30.1.08

Venezuela, ainda

ou resposta à Ju

Já posso até imaginar o que um amigo-leitor-assinante-que-passa-por-aqui-de-vez-enquando vai pensar ao ver esse título: Venezuela de novo, blarg! Ao contrário do que possa parecer, não sou um disco riscado. Só tenho tido um contato com Caracas maior que o habitual... Pois bem, mandei a entrevista com a Marisela para uma amiga, que, pff, tri sem graça, está vivendo a vida em alemão do outro lado do Atlântico, e ela me disse que no fim das contas, ainda não tinha entendido o que era essa tal de revolução bolivariana que tanto aparece por aí.
Pois é, Ju. A tal da revolução bolivariana é mesmo um negócio bizarro. Eu não sei se entendi direito, mas pra mim consiste nesse chutar o balde que o Chávez perpetuou ao entrar no governo. Digamos assim, seria parecido com o que boa parte dos brasileiros esperava que o Lula fizesse em 2000 e lá vai pedrada. Sabe, todas aquelas reformas utópicas e sonhadas desde sempre (agrária, política, educacional e agrária de novo...) que se realizadas mexeriam com a estrutura e o status quo do país. Ele fez. Por isso essa gritaria do pessoal que sempre teve dinheiro (cerca de 30% da população rica, branca e educada em miami), com medo do que pode acontecer e está acontecendo - a tomada de consciência das camadas baixas.
Falando assim me sinto alta defensora do Chávez, mas a verdade é que não sei direito o que pensar da Venezuela. O cara me assusta por ter esse apoio imenso, ser populista e ter origem militar. Aquele não em dezembro foi um baita alívio - fez ele perceber que nem sempre o que ele quiser vai acontecer. Por outro, a população melhorou e o cara fez o que é raro aqui nestas bandas latinas - encarou a elite e ficou do lado dos desfavorecidos, não do doláres. O que é claro, torna ele uma puta ameaça a "democracia" e por aí vai.
S'as todas aquelas coisas que todo mundo concorda que deveriam ser feitas, coisas bobas, tipo acabar com a fome, mas que a maior parte do pessoal acha que já é tarde para consertar? Não digo que lá as coisas lá estão perfeitas, bem longe disso. O negócio é que as pessoas - e por pessoas falo de todo aquele povo que não faz parte dos esclarecidos nem fica em casa tecendo ensaios - perceberam que essas coisas não apenas deviam ser mudadas, elas podiam ser. E pra mim essa é a tal da revolução, a mudança no pensamento. A fé transformada em ação.

4 comentários:

Kauê disse...

engraçado...
pensei q tu tivesse dito q ia dormir =P

Frau Bersch disse...

ai, que inspirar um pouste me deixou ate emocionada =}
te respondi no mail.
bejo!

Mário disse...

...tem um comentário lá no início q me identifiquei...

mas esse final da fé transformada em ação ficou show!

A parte que me assusta com tanta revolução por aí é que no Brasil independente de que fonte ideológica o indivíduo sorve, ao assumir o poder ele se torna igual aos demais...

Bom post! té+

Cris Rodrigues disse...

bom post. acho q resume mais ou menos o q eu penso. essa dúvida, esse negócio dos prós e contras e tal. bem escrito.