19.12.07

Realidade

- Paula, tu tem que entender que as notícias estão aí para preencher os espaços entre os anúncios.
Editora de geral e internacional, brincando (?).

16.12.07

O homem que criava universos

- Quando eu vi que tu queria um livro dele eu pensei 'Bom, pelo menos alguém entende.'
- Na verdade, eu também não entendo muito (agora entendo um pouquinho só mais), mas mesmo assim eu gosto.

O que leva alguém a ler Jorge Luis Borges. Fácil. Curiosidade. O que leva alguém a continuar lendo Jorge Luis Borges? Hmn. Masoquismo?
Comigo foi mais uma questã de orgulho/teimosia. Descobri o Borges do jeito tradicional, o nome me chamou a atenção e quando eu vi havia referências ao autor por todos os lados. Catei na biblioteca e lá estava ele: Ficções. Férias de verão, veio junto também mais uma carrada de livros. Janeiro passou, belisquei o Borges, mas nada. Quase fim das benditas férias, tinha lido todos os livros e pegado mais alguns e ainda nada. Por puro e simples 'não posso deixar esse livro aí na mão' e 'porcaria, eu teno que conseguir passar do primeiro conto', comecei. Disciplina espartana, todos os dias, não rolou. Fui de forma sofrida até a metade e decidi abandoná-lo. O que aquele cara queria dizer indo sempre do nada a lugar nenhum³?
Lá pelo meio do ano as referências ao Borges voltaram. Eu naquelas, pff, autor bobão. Como assim, base da literatura latino-americana no século XX? Hmn.
Para se ter uma idéia, existem livros do tipo "Como entender Borges", dissertações e dissertações. Lá por essas trombadas me deparei com alguém comentando (orkut, talvez?) que a melhor forma de começar o Borges era ler o Aleph. Novamente, curiosidade e pontinha de orgulho, procurei o tal exemplar e dessa vez eu li. E li. Aconteceu uma coisa muito engraçada. Até o terceiro conto parecia que eu estava apanhando - e perdendo feio. Rumo a segunda desistência, deixei o livro descansar e fui ler outras coisas, de preferência de autores que não fossem aficcionados por bibliotecas e enciclopédias e que achassem que um bom livro não precisa, necessariamente, remontar aos sumérios para acrescentar alguma coisa ao leitor.
Como eu ia dizendo, aconteceu uma coisa estranha. Depois desses três contos e da folga as tais coisas que não fazima sentido - nenhum - começaram a se encaixar um pouquinho, e um pouquinho mais, e um pouco pouquinho mais... Quando percebi, eu estava lendo Borges e ENTENDENDO (som de arpas clássico). Não tudo, porque daí ia ser demais, mas razoavelmente alguma coisa. O suficiente para gostar daquele autor que bateu as portas do fantástico (bateu, arrebentou, chutou) e mostrou que a linearidade é apenas umas das formas de se contar uma história. O legal é perceber que o García Marquez, o Cortazar e muitos outros tem um pézinho, se não um pezão, na obra do escritor argentino.
Ah, ganhei o 'Livro da Areia' de presente, escrito mais para o fim da vida dele, quando a cegueira já era irremediável e estou pronta para apanhar mais um pouco. Pra quem quiser começar, dou total apoio, só lembrem de não desistir antes da metade - do Aleph, de preferência.
Sr Borges, professor de inglês, tradutor, poeta, mestre em criar universos - compreensíveis na medida do possível e da teimosia de cada um.

10.12.07

Tiro no pé



Na página 2 do Jornal do Comércio de Porto Alegre tem o editorial (com título de Opinião), um espaço para as frases do dia, o cenáculo (mensagem religiosa, resquício da fundação da publicação) e uma charge. Quer dizer, tinha uma charge.
Os três cartunistas que trabalhavam no jornal há alguns anos (imprecisão minha, 5 talvez, não tenho certeza), foram demitidos na semana passada através do e-mail:


"Santiago, Kayser, Moa, Agradeço o trabalho que fizemos em conjunto até agora e comunico que o JC está dispensando o serviço de vocês."

No lugar, começaram a ser veiculadas fotos, com o título de "imagem do dia".
Nem vou me alongar muito na história. Recomendo a leitura do post do Paulo Ramos, no blog dos quadrinhos , que conversou com os cartunistas e a direção do jornal (como estou com o texto dele na cabeça, qualquer coisa que eu escrever aqui corre o risco de ser plágio indireto).
Porém, todavia, contudo, entretanto não acho que se trata de censura, como pregam alguns blogs, mas de burrice. Qualquer jornal, por mais governista, aliado do lucro e blá blá blá (e esse é) deveria saber que "pluralidade" – assim entre aspas mesmo, porque no Brasil jornalismo desse tipo é díficil de encontrar – vende.
Sem pensar em liberdade de expressão e no direito dos cartunistas e tal (que também são discussões importantes), demiti-los, a meu ver, foi um tiro no pé.
Ou alguém aí acha que a Veja é anarquista por causa das charges do Millôr?

8.12.07

"Deixa eu te contar uma coisa, guriazinha" ou Lições

- Tu sabe o que é viver (ahh, viver, bem, envolve respirar, certo)?
- Eu acho que sim.
- Não, tu não sabe (ele tinha quase noventa anos, quem era eu para retrucar).
- Viver é desviar de todas as coisas que nos impedem de fazê-lo.
- (ainda ele) E tu sabe o que é a verdade?
- Não, definitivamente eu não sei (e como)...
- Deixa eu olhar aqui, que eu anotei pra não esquecer. Eu gosto de escrever as coisas importantes (ele pega os documentos, tira um papel pequeninho, bem dobrado). Aqui, isso eu escrevi no dia 26 de agosto de 2006 (aponta a data para eu confirmar, afinal a vista não é mais a mesma).
- A verdade não pode ser contada. Cada um tem que descobrir a sua.

*

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Oié, mega clichê. Tasca numa contra-capa de livro de auto-ajuda e era isso. Será mesmo? Conversando com um amigo surgiu a pergunta: Mas por que as coisas, quando são verdadeiras, não podem ser clichês? Será que por fazer comunicação nos acostumamos a esperar que tudo sempre tenha um sentindo maior, mais requintado? Essas foram as revelações da vida de alguém, importantes a ponto dele escrever, guardar e sentir a necessidade de passar adiante. Ou seja, clichês, ou não, importantes.

4.12.07

Trilhas

Sabe como é. Você liga o rádio e deixa tocar. De repente, mágica, aparece uma música que parece feita para você, cada acorde. Outro dia você ouve ela de novo e é só mais uma música, com uma letra qualquer. A mágica foi embora.

Como Uma Onda

(Lulu Santos)

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar...

2.12.07

Vamos sorrir, reclamar do tempo e continuar falando sobre as coisas que não importam. É assim há tanto tempo.