3.6.07

Argentinos, poloneses e porto-alegrenses

Inspirada num Meme que está correndo por aí fiquei com vontade de responder a pergunta 'O que estou lendo' (não que alguém tenha me convidado, mas e daí). Para os incultos de plantão Meme é "um termo cunhado pelo cientista Richard Dawkins em 1976 para explicar a propagação e evolução de idéias ao longo do tempo. Na blogosfera o meme significa criar um post com uma idéia e fazer com que outras pessoas escrevam sobre esse mesmo assunto dando seu ponto de vista" (descobri há uns 15minutos (o que seria da vida sem o google? Quem mais vota pela divisão do tempo entre a.g e d.g. ?)). Basicamente Meme é chamar alguém na xinxa via blog pra responder algo. Bem, explicações elucidativas a parte, vamos aos livros.

Desde que aprendi a desvendar o abc (talvez antes, não tenho certeza) sofro de um pequeno problema, raramente consigo fazer apenas uma coisa por vez. Sabe aquele ditado "não dá pra assobiar e chupar cana ao mesmo tempo" ou algo parecido? Pode até não ser lá muito possível, mas sou a favor de tentar. Com livros isso é elevado ao cubo. Por que ler um livro se você pode ler três ou quatro (não ao mesmo tempo, é claro, mas no mesmo período)?

O primeiro da lista é Todos os fogos o Fogo do argentino Júlio Cortázar.
Como acontece com frequência, 'pexei' com o Cortázar, fiquei curiosa e fui procurar quem era o cara. Nunca tinha ouvido falar, dai li uma frase que ele escreveu sobre o Borges e de uma hora pra outra apareceram referências do gajo por todos os lados. A idéia inicial era ler, ainda no verão, 'O Jogo da Amarelinha', um tal 'livro revolucionário' e blá blá blá (segundo o google, e se o google falou...). Tava emprestado, dai me contentei com 'Alguém que anda por aí', legal, mas não extraordinário. E pela minha pesquisa o cara era do tipo de escritor que suscitava esse tipo de adjetivo, no mínimo. Bem, o tempo passa, o tempo voa, lembrei do Cortázar semana retrasada e fui procurá-lo no vale, mas nada de Amarelinha... Comentei minha decepção com um colega e na hora vi seus olhinhos brilharem 'Tu já leu Todos os fogos o fogo'? 'Não'. 'Se tu quiser te empresto, é maravilhoso'. De novo os tais adjetivos, e eu curiosa pra ler o cara em grande estilo, não me segurei. 'Claro que eu quero! Me traz semana que vem'? E graças ao tal colega, cá estou, com o livro em mãos. E então, é bom, bom ou tri bom? Bem, dois contos depois ainda não dá pra ter uma visão total da obra (sem diplomacias, dois contos é pouquinho mesmo), mas por enquanto sustenta bem a fama. Tanto que está em primeiro na lista.

O segundo é Imperium, do jornalista polonês Ryszard Kauspcinski.
Já disse que eu quero ser o Kauspcinski quando crescer (fora a parte de ter nascido na Polônia, pego a época do Stalin e ter quase morrido de tuberculose na África, off course)? Ele é o cara, faz um livro reportagem parecer um romance sem perder o caráter informativo. Correspondente internacional e jornalista das antigas (está há mais de cinquenta anos no batente), ele decreve as situações, mas mais do que isso, ele procura descrever as pessoas, se colocar no lugar delas sem estereotipar. E é de pessoas que o bom jornalismo é feito. Imperium fala da U.R.S.S, mais especificamente da Rússia, com a qual ele teve/tem uma relação conturbada. Sem pretensões de ser uma mega reportagem o livro é divido em três partes e assume do começo o caráter de memorialista. A primeira, 'primeiros encontros', são lembranças dos, dã, primeiros encontros com o império, a segunda, 'vista área', é fruto de uma viagem de 60.000 km que ele fez pela U.R.S.S entre 89 e 91 e a terceira, 'e continua' são reflexões que surgiram durante todo esse caminho. Ainda estou na primeira parte, mas por pouco tempo. O livro é bala, poderia ter menos adjetivos (não que eu seja contra, mas até em romances quando a coisa é demais pesa), mas ok, deve ser difícil descrever a Sibéria sem eles...

Terceiro, empréstimo recente, Caio Fernando Abreu Cartas, organizado pelo Italo Moriconi (seja lá quem for ele).
Camalhaço de 500 e poucas páginas, pra ler com gosto, uma ou duas cartas por vez. O legal é que o Caio (olha que íntima) escreve para os outros como se escrevesse pro mundo e pra ele ao mesmo tempo. É uma carta pro pai que te faz repensar a vida, uma pro sobrinho que te dói e por aí vai. Descobri o sr. Abreu numa aula de cursinho sobre novos autores gaúchos (mais especificamente na questão sobre Morangos Mofados do vestiba que eu não sabia responder), mas fui conhecer ele mesmo na faculdade, graças a uns amigos. A melhor parte é sempre ler o Caioi e me ler no meio. Tem certas coisas/sentimentos que ele descreve que fica aquela coisa de 'era bem isso que eu queria dizer e não sabia como' no ar. Vou renovar, renovar e renovar até que alguém sinta falta dele. Espero que demore bastante.

Na fila, pra começar essa semana, se não hoje, o primeiro livro do Continente do Érico Verissimo. Trê tomos do Arquipélago depois tomei vergonha na cara e decidi ler o começo da saga. Que venha a Ana Terra e o Capitão Rodrigo (é no primeiro, né?). Mais, na onda do uhul, vamos aproveitar a greve da biblioteca (não que ela fechada seja legal), a Ditadura Envergonhada, do Elio Gaspari (segunda tentativa, dessa vez arranjo tempo), A Arte da Reportagem (também, pra degustar com calma) e Nada de Novo no Front, do Erich M. Remarque, que fala, em primeira pessoa, sobre a primeira guerra mundial, e que eu só conhecia por ter virado filme.

Era isso. Segue o Meme. Passo a bola para os amigos Igor, Isma, Kauê, Mário e (não sei se passa por estas bandas, mas de qualquer forma) Maria Rita. E claro, a quem mais se inspirar também.

***

Atualização tardia - incluo a srta Natália P. (e a L. também, caso o infinito não tenha chegado ao fim) no meme, com recomendações a todos para que visitem o recém inauguradíssimo blog da moça Aviãozinho de papel (apesar de meio "pelado" no momento, terá, com certeza, um futuro brilhante (momento puxa-saco assumido. A Nati Pi é o cara. E é)).

4 comentários:

Natusch disse...

1) Nada de Novo no Front é um puta livro. Leia, logo =P

2)Estou tentando elaborar meu proj de monografia, então tenho lido basicamente livros com esse objetivo. Estou no finalzinho de "Internet: E Depois?", de Dominique Wolton. Bem legal, dá uma sacudida legal nessa coisa utópica de que a Web vai salvar o mundo, e ao mesmo tempo não fica numa choradeira mau-humorada. Daqui a pouco mergulharei no "Sociedade em Rede", do Manuel Castells, que é bem mais positivo e 'para cima', digamos. Ou seja, leitura de universidade federal =P

3) De leitura por prazer, tô lendo "De Vagões e Vagabundos", do jack London (sim, mil perdões, mas eu ainda não tinha lido), e depois acho que vou reler um Saramago para relaxar =)

4) Não é só tu que lê quatro ou cinco livros de uma vez só, hehehe...

lulu disse...

adorei!
sabe, o conto da autoestrada, do Cortázar, é um conto daqueles, que estariam na minha lista dos dez mais.

beijos,
lulu.

Isma disse...

Eu não estou lendo nada. Mas nada mesmo. E eu deveria estar lendo pelo menos uns dois ou três textos pra resenhar. Mas nem isso. Eu tô sem saco desde o fim das férias. Férias em que eu comecei dois livros muito bons e não terminei. Porque eu realmente to sem saco pra ler. Mas que eu queria terminar esses dois livros, ah, isso eu queria. Porque eles são muito bons.

E quanto ao Continente... Leia, leia, leia. Eu tava me lembrando hoje de uma frase do livro que até hoje chega perto de me dar um arrepio. Porque é muito boa a frase.

Era isso. Cedi à pressão e entrei no Meme.
Bjo

Paula disse...

Igor
Vou ler NNF certão. Qd terminar vagões e vagabundos me empresta (lado leitora chata e sem grana em ação)?

Lu

O da auto-estrada do Sul? Li sim, muito bom. Acho que não ia pro meu top 10, ficava pro top 30. =)

Isma
Vai atualizar teu blog, pff! (sim, sou chata)