13.6.07

Escritor por formação

Conversei hoje com o poeta e escritor gaúcho Fabricio Carpi Nejar. Cinqüenta minutos de trem, uma baldeação e vinte minutos zanzando perdida pela Unisinos depois cheguei ao local da entrevista. Nada do homem. Papinho básico com as secretárias, uma ligação e pronto. Não é que o gajo tinha esquecido de moi (talvez um dia eu o perdoe por não lembrar que tínhamos marcado pras onze da manhã e me feito esperar na Unisinos até a uma e meia da tarde)? Frustrações temporais à parte, o cara é uma figura. Unha pretas, espalhafatoso, divertido e muito gente boa. "Jornalismo é? Então tu já fez teu voto de pobreza", comentou rindo. Ele é diretor do curso de 'Formação de escritores e agentes literários'. De acordo como site da faculdade “Com dois anos e meio de duração, o objetivo do curso é formar escritores e agentes literários empreendedores e inovadores, com domínio das técnicas de linguagem e mídia, além de uma sólida formação intelectual para interpretar o mundo, a tradição e a sociedade”.

Isso aí, diploma de graduação para escritores. Assunto complicado. Honestamente acho impossível que uma faculdade venha a “formar” um escritor (já acho difícil que forme jornalistas). O cara vai aprender o que lá? Sensibilidade, vivência de mundo, se colocar no lugar dos outros? E depois, acredito que a maior parte dos autores não encara isso como uma profissão, mas como um carma. Escrever vem de uma necessidade de ir além, colocar pra fora um pedaço do mundo que a pessoa não consegue abarcar sozinha. Quando penso nisso, sempre lembro da inquietude da Clarisse, que viveu perturbada por essa obrigação e daquela frase do Capote, na abertura do Música para Camalões:

"...Quando Deus lhe dá um dom, ele também lhe dá um chicote; e o chicote se destina apenas a auto-flagelação... Estou aqui sozinho na escuridão de minha loucura, sozinho com meu baralho- e, é claro, o chicote que Deus me deu."


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