31.7.08

Rosas

Tá, quem foi? Vamos lá. Não é justo deixar uma pessoa curiosa. Não é justo deixar uma pessoa curiosa, curiosa. Se eu roesse unhas, meus dedos já estariam comprometidos.

30.7.08

"A alma é essa coisa que nos pergunta se alma existe."

Mário Quintana, el aniversariante do ano
Porque de alguma forma estranha as pessoas se encontram, se conhecem, se são bem, se dão mal, se dão. Porque a gente, por ser a gente e tomar a esquerda ou a direita sem nem perceber, deixa de conhecer tantas outras gentes por aí. Porque o tempo passa assim assim, passando.

27.7.08

Piada de mau gosto

Passei a última hora e meia tentando me matricular no OITAVO semestre. Sabe, depois do oitavo vem o.. opa, não vêm mais nenhum.

21.7.08




(Fusíon, Jorge Drexler)

***

Em breve devem aparecer uns vídeos do show em Porto pelo youtube, daí coloco aqui. Mencionei que ele fez uma milonga com Dance me to the end of love?

Deslumbramento pós show

Estou apaixonada. Sabe aquela sensação de que você presenciou algo mágico? Drexler, babe. Jorge Drexler.

Calma,
todo está en calma,
Deja q el beso dure,
deja q el tiempo cure,
deja que el alma tenga la misma edad que la edad del cielo...

18.7.08

A incrível e triste história de Ayaan Hirsi Ali

Ahh, quem eu estou enganando? Eu não ia fazer isso com vocês, mas o blog é por definição uma mídia egocêntrica - por mais justos que possam ser os propósitos. Segue a tal matéria que saiu semana passada no jornal.
Tive oportunidade de ler o livro Infiel, assistir uma palestra e acompanhar uma coletiva com a escritora e ativista somali Ayaan Hirsi Ali.
Queria dizer bem mais sobre a moça, mas textos são feitos de escolhas. Por fim, escolhi contar um pouco da história e das idéias dela para que cada um decida como defini-la.
Ayaan tem uma história muito interessante e uma argumentação forte, mas acaba cometendo excessos que, se não são tão graves como os que denuncia, são suficientes para prejudicar a forma como a suas idéias são acolhidas.



