23.1.08

Rumo a Super Terça

Pré-candidatos buscam conquistar os últimos votos antes das primárias do dia 5 de fevereiro

especial, Paula Bianca Bianchi

(Jornal do Comércio, 21/01/2008)

No dia 4 de novembro, os norte-americanos vão às urnas para escolher quem será o substituto do controverso presidente George W. Bush. Após quase oito anos de governo, o republicano deixa ao seu sucessor o envolvimento com a guerra do Iraque, a tensão relacionada ao Irã, o resultado incerto da conferência de Annapolis e uma série de problemas internos, como a pressão para realizar reformas nas áreas da imigração e da saúde pública e o forte risco de recessão econômica.
Além disso, o próximo presidente dos EUA deverá lidar com a imagem internacional negativa do país, impulsionada pelos cinco anos de conflito no Oriente Médio e pela recusa do protocolo de Kyoto. Para Ricardo Seitenfus, consultor da ONU e professor de Direito Internacional da UFSM, a eleição desse ano "está caindo de madura para o partido democrata", tanto pela tradicional alternância entre os partidos, quanto pelo desgaste da atual administração. "Esta eleição está toda preparada para um candidato democrata."
No momento, os pré-candidatos dos dois partidos estão correndo atrás do eleitorado, e nada melhor para angariar recursos e firmar uma candidatura do que ganhar as primárias do dia 5 de fevereiro, mais conhecidas como superterça. Após as prévias de Iowa, New Hampshire, Michigan, Carolina do Sul, Flórida e Nevada é a vez de 20 estados, entre eles pesos pesados como Nova Iorque, Califórnia e New Jersey, elegerem os seus representantes. No complexo sistema eleitoral norte-americano as primárias são quase tão importantes quanto a eleição, pois definem qual candidato tem mais chances de chegar à Casa Branca.
Do lado democrata, a ex-primeira-dama e senadora por Nova Iorque, Hillary Clinton, enfrenta a crescente popularidade do também senador Barack Obama. Conforme Seitenfus, o risco é grande para o partido. "Pela primeira vez há chances de a presidência ser ocupada por um negro ou por uma mulher."
"Hillary representa o continuísmo da administração Clinton", explica o professor, "ela está diante do grande desafio político da vida dela". A senadora conta também com o maior fundo de campanha entre os democratas e com uma experiente equipe de assessores. Além disso, Hillary é de longe a candidata mais conhecida, graças aos oito anos que passou ao lado do marido Bill Clinton na Casa Branca. Ela espera situar-se no centro do espectro político e alega ter mais experiência do que o principal rival, Obama, que rebate argumentando que ter sido primeira-dama não é currículo. Para Seitenfus, "Hillary fez algo estranho para uma democrata ao votar a favor da guerra do Iraque".
Já o lema de Obama é a mudança. Filho de pai queniano e de mãe branca do Kansas ele é dotado de um forte carisma e ganhou destaque na convenção democrata de 2000, graças a um discurso que entusiasmou aos delegados. "Ele tem uma presença muito forte junto à juventude", ressalta o professor. O senador, que votou contra a guerra do Iraque, iniciou oficialmente sua campanha em fevereiro do ano passado dizendo que as tropas norte-americanas precisam se retirar do país até março de 2008. Os críticos reclamam do seu pouco tempo de senado; até a eleição ele terá completado apenas quatro anos de mandato.
Entre os candidatos republicanos os nomes são muitos, mas para o professor Seitenfus o único com alguma chance é o senador John MacCain, "apesar de a sua idade ser um grande empecilho". Herói da guerra do Vietnã, ele é uma figura conhecida em Washington. O republicano foi o responsável por medidas importantes contra a tortura e a favor de maior transparência no financiamento das campanhas. Popular entre os democratas graças à sua rusga com Bush, para quem perdeu as prévias de 2004, ele também defende idéias conservadoras, como a manutenção das tropas no Iraque.
Correndo por fora, o também republicano Rudolph Giuliani, o "prefeito da América" - apelido que ganhou após o 11 de Setembro -, espera o momento certo de entrar na campanha e guarda suas forças para investir nos estados com mais delegados, como a Flórida. A estratégia parece estar funcionando, já que seu nome aparece em alta nas pesquisas nacionais. Ele focou sua plataforma na necessidade de um projeto firme contra o terrorismo. No entanto, a base conservadora do partido o condena por suas posições a favor dos homossexuais e pelo direito ao aborto.
De qualquer forma, se o resultado das últimas prévias - Carolina do Sul e Nevada - não serviu para apontar qual será o candidato de cada partido para as eleições de novembro, ele foi suficiente para confirmar o que os analistas políticos dizem há tempos: essa vai ser uma disputa acirrada. Cabe aguardar, já que até o dia 5 de fevereiro muita coisa pode acontecer.

Como funciona o processo eleitoral

O processo começa com as escolhas dos candidatos que vão concorrer às eleições. Eleitores em cada um dos 50 estados norte-americanos elegem delegados partidários que, na maioria dos casos, prometeram apoiar um determinado candidato. Para escolher os delegados, alguns estados usam uma prévia, ou caucus - um sistema de reuniões políticas -, ao invés de uma primária, que é uma votação por meio de cédula.
Esses delegados participam da convenção nacional do partido, no meio do ano - quanto maior o estado, maior o número de delegados. Via de regra, nesse estágio já se sabe quem ganhou. O candidato com o maior número de delegados será indicado para concorrer à presidência por seu partido e escolhe, geralmente entre os postulantes que perderam, o seu vice de chapa.
Tecnicamente, os eleitores não participam de uma eleição direta do presidente. Eles escolhem representantes que compõem o Colégio Eleitoral e se comprometem em apoiar certo candidato. São eles que elegem o governante. Na maioria dos estados, o vencedor do voto popular leva todos os votos do colégio eleitoral daquele local, mesmo que tenha ganhado por uma margem muito pequena.
Dessa forma, pode acontecer de um candidato acabar com mais votos no Colégio Eleitoral do que seu rival, mas com uma parcela nacional menor do voto popular, caso da primeira eleição de Bush.

7 comentários:

Isma disse...

Super é junto com terça, sim. Pelas regras gramaticais. Super ou é separado, ou com hífen. E com hífen só antes de palavras com h, r ou de nomes próprios. Pra todo o resto, é junto.

Não, eu não sei isso de cabeça. Eu fui pesquisar. =P

E eu já te disse o que eu achei.

(Nossa. Que suspense idiota. Até parece que eu detonei a matéria reservadamente. Achei tri.)

Kauê disse...

bela gaivota
feita no paint?
;P

natusch disse...

Ficou joinha =P

Frau Bersch disse...

plagiando o igor no post da materia do chavez: eu sei que nao tenho absolutamente nada a ver com a historia, mas mesmo assim deu orgulho desse tamanhao dessa guria =)

Frau Bersch disse...

p.s.: so porque acabou o semestre voces mataram o cowabanga? ele era tao legal ^^

M.R. disse...

parabéns! legal a matéria
até já consigo entender esse tal trem de primárias agora ;)
beijokas

Paula disse...

Isma
Dane-se a gramática! Tu não acha que Super Terça separado é muito mais forte?

Kauê
Yep

Frau
Cowabanga vive!

Maria Rita
Essa é a idéia. ;)