1.7.07

Amar é

–Ver uma garota que se diz sua filha dizer "cai fora" logo ao sair da rodoviária, enquanto balança a carteira de motorista recém adquirida e gentilmente ceder o banco de motorista entre o aterrorizado e o contente.
–Ouvir "dá uma olhada se tem espaço pra eu ir pra trás" em pleno morro no centro caxiense, tentar não falar nada gênero "como?" ao lembrar que o a camionete pesa tranquilamente uns 3.000 kgs e esmagaria sem problemas o carro novo que se encontra atrás e sem entrar em pânico, descer do carro e conversar com o motorista do referido veículo novo. "Pode passar, ela tá aprendendo".
–Largar tudo o que estava fazendo afim de evitar o inevitável pra acompanhar a garota, ansiosa por pegar no volante, nem que seja só pra ficar dando voltas pelo bairro.
–Sentado a conversar com um amigo sobre a vida e a entrada da filha no mundo dos motoristas se ver obrigado a dizer sim a pergunta "Pai, posso pegar o carro"? enquanto um "nem pensar" seguido de um "tu sabe que eu não posso te dizer não agora" fica engasgado e rezar pra que tudo corra bem e as tais quatro quadras até a casa da maldita amiga estejam vazias e sem postes.
– Respirar aliviado ao vê-la chegar a salvo e cheia de si. "No fim do ano, quando eu tiver mais prática, o senhor me empresta o carro pra eu viajar com as gurias"? "Empresto", é, daqui pra frente só piora suspira.
–Olhar o parachoque arrebentado, sorrir, soltar um "Tá tudo bem, não te preocupa, isso acontece" e agradecer por não ter acontecido nada de grave, enquanto lembra que alertou ela para não tirar o carro da garagem sozinha, pois até mesmo pra ele era complicado devido a falta de espaço e mesmo assim dizer, após ter remediado* a situação, "Então, vamos dar uma volta"?

"Essas gurias ainda vão te deixar de cabelo branco" pondera o amigo. AINDA?


Prévia dia dos pais.
Pro cara mais legal que eu conheço e que é O CARA.


*Remediado = tronco de madeira (daqueles estilo lenha ainda não rachada) + mãe apavorada segurando tronco contra parede + paninho no parochoque + carro indo contra parede, tronco e mãe. E não é que melhorou bastante? E sim, a dona Marlei sobreviveu a empreitada.

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