7.6.07

RCTV e Chávez

Toda questão da Venezuela é por si só demasiado complexa pra ser abarcada por juízos de valores simplistas, como ocorre por aí. Parece que a mídia não consegue fugir do maniqueísmo, ou colocam Chávez como um ditador, ou como o salvador da pátria (tá, essa segunda opção é bem menos recorrente). A não renovação da concessão da RCTV (Radio Caracas Televisión) é um bom exemplo disso. Ao invés de notícias, recebemos uma opinião formada de que esse foi um ato ditatorial, um cerceamento a liberdade de imprensa, etc. Bem, se está na constituição venezuelana que assim como cabe ao governo distribuir as concessões de rádio e tv, também cabe a ele renová-las ou não, o que aconteceu com a RCTV não pode ser visto como um ato ilegal ou ditatorial. Se foi o mais acertado a fazer ou não é outra discussão. O que falta a população é justamente informação, a versão completa dos fatos, para a partir dai poder formar uma opinião, própria, não induzida.
Falei, falei e não disse nada. Informação então. Na Carta Capital dessa semana tem uma reportagem muito interessante
(do tipo TEM que ler) que ajuda a pensar melhor essa história toda - Nem Estado nem mercado. Pra quem for assinante da Folha vale também ler o artigo do Habermas O Valor da Notícia, citado na reportagem da Carta. Ele discorre sobre a importância de um jornalismo bem feito e como ele faz falta a sociedade. E para não dizerem que faltou o contraditório, também na Folha, Mídia a 7 Chávez, trechos de uma entrevista que Teodoro Petkoff, líder do "Tal Cual", principal jornal venezuelano anti-chávez, forneceu no dia da quebra da concessão da RCTV.
Ainda sobre a Venezuela tem o documentário "A revolução não será televisionada", de Kim Bartley e Donnacha O’Briaindois, dois irlandeses que foram pra lá no final de 2001 pra ver quem era esse tal de Chávez e acabaram presenciando o golpe de Estado ocorrido em abril de 2002 (o documentário é sobre o golpe, não sobre os irlandeses). Ele é dessa linha 'outro lado da história', e ajuda a entender os motivos que levaram o governo a não renovar a concessão da RCTV (que perdeu só o canal público e continua operando normalmente via cabo).
O Chávez fica pra outra hora.

2 comentários:

Natusch disse...

Eu achei a medida do governo venezuelano, no mínimo, aceitável. A RCTV apoiou abertamente um golpe de Estado, e isso não pode ser ignorado. Engraçado é as pessoas pegarem o bonde andando e falarem em "atentado à democracia". Conspirar contra o Estado de direito tudo bem, mas não renovar a licença de quem atuou contra a democracia é antidemocrático? Ah, tá.

Mário disse...

te juro que li as primeiras linhas depois tentei ler o resto...

Mas pra mim é aquela história de "roupa suja se lava em casa"

eles q se resolvam!