20.10.07

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"He dicho Escuela del Sur; porque en realidad, nuestro norte es el Sur. No debe haber norte, para nosotros, sino por oposición a nuestro Sur. Por eso ahora ponemos el mapa al revés, y entonces ya tenemos justa idea de nuestra posición, y no como quieren en el resto del mundo. La punta de América, desde ahora, prolongándose, señala insistentemente el Sur, nuestro norte.”

Joaquín Torres García. Universalismo Constructivo, Bs. As. : Poseidón, 1941.

19.10.07

Ultimamente tenho pensado sobre muitas coisas (pff, além do gerundismo parece até que não sabe que TODO mundo pensa), meditado seria o termo exato. Uma delas é escrever aqui, mas isso fica pra depois. A long, long, looog time ago eu descobri um negócio, que escrevendo pode até parecer bobagem, mas que mudou meu jeito de ver as coisas. Simplesmente que não é o lugar onde você está, nem as pessoas que estão ao seu redor, mas a forma como você lida com tudo isso (eu disse que ia parecer bobo). Isso me veio como uma bigorna Acme na cabeça numa época bem conturbada em que parecia mais fácil reclamar do mundo e dos outros do que encará-lo. Aquela história toda, tudo tem mais que dois lados, pessoas são pessoas, quando a gente foca demais em um ponto perde o contexto. A resolução pode até ser simplista, mas chegar até ela levou tempo e cabeçadas. Lembrei dessa história toda recentemente, e como a gente esquece das coisas que deveria lembrar sempre.
Já escrevi aqui que acredito que vivemos navegando em tempestades de copos d'agua? Se já, me desculpem, a frase vai sair deslocada aqui no meio, mas ela precisava sair.
De volta aos pensamentos. Como estudante dependente da mesada de meus pais (e não orgulhosa disso) também tenho me perguntado o que é liberdade. O que preciso é para ir embora, o que é preciso para ficar.
Olhando para os lados, eu não sou mais que um amontoado de papéis. Alguns livros, uns discos, uma coisa colorida que gira, passáros de cartolina, fotos e uma bicicleta. Mas de meu mesmo, só os papéis rabiscados. Quantas as coisas que a gente tem por ter não acabam se tornando quem nós somos. A moça do casaco azul com a braçadeira laranja com cem anos de solidão na mão. O casaco pode ser só um agasalho, o livro só mais um. "É difícil não acabar sendo que os outro acham que a gente é", supostamente Júlio Cesar, citado por um escritor dentro de um livro escrito por outro escritor. Tu é a Phoabe, ela é calma, ele é brigão. Quantas pessoas a gente conhece, mas realmente conhece, quantas a gente tenta conhecer de verdade, quantas nos conhecem.
Sempre que eu vou fazer alguma coisa estúpida penso no meus pais e geralmete não faço a coisa estúpida, porque a vida deles em parte sou eu. Pesado carregar isso, saber disso sem que ninguém nunca tenha te dito nada. Minha mãe é mãe por natureza, acorda de manhã as 3 e meia, 4 horas e vai trabalhar para que eu possa ser alguém, ter as oportunidades que ela não teve e eu sei que ela se preocupa comigo o tempo todo, mesmo sem querer. Mas e se eu não quiser ser alguém? Seguir o caminho que todo mundos segue e por aí vai? Carrego uma boa mala de expectativas alheias comigo.
Eu vejo séries, via, sem tv a cabo complica, enfim, gosto bastante, até das meio bobonas. Outro dia uma garota, numa dessas série de high school norte-americanas, falou um negócio que ficou na minha cabeça. Não existe ninguém mais velho que um formando de segundo grau e ninguém mais novo que um calouro de faculdade. Na dúvida sobre a validade dos meus últimos três anos, de uma coisa eu, que sabia tudo, tenho certeza. Crescer é também desaprender. E com esse texto eu não quero dizer nem teorizar nada. Até porque, pelo que deu para perceber, as coisas não ficam mais faceis.

17.10.07


Faculdade, estágio, vida de vez enquando, e salsa. Oh boy, quase nem sobra espaço pro me Garfield interior.

16.10.07

Música para dias chuvosos

Electrical Storm

U2

The sea it swells like a sore head and the night it is aching
Two lovers lie with no sheets on their bed
And the day it is breaking

On rainy days we'd go swimming out
On rainy days swimming in the sound
On rainy days we'd go swimming out

You're in my mind all of the time
I know that's not enough
If the sky can crack there must be someway back
For love and only love
Electrical storm

Electrical storm

Electrical storm

Baby don't cry

Car alarm won't let you back to sleep
You're kept awake dreaming someone elses dream
Coffee is cold but it'll get you through
Compromise that's nothing new to you
Let's see colours that have never been seen
Let's go to places no one else has been

It's hot as hell, honey in this room
Sure hope the weather will break soon
The air is heavy, heavy as a truck
We need the rain to wash away our bad luck

You're in my mind all of the time
I know that's not enough
Well if the sky can crack there must be some way back
To love and only love
Electrical storm

Electrical storm

Electrical storm


Baby don't cry

14.10.07

Após anos e anos apanhando na canastra – com eventuais vitórias muito celebradas – decidi me vingar. Domingo à tarde, nada para fazer, ensinei meu pai a jogar pôquer. Era agora, a hora da verdade, deu pra ti geração passada. E não é que ele limpou a mesa? Maldita sorte de principiante.

Figuras de linguagem

Gosto de metáforas e de ironia.
A primeira, porque torna o mundo mais bonito. O narrador de a Insustentável Leveza do Ser dizia, enquanto contava a história de Thomas, que era preciso tomar cuidado com as metáforas. "O amor pode nascer de uma metáfora". Da segunda, bem, porque o universo é irônico, maldosamente irônico (e divertido).
Segundo "Fefê" (e tem épocas em que tudo se resume a uma boa e boba metáfora) é preciso viver de forma circular e para todos os lados, mantendo sempre a inocência infantil.
Basicamente, tomem sorvete com gosto, sem medo de se sujar ou ficar com dor de cabeça.
Sem ironia dessa vez.

10.10.07

"Mas quem tem coragem de ouvir, amanheceu o pensamento que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento..."
Outro dia estava pensando nesse desenho, e pum, como geralmente acontece (ou talvez eu ache que isso acontece geralmente porque relaciono as vezes que acontece e esqueço de relacionar as que nada acontece) dei de cara com ele pela internet. O youtube tem seu valor... One Froggy Evening para você também.

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

Eduardo Galeano

9.10.07

- Há algo de calmante em folhear Diários Oficiais. Uma parte minha virginiana gosta de tarefas repetitivas, que exigem paciência e atenção. Claro que essa parte é, constantemente e por segurança, sufocada e ameaçada de morte, mas ela existe.

- Fora a alergia decorrente da rinite, cheiro de jornal recém saído é bom, muito bom. Só não supera livros novos.

- "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar na verdade não há". Como se fosse tão simples, pff.

- Eu queria ter um coração de samurai.

4.10.07

Que falta faz alguém para ficar em silêncio.

1.10.07

Nós e o Guaíba



Quando se pensa no Guaíba se pensa em Porto Alegre, quando se pensa em Porto Alegre se pensa no Guaíba?

Na faculdade a professora de rádio propôs fazermos um documentário. Conversando com a gurizada veio à tona o tópico Guaíba, mais especificamente aquela sensação de estar na Salgado com a Dr. Flores, olhar para frente e se dar conta "nossa, o Guaíba tá ali na frente". Apesar de rodiada por um rio, estuário, lago, delta ou seja lá o que for Porto Alegre não é exatamente uma cidade ligada às águas. Tem quem coloque a culpa no Muro da Mauá, ali just in case desde o final dos anos 70, tem quem nunca tenha dado muita bola para ele mesmo, tem quem o considere essencial. Fato é que a relação com a cidade é conturbada.
Na busca por respostas ficou comigo a tarefa de falar com um economista. Conversei com o professor da UFRGS Eduardo Felippi e como a entrevista ficou bem interessante (e eu decupei o material todo e só usamos umas frases) fiquei com vontade de compartilhar com vocês (se é que ainda existe um vocês entrando nessas bandas eletrônicas).

Como é a relação da cidade com o Guaíba?

A relação do Guaíba com a cidade é uma relação ambígua, por quê? Durante muito tempo o Guaíba serviu como uma via de acesso, não apenas de produtos, mas de pessoas para a cidade. Essa relação foi se perdendo ao longo do tempo. Por que ela se perdeu, em termos econômicos? Uma razão bastante simples, a cidade se voltou para o outro lado. Não pro lado oriental da cidade, mas o lado ocidental da cidade. Em outros termos, o que chama atenção hoje que os porto-alegrenses e as pessoas da região metropolitana de Porto Alegre encaram o Guaíba apenas como uma área de lazer, mesmo porque a gente tem um muro em termos físicos que separa a cidade do Guaíba. O que é muito curiosos é notar, por exemplo, que as pessoas da Zona Sul de Porto Alegre tem uma relação muito próxima com o Guaíba, porque não há o muro, e tu tem uma série de avenidas que conduzem até as praias do Guaíba. O Lami é outro exemplo. Se tu vai pro outro lado, nas ilhas, tu vai ver que tem uma série de instituições ligadas aos pescadores. Esses pescadores, na colônia de pescadores das ilhas, evidentemente tem uma relação bastante próxima com o rio, é o ganha pão desses indivíduos, o que também fica muito claro no filme do Jorge Furtado, Ilha das Flores, o curta metragem. Mas isso ainda, quando é falado ou mostrado aos Porto Alegrenses, é visto como algo exótico.
O segundo aspecto é o Porto de Porto Alegre. O Porto de Porto Alegre é muito mal utilizado por questões de infra-estrutura, ou seja, a infra-estrutura ainda é muito acanhada para receber navios de grande calado. Também em termos econômicos, isso já vem desde os anos 50, 60 em termos nacionais, se optou pelas rodovias e se esqueceu as hidrovias. No fundo no fundo o Guaíba passa a ser algo fundamentado apenas no lazer e ainda assim muito mal arquitetado, em termo de políticas públicas.

