22.1.08

Anistia

ou Como escrever escrever 34 vezes em um texto

Deixa eu escrever aqui para ver se consigo cumprir ao menos um dos compromissos que assumi comigo mesma e parar de olhar de forma culpada para a tela do computador do meu quarto. Sa´s ter muita vontade de escrever mas não ter vontade de sentar e escrever? Tem um mundo ululante lá fora, cheio de coisas acontecendo e eu já não consigo parar com calma aqui na frente sem achar que podia/devia estar lá.
Semana passada encontrei um professor que eu respeito muito. Entre vários conselhos repetidos (ele é meio esquecido) e as conversas jornalísticas tradicionais ele disse que eu TINHA que ter um blog e escrever TODO dia. Na hora só fiz uma cara de pois é, nem falei do palim, apontei o blog de uns colegas que fazem um trabalho bacana de análise da mídia e desconversei, "todos tínhamos professor, todos tínhamos".
Meu problema com essa história de escrever todos os dias é justo o escrever, o que me leva a algumas reflexões de Domingo na redenção e a um antigo chacoalhão de outra baita professora. Não escrevo bem (e com isso não quero um "ah, tu escreve bem sim querida"), tenho plena consciência disso e é uma coisa que me angustia. Escrever, jornalismo, jornalismo, escrever - querendo ou não, só uma apuração bem feita não basta. O texto bom chama pra página, garente o leitor até o final e sim, dá aquele orgulho danado.
Para moi, escrever é um parto. Eu fico obcecada, tensa, sonho com os textos e, costumeiramente, não consigo nem ver o resultado depois sem achar ao menos 512 errins. Não consigo escrever qualquer bobagem, nem aqui. Quer dizer, consigo, mas depois eu fico me sentindo mal e com vontade de apagar tudo - dai vem esses hiatos de posts (ou então gosto demais da última colocação e acho que qualquer coisa que vier depois é um insulto).
Tá, e o que isso tem com escrever todos os dias NO blog - fora que fazer jornalismo só pode ser uma ato de masoquismo da minha parte -, reflexões de domingo e blá, blá, blá wiska sachê? Simples. Escrever é prática. É um bocado de inspiração, um tanto de dom e mais uma montanha de suor - e noites mal-dormidas, no meu caso. E como eu vou praticar se o meu excesso de superego não deixa (genial essa do excesso de superego, li em algum lugar desta vasta web que nos rodeia. (Quantas coisas não deixamos de fazer por excesso de superego?))?
A long time ago fui conversar com a tal baita professora sobre essa minha síndrome de escritora de manual de aspirador e ao invés da mão na cabeça, que na época eu queria, ela me disse justo isso: então vai escrever (de uma forma bem menos doce e sutil do que você veio a ler essa frase mentalmente). O Saramago escreve duas páginas de word por dia, TODOS os dias (e o cara treinou pra c%¨&*, já que a obra prima dele saiu só depois dos 50). O Gárcia Marquez passa ao menos cinco horas sentadinho digitando pra quê? Para não enferrujar!
E cá estou, outra vez mais longe do que pretendia e sem um fim decente ou satisfatório. O texto foge, ele não é obediente e não aparece só na hora que precisamos dele (no momento ele se teletransportou para outra dimensão). O que me leva a crer que escrever é, ora, pois, contudo, entretando, apesar dos pesares e dos sofrimetos, prática. Posto que um blog não é uma obra fechada, mas um conjunto de fragmentos supostamente auto-suficientes - como reafirmou a tarde de domingo na redenção - eu deveria poder escrever bobagens e não me sentir mal por elas.
Sendo assim, vou escrever. Tentar. Nem que seja para dar continuidade ao mar de bobagens tradicional, por mais que não saia, como já diz a barrinha lá no topo e o título do finado, nada de muito interessante.

4 comentários:

Isma disse...

Entendo perfeitamente o "mas depois eu fico me sentindo mal e com vontade de apagar tudo". Tanto é que eu passei da vontade: botei a vontade em prática.

E as tuas noites mal dormidas (ou sem dormir) e essa obcecação por escrever escrever escrever quando tu tá escrevedno eu conheço muito bem também. Céus.

Tu deve ter transferido um pouco disso pra mim.

natusch disse...

Bom, conversamos sobre isso e tu sabe o que eu acho. Escrever é uma coisa que requer prática, e que se faz cada vez melhor à medida em que se faz mais frequentemente. E blog não é para mudar o mundo, é para escrever. Se lerem, tanto melhor - se não, azar de quem não lê =P

Beijos, moça!

Paula disse...

Isma
Eu gostava daquelas bobagensm, trate de voltar a escreve-lás. =p Quanto ao escrever, ah, sorry?

Igor
Bem por aí.

Cris Rodrigues disse...

Não querendo passar a mão e nem dando um suposto elogio só porque alguém reclamou de alguma coisa q faz mal: tu escreve bem pacas. Tuas idéias fluem, tu te faz entender como poucos. Às vezes, coisas complicadas ficam bem simples quando eu te leio. Tu sabe, falta revisar, já q tu escreve muito rápido e o texto vem cheio de erros de digitação. Mas se os meus problemas fossem só erros de digitação, eu estaria pra lá de feliz. Então, continua, por favor.