19.10.07

Ultimamente tenho pensado sobre muitas coisas (pff, além do gerundismo parece até que não sabe que TODO mundo pensa), meditado seria o termo exato. Uma delas é escrever aqui, mas isso fica pra depois. A long, long, looog time ago eu descobri um negócio, que escrevendo pode até parecer bobagem, mas que mudou meu jeito de ver as coisas. Simplesmente que não é o lugar onde você está, nem as pessoas que estão ao seu redor, mas a forma como você lida com tudo isso (eu disse que ia parecer bobo). Isso me veio como uma bigorna Acme na cabeça numa época bem conturbada em que parecia mais fácil reclamar do mundo e dos outros do que encará-lo. Aquela história toda, tudo tem mais que dois lados, pessoas são pessoas, quando a gente foca demais em um ponto perde o contexto. A resolução pode até ser simplista, mas chegar até ela levou tempo e cabeçadas. Lembrei dessa história toda recentemente, e como a gente esquece das coisas que deveria lembrar sempre.
Já escrevi aqui que acredito que vivemos navegando em tempestades de copos d'agua? Se já, me desculpem, a frase vai sair deslocada aqui no meio, mas ela precisava sair.
De volta aos pensamentos. Como estudante dependente da mesada de meus pais (e não orgulhosa disso) também tenho me perguntado o que é liberdade. O que preciso é para ir embora, o que é preciso para ficar.
Olhando para os lados, eu não sou mais que um amontoado de papéis. Alguns livros, uns discos, uma coisa colorida que gira, passáros de cartolina, fotos e uma bicicleta. Mas de meu mesmo, só os papéis rabiscados. Quantas as coisas que a gente tem por ter não acabam se tornando quem nós somos. A moça do casaco azul com a braçadeira laranja com cem anos de solidão na mão. O casaco pode ser só um agasalho, o livro só mais um. "É difícil não acabar sendo que os outro acham que a gente é", supostamente Júlio Cesar, citado por um escritor dentro de um livro escrito por outro escritor. Tu é a Phoabe, ela é calma, ele é brigão. Quantas pessoas a gente conhece, mas realmente conhece, quantas a gente tenta conhecer de verdade, quantas nos conhecem.
Sempre que eu vou fazer alguma coisa estúpida penso no meus pais e geralmete não faço a coisa estúpida, porque a vida deles em parte sou eu. Pesado carregar isso, saber disso sem que ninguém nunca tenha te dito nada. Minha mãe é mãe por natureza, acorda de manhã as 3 e meia, 4 horas e vai trabalhar para que eu possa ser alguém, ter as oportunidades que ela não teve e eu sei que ela se preocupa comigo o tempo todo, mesmo sem querer. Mas e se eu não quiser ser alguém? Seguir o caminho que todo mundos segue e por aí vai? Carrego uma boa mala de expectativas alheias comigo.
Eu vejo séries, via, sem tv a cabo complica, enfim, gosto bastante, até das meio bobonas. Outro dia uma garota, numa dessas série de high school norte-americanas, falou um negócio que ficou na minha cabeça. Não existe ninguém mais velho que um formando de segundo grau e ninguém mais novo que um calouro de faculdade. Na dúvida sobre a validade dos meus últimos três anos, de uma coisa eu, que sabia tudo, tenho certeza. Crescer é também desaprender. E com esse texto eu não quero dizer nem teorizar nada. Até porque, pelo que deu para perceber, as coisas não ficam mais faceis.

Nenhum comentário: