8.12.07

"Deixa eu te contar uma coisa, guriazinha" ou Lições

- Tu sabe o que é viver (ahh, viver, bem, envolve respirar, certo)?
- Eu acho que sim.
- Não, tu não sabe (ele tinha quase noventa anos, quem era eu para retrucar).
- Viver é desviar de todas as coisas que nos impedem de fazê-lo.
- (ainda ele) E tu sabe o que é a verdade?
- Não, definitivamente eu não sei (e como)...
- Deixa eu olhar aqui, que eu anotei pra não esquecer. Eu gosto de escrever as coisas importantes (ele pega os documentos, tira um papel pequeninho, bem dobrado). Aqui, isso eu escrevi no dia 26 de agosto de 2006 (aponta a data para eu confirmar, afinal a vista não é mais a mesma).
- A verdade não pode ser contada. Cada um tem que descobrir a sua.

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Oié, mega clichê. Tasca numa contra-capa de livro de auto-ajuda e era isso. Será mesmo? Conversando com um amigo surgiu a pergunta: Mas por que as coisas, quando são verdadeiras, não podem ser clichês? Será que por fazer comunicação nos acostumamos a esperar que tudo sempre tenha um sentindo maior, mais requintado? Essas foram as revelações da vida de alguém, importantes a ponto dele escrever, guardar e sentir a necessidade de passar adiante. Ou seja, clichês, ou não, importantes.

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