Entre o Islã e a razão
P.B.B, especial para o JC publicado em 10.07.2008


Aos 38 anos de idade, a ativista e escritora somali Ayaan Hirsi Ali tem uma história de vida no mínimo singular. Ela passou de devota fiel ao Islã a uma das mais conhecidas críticas da religião, o que lhe rendeu uma série de ameaças de morte e a obrigou a andar com um séqüito permanente de guarda-costas.
Ayaan esteve pela primeira vez em Porto Alegre na semana passada, onde participou do seminário Fronteiras do Pensamento e aproveitou para criticar o Ocidente pelo uso da teoria do multiculturalismo - que defende a preservação da cultura dos imigrantes - como desculpa para relativizar o que acontece nos países muçulmanos. Segundo ela, "se o respeito pela tradição ou religião conflita com os direitos humanos, o indivíduo deve sempre vir antes".
Nascida em Mogadíscio, capital da Somália, Ayaan cresceu sobre a forte influência dos clãs e do Islã, religião predominante no país. Seu pai foi um dos maiores opositores ao ditador Siad Barr, o que levou a família a fugir primeiro para a Arábia Saudita, depois para a Etiópia e, por fim, para o Quênia.
Ainda criança, a escritora teve o clitóris extirpado devido a uma tradição local - fato que, segundo ela, acontece com a maior parte das meninas do país. Em 1992, seu pai arranjou seu casamento com um primo canadense. Após a cerimônia, Ayaan viajou para a Alemanha a fim de obter o visto para entrar no Canadá. Lá, decidiu fugir e foi para a Holanda, onde conseguiu asilo político.
Uma vez na Holanda, Ayaan se esforçou para aprender a língua do país e começou a trabalhar como intérprete. Ela cursou Ciência Política na faculdade de Leiden e ingressou no Partido Trabalhista Holandês, sendo eleita para o Parlamento pelo partido liberal VVD. Graças ao emprego de intérprete, ela entrou em contato com diversas histórias de imigrantes, o que ajudou a fortalecer a sua visão da ineficácia das políticas de preservação da cultura. "A doutrina do multiculturalismo é uma ilusão cruel", afirma.
No entanto, foi após roteirizar o curta Submission part I, dirigido pelo cineasta Theo Van Gogh, que Ayaan se tornou alvo definitivo dos radicais fundamentalistas. O filme, uma crítica à situação das mulheres no Islã, foi considerado ofensivo pela comunidade muçulmana e resultou no assassinato de Van Gogh. Ele foi morto no dia 2 de novembro de 2004, em pleno centro de Amsterdã. Mohammed Bouyeri disparou no diretor à queima-roupa, cortou-lhe a jugular com uma faca e espetou uma carta dirigida a Ayaan em que declarava: "a próxima será você". Desde então a escritora vive cercada de seguranças.
Ao contrário do que se possa imaginar, as ameaças, ao invés de diminuir, acabaram por aumentar a abrangência das críticas de Ayaan, que focam principalmente a opressão sofrida pelas mulheres e crianças dentro das sociedades islâmicas. Em 2005, ela foi escolhida pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.
Após uma série de denúncias que culminou na perda da sua cidadania holandesa e na posterior recuperação do documento, a escritora resolveu mudar-se para os Estados Unidos, onde passou a trabalhar como pesquisadora do American Enterprise Institute. Lá, escreveu o livro recém-lançado no Brasil, A Virgem na Jaula: um Apelo à Razão, coletânea de ensaios em que expõe a condição da mulher frente à doutrina islâmica e clama por uma era das luzes para o Islã, e a autobiografia precoce Infiel - A História de uma Mulher que Desafiou o Islã, na qual relata sua trajetória de criança somali a ex-parlamentar holandesa.
A principal crítica da escritora - que choca pela veemência com que abraça a doutrina secular ocidental, chegando a afirmar em Infiel que após viver nos dois mundos sabe claramente que um é melhor - é contra o multiculturalismo. "É uma distorção da liberdade permitir a opressão de mulheres em nome da diversidade cultural ou religiosa", ressalta.
Ayaan acredita que o Ocidente age de forma apática frente ao que acontece nas famílias, sociedades e países muçulmanos. "Os teóricos erram ao romantizar uma tradição tribal antiga que adota e impõe determinadas práticas que eles não aplicariam aos próprios filhos". Ela explica que é dever de todo homem muçulmano adulto disseminar a religião, "primeiro através da palavra e, se preciso for, através da espada, da violência". Segundo Ayaan, enquanto os regimes democráticos colocam a ênfase na vida humana, a teoria política do Islã exige que todos se sujeitem à vontade de Deus.
Questionada se é possível conciliar o Islã com a democracia, a escritora - que assumiu o ateísmo em 2002 - afirma que aprendeu a fazer uma distinção entre pessoas e idéias. "Os muçulmanos, como indivíduos, têm condições de aprender idéias novas, desenvolvê-las e modificar a sua religião a partir desse aprendizado". Ela lembra que estamos vendo isso em países muçulmanos. "Já o Islã como doutrina, e especialmente como uma teoria política, é incompatível com a época do iluminismo e da teoria liberal", define. "A minha esperança reside justamente no que esses indivíduos podem fazer."

***

Trecho do livro Infiel – a história de uma mulher que desafiou o Islã, Ayaan Hirsi Ali, Companhia das Letras, 2007.

“O tipo de pensamento que presenciei na Arábia Saudita e na Fraternidade Muçulmana, no Quênia e na Somália, é incompatível com os direitos humanos e os valores liberais. Preserva uma mentalidade feudal arrimada em conceitos tribais de honra e vergonha. Apóia-se no auto-engano, na hipocrisia e em padrões dúplices. Depende dos avanços tecnológico ocidentais ao mesmo tempo que finge ignorar sua origem no pensamento ocidental. Essa mentalidade torna a transição para a modernidade muito dolorosa para todos os praticantes do islamismo.
A transição para o mundo moderno sempre é difícil. Foi difícil para a minha avó e para todos os meus parentes do miyé. Também foi assim para mim. Passei do mundo da fé para o mundo da razão – do mundo da clitorectomia e do casamento forçado para o da emancipação sexual. Tendo feito a viagem, sei que um desses mundos simplesmente é melhor que o outro. Não por causa dos seus dispositivos espalhafatosos, e sim, fundamentalmente, por causa dos seus valores.”

***

Tá. Agora que vocês (alguém?) chegaram até aqui, vamos aos fatos. Pras cucuias com a imparcialidade. Ela é reaça. Reaça, reaça, reaça. Gente boa, bacana, sofrida e reaça. Do tipo os EUA estão certos em sair espalhando a democracia pelo mundo e a culpa dos palestinos (e de qualquer outro povo que não esteja se dando bem) estarem assim é dos palestinos, não nessas palavras, off course. Pronto. Estou me sentindo melhor.

