, discorrendo sobre as dores reais e imaginárias que sentia e fofocando de parentes distantes que entravam e saiam do léxico familiar assim que ela desligava.

A ordem era dizer sempre que o pai não estava ou estava no banho ou não podia falar. Foi também por conta dela que a casa ganhou uma bina, evitando o desconforto de ter que espera-la cansar de falar ou desconversar para cortar a ligação.

Uma vez, num rompante de impaciência e sinceridade após um longo inverno de ligações indigestas, minha irmã disse que não queria falar com ela pois ela só sabia falar mal dos outros. A velha, revoltada, espalhou pelo bairro que havia sido destratada e foi com seus 80 e tantos anos até a padaria da mãe reclamar pessoalmente.

Diz o pai que a tia Virginia passou meia vida dormindo com um facão debaixo do travesseiro para espantar o marido, que tinha como o capeta. Para falar bem a verdade, lembro do homem apenas como um velho mirrado cheirando a mijo, como tantos outros velhos, e das paredes bege daquela casa que eu odiava visitar e que parecia nos consumir tal qual um buraco negro conforme as horas passavam e o café da tarde se tornava jantar.

E havia também as noites em que tia Virginia decidia que estava morrendo. No começo, ligava para os quatro filhos que acudiam apavorados para encontrar a mãe sadia e indignada com a demora na cozinha da casa, que tinha como principal decoração um enorme quadro já meio esverdeado pelo tempo com um Jesus Cristo caucasiano, de ar bondoso e olhos azuis.

Com o tempo, eles também pararam de atender e ela deu para chamar a ambulância do plano de saúde. Ligava e já ia logo para a cozinha. Recebia os médicos com a mesa posta, com todas as gostosuras que seu passado de descendente de italianos e mãe de quatro marmanjos a fizeram aprender, e o café quentinho.

“Tão tarde, vocês devem estar com fome”, dizia aos jovens médicos. Um parente do outro lado da família que trabalhou um tempo como plantonista na madrugada dizia que ele e os colegas adoravam atender os chamados da velha, que já associavam a mesa farta e ao lanche, quase um recreio durante o trabalho.

Passou o tempo, deixei a Serra e perdi parte das histórias – com poucos dias em casa, é difícil que o pai escolha comentar justo sobre essa tia tão peculiar. Mas ao menos duas vezes por ano a mãe conta que eles estão indo ao hospital ou a casa dela fazer uma visita, porque parece que agora é sério, a velha está para morrer.

17.1.17

Sobre Sísifo nos anos 10

"se [Sísifo] vivesse agora, saberia demais a respeito da pedra, da montanha e de si mesmo para se entregar eternamente ao absurdo de sua tarefa”. “Saberia demais sobre a tarefa em si. Teria a ciência e a tecnologia. Teria a história dos últimos dois mil anos e a nuvem de informação. Teria a superpopulação de Sísifos, o multiverso dos Sísifos. Se fosse uma cria de nosso tempo, Sísifo leria O mito de Sísifo. Chegaria ao ponto em que não entenderia mais nada, nem mesmo a liberdade que conseguira encontrar em seu castigo.
O que ele pensaria se seu heroísmo absurdo aparecesse na forma de zonas coloridas em imagens de ressonância magnética do cérebro, feitas em laboratórios de neurociência? O que restaria de sua rebeldia em meio a considerações sobre gasto calórico e explicações evolucionistas para juízo moral do ser humano? Nem nos deuses ele poderia seguir acreditando”.
Trecho do Meia noite e vinte, do Daniel Galera

11.1.17

Passando rapidinho só pra guardar uma citação que ganhei de um amigo, do Julio Ramón Ribeyro

"A única maneira de continuar vivendo é manter serena a corda de nosso espírito, tenso o arco, apontando em direção ao futuro".

3.1.17

Zuck e os likes

Passei uma semana no meio do mato, longe de sinal de telefone e, principalmente, da internet. As mensagens pingavam volta e meia, quando calhava de entrar algum fiozinho de sinal no telefone durante os passeios. Resultado: livros lidos, horas conversando com amigos, grandes momentos, poucos registros -- teria lido, conversado e tido grandes momentos com internet também, mas admito que eles seriam permeados por outros tantos rolando a barrinha das redes mais por um (mau) hábito do que qualquer outra coisa. Abro o e-mail hoje, numa daquelas abas separadas das mensagens principais, o Facebook, saudoso dos meus likes e horas de ócio, me avisa, ‘fulano curtiu isso, ciclano aquilo, não sei quem atualizou não sei o que’. E eu com isso, Zuck? 

