26.6.07

Parágrafos

Abro essa janela, fecho, abro e por aí vai, texto que é bom necas. Na dúvida decidi escrever sobre o que sei melhor, ou seja (um dia vou conseguir digitar isso de novo sem um coro mental ao fundo gritando CERVEJA), coisa nenhuma. Estou interneticamente de luto. O no mínimo, meu quilombo de jornalistas preferido, acaba essa semana. Já faz um tempo que eles anunciam que sem patrocinador o negócio não ia ter como continuar, mas eu pensava "Que é isso, deve existir alguma boa alma endinheirada por aí disposta a bancar essa idéia". Não há. No more Zuenir Ventura, Kotscho e afins na rede, ao menos por enquanto. Frio(zão), chuva, dias cinzas. O trio inverno parada dura persiste em continuar. Toca Hold me closer tiny dancer/ Count the headlights on the highway no rádio, aquela música do Quase Famosos, e dá uma vontade enorme de sair pela vida num ônibus qualquer cheios de desconhecidos atrás de grandes histórias ou só de sair pela vida mesmo, sem pensar, planejar e todas essas bobagens. Nessas horas vem o Instantes do Borges à cabeça (ele sempre vêm) "Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve" (como que a gente faz pra viajar mais leve?) . Falando em grandes histórias, tenho uma comigo, já faz um tempinho, mas não consigo por pra fora, desengasgar. É uma matéria que fiz/estou fazendo com um amigo sobre uma religião da amazônia, um troço muito, mas muito interessante. Pesquisamos pra caramba até conseguirmos entender e agora, arrg. Bem, o assunto em si não vêm ao caso, o fato é que não sai. Quer dizer, não sai no papel, porque a história em si nós já contamos pra muita gente e falando o negócio flui que é uma beleza (ah é, então grava, not, não funciona desse jeito (nem tenta discutir, (pseudo) jornalistas são pessoas estranhas)). Sabe aquela sensação de que está tudo ali, ao alcance da mão, e que se der vai ser íncrivel. SE der. De pijama, casacão, manta e pantufas (combinação elegantérrima) desci até a caixinha de correio. E daí que já é noite, nada impede que o carteiro tenha se atrasado. Espero uma carta como uma criança espera o Natal, ansiosa, feliz, sem saber direito o que vai encontrar. Um pedacinho de entendimento quem sabe? Faz tanto tempo. Domingo andei de bicicleta, fui até o Morro São Caetano. Ele fica ao lado de um outro morro (da Tv?) cheio de antenas, que olhando da redenção parece ser a parede que marca o fim da cidade. Não é, e como é bom perceber/respirar isso. A vista de Porto Alegre é inacreditável, fiquei namorando a idéia de ver o pôr-do-sol de lá. O céu deve ser um lugar cheio de morros asfaltados pra descer de bicicleta. Frases soltas "Quando a música para, tudo que resta é o silêncio" (da onde será isso?). E segue o baile, digo, a música. Lay me down in sheets of linen /You had a busy day today...

24.6.07

Poema de Sete Faces

Quando nasci um anjo torto
desses que vive na sombra
disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
Que corresm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
Não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de peras:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos
nao perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


Uma grande amiga disse que sempre lembra de mim quando lê esse poema. Ótima forma de ser lembrada (morram de inveja).

23.6.07

E a resposta certa é

Ta ta ta ta. Letra D babe, ou quanto mais escândalo melhor para os íntimos.
"d.) Lembra dos velhos tempos de perdida no hipermercado, conversa com a dona do restaurante e pede gentilmente pra ela chamar o nome do entrevistado no microfone. Uma coisa básica do tipo "o professor Antônio Sanseverino se encontra, atenção, o professor Sanseverino se encontra"..."
Claro que após o téti a téti com a dona do estabelecimento e a chamada no microfone ninguém respondeu. Só um senhor com cara de professor (hmn) olhou para trás com um cara de interrogação e voltou a sua leitura. Instinto jornalístico (leia-se desespero) fui falar com o homem. Não é que era o Fisher (
também professor de literatura da UFRGS)? Dai pra frente Murphy decidiu dar um folga, o professor conhecia o Sanseverino sim, eram colegas e além de me convidar para sentar (já disse que o lugar tava lotado?) se ofereceu pra ligar para ele, o que facilitou bastante a minha vida. Ligação realizada o Sansa estava chegando, problemas com estacionamento, ou algo assim. Nessa hora o mais inteligente a fazer seria aproveitar para entrevistar o Fisher também, mas admito que só consegui pensar que com todo o material bom que eu já tinha apurado se eu fizesse mais uma entrevista NUNCA que eu ia conseguir fechar a matéria só de cinco minutos. Tá, também fiquei com preguiça (quem não estiver com um fim de semestre calamitoso que atire a primeira pedra).
Quanto ao resto, o professor chegou (muito bacana, pediu desculpas pelo atraso), reconheci ele graças ao Fisher, fiz a entrevista rapidinho e aproveitei pra ficar mais uns vinte minutos conversando sobre literatura brasileira e os tempos dele de Fabico. É incrível a quantidade de gente que larga o jornalismo pra fazer letras.
Clichezão do dia: tudo acaba bem, se não está bem é porque não chegou ao fim ainda (espero).

Mães sempre tem razão

Sexta à noite, toca o telefone.

- Alô.
- Alô Paula, tudo bem por aí?
- Oie mãe. Tudo, e com a senhora? Como vão as coisas em Caxias?
- Tudo bem também. Vai sair?
- Vou (timing materno é brabo. A dona Marlei SEMPRE liga quando vou sair. Agora quando eu passo todo o fim de semana em casa acha que ela liga? NOT). Hoje é aquela festa à fantasia (de bebida liberada) que tem todo o semestre.
- Ah minha filha, te cuida, não bebe. Tu sabe que a mãe fica preocupada.
- Mãe, pode deixar que eu me cuido (e é claro que eu vou beber).

Sábado à noite. Trê litros de água, duas aspirinas e um dia todo com a sensação de ter o cérebro sendo drenado depois: por que raios eu não ouço a minha mãe?

20.6.07

(Sabe, andei pensando, da pra adiar muita coisa, menos dizer que pra quem a gente gosta que gosta (por mais que nem todos entendam isso). Vamos lá, eu e meu orgulho king size (que não facilita muito as cousas), resgatando amigos de contar nos dedos que ficaram perdidos por aí. Li em algum lugar que com o tempo, por puro instinto de proteção, a gente aprende a golpear sempre que sente cheiro de lança no ar. Eu não só golpeei, de tanto apanhar eu me fechei (meu passado, ó, mas ela nem tem vinte anos, é, mas mesmo assim, ela tem umas histórias que ainda pesam pra caramba). Fiz questão de criar umas barreiras bem altas pra ninguém nunca saber quando eu tava mal ou bem e assim também não conseguir chegar perto. Dói menos. Funcionou bem por um bom tempo, mas dai eu fui amolecendo e deu no que deu, me quebrei outra vez. Agora to em dúvida. A parte apatriada, auto-exilada, pseudo auto suficiente tá pelos muros. Essa fazia as trouxinhas e ia embora nem que metaforicamente. Mas a outra, que se reconheceu num lugar pela primeira vez, que viu como é legal ser mais uma estranha entre estranhos (no bom sentido) gostaria de se aquietar, parar, encontrar de vez esse lugar que faz sentido. Paira um sentimento de desagregação no ar. Isso me incomoda. Divagações a parte, sinto falta das pessoas.)

19.6.07

Enquete

Você marca uma entrevista com alguém num restaurante, sendo que nunca viu o sujeito mais gordo (ou magro, ou careca, ou vestido de anão de jardim etc. Enfim, não faz idéia de como é a figura). Lá, em meio aos lugares para sentar inexistentes (o tal estabelecimento gentilmente encontra-se lotado), percebe: esqueceu o telefone da pessoa (e porque murphy é murphy quem disse que ela tem o seu). Após longos vinte minutos de espera (e duas abordagens mal sucedidas) você:
a.) Passa mais vinte minutos analisando todos os trausentes detalhadamente afim de encontrar alguém que pareça tão ou mais perdido que a sua pessoa.
b.) Recolhe acampamento, abaixa a cabeça e vai embora, afinal, às vezes as coisas simplesmente não dão certo.
c.) Corre pra casa pra pegar o bendito número de telefone e enquanto isso aproveita pra rezar pro cara chegar e pensar "Ah, acho que vou ficar mais uma meia hora aqui sentado esperando, afinal ela deve ter ido até em casa correndo pra pegar meu número de telefone e volta daqui a pouco".
d.) Lembra dos velhos tempos de perdida no hipermercado, conversa com a dona do restaurante e pede gentilmente pra ela chamar o nome do entrevistado no microfone. Uma coisa básica do tipo "o professor Antônio Sanseverino se encontra, atenção, o professor Sanseverino se encontra"...
E então?

To be continue

17.6.07

Descobri que preciso da pelea mais do que imaginava. Vesti minha roupa/alma de guerra e fui à luta. Por mim. Nas palavras da compañera Judith: aponta pra fé e REMA.

15.6.07

"Não gosto de pensar, como já dizia a música, que pra sempre, sempre acaba, e me dói olhar nos olhos dos meus amigos de hoje sem saber se eles continuaram assim amanhã. Cada um segue um caminho, não há como impedir isso, o fato é que não é sempre que esses caminhos se cruzam. Acho que eu queria uma ilha pra poder voltar, em que o tempo parasse do jeito que eu tivesse deixado, as pessoas fossem as mesmas e eu também. No fim é isso, tenho saudade de mim e um pouco de medo de que eu mude tanto que não venha mais a reconhecer os meus amigos, ou pior, que eu não me reconheça mais".
Eu, meados de 2005

14.6.07

CONTRA O MUNDO

"Pulou no rio a menina
cuja mãe não disse: minha filha.
Me consola, moço.
Fala uma frase, feita com o meu nome,
para que ardam os crisântemos
e eu tenha um feliz Natal!
Me ama. Os homens de nucas magras
furam os toucinhos com o dedo,
levantam as mantas de carne
e pedem um quilo de sebo.
Toca minha mão.
Quem fez o amor não vazará meus olhos
porque busco a alegria.
A vida não vale nada,
por isso gastei meus bens,
fiz um grande banquete e este vestido.
Olha-me para que ardam os crisântemos
e morra a puta
que pariu minha tristeza".

O coração disparado, Adélia Prado

13.6.07

Escritor por formação

Conversei hoje com o poeta e escritor gaúcho Fabricio Carpi Nejar. Cinqüenta minutos de trem, uma baldeação e vinte minutos zanzando perdida pela Unisinos depois cheguei ao local da entrevista. Nada do homem. Papinho básico com as secretárias, uma ligação e pronto. Não é que o gajo tinha esquecido de moi (talvez um dia eu o perdoe por não lembrar que tínhamos marcado pras onze da manhã e me feito esperar na Unisinos até a uma e meia da tarde)? Frustrações temporais à parte, o cara é uma figura. Unha pretas, espalhafatoso, divertido e muito gente boa. "Jornalismo é? Então tu já fez teu voto de pobreza", comentou rindo. Ele é diretor do curso de 'Formação de escritores e agentes literários'. De acordo como site da faculdade “Com dois anos e meio de duração, o objetivo do curso é formar escritores e agentes literários empreendedores e inovadores, com domínio das técnicas de linguagem e mídia, além de uma sólida formação intelectual para interpretar o mundo, a tradição e a sociedade”.

Isso aí, diploma de graduação para escritores. Assunto complicado. Honestamente acho impossível que uma faculdade venha a “formar” um escritor (já acho difícil que forme jornalistas). O cara vai aprender o que lá? Sensibilidade, vivência de mundo, se colocar no lugar dos outros? E depois, acredito que a maior parte dos autores não encara isso como uma profissão, mas como um carma. Escrever vem de uma necessidade de ir além, colocar pra fora um pedaço do mundo que a pessoa não consegue abarcar sozinha. Quando penso nisso, sempre lembro da inquietude da Clarisse, que viveu perturbada por essa obrigação e daquela frase do Capote, na abertura do Música para Camalões:

"...Quando Deus lhe dá um dom, ele também lhe dá um chicote; e o chicote se destina apenas a auto-flagelação... Estou aqui sozinho na escuridão de minha loucura, sozinho com meu baralho- e, é claro, o chicote que Deus me deu."


12.6.07

Li numa reportagem, há um tempo atrás, uma frase e desde então estou com ela na cabeça. Não é nada grandioso, na hora nem tinha muito contexto (a matéria era sobre Ayahuasca/ efeitos da substância no organismo), ainda assim, ela ficou ali, entre os trabalhos da faculdade e as bobagens diárias. Ia escrever um conto a respeito, um post, qualquer coisa, mas foi que foi que ela acabou escrita só no meu caderninho. Ela me pareceu bonita e triste ao mesmo tempo, talvez pelas milhares de respostas/não respostas que carrega. Era mais ou menos assim:
"Pra onde o amor vai quando ele termina"?
É, só isso.
"Se eu comesse tanto quanto penso em comida... E eu penso em comida o dia todo".
Caro, do alto dos seus 1,65, 50 kgs

Muito mais que quinze aulas depois

Desci do carro. Fechei a porta. Suspense. E então? Bem, vejamos... Passou. Passei?! De forma muito discreta e contida voei no pescoço do avaliador agradecendo e depois, mesmo gesto elegante, abracei meu instrutor. Passei, passei, passei. Alívio. Uma ligação para patrocinadora, que assim como a maioria das pessoas desconhecia que eu iria fazer o tal teste, e pronto. Agora é oficial. Dias dos namorados, pff. Aniversário da minha carteira de motorista, isso sim.

10.6.07

Ah tá. Só a cidade alagada não é o bastante. Chuva de pedra.

9.6.07

Sábado Ensopado

Assim São Pedro, vamos fazer um acordo, coisa poca. Pode chover à vontade segunda, terça, quarta, quinta e sexta (tá, segunda não, porque bem, a segunda já é dose sozinha, molhada então. De novo). Pode chover à vontade terça, quarta, quinta e sexta (opa, corta a sexta dessa também, sacomequeé, sexta-feira e tal...) Caro sr. São Pedro pode chover à vontade terça, quarta e quinta, agora no fim de semana, o tão aguardado, esperado, planejado fim de semana o senhor bem que podia dar uma folga, né?

(e a chuva segue desde a madrugada em Porto-metade-do-meu-fim-de-semana-foi-pro-saco-Alegre)

7.6.07

RCTV e Chávez

Toda questão da Venezuela é por si só demasiado complexa pra ser abarcada por juízos de valores simplistas, como ocorre por aí. Parece que a mídia não consegue fugir do maniqueísmo, ou colocam Chávez como um ditador, ou como o salvador da pátria (tá, essa segunda opção é bem menos recorrente). A não renovação da concessão da RCTV (Radio Caracas Televisión) é um bom exemplo disso. Ao invés de notícias, recebemos uma opinião formada de que esse foi um ato ditatorial, um cerceamento a liberdade de imprensa, etc. Bem, se está na constituição venezuelana que assim como cabe ao governo distribuir as concessões de rádio e tv, também cabe a ele renová-las ou não, o que aconteceu com a RCTV não pode ser visto como um ato ilegal ou ditatorial. Se foi o mais acertado a fazer ou não é outra discussão. O que falta a população é justamente informação, a versão completa dos fatos, para a partir dai poder formar uma opinião, própria, não induzida.
Falei, falei e não disse nada. Informação então. Na Carta Capital dessa semana tem uma reportagem muito interessante
(do tipo TEM que ler) que ajuda a pensar melhor essa história toda - Nem Estado nem mercado. Pra quem for assinante da Folha vale também ler o artigo do Habermas O Valor da Notícia, citado na reportagem da Carta. Ele discorre sobre a importância de um jornalismo bem feito e como ele faz falta a sociedade. E para não dizerem que faltou o contraditório, também na Folha, Mídia a 7 Chávez, trechos de uma entrevista que Teodoro Petkoff, líder do "Tal Cual", principal jornal venezuelano anti-chávez, forneceu no dia da quebra da concessão da RCTV.
Ainda sobre a Venezuela tem o documentário "A revolução não será televisionada", de Kim Bartley e Donnacha O’Briaindois, dois irlandeses que foram pra lá no final de 2001 pra ver quem era esse tal de Chávez e acabaram presenciando o golpe de Estado ocorrido em abril de 2002 (o documentário é sobre o golpe, não sobre os irlandeses). Ele é dessa linha 'outro lado da história', e ajuda a entender os motivos que levaram o governo a não renovar a concessão da RCTV (que perdeu só o canal público e continua operando normalmente via cabo).
O Chávez fica pra outra hora.

5.6.07

A vida é pra quem vai, não pra quem fica. Hora de juntar os caquinhos, reconstruir os muros. Depois, quem sabe.

3.6.07

Argentinos, poloneses e porto-alegrenses

Inspirada num Meme que está correndo por aí fiquei com vontade de responder a pergunta 'O que estou lendo' (não que alguém tenha me convidado, mas e daí). Para os incultos de plantão Meme é "um termo cunhado pelo cientista Richard Dawkins em 1976 para explicar a propagação e evolução de idéias ao longo do tempo. Na blogosfera o meme significa criar um post com uma idéia e fazer com que outras pessoas escrevam sobre esse mesmo assunto dando seu ponto de vista" (descobri há uns 15minutos (o que seria da vida sem o google? Quem mais vota pela divisão do tempo entre a.g e d.g. ?)). Basicamente Meme é chamar alguém na xinxa via blog pra responder algo. Bem, explicações elucidativas a parte, vamos aos livros.

Desde que aprendi a desvendar o abc (talvez antes, não tenho certeza) sofro de um pequeno problema, raramente consigo fazer apenas uma coisa por vez. Sabe aquele ditado "não dá pra assobiar e chupar cana ao mesmo tempo" ou algo parecido? Pode até não ser lá muito possível, mas sou a favor de tentar. Com livros isso é elevado ao cubo. Por que ler um livro se você pode ler três ou quatro (não ao mesmo tempo, é claro, mas no mesmo período)?

O primeiro da lista é Todos os fogos o Fogo do argentino Júlio Cortázar.
Como acontece com frequência, 'pexei' com o Cortázar, fiquei curiosa e fui procurar quem era o cara. Nunca tinha ouvido falar, dai li uma frase que ele escreveu sobre o Borges e de uma hora pra outra apareceram referências do gajo por todos os lados. A idéia inicial era ler, ainda no verão, 'O Jogo da Amarelinha', um tal 'livro revolucionário' e blá blá blá (segundo o google, e se o google falou...). Tava emprestado, dai me contentei com 'Alguém que anda por aí', legal, mas não extraordinário. E pela minha pesquisa o cara era do tipo de escritor que suscitava esse tipo de adjetivo, no mínimo. Bem, o tempo passa, o tempo voa, lembrei do Cortázar semana retrasada e fui procurá-lo no vale, mas nada de Amarelinha... Comentei minha decepção com um colega e na hora vi seus olhinhos brilharem 'Tu já leu Todos os fogos o fogo'? 'Não'. 'Se tu quiser te empresto, é maravilhoso'. De novo os tais adjetivos, e eu curiosa pra ler o cara em grande estilo, não me segurei. 'Claro que eu quero! Me traz semana que vem'? E graças ao tal colega, cá estou, com o livro em mãos. E então, é bom, bom ou tri bom? Bem, dois contos depois ainda não dá pra ter uma visão total da obra (sem diplomacias, dois contos é pouquinho mesmo), mas por enquanto sustenta bem a fama. Tanto que está em primeiro na lista.

O segundo é Imperium, do jornalista polonês Ryszard Kauspcinski.
Já disse que eu quero ser o Kauspcinski quando crescer (fora a parte de ter nascido na Polônia, pego a época do Stalin e ter quase morrido de tuberculose na África, off course)? Ele é o cara, faz um livro reportagem parecer um romance sem perder o caráter informativo. Correspondente internacional e jornalista das antigas (está há mais de cinquenta anos no batente), ele decreve as situações, mas mais do que isso, ele procura descrever as pessoas, se colocar no lugar delas sem estereotipar. E é de pessoas que o bom jornalismo é feito. Imperium fala da U.R.S.S, mais especificamente da Rússia, com a qual ele teve/tem uma relação conturbada. Sem pretensões de ser uma mega reportagem o livro é divido em três partes e assume do começo o caráter de memorialista. A primeira, 'primeiros encontros', são lembranças dos, dã, primeiros encontros com o império, a segunda, 'vista área', é fruto de uma viagem de 60.000 km que ele fez pela U.R.S.S entre 89 e 91 e a terceira, 'e continua' são reflexões que surgiram durante todo esse caminho. Ainda estou na primeira parte, mas por pouco tempo. O livro é bala, poderia ter menos adjetivos (não que eu seja contra, mas até em romances quando a coisa é demais pesa), mas ok, deve ser difícil descrever a Sibéria sem eles...

Terceiro, empréstimo recente, Caio Fernando Abreu Cartas, organizado pelo Italo Moriconi (seja lá quem for ele).
Camalhaço de 500 e poucas páginas, pra ler com gosto, uma ou duas cartas por vez. O legal é que o Caio (olha que íntima) escreve para os outros como se escrevesse pro mundo e pra ele ao mesmo tempo. É uma carta pro pai que te faz repensar a vida, uma pro sobrinho que te dói e por aí vai. Descobri o sr. Abreu numa aula de cursinho sobre novos autores gaúchos (mais especificamente na questão sobre Morangos Mofados do vestiba que eu não sabia responder), mas fui conhecer ele mesmo na faculdade, graças a uns amigos. A melhor parte é sempre ler o Caioi e me ler no meio. Tem certas coisas/sentimentos que ele descreve que fica aquela coisa de 'era bem isso que eu queria dizer e não sabia como' no ar. Vou renovar, renovar e renovar até que alguém sinta falta dele. Espero que demore bastante.

Na fila, pra começar essa semana, se não hoje, o primeiro livro do Continente do Érico Verissimo. Trê tomos do Arquipélago depois tomei vergonha na cara e decidi ler o começo da saga. Que venha a Ana Terra e o Capitão Rodrigo (é no primeiro, né?). Mais, na onda do uhul, vamos aproveitar a greve da biblioteca (não que ela fechada seja legal), a Ditadura Envergonhada, do Elio Gaspari (segunda tentativa, dessa vez arranjo tempo), A Arte da Reportagem (também, pra degustar com calma) e Nada de Novo no Front, do Erich M. Remarque, que fala, em primeira pessoa, sobre a primeira guerra mundial, e que eu só conhecia por ter virado filme.

Era isso. Segue o Meme. Passo a bola para os amigos Igor, Isma, Kauê, Mário e (não sei se passa por estas bandas, mas de qualquer forma) Maria Rita. E claro, a quem mais se inspirar também.

***

Atualização tardia - incluo a srta Natália P. (e a L. também, caso o infinito não tenha chegado ao fim) no meme, com recomendações a todos para que visitem o recém inauguradíssimo blog da moça Aviãozinho de papel (apesar de meio "pelado" no momento, terá, com certeza, um futuro brilhante (momento puxa-saco assumido. A Nati Pi é o cara. E é)).

Estudantes Rabujentos S.A

Fim de semestre

Tem trabalho:
Até parece que a gente não tem mais nada o que fazer pra dar trabalhinho, ao invés de dar logo um prova...
Tem prova:
Ô, que sacanagem, por que a professora não deu um trabalho?

O ser humano é um eterno insatisfeito. Estudantes então, são um caso a parte.

1.6.07

Da série: essa é a minha vida

(mais conhecida como 'Coisas que só acontecem com a Paula')

garota desce do ônibus;
faixa que amarra o casaco da garota fica presa na porta do ônibus;
garota corre atrás do ônibus;
garota dá braçada/cotovelada na porta do ônibus enquanto tenta recuperar a faixa;
quatro, cinco metros depois (distância calculada com base do desespero da garota) ônibus para;
garota, com ajuda de alguns passageiros bons samaritanos, recupera a faixa;


Ai, que dor de cotovelo.
E isso é tudo o que eu tenho a dizer sobre isso

"I don't know if we each have a destiny, or if we're all just floating around accidental-like on a breeze, but I, I think maybe it's both. Maybe both is happening at the same time".
Forrest Gump