***

Ainda assim, o livro vale muito a pena. Afora isso, Ayaan levanta questões muito pertinentes sobre o ato de crer, as suas consequências e o papel da mulher na sociedade. Também acredito que se ela não defendesse o sistema (Luhman?) dificilmente teria tanto espaço.
Além disso, ela é alguém que corre risco de vida por defender as suas idéias. O simples fato de alguém ter que andar cercado de seguranças por falar o que pensa é um absurdo.
Não me interessa que os outros pensem como eu. Quero mais é que pensem, e que cada vez mais gente pense diferente, e que se discuta as diferenças, e que possamos chegar a algum lugar melhor com isso.
Quantos de nós escolheríamos morrer lutando a ficar engasgados e sossegados?

17.7.08

Lógica de fuinha

Se eu fizesse alguma coisa com o todo o tempo que fico sem fazer coisa nenhuma, olha, dava pra fazer bastante coisa.

15.7.08

Os ingressos pro show do Jorge Drexler podiam ter durado pouco mais de DUAS horas, hein.

11.7.08

Julho, sexta-feira à noite, 22ºC. Convenhamos, a vida é bela.

9.7.08

Cara de pau

Jornal do comércio de amanhã, alguma página da Internacional. Procurem pela assinatura.

***

Escrever na minha humilde concepção é um negócio dolorido e cansativo. E o mais bizarro é que depois que consigo finalizar um texto satisfatoriamente - após uma boa dose de noites mal dormidas, vontade de mudar de profissão e por aí vai - ao invés de ficar descansada ou querer descansar, fico elétrica.
Já corri, já li, já não consegui dormir. Sabe, acho que essa adrenalina/pressão auto-imposta vicia.

***

Ó.

Foca way of life

Ontem

– Tu vai fazer alguma coisa amanhã de manhã?
– Eu tinha planos de dormir (pela primeira vez em um tempinho graças a uma matéria que eu prometi pra ti, veja só, para amanhã).
– Tu não quer fazer uma pauta? Daí tu já aproveita e escreve pro Leis...
(iiih, bomba. Matéria para advogados. Força garota, não se deixe levar tão fácil)
– Tu não tem um jornalista para fazer isso (do tipo remunerado, mal remunerado, mas ainda assim melhor do que eu)?
– Dei folga para o Maurício.
– ...
– Tu pode não vir trabalhar amanhã de tarde.
– Ok.

Hoje

8:30 a.m

Tribunal de justiça
– Tem alguma audiência pública hoje?
– Não.
– Às 9h?
– Não.
– Tem certeza? No quarto andar...
– Na na ni na não. (Tá, na verdade ela disse não que eu saiba, mas cabia um na na ni na)

Ministério Público
Idem conversação com a recepcionista do TJ, mas um pouco mais delicada.
– Tu não quer sentar e esperar, quem sabe daqui a pouco chega alguém que saiba.

Prédio do lado do MP que parecia importante
– Tem alguma audiência pública às 9h no quarto andar?
– Não que eu saiba. Janete, tu sabe se tem alguma audiência pública Às 9h no quarto andar?
– Não tem.
– Ok (Janete estava armada, melhor não insistir).

9:30 a.m

Redação
- Alô, é a Paula. Olha, não consegui achar a tal da audiência. E agora?
– Agora tua pega as tuas coisinhas e volta no fim da tarde.
$%&*#$%&

Conversas com o teto

– Como vai o mundo da lua?
– Vai bem, vai bem. Uma cratera aqui, outra ali, mas a vista compensa tudo.

8.7.08

Faísca atrasada

Só ontem fiquei sabendo que a Globo comprou o Estadão, e parece que é sério. Pô, a mídia tupiniquim já não está suficientemente concentrada? Apesar de sisusão e tal, era um dos poucos jornais que eu lia com certa segurança. Se os bolcheviques estivessem tomando o poder ele ia noticiar - a foto certa, o título não-sacana - mesmo que mandasse o povo sair às ruas armado no editorial. Lá vamos nós de novo. Viva o padrão Marinho de jornalismo.

3.7.08



A Mafalda foi embora. Agora que caiu a ficha da mudança. Vou sentir falta dos mapas por todos os lados e dos biólogos pra cá e pra lá, ocupados em salvar o mundo. Sabe, eu me mudei por causa daquela tirinha. Conheci as garotas na quarta e aportei de mala e cuia no ap no sábado. Pensei, "alguém que tem uma tirinha da Mafalda colada com durex na parede do hall de entrada não pode ser má pessoa". E não era.