E vamos de Chico César, que reflete sobre isso melhor que eu nessa doçura de canção.

26.12.16

Para 2017

Conheci um dos meus melhores amigos na fila do RU, como ele bem me lembrou na dedicatória do seu primeiro livro (pausa pro jábá: Senho Gelado e outras histórias, do @igornatusch lançado agora em dezembro, disponível no site da Cultura e nas livrarias mais bacanas de Porto Alegre. Que orgulho desse guri, tche!). Nesses tempos de hiperconexão, provavelmente teria passado a meia hora que me separava da querida bandeja de feijão e arroz a R$ 1,30 surfando aleatoriamente pela internet e pelas redes sociais ao invés de decidir dar oi ao simpático moço de barba ruiva e camiseta de metaleiro que compartilhava comigo a fome e a espera nas inevitáveis filas que acompanhavam nossos almoços naqueles tempos de dureza estudantil. Daí que o meu desejo pra esse 2017  -- que encerro meu ano, graças a Alah, hoje, com o fim do plantão, alegria, alegria –, além de que sejam 365 dias mais leves, é que a gente consiga passar mais tempo juntos, rindo e conversando a distância de um abraço, do que na telinha do celular. E saiba ter a delicadeza de olhar mais o que há de bom no mundo e nos outros, que quantos Igors pra vida toda a gente não perde nessas correrias loucas que acompanham nossa rotina atualmente. 

22.12.16

Estou lendo um livro que é de contos e não é – a narrativa é toda a mesma, ocorre mais ou menos no mesmo espaço, mas o narrador não se preocupa em explicar as mudanças de tempo ou de histórias ou mesmo em explicar qualquer coisa --, que me subiu uma vontade de escrever. Penso com meus botões que ele não segue regra nenhuma; os botões respondem, ‘quem liga para as regras se o texto é bom?’. Vejo textos por toda a minha Caxias do Sul que visitei numa folga prolongada que ganhou contornos de natal antecipado. A mãe chama para fazer qualquer coisa. Deixo para escrever depois. Depois vira nunca mais. 

21.12.16

Cenas de verão

Combino com amigos de ir à praia após o trabalho. Biquini na bolsa, o Leme vira aterro. Alguém traz uma bola, jogo basquete pela primeira vez desde o colégio com um estranho que conhecemos na quadra. Meia hora de correria depois, migramos atrás de uma partida de vôlei que nunca começou. Vou descalça pela pista de corrida apreciando a temperatura do asfalto. Algum termômetro no caminho marca 38º. A conversa gira tem torno do clássico diferenças entre cariocas e o resto do mundo. “O bom e o ruim do Rio é que a cidade parece uma pracinha, todos se encontram o tempo todo”. Cruzo com um conhecido que se desculpa pelo suor e desacelera a corrida para um abraço. “Quando alguém diz vamos fazer algo na sexta significa ‘foi bom te ver, a gente se cruza por aí’.” Sentamos na areia. Entrar ou não entrar no mar da baía de Guanabara? Um barraqueiro animado aparece e em pouco tempo minha canga é cercada por uma mesinha, cadeiras e latões de cerveja devidamente acomodados em camisinhas de isopor. O sol cai aos poucos. Chegam amigos de amigos, a mesa aumenta. O fundo é o pão de açúcar. De esguelha, por entre prédios, é possível ver o Cristo. Deixo os amigos e caminho de volta até a minha bicicleta pela areia. Me distraio com os caras que passam correndo por mim e me pego olhando por mais tempo para um deles. Ele para para me cumprimentar; outro conhecido. Desvio de um casal de namorados que escuta música alta, bato os pés na grama para colocar as alpargatas, destranco com calma o cadeado da bicicleta. Um ambulante ao lado quebra um coco para dar de beber ao cachorro. Atravesso a avenida e tomo o rumo de casa. Quase 22h, a rua borbulha de gente, os termômetros seguem namorando os 40º. Verão, enfim.

***
(mais verão. Tomo um banho, me preparo para quebrar um ovo e miro a frigideira. Falta luz. Aos poucos os olhos se acostumam e o breu diminui. Respiro a escuridão e o quase silêncio. Termino o jantar com a lanterna do celular. Da varanda, escuto os burburinhos de reclamação dos vizinhos e vejo pontos de luz intermitentes de uma que outra lanterna. Parte da fiação do poste em frente ao prédio pegou fogo, avisa uma amiga que mora na mesma rua pelo Whatsapp. Melhor ficar sem água ou sem luz? Deito na rede e começo a ler com o que me resta de bateria no telefone. A luz volta, a vizinhança comemora como se fosse um gol. Devia ter entrado na água.)

19.12.16

Cenas serranas

A mãe e a Caro descascam, com carinho, um punhado de physalis recém colhidos que serão mergulhados no chocolate para acompanhar, em algumas horas, o café da tarde. Eu e o pai somos instados a ajudar e tentamos, sem muito jeito, seguir a risca as instruções de dobrar para cima e torcer as folhas já secas dessa frutinha amarela e de nome estranho que a minha memória associa mais a noites dançando em Bogotá, onde faz às vezes de amendoim nos bares, que à serra gaúcha. Desço com o pai na lavoura; cruzamos com pêssegos, peras, romãs, goiabas, abacates, um pé de jabuticaba que “insiste em não jabuticabar”, e uma pitangueira com três pombas rolas - duas pequenas e uma maior -, escondidas por entre os galhos. “Estão tomando lições de vôo”, diz o pai. Chegamos ao tal do physalis, um arbusto baixo, que de longe lembra um tomateiro selvagem e que um senhor contratado para roçar o terreno tomou por mato uns meses atrás. Pergunto como uma planta que ousa ter até ph no nome chegou ao nosso quintal. Ele remexe com delicadeza a terra ao redor, levanta alguns galhos para mostrar os casulos que guardam os frutos, e responde. “Foram os passarinhos.”

19.11.16

A novela das passagens versão 2016

Anualmente passo pela novela de ver o preço das passagens pra casa no natal, sofrer com eles, achar que não vai dar, pensar em ir de carona, a pé, de busão, aceitar, deixar meio rim com as companhias áreas e ficar aliviada porque vai ter natal sim senhora (ainda que, dessa vez, antecipado). Podia tomar vergonha na cara e comprá-las, sei lá, em agosto, mas dai qual seria a graça?

18.11.16

Quanto tempo é tempo?

Pra esquecer alguém, tocar em frente, começar uma história nova.
Mal faz duas semanas que Kafi, a gata com quem dividi apartamento pelo último ano e meio, trocou as Laranjeiras por um novo lar sem varanda mas com terraço na Tijuca. Ainda chego em casa procurando por ela, estranhando não ser acordada pelo seu miado de ‘deu, tu já dormiu demais, é hora de me alimentar’ nem cruzar/tropeçar em seu corpinho peludo pelo corredor.
Me consolava – e isso é errado, eu sei -, pensar numa Kafi com os olhos fixos na porta, achando que estava em um passeio mais longo que o normal, contando o tempo para voltar. Quem sabe assim ela não acabava voltando mesmo?
Mas eis que dona Ana avisa contente – em parte pelo alívio de já não ter quilos de pelos para aspirar pela casa, em parte por não ser na barriga dela que o bicho dormia longas siestas, ciumento dos livros que ousavam chamar mais atenção que o seu ronronado -, que Kafi ‘leva a vida que pediu a deus’, pulando de telhado em telhado e exercitando o lado selvagem que deixou marcas tanto nos meus braços quanto nas visitas desavidas que teimavam em confundi-la com uma gata qualquer.
Duas semanas, e viramos, eu, Daniel e Júnior, história.

17.11.16

Sobre Jonas e outros 8.000 e tantos

'No dia 1º de novembro um grupo de moradores da favela Chapéu Mangueira, na praia do Leme, na zona sul do Rio de Janeiro, desceu o morro arrastando num lençol ensanguentado o jovem Jonas, 20, baleado durante um tiroteio entre criminosos e policiais militares. Eles tentaram colocar Jonas no banco de trás de um carro de polícia; os policiais, assustados, arrancaram em alta velocidade, deixando-o caído no asfalto, a poucos metros da orla. Desesperados, os moradores atiraram pedras contra um ônibus que passava por ali até pará-lo, carregaram o jovem para dentro do coletivo e o levaram até o hospital municipal Rocha Faria, no bairro vizinho de Botafogo. Pouco depois de chegar a unidade, Jonas, baleado na cabeça, não resistiu aos ferimentos e morreu.'

Matéria inteirinha, acá.

16.11.16

A tal da menção honrosa




Começo do mês quebrei protocolos e tietei com gosto o Zuenir Ventura durante a entrega do prêmio Patrícia Acioli de direitos humanos. Tão legal quanto a plaquinha ali com a menção honrosa que vou levar pra dona Marlei no natal foi conhecer um dos jornalistas que leio e admiro desde antes mesmo pensar em pagar o aluguel e viver a vida escrevendo as histórias dos outros. 

A matéria que rendeu a tal da menção honrosa fala justo do aumento desproporcional de mortes de civis por policiais em são Gonçalo após o assassinato da juíza. E vida longa ao jornalismo nosso de todos os dias!

15.11.16

Aniversariantes novembrinos

Novembro calha de vir coalhada de aniversários de amigos do peito/irmãos/camaradas. Alguns deles com um dos melhores fatores para desenhos despretenciosos: barbas!
Algumas, no caso do Kauê, até com trancinhas.



Fica aqui o meu parabéns a canetinha, rabiscado entre um e outro intervalo do plantão. E viva o Rod e o nosso amigo K.!

9.11.16

The Trump Day

Sobre 2016, só consigo pensar que ainda temos 50 dias pela frente e Alah only knows o que pode acontecer ainda.

4.11.16

Vai ter natal, sim senhora

Anualmente passo pela novela de ver o preço das passagens pra casa no natal, sofrer com eles, achar que não vai dar, pensar em ir de carona, a pé, de busão, aceitar, deixar meio rim com as companhias áreas e ficar aliviada porque vai ter natal sim senhora (ainda que, dessa vez, antecipado). Podia tomar vergonha na cara e comprá-las, sei lá, em agosto, mas dai qual seria a graça?

29.10.16

O que o subúrbio carioca quer?

Eleição aí, tal e coisa, coisa e tal, ado, ado, cada um na sua pracinha, mas fato é que quem vai decidir esse pleito é o pedaço da cidade que costuma escapar aos jornais. Mas o que o subúrbio carioca quer? 




(Fernando Maia/UOL)

Ao longo dos trilhos de trem que cortam ao meio o Rio de Janeiro a partir da Central do Brasil, no centro, até as bordas da capital fluminense, corre uma cidade que foge do cartão postal e que será, junto aos seus mais de 4,1 milhões de moradores –cerca de 65,5% da população do município, de acordo com o Instituto Pereira Passos--, o fiel da balança destas eleições.

O subúrbio carioca, que inclui a zona norte e parte da zona oeste, tem memórias e queixas comuns: transporte, saneamento básico, lazer, segurança pública e saúde são questões longe de serem resolvidas.

"São as áreas da cidade que mais demandam direitos públicos", diz o historiador e professor da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Rafael Santos.

O próprio conceito de subúrbio, diz Santos, passa por uma disputa de representação --recentemente, um vereador apresentou um projeto de lei propondo transformar a região da Barra da Tijuca e do Recreio em "zona oeste-sul", dessassociando-a do restante da região oeste. "A cidade é mutante, as nomenclaturas que estabelecemos são políticas", diz.

Lar da Portela, dos bate-bolas, do viaduto de Madureira e de outras tantas manifestações culturais tipicamente cariocas, essa região esquecida é, de acordo com seus moradores, deixada de lado entre as prioridades da cidade, voltadas mais para a zona sul e o centro. Mas o que o subúrbio carioca quer?

A matéria inteira, bonita, com os trilhos passando e o lindo vídeo da Taís Vilela, acá.

28.10.16

Nível de transmissão de pensamento entre irmãos

Termino um livro, surto com o livro, resolvo que coisas como comprar comida e lavar roupa são menos importantes que ler o livro, e penso, 'caramba, CARAMBA, preciso levar esse livro pra Caroline ler na próxima vez que eu for pra casa'. Dois dias depois, Bianchi Jr. telefona. "Tu PRECISA ler o livro que eu terminei de ler agora!". O que são 2 mil quilômetros pra quem nasceu do mesmo umbigo, ein?

19.10.16

Os 30 da Cris


Formato presente post it (ou, o começo da nova década que vai longe).
E fica também como desejo geral para os amigos, antes, durante e depois dos famigerados 30.

13.10.16

O verão que não vem

O calor, o calorzão, aquela sensação de que o Saara deve ser mais fresquinho que o verão carioca traz de brinde zero me fazem falta. Agora a leveza das noites de verão, poxa, dessas ai eu tô saudosa.

21.9.16

Metas literárias

Acabo de acrescentar o Budapeste, do Chico, aos livros lidos, e sacar que será difícil bater a meta dos dois por mês. Mas,né, nós não vamos colocar uma meta. Nós vamos deixar uma meta aberta. Quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta.

15.9.16

América latina carioca

E tem esses dias em que o centro do Rio é também a América Latina inteira. Como quando sobe o cheiro das goiabas vendidas em carrinhos de mão, cortadas ao meio num ziquezague cuidadoso, e cruza com o cheiro de bolo de milho, de aipim, do pastel chinês da esquina, da poeira, do lixo, do suor e do calor de fim de inverno que faria ruborizar setembros mais ao sul. E passa uma negra linda, e grande, e gorda, de cabelo comprido trançado com fios roxos, calça estampada, tomara que caia e tatuagem do Piu Piu no ombro, e solta uma gargalhada larga e cutuca um apontador de jogo do bixo sentado num banquinho no resto de sombra que foge junto com os últimos minutos da manhã. E “que lindos são seus olhos”, grita um menino que distribui panfletos que prefere não entregar. “Melhor não, não são para moças”. E os alto-falantes ecoam praça afora o som de flautas tocadas por índios equatorianos fantasiados de indios americanos enquanto um morador de rua assiste confortavelmente sentado no chão um show de pagode qualquer que passa por acaso numa banca de jornal, que de jornal já quase não tem nada, ao lado de um vendedor mais interessando em brincar com os arremedos de pipa que oferece do que com os clientes em si. E podia ser Salvador, Cartagena, Havana, mas é só a Uruguaiana, é só a Carioca.

12.9.16

29 quase primaveras

Passo uma boa hora e meia remando uma água com gás e lendo preguiçosamente trechos da pilha de livros que recolhi com gosto pela livraria. Decido pelo bem dos meus fundos levar só um e pergunto pra moça do caixa se há desconto para aniversariantes. Ela diz, sem graça, que não e começa a embalar com capricho o livro para presente. Digo que não precisa, ela retruca. “Mas esse não é um presente de você para você mesma?”. 

31.8.16

E então, que quereis?

Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.
Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.

Vladímir Maiakóvski
*Citado pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso de despedida nesta triste, triste, quarta-feira de cinzas da democracia em mais um agosto que entrada para a história marcado de luto.

9.8.16

O transporte carioca e as suas peculiaridades

O ônibus pode tanto te ignorar no ponto fazendo polichinelo pra garantir espaço no campo visual do motorista quanto estacionar fora dele e esperar tranquilamente a sinaleira abrir pra ti embarcar (para o rancor dos outros passageiros).

Sabe q eu tava aqui elaborando uma teoria sobre a relação busão/motora/passageiro. A questão, acredito, é ver os motoristas apenas como meros condutores de um veículo a serviço público. O motorista de ônibus no Rio não é um simples motora, ele é o piloto (como tu bem pontuou, Carol), o dono da bola. Uma vez ao volante, não se prende a questão pueris como respeitar regras de trânsito ou mesmo o trajeto da linha. Rola quase uma transcendência. a gente se entrega por livre e espontânea vontade as decisões dessa pessoa, que podem tanto passar por cantar Kid Abelha a plenos pulmões (imagina isso em Porto, SP?), quanto 'dar um dez' pra fazer um lanche e bater um papo numa esquina qualquer enuqanto geral espera pacientemente (o que não deixa de ser libertador nesses tempos decisões all the time). Já corri atrás de ônibus e bati boca por conta da velocidade e de velhinhos deixados a ver navios no ponto, já vi passageiro reclamar aos berros que o motorista estava querendo agradar a chefia ao parar em todos os pontos e andar de acordo com o permitido pela lei, mas também já vi o cara parar pra me embarcar por trás em outra linha no meio do caminho quando comentei que tinha pegado o ônibus errado e me liberar a catraca numa manhã atrasada em que deixei a cabeça e a carteira em casa. Por essas e por outras que nenhum lugar é capaz de igualar essa cidade.
"É a função do poeta: nomear o inominável, apontar as fraudes, tomar partido, despertar discussões, dar forma ao mundo e impedir que adormeça" (Salman Rushdie)

20.7.16

No consultório, um velhinho gaiato me deseja “bom castigo”, frente ao atraso de uma hora e lá vai pancada que me aguardava. Na pauta, um homem mostra as mãos machucadas, com os nós sangrando. Diz que o dono do morro fez questão de lhe dar uma lição depois que o companheiro foi reclamar que eles haviam brigado. Na redação, ligo pra uma fonte, para confirmar uma entrevista. Ela diz que não pode falar, insisto. “Não posso falar agora, uma amiga acaba de falecer na minha frente.” É um mundo cão. Um cotidiano cão. E a gente já nem tem grito pra prender.