29.4.07

"O problema não é inventar. É ser inventado hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente".
Carlos Drummond de Andrade

26.4.07

Minha família vem pra cá no fim semana , ou seja, vou pra Caxias (por família entenda-se titio, titia, prima e madrinha). Digamos que a relação entre as vindas deles pra capital e as minhas idas não planejadas para terrinha é diretamente proporcional. Já arrumei toda a casa, limpei até em cima da janela, falta só resolver um pequeno problema: a geladeira, mais especificamente o conteúdo dela. Uma pessoa que tem apenas queijo, leite, uma garrafa de vodka e uma garrafa de wiskey no refrigerador pode ser considerada saudável?
A solidão é um negócio engraçado. Ela simplesmente acontece, de uma hora pra outra, e vai embora do mesmo jeito. Num momento a vida é um must, nada pode te abalar e no outro, cadê? Falta um pedaço que você nem mesmo sabia que tinha perdido. E dai, quando você decidi por bem parar de procurar e conviver com o tal buraco, ele some, sem aviso, sem prazo de volta. Talvez a vida seja mesmo uma montanha russa em câmera lenta, a gente sobe, pra depois descer e subir, de novo, e de novo.

25.4.07

"Não tem cara de tiozão, mas acelerou me coração"...

Que fim deram os jingles?
Quem não se lembra do "pipoca na panela, começa a estourar" ou do, hmn, bem, você sabe. Eles foram soterrados pela moda das canções de bandas famosas, deixando pra trás todo o gostinho de ter uma musiquinha na vitrola da cabeça tocando, e tocando, e tocando horas a fio.
Jingles forever, campanha pela volta das boas e velhas letras-meio-acorde-chiclete-tapa-cérebro, que teimavam em aparecer nas horas mais impróprias, como o momento de fazer aquela prova ou quando simplesmente você não queria pensar em nada.
E então, qual foi o jingle que mais te atazanou/marcou?
A gente tem que fazer o que a gente quer fazer, o que o coração manda, o que nos faz feliz etc. Só que às vezes é preciso parar um pouquinho, respirar, olhar lá pra dentro e se perguntar: O que eu quero mesmo?

24.4.07

Carta ao Zézim

Caio Fernando Abreu


Porto, 22 de dezembro de 1979


Zézim,


cheguei hoje de tardezinha da praia, fiquei lá uns cinco dias, completamente só (ótimo!), e encontrei tua carta. Esses dias que tô aqui, dez, e já parece um mês, não paro de pensar em você. Tou preocupado, Zézim, e quero te falar disso. Fica quietO e ouve, ou lê, você deve estar cheio de vibrações adeliopradianas e, portantO, todo atento aos pequenos mistérios. É carta longa, vai te preparando, porque eu já me preparei por aqui com uma xícara de chá Mu, almofada sob a bunda e um maço de Galaxy, a decisão pseudo-inteligente.

Seguinte, das poucas linhas da tua carta, 12 frases terminam com ponto de interrogação. São, portanto, perguntas. Respondo a algumas. A solução, concordo, não está na temperança. Nunca esteve nem vai estar. Sempre achei que os dois tipos mais fascinantes de pessoas são as putas e os santos, e ambos são inteiramente destemperados, certo? Não há que abster-se: há que comer desse banquete. Zézim, ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace ai anda”.

Mais: já pensei, sim, se Deus pifar. E pifará, pifará porque você diz ”Deus é minha última esperança". Zézim, eu te quero tanto, não me ache insuportavelmente pretensioso dizendo essas coisas, mas ocê parece cabeça-dura demais. Zézim, não há última esperança, a não ser a morte. Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso.

Certo, eu li demais zen-budismo, eu fiz ioga demais, eu tenho essa coisa de ficar mexendo com a magia, eu li demais Krishnamurti, sabia? E também Allan Watts, e D. T. Suzuki, e isso freqüentem ente parece um pouco ridículo às pessoas. Mas, dessas coisas, acho que tirei pra meu gasto pessoal pelo menos uma certa tranqüilidade.

Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tUdo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som, alimentando a Pobre. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem.

Você quer escrever. Certo, mas você quer escrever? Ou todo mundo te cobra e você acha que temum sentimento de glória interior. Essa expressão é fundamental na minha vida.

Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud.

É esse tipo de criador que você quer ser? Então entregue-se e pague o preço do pato. Que, freqüentemente, é muito caro. Ou você quer fazer uma coisa bem-feitinha pra ser lançada com salgadinhos e uísque suspeito numa tarde amena na CultUra, com todo mundo conhecido fazendo a maior festa? Eu acho que não. Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano.

Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos. Cada um tem seus processos, você precisa entender os seus. De repente, isso que parece ser uma dificuldade enorme pode estar sendo simplesmente o processo de gestação do sub ou do inconsciente.

E ler, ler é alimento de quem escreve. Várias vezes você me disse que não conseguia mais ler. Que não gostava mais de ler. Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, que escrever? Sei que não é simplório assim, e tem mil coisas outras envolvidas nisso. Mas de repente você pode estar confuso porque fica todo mundo te cobrando, como é que é, e a sua obra? Cadê o romance, quedê a novela, quedê a peça teatral? DANEM-SE, demônios. Zézim, você só tem que escrever se isso vier de dentro pra fora, caso contrário não vai prestar, eu tenho certeza, você poderá enganar a alguns, mas não enganaria a si e, portanto, não preencheria esse oco. Não tem demônio nenhum se interpondo entre você e a máquina. O que tem é uma questão de honestidade básica. Essa perguntinha: você quer mesmo escrever? Isolando as cobranças, você continua querendo? Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega? Porque dói, dói, dói. É de uma solidão assustadora. A única recompensa é aquilo que Laing diz que é a única coisa que pode nos salvar da loucura, do suicídio, da auto-anulação: escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta. E eu acho — e posso estar enganado — que é isso que você não tá conseguindo fazer. Como é que é? Vai ficar com essa náusea seca a vida toda? E não fique esperando que alguém faça isso por você. Ocê sabe, na hora do porre brabo, não há nenhum dedo alheio disposto a entrar na garganta da gente.

Ou então vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/ e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa. Só não quero te ver assim engasgado, meu amigo querido.

Pausa.

Quanto a mim, te falava desses dias na praia. Pois olha, acordava às seis, sete da manhã, ia pra praia, corria uns quatro quilômetros, fazia exercícios, lá pelas dez voltava, ia cozinhar meu arroz. Comia, descansava um pouco, depois sentava e escrevia. Ficava exausto. Fiquei exausto. Passei os dias falando sozinho, mergulhado num texto, consegui arrancá-lo. Era um farrapo que tinha me nascido em setembro, em Sampa. Aí nasceu, sem que eu planejasse. Estava pronto na minha cabeça. Chama-se Morangos mofados, vai levar uma epígrafe de Lennon & McCartney, tô aqui com a letra de Strawberry fields forever pra traduzir. Zézim, eu acho que tá tão bom. Fiquei completamente cego enquanto escrevia, a personagem (um publicitário, ex-hippie, que cisma que tem câncer na alma, ou uma lesão no cérebro provocada por excessos de drogas, em velhos carnavais, e o sintoma — real — é um persistente gosto de morangos mofados na boca) tomou o freio nos dentes e se recusou a morrer ou a enlouquecer no fim. Tem um fim lindo, positivo, alegre. Eu fiquei besta. O fim se meteu no texto e não admitiu que eu interferisse. Tão estranho. Às vezes penso que, quando escrevo, sou apenas um canal transmissor, digamos assim, entre duas coisas totalmente alheias a mim, não sei se você entende. Um canal transmissor com um certo poder, ou capacidade, seletivo, sei lá. Hoje pela manhã não fui à praia e dei o conto por concluído, já acho que na quarta versão. Mas vou deixá-lo dormir pelo menos um mês, aí releio — porque sempre posso estar enganado, e os meus olhos de agora serem incapazes de verem certas coisas.

Aí tomei notas, muitas notas, pra outras coisas. A cabeça ferve. Que bom, Zézim, que bom, a coisa não morreu, e é só isso que eu quero, vou pedir demissão de todos os empregos pela vida afora quando sentir que isso, a literatura, que é só o que tenho, estiver sendo ameaçada como estava, na Nova.

E li. Descobri que ADORO DALTON TREVISAN. Menino, fiquei dando gritos enquanto lia A faca no coração, tem uns contos incríveis, e tão absolutamente lapidados, reduzidos ao essencial cintilante, sobretudo um, chamado "Mulher em chamas". Li quase todo o Ivan Ângelo, também gosto muito, principalmente de O verdadeiro filho da puta, mas aí o conto-título começou a me dar sono e parei. Mas ele tem um texto, ah se tem. E como. Mas o melhor que li nesses dias não foi ficção. Foi um pequeno artigo de Nirlando Beirão na última IstoÉ (do dia 19 de dezembro, please, leia), chamado "O recomeço do sonho". Li várias vezes. Na primeira, chorei de pura emoção - porque ele reabilita todas as vivências que eu tive nesta década. Claro que ele fala de uma geração inteira, mas daí saquei, meu Deus, como sou típico, como sou estereótipo da minha geração. Termina com uma alegria total: reinstaurando o sonho. É lindo demais. É atrevido demais. É novo, sadio. Deu uma luz na minha cabeça, sabe quando a coisa te ilumina? Assim como se ele formulasse o que eu, confusamente, estava apenas tateando. Leia, me diga
o que acha. Eu não me segurei e escrevi uma carta a ele dizendo isso. Não sou amigo dele, só conhecido, mas acho que a gente deve dizer.

Escrevendo, eu falo pra caralho, não é?

Aqui em casa tá bom. É sempre um grande astral, não adianta eu criticar. O astral ótimo deles independe da opinião que eu possa ter a respeito, não é fantástico? A casa tá meio em obras, Nair mandou construir uma espécie de jardim de inverno nos fundos, vai ligar com a sala. Hoje estava pUta porque o Felipe não vai mais fazer vestibular: foi reprovado novamente no 3º colegial. Minha irmã Cláudia ganhou uma Caloi 10 de Natal do noivo (Jorge, lembra?), e eu me apossei dela e hoje mesmo dei voltas incríveis pelo Menino Deus
(?). Márcia tá bonita, mais adultinha, assim com um ar meio da Mila. Zaél cozinhando, hoje faz arroz com passas para o jantar.

Povos outros, nem vi. Soube que A comunidade está em cartaz ainda e tenho granas pra receber. Amanhã acho que vou lá.

Tô tão só, Zézim. Tão eu-eu-comigo, porque o meu eu com a família é meio de raspão. Tá bom assim, não tenho mais medo nenhum de nenhuma emoção ou fantasia minha, sabe como? Os dias de solidão total na praia foram principalmente sadios.

Ocê viu a Nova? Tá lá o seu Chico, tartamudeante, e uma foto muito engraçada de toda a redação — eu com cara de "não me comprometam, não tenho nada a ver com isso". Dê uma olhada. Falar nisso, Juan passou por aqui, eu tava na praia, falou com Nair por telefone, estava descendo de um ônibus e subindo noUtro. Deixou dito que volta dia três de janeiro ou fevereiro, Nair não lembra, pra ficar uns dias. Ficará? E nada acontecerá. Uma vez me disseram que eu jamais amaria dum jeito que "desse certo", caso contrário deixaria de escrever. Pode ser. Pequenas magias. Quando terminei Morangos mofados, escrevi embaixo, sem querer, "criação é coisa sagrada”. É mais ou menos o que diz o Chico no fim daquela matéria. É misterioso, sagrado, maravilhoso

Zézim, me dê notícias, muitas, e rápido. Eu não pensei que ia sentir tanta falta docê. Não sei quanto tempo ainda fico, mas vou ficando. Quero escrever mais, voltar à praia, fazer os documentos todos. Até pensei: mais adiante, quando já estivesse chegando a hora de eu voltar, você não queria vir? A gente faria o mesmo esquema de novo, voltaríamos juntos. A família te ama perdidamente, hoje pintaram até uns salseirinhos rápidos porque todo mundo queria ler a matéria do Chico ao mesmo tempo.

Let me take you down
cause I’m going to strawberry fields
nothing is real, and nothing to get hung about
strawberry fields forever
strawberry fields forever
strawberry fields forever


Isso é o que te desejo na nova década. Zézim, vamos lá. Sem últimas esperanças. Temos esperanças novinhas em folha, todos os dias. E nenhuma, fora de viver cada vez mais plenamente, mais confortáveis dentro do que a gente, sem culpa, é. Let me take you: I’m going to strawberry fields.

Me conta da Adélia.

E te cuida, por favor, te cuida bem. Qualquer poço mais escuro, disque 0512-33-41-97. Eu posso pelo menos ouvir. Não leve a mal alguma dureza dita. É porque te quero claro. Citando Arantes, pra terminar: "Eu quero te ver com saúde I sempre de bom humor I e de boa vontade".

Um beijo do

Caio


PS — Abraço pro Nello. Pra Ana Matos, e Nino também.

16.4.07

Eu vi uma estrela cadente. Em Porto Alegre!

15.4.07

Quando nem tudo são flores, quando só-sobra o silêncio.
Tinha um resquício de paz de espírito por aqui, em algum lugar...
Dois interurbanos depois, saudade de casa e uma sensação 16/17 anos na espinha. A parte ruim dos 16/17. Ai ai. As coisas mudam, porque elas tem que mudar, simples assim. E não adianta espernear e bater o pé, você já não tem mais 16/17 anos (e quando tinha isso também não adiantava).
"Problemática". É, ainda.

Nascer do sol em Porto Alegre.
"Não me perguntes onde fica o Alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração"...

On the road, of the road, na lama. Mais de 1.000 km, menos de 24 horas. Viva as indiadas, que fazem bem pra alma e mal pras costas.

11.4.07

"O Google é o melhor amigo do homem".

Blowg

10.4.07

Meditações bob-esponja-pós -sarau-elétrico-caminhada-na-noite-pela-Oswaldo:

Paula - Bizarro é uma das palavras mais legais da língua portuguesa.
Cris - Minha mãe ria da minha cara, hoje ela fala bizarro. Serve pra tudo!
Paula - Só tem uma coisa. O que é afinal um zarro, pra ser bi? Se tem afu, afude e afuzel pq não zarro, bizarro e trizarro?
Fernanda - Hmn, não sei, mas vou começar a usar daqui pra frente...

9.4.07

Fui ver o pôr-do-sol no gasômetro hoje, aproveitando que não tinha aula de política. Sentada numa pedra, bem na beirinha do rio, acabei no meio de um maconheiro e um pregador, os dois viajando, cada um de um jeito. Pra um aquela mancha amarela era Deus, pra outro era uma coisa muiitho doida.

“É louco dizer que essa figura não existe, nénão princesa”? (pseudo pregador)

Não sei, não sei... Parafraseando alguém-que-não-lembro-quem: “ A Deus só peço uma coisa. Que exista”.

P.S. grupo de rapazes conversando atrás de mim: “Na teta da minha mãe eu mamei até os 8 anos, na do meu pai eu to mamando até hoje véio".

8.4.07

(Re-resposta, vamos lá.
Não esperava resposta, nenhuma.
Era mais um grito no escuro que quase ficou restrito a um e-mail que vai ser lido sabe lá quando. Não escrevi aquilo pra por aqui. Escrevi pra Débora. Por algum motivo me é mais fácil desabafar com pessoas do outro lado do oceano.

Dai houve resposta, tão inesperada e tão, mas tão, não sei explicar. Obrigada.
Quando eu coloquei um ponto naquele texto foi como desengasgar, eu respirei. Foi mais ou menos que nem cuspir uma bola de pêlos, o pior já foi, mas ainda ficam uns pêlos na garganta, fazendo tossir, incomodando. Dai eu li o que vocês escreveram, e eu chorei de novo. Desaprendendo a ser forte, é isso aí. Só 19 anos, sei, mas parece mais, talvez o Matusalém não seja o Isma. Não me arrependo desses dois anos pq conheci vocês. Acho que pra isso eu faria até um semestre de engenharia, mas só um, pq convenhamos, é engenharia. Agora quinta, quando eu ia pra Caxias de ônibus, com o livro do Kotsho na mão, um senhor me pediu se eu fazia jornalismo. Eu disse que sim, e ele perguntou Mas é isso que tu quer? e eu respondi Sim, eu quero ser correspondente internacional, mas não foi uma resposta, foi um eco. Foi a primeira vez que eu disse isso sem acreditar, nem um pouquinho. Aí que está, não sei se posso seguir mas dois anos desacreditando.
Mas não se preocupem, essa re-resposta não precisa de outra re-resposta. Como eu não vou aguentar mais uns meses sem dormir, decidi deixar isso pra julho, até lá eu vou levando, bem, na medida do possível.)

6.4.07


Clube da Luta

Caxias. Feriadão. Finalmente. Chocolate simbólico para todos.
Foi uma semana barra, por minha culpa mesmo. Eu não consigo dormir bem desde quinta feira passada, e como dormir é importante pra mim, isso não ajudou. Fui falar com um cara desses que "sentem" as coisas e ele em fez pensar. E eu pensei, pensei, pensei e quanto mais eu penso mais eu quero não ter que pensar. Eu sei, ninguém sabe mais sobre mim do que eu. Mesmo assim, estou pensando. Domingo de noite foi como colocar o dedo na feria e girar. Doeu. Eu chorei e tudo, e não foi por nenhum motivo específico. Foi talvez, por não ter motivo nenhum pra nada. Dai eu fiquei nessa, mal, uns dois dias. Eu queria que alguém viesse conversar cmg, mas ninguém é adivinho né? Msnticamnte fiz ceninha, a coisa tá preta (e tava, meu deus, como estava) e tal, mais que isso não consigo. Não conseguindo escrever nada que dissesse alguma coisa mesmo fui dormir. Segunda fiz o esquema de sempre. Quando eu fico mal eu falo mais alto, rio mais forte, viro a espinha do avesso pra fingir que tá tudo bem. E todo mundo sempre acha que tá tudo bem. E eu realmente fico esperando que alguém veja que eu não to legal e venha falar comigo, ou não dizer nada. Acho que eu queria mesmo que alguém dissesse chega de teatro guria. Dor não precisa ter porquê, deixa doer, doer é preciso. Uma hora passa. Continuei até que a poeira baixou e deu pra chegar em casa e não ligar o som no último volume pra não me ouvir. Ficou foi um vazio brabo no lugar. Eu vi um filme, revi na verdade há pouco tempo. O cara disse que as pessoas acabam fazendo bobagens por passar tempo demais consigo mesmas. Ele tem razão. Eu quero uma folga de mim. Ou ao menos quero voltar no tempo, só um pouquinho, a quando eu era auto-suficiente, decidida e mais Eu. Eu gosto daquela Paula. Sinto falta dela. Acho que ela seria uma p$%¨&* advogada.

2.4.07

"Não adianta chamar
Quando alguém está perdido
Procurando se encontrar
Baby baby
Não vale a pena esperar, oh não
Tire isso da cabeça
Ponha o resto no lugar"

Ovelha Negra, Rita Lee
E quando a coisa tá preta, hein, como a gente faz?

P.S. Ok, daqui a pouco eu canso de escrever frases desconexas e sem sentindo, tomo vergonha na cara e vou dormir.
Ser ou não ser jornalista, eis a questão.
Eu sinto falta mesmo daquela certeza visceral de que eu estou no caminho certo.

1.4.07

Banzo

To com banzo, um banzo grandão, de alguma coisa que eu não sei direito o que é, mas que faz falta. Ando macambúzia e taciturna, pra cima e pra baixo entre os comôdos do meu ap. E não é a primeira vez. Ponho a culpa no que? Tpm, vida moderna ou no fato e de estar morando sozinha, fazendo a faculdade que eu quis na universidade que eu escolhi e que tudo que meus pais querem pra mim é que eu seja feliz? Cheguei até a achar que beijar na boca ia tapar o vazio, mas a verdade é que não se acha o sentido da vida na garganta de outra pessoa.