O muro foi o começo dessa separação?

Não, eu acho que o muro não foi o começo dessa separação. O muro surge como fruto da enchente que aconteceu em 1941 para proteger a cidade, mas o Guaíba sempre foi visto, e eu digo sempre nos últimos cinqüenta anos, como algo a ser colocado em termos econômicos, mas fundamentalmente como espaço de lazer. Por que que isso é problemático? Por que Quando tu analisa em termos de aspectos econômicos, durante muito tempo foi assim, o Rio passou a ser o esgoto de Porto Alegre, não uma via de escoamento. E o que é curioso é saber que um dos símbolos de Porto Alegre é o pôr-do-sol, e o pôr-do-sol no Guaíba. Ele não é encarado como outros estuários no planeta. Por exemplo, o Guaíba não é um organismo vivo, no sentido econômico da palavra, como é o porto da Antuérpia na Bélgica, como é Roterdã na Holanda, como é Santos no litoral paulista ou como é o porto do Rio de Janeiro, que ao mesmo tempo que faz parte da paisagem turística dessas cidades também é uma via de escoamento de produção.

Haveria alguma mudança significativa se houvesse maior vazão desse lado econômico?

Eu não sei, eu não tenho certeza a respeito disso. O que eu acho muito curioso é que toda vez que há eleições em Porto Alegre, particularmente para a prefeitura de Porto Alegre, o tema vem a tona, e logo em seguida ele é esquecido. A revitalização do Guaíba, não apenas em termos turístico, mas em termos econômicos. Eu cito aqui uma série de idéias, por exemplo, uma série de idéias que demoram muito a sair do papel, quando saem, relacionadas a uma melhor utilização dos armazéns, que são voltados para o Guaíba, ou seja, do outro lado do muro da Mauá. Tu tem uma série de projetos, por exemplo, a Bienal do Mercosul tentou utilizar, em outro momento o Guaíba foi utilizado como espaço físico do Fórum social Mundial, mas isso são coisas muito pontuais. Por exemplo, agora na semana Farroupilha é muito curioso que o parque da Harmonia que é utilizado para tal, para os piquetes, para os CTG´s, para alimentar a memória da revolução Farroupilha. Se fala em parque da Harmonia, mas não se fala do Guaíba que tá logo ali ao lado. No fundo, no fundo da a impressão de que o Guaíba é um peso para a cidade. Que não é algo a ser utilizado, que é algo a ser mantido, infelizmente, de uma maneira a parte da cidade. Quando tu vai fazer entrevistas, ou quando tu pergunta para os porto-alegrenses o que eles acham do Guaíba, é sempre numa ótica de turismo.

O Guaíba é visto em segundo plano?

Não tenho dúvidas disso. Me dá a impressão que o guaíba é visto pelos porto-alegrenses como o bairro da Restinga. É periférico, não é algo que faz parte da cidade.

Como era a relação do Gauíba e da cidade antigamente?

É justamente o Guaíba que fez Porto Alegre ser o que é. Se não fosse o estuário do Guaíba e a relação com a Lagoa dos Patos muito provavelmente a capital do Rio Grande do Sul seria em outro lugar. Ou seja, Porto Alegre é que é porque tem o rio, porque tem o estuário, porque tem o Porto. Se tu for ver, na história de Porto Alegre, onde é que se inicia Porto Alegre? Se inicia aonde hoje é justamente o Mercado Público, na região da rodoviária, mas no bairro Navegantes. E não é à toa que se chama Navegantes, porque diz respeito a todos aqueles que, de alguma maneira, tinham o Guaíba como um lócus, não apenas de produção, mas de escoamento de produção. Ou seja, o Guaíba atraia pessoas para Porto Alegre e permitia que Porto Alegre fosse um centro irradiador de atividades econômicas. Isso se perde ao longo do tempo pela opção pela rodovia e porque a cidade cresceu para o outro lado.

Então o Guaíba que era o centro acabou sendo ignorado...

Exatamente, aliás, ele está no centro de Porto Alegre, que não é um centro. Não está no centro da cidade, tá numa das pontas da cidade, mas o que que é essa ponta? Essa ponta é início de tudo. Hoje infelizmente o Guaíba é o esgoto de Porto Alegre. Basta ver o estado que se encontra o arroio Dilúvio, que é a porta de entrada de Porto Alegre, bastante próximo do centro, pra gente ver o Rio Guaíba.