29.5.07

Frio do Cão


Isso que já era quase meio dia...

28.5.07

Fim de semana gostoso, longe da capital, da net e de todas as parafernálias envolvendo a faculdade. Pra começar me preparei pra visitar a Sibéria – manta, luvas, toca e todo o aparato de lã presente/mofando no armário desde o ano passado pularam para mala. Exagerei. A temperatura não baixou de cinco graus, e isso de madrugada, o que foi contra os tais rumores de frente polar passando pelo Estado, ao menos para o padrão Caxias. Os planos iniciais de bancar o Garfield foram por água abaixo já na sexta à noite. Que ficar em casa, enrolada debaixo das cobertas, comendo e vendo TV, que nada, show de última hora do Zé Ramalho no Sesi. Tava divertido, apesar de eu conhecer/reconhecer apenas três músicas, entre elas ‘Ôooo vida de gado, povo marcado êee, povo feliz’... E pra quem achou que sábado de manhã eu iria tirar o atraso das horas não dormidas durante a semana na na ni na não. Alguém teve a idéia genial de acordar as 8:00 da matina para ir ver uma das etapas do ‘Freio de Ouro’. Outro alguém, ainda mais esperto, ao invés negar-se terminantemente a participar de tal empreitada, num momento de insanidade temporária, aceitou. O que a gente não faz pelos amigos. Acabou que o negócio desandou, fui parar nos pavilhões para ver a prova só às 3 da tarde. Quanto ao tal freio de ouro, bem, a minha pinã colada estava muito saborosa.

No mais, madrugada na chácara com os amigos. Quentão. Pinhão. Lareira. Parque no domingo. Sinuca. Pai, mãe e mana por perto. Quase que fico por lá.

Des-afeto

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".

Cena 1 e alguma coisa

Dois conhecidos (ex-amigos, ex-melhores amigos, ex-estranhos, ex-amigos) conversam.
– Oi.
– Oie.
– Tudo bem?
– Aham.

E é quase possível ouvir o som de pessoas pisando em ovos.
Talvez ambos engasgassem palavras, talvez se perguntassem se ainda havia o que dizer.

27.5.07

Um Deserto no Quintal

Hei você! Você mesmo, aí perdido na pasmaceira do domingo a noite. Você que já checou e-mail, orkut e o diabo quatro duas vezes, e na total falta do que fazer decidiu partir para os blogs. Sei exatamente o que se passa na sua cabeça agora: "Ah, se eu pudesse saber um pouquinho mais sobre a desertificação no sudoeste gaúcho minha noite seria completa".
Pois bem, seus problemas acabaram!
www6.ufrgs.br/ensinodareportagem
Um texto trabalhado a três mãos e escrito com muito carinho.
Já que a propaganda é a alma do negócio...

24.5.07

Quando um barraco faz a diferença


Mim Paula, pessoa da paz, às vezes até demais. Desde muito tempo decidi abandonar o sangue de barata que domina minhas veias e revidar quando algo me incomoda. Fora uns xingões ocasionais na minha irmã, o que considero comuns entre consangüíneos, esse objetivo andou meio esquecido. Também não há muita coisa que faça subir o referido sangue. Mas essa quarta foi diferente.

Segue o relato de uns dos almoços mais absurdos (não digo o mais porque bem, comer no RU sempre tem seu quê bizarro, vide o parafuso encontrado no feijão semestre passado) que já tive nos meus últimos dois anos e meio de faculdade.

Ontem, como todo santo dia após a aula desde que entrei na UFRGS, me encaminhei para aquele aglomerado de mesas e alunos esfomeados, vulgo Restaurante Universitário, afim de calar a boca do meu estômago. Fila vai, fila vem, paguei (R$ 1,30, porque deus existe e foi estudante), me servi - feijão, arroz, prato quente estranho, uma carne e sobremesa – e fui sentar.

Bandeja na mão, estômago roncando (já mencionei isso, ok, mas essa é uma parte importante, eu tava com muiiitaa fome) e nenhum lugar para sentar. Quer dizer, tinha, vários, mas estavam “reservados”. Obviamente quem fez isso não viu os cartazes nas paredes com letras garrafais de “FAVOR NÃO RESERVAR LUGARES”, tampouco que era meio dia e quinze, horário de pico do estabelecimento. Entre ficar de pé esperando os tais analfabetos distraídos retirarem suas coisas ou outra mesa vagar e sentar pra comer, sentei. Junto com mais três colegas, que também tinham as bandejas na mão, pegueis as pastas e mochilas que cobriam uma das mesas e coloquei na mesa ao lado, coberta por outras pastas e mochilas.

Estava lá eu, olhando pro meu “espaguete de pizza" (nunca subestime a criatividade das nutricionistas do RU), com gritos internos de 'atacar!', quando um grupo, aparentemente furioso, veio indagar onde estavam as suas coisas. Ainda de olho na comida, apontei para a mesa ao lado e voltei para o levantamento de garfo. Qual não foi a minha surpresa, quando o tal grupo não saiu dali e começou a gritar comigo, mas gritar mesmo.

Minha primeira reação foi esbravejar um ‘Tu tá louco guri? Já leu os cartazes na parede, dá licença que eu quero almoçar’. Depois, não tenho bem certeza do que aconteceu. As pessoas começaram a gritar mais e mais. 'Que direito tu tem de mexer nas minhas coisas'! chiava um baixinho, com o dedo em riste na minha cara – ai que meda. 'O direito de, como estudante dessa universidade, poder chegar no RU, sentar e comer'!, respondi (no momento a frase saiu ainda pior que aqui, mas a idéia era essa).

A coisa foi crescendo de um jeito. Numa hora eu era a Paula feliz, prestes a comer, na outra lá estava eu, no meio de um bolo de gente, desafiando um guri que me mandava levantar e sair dali ‘Tenta tirar minha bandeja daqui pra ti ver’! Do nada apareceram uns amigos (que bom que eles estavam por ali), entraram na briga e começaram a me defender. 'Desde quando a guria não pode sentar pra almoçar, cara!', gritavam. Apareceu o guardinha pra apartar, apareceram curiosos, apareceu até uma retardada com um celular na mão rindo 'isso vai pro youtube, blá, blá, blá'...

Chegou ao ponto de um dos garotos, já sem argumentos, me olhar, gritar‘sua vagabunda’e sair andando. Me vi levantar da cadeira, virar pra trás e gritar de volta ‘tu que me chama de vagabunda, depois eu que sou grossa!' (grossa foi um xingamento recorrente durante toda interpelação (frase latente na minha garganta: vai tomar no @#$%& filho da #$&*¨&, mas claro que eu não disse isso, porque: 1. não tenho por que meter uma senhora desconhecida na discussão; e 2. ao contrário do que ele pensa, a minha mãe, sim, me deu educação)). A fala clássica dos valentões de filmes americanos de colégio dos anos 80 (ou seriam todos filmes americanos de colégio?) – 'Te pego na saída', encaixaria perfeitamente nos lábios do baixinho que me encarava. Que corajoso ele hein, eu ali sentada, com a minha manta cor-de-rosa no colo e o garfo na mão, devia parecer muito ameaçadora.

Concordo que falta um lugar para o pessoal colocar as coisas. Ninguém vai implicar com uma cadeira ou outra ocupada por materiais pesados. Agora, reservar duas, três mesas num RU lotado, fato comum ultimamente, é falta de consideração. A maioria das pessoas que conheço também vem cheias de tralhas da aula, e mesmo assim conseguem se servir, ainda que tenham que fazer uns malabarismos para segurar tudo.

Entre o guri que colocava o dedo na minha cara, a guria estridente que repetia e repetia ‘tu pode reservar lugar se for pra ti’ (afinal, formular outra frase exigiria um número superior a três neurônios), os outros guris que ameaçavam meus amigos ‘isso vai ter volta meu, ah vai’ e o guardinha perdido, as coisas ficaram confusas. Depois de uns 15 minutos eles decidiram sentar – ou perderam a voz, não tenho certeza, eu já tava ficando meio rouca (sei que o ideal é responder na classe e tal, mas ninguém mexe comigo quando estou faminta, pff)...

Terminei de comer, ainda meio zonza – e espumando de raiva, admito – com tudo aquilo e fui falar com a senhora responsável pelo RU, pra ver se eu estava tão errada assim. Obviamente, ela me deu razão – lado treze anos: na na na na na. Ela disse que na falta de escaninhos para os cadernos eles contam com o bom senso dos alunos, mas que, devido à ocorrência desses problemas (parece que a mesma turminha folgada (sorry, escapou) tinha arranjado confusão na terça com um pessoal que, pasme, sentou pra comer onde estavam as mochilas deles), a coordenação dos ru´s ia providenciar mesas para os materiais o mais rápido possível.

Tá, e daí? Tudo isso por nada? Não benhê, calma... Tudo isso foi pra dizer que hoje, quando terminei meu almoço, em paz, felizmente, havia sim mesas paras os cadernos e afins. Raro isso, as coisas acontecerem de um dia para o outro, mas às vezes um barraco ou dois fazem a diferença. Triste pensar que pra conseguir as coisas na universidade pública só desse jeito (as lembranças dessa que vos escreve voam pra biblioteca fechada por meses, que só abriu depois que os alunos fecharam também a Ipiranga, pra falta de professores semestral, sempre resolvida depois que os alunos se reúnem pra protestar, entre outras coisas). Sim, parece discurso da gurizada do DCE (garanto que não penso em concorrer pra nada), mas é verdade.

Ah, e esse post também é uma forma de expressar a minha tristeza. Aquela massa tava tão boa fria, imagina quente...

23.5.07

20.5.07

O que é vida além de um longo intervalo entre refeições?

Pias, cabelos e afins

Domingo a noite, friozinho, aquela vontade de ser útil. Já sei, pensei comigo mesma, vou desentupir a pia do banheiro, que há tempos tenta regurgitar os cabelos acumulados e por vingança não deixa a água descer direito.Uma pinça na mão e uma idéia na cabeça, lá vamos nós. Após um tempinho pinçando daqui, tirando cabelinho dali percebi que a coisa ia ter que ser mais hardcore pra dar resultado. Quando vi um parafuso no meio de tudo a chave de fenda praticamente se remexeu na gaveta, clamando para ser usada. Após mais um tempinho desaparafusando o troço (eu sei lá como se chama aquele esquema) que não queria sair de jeito nenhum graças ao já referidos cabelos a coisa ficou preta, literalmente. Uma montoera de cabelo e meleca impedia ver mais a frente. Papel higiênico pra que te quero, em breve pude vislumbrar novamente o branco da pia, até que dei de cara com um outro esquema-que-não-sei-nomear, também precisando de umas pinçadas. Foi, que foi que eu me animei e quando vi a coisa tinha desgringolado de vez. Tive a certeza que fui longe demais quando o cano que vai até o esgoto resolveu abandonar a causa. Tentei rejuntar tudo e trazer a tal pia de volta a vida, no way. O tal do conserto hardcore deu mesmo resultado: pia desentupida, mas desmontada. E agora. Alguém aí conhece um encanador?
Ah, e a minha prima não chegou em casa ainda. Já vislumbro a conversação...
"Jê, notícia boa: desentupi a pia.
Notícia não tão boa: também desmontei ela e não sei como consertar"...


***

Gostaria de deixar aqui um agradecimento especial ao sr. Zelador do meu prédio, cujo nome não me recordo (eu só moro aqui há 2 anos, ora bolas), por ter salvo a pia/o dia. Nada como escovar os dentes no banheiro novamente... No fim, ela ter batido as botas não havia sido culpa apenas da minha inaptidão como encanadora. Parece que meu amabilíssimo Tio, que morava por essas bandas em tempos remotos, também havia decidido “consertar” a tal pia (deve ser coisa de família), e, no calor da hora, colocou peças a mais na tubulação (enjambração seria o termo exato). Bem que eu achei que aquele tareco branco tava sobrando...

19.5.07

Eu não tenho nenhum livro pra ler, nem um filme pra ver, nada exatamente necessário de fazer agora. Talves estudar. To com aquela preguiça 50/50, que não é nem boa nem ruim, mas deixa a gente slooow. Ai ai. Quando decidi levantar, ir na locadora e por a cara no mundo dei de cara com um show do Alemão Ronaldo na redenção. A música que eu gosto dele (que descobri ser dele depois de muito tempo com pedacinhos soltos e sem sentido dela na cabeça - "Sei que tudo vai passar/Seja breve ou sem fim/Não há tempo pra parar/A roda gigante"...) ele não tocou, mas tocou pinhal do cidadão, e foi bom. Acho que levantar e ir pra vida é o primeiro passo pra sair dessa, seja qual for essa. "Ela era garota que sonhava com o baile, mas que negou o convite quando a chamaram e preferiu continuar sonhando baixinho e sozinha".

17.5.07

Distância, s. f., é a medida do espaço que se impõe entre pessoas e que é tão mais difícil de transpor quanto menos ela esteja no mapa e mais ela esteja na alma.

16.5.07

Saga Porcellana - continuação

Após pensar na Cris - e no pote de biscoitos, e no Evangelho, e em qualquer porcaria menos útil que estivesse a passar na TV - reuni forças e decidi por bem fazer o trabalho de uma vez. O acordo: começar e terminar hoje. A pena por não cumprimento: ter que terminar amanhã (dã, o trabalho é pra quinta, se não acabar amanhã acaba quando?) e adiar mais um pouco o fim da leitura do livro (e os esclarecimentões necessários). Após usar de técnicas de leitura dinâmica que incluiam entre outras coisas não ler o livro, apenas selecionar alguns trechos e viajar encima, heis que eu, Paula, terminei essa joça, as exactas 11:59 da noite do dia 15 de maio de 2007 (P+M day). Ês e ufas se misturam com o formigamento resultante de passar boa parte da tarde/noite em frente a telinha do PC, com uma perna sobre a outra. Ler agora não é possível, devido a cansaços multiplos, mas amanhã, ha ha ha ha, vamos descobrir enfim quem é o diabo dessa história toda.

15.5.07

Enrolar é viver

Quase duas páginas (três, considerado o espaçamento 1 e meio + Bookman Old Style 12,5 way of fazer trabalhos chatos) de enrolação tri-destilada – e ainda sem ter lido mais que dois parágrafos do famigerado livro de Tec Tele – depois, um brake, porque ninguém é de ferro, né benhê. Estou me segurando, mas vai ser difícil, assim que eu largar dessa vidinha internética vou acabar caindo de cabeça (de novo) no divino Evangelho Segundo Jesus Cristo, ou pior, atacar o pote de biscoitos. Vade retro carboidrato, e, claro, aaaave Saramago.

A Lista

Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Saudade. Saudade. Saudade. De alguns bons, velhos e perdidos amigos, de um pedacinho meu que faz uma falta danada, de uma outra época, quando as coisas faziam mais sentindo.

8.5.07

Que terça mais quinta essa hein.

6.5.07

Vou me apegar muito a você
vou ser infeliz
vou lhe chatear.
(Roberto Schwarz)

5.5.07

"Nasci muito distante de onde eu deveria estar. Então, estou voltando pra casa".
Bob Dylan

1.5.07

Sempre que me deparo com esses momentos em que a morte e a vida se encontram, como velórios, fico pensando como a vida em si é irônica. Fora toda a dor, a perda, sobra só uma sala e pessoas ao redor de alguém que já deixou de ser há um tempinho. Alguns riem, alguns choram, alguns conversam, e a vida segue, porque tem que seguir, e aquela pessoa ali no meio não tem como mudar isso.
Dai vem o Renato Russo no ipod mental e da vontade de amar mesmo as pessoas como se não houvesse amanhã. Eu fico querendo acordar e dizer todas as coisas importantes pras pessoas importantes antes que seja tarde, mas dai eu acordo.
Dai falta o contexto, falta um pouco a coragem, falta, sei lá... Deixar subentendido é tão mais fácil. Sem contar que as verdade de ontem ficam parecendo meias verdades minhas de mais pra serem ditas em voz alta. E a ironia retorna.
"calma alma minha
calminha
você tem muito o que aprender"...