31.8.08



E dia 5 tá aí, hein.

E Porto Alegre vai de

Me animei com essa história de eleições. Após bancar a petista empedernida e colocar abaixo a administração Fogaça – o que não é muito difícil–, é hora de falar da tal penca de candidatos que concorre a prefeitura de Porto Alegre.
Olé, que o pleito promete e até outubro ainda tem tempo.

José Fogaça (PMDB), vice - José Fortunati (PDT)
Cidade Melhor - Futuro Melhor (PMDB - PDT - PSDC - PTB)
Em primeiro lugar nas pesquisas e com a vaguinha para o segundo turno quase garantida, o atual prefeito Fogaça. Sem graça, sem grandes realizações e também sem grandes cagadas. Concorre graças a lei da inércia. Seria bacana se houvesse um reviravolta e ele ficasse de fora, mas acho difícil. É o candidato mais forte da direita (para vocês como a coisa tá feia).

Maria do Rosário (PT), vice - Marcelo Danéris (PT)
Frente Popular (PT - PRB - PTC - PSL)
Recuperar a Capital gaúcha é questão de honra para o PT. A ministra Dilma Roussef teve permissão para fazer campanha apenas em uma cidade, e foi em Porto Alegre que ela aportou neste sábado, seguida pelo ministro Fernando Haddad, que apareceu aqui hoje. A campanha bate forte na experiência do partido, e é mais a estrutura que a Rosário em sim que sustentam a candidatura.

Manuela D'Avila (PCdoB), vice - Berfran Rosado (PPS)
Porto Alegre é Mais (PPS - PR - PMN - PCdoB - PSB - PTN - PTdoB)
E aí, beleza? Até hoje me supreendo que alguém com esse slogan tenha chegado tão longe, mas dai vem o Onyx de "Demorô!" e eu percebo que eleitores devem ser surdos. Aos 27 anos a moça já foi vereadora por Porto Alegre e deputada federal pelo Rio Grande, posto que largou para concorrer a prefeitura da Capital. Ela surpreendeu todo mundo ao entrar na Câmara com 271.939 votos, simplesmente a mulher mais votada da eleição.
A coligação miscelânea e o vice do PPS fez muita gente torcer a cara, mas ir contra as origens por ir contra as origens só mesmo a Guasso que pode atirar pedras. Dizem as más línguas que se a Manu passar para o segundo turno, deu pra bola. Medo, muito medo. Vi uma entrevista com ela na Cultura semana passada. Além de articulada, ela é carismática e sabe se defender bem, o que já é meio caminho andado.

Luciana Genro (Psol), vice - Édison Pereira (PV)
Sol e Verde (PSOL - PV)
Tenho uma colega de faculdade, candidata a vereadora pelo partido, que diz a Luciana deve fazer uns 10% em Porto Alegre, e que isso não é pouca coisa. Acho que não é por aí. A Luciana tem um histórico forte. Foi corrida do PT por discordar, brigou com o pai, fundou o Psol e brigou com mais meio mundo, no entanto a gente olha a campanha dela e pensa "cadê a Luciana Genro?". Ela não parece ter entrado nessa apenas para garantir mais um tempo como deputada, mas para ganhar. Mudou o cabelo, o tom de voz, levou pito da executica nacional por aceitar 100 mil da Gerdau para a campanha e respondeu que burrice seria não aceitar. Ela tem um dos discurso mais coerentes e teria chance de passar para o segundo turno não fosse a Manuela. Votar nela agora é tirar um voto da Rosário, que querendo ou não, é a candidata com mais força para passar para o segundo turno com o Fogaça.

Vera Guasso (PSTU), vice - Humberto Carvalho (PCB)
Frente de Esquerda (PCB - PSTU)
Não vou mentir, não sei lhufas da Vera Guasso. Só que é dirigente sindical e que nunca conseguiu se eleger para nada. Também não é preciso ser nenhum gênio para dizer que dessa vez não vai ser diferente. Teve um rolo com o Psol essa semana que cassou uma propaganda eleitoral que xingava o partido por aceitar dinheiro da Gerdau. Ironicamente, no começo do ano o Psol teve que parar de distribuir uns panfletos por motivos parecidos. Ah, e sempre esquecem da Guasso quando fazem matérias dizendo que esse ano a disputa é entre mulheres.

Onyx Lorenzoni (DEM), vice - Mano Changes (PP)
Porto Futuro Alegre (DEM - PP - PSC)
Reparecem bem no vice após o tracinho. Changes, Mano Changes. Atual deputado estadual e vocalista da banda gaúcha Comunidade Ninjitsu. Entrevistei ele antes da eleição. Lembro bem do que pensei após a conversa. "Esse cara é uma porta, tomara que não se eleja." Como de portas a Câmara está cheia, cá está ele. Lépido e faceiro, gritando demorô ao lado do Onyx em frente ao pôr-do-dol do Guaíba. E o que isso tem a ver com o Onyx? Ora bolas, me diga com quem andas e te direi quem és. Mas tudo bem, não vamos julgar alguém apenas por ter feito uma escolha eleitoreira.
Ele ziz ter se apaixonado pela gestão de cidades e fora o "demorô" do slogan, parece ter feito o dever de casa direito. Com o lema não a um passado que não deu certo e a um presnte que não correpondeu, ou algo do gênero, assim como a Luciana, ele é um dos candidatos mais coerentes. As propostas estão bem estruturadas e focam em problemas reais da cidade. Gosto quando ele afirma ser candidato "para um mandato só", o que por mais que não seja verdade é raro de ouvir nesses tempos pós aprovação da reeleição. Mas convenhamos, Onyx prefeito? Acho brabo.
Adendo: Segundo a Dé, ele também foi o deputado que faltou mais sessões na Câmara.

Nelson Marchezan Jr. (PSDB), vice - Tadeu Martins (PSDB)
Não vou falar desse cara porque 1. é o fim da picada o PSDB lançar um candidato com todas as maracutais referentes ao governo do Estado vindo à tona, 2. ele não merece. A coisa é tão furada que o partido teve que entrar sozinho nessa. Acho que o sonho de infância dele era concorrer a prefeito.
Acredito piamente que todos os textos deveriam ser como conversas de bar. Um assunto puxa o outro e por aí vai. Sem maiores pretensões que a próxima cerveja.
"Manda!"

Como nascem as estrelas


Imagem divulgada pela Nasa na semana passada em homenagem ao aniversário do Hubble. Nebulosa de Tarântula, encubadora de estrelas.

30.8.08

Cowabanga is back, back again!

As eleições em Porto Alegre b

Como falei no post sobre as eleições, se alguém sabe bem o que acontece por aqui é o povo que mora na cidade desde sempre. Reproduzo abaixo o comentário catástrofe do Igor, morador da Capital desde espermatozóide, que a pedidos teