10.9.07

Acho que todo mundo tem momentos congelados na memória. Não estou falando de grandes momentos, mas daquelas pequenas situações, quase insignificantes, que vai saber por que, decidiram ficar ali, entre o nome no listão do vestibular, a neve em Setembro e o primeiro beijo. Como quando você tirou tatu do nariz no prézinho e a professora viu e não disse nada ou quando você perdeu, chutou a parede, engoliu seco e desceu a escada correndo, vermelha e quieta, torcendo pra que ninguém percebesse os seu olhos. Tenho milhares desses, que aparecem e desaparecem sem aviso, e, honrando o jeito como foram guardados, sem porquê. Hoje no ônibus lembrei claramente de uma apresentação no colégio, quer dizer, do começo dela. Essas coisas de professora de educação física, fazer uma coreografia do nada e por aí vai. Decidimos por step e alguém tinha que puxar todo mundo, devido a minha memória para os passos - o que é bem diferente de coordenação - acabei na frente das gurias e de frente pro povo. Lembro do momento que eu pisei no step e ele girou (steps não devem girar, em apresentações com platéia muito menos). Lembro dos cinco segundos de pânico, do vermelhão subindo o rosto, de uma bola de medo e vergonha na garganta. E lembro, mais ainda, de como decidi pisar de novo e pisar mais forte. Se fosse pra dar errado eu daria errado tentando.

Nenhum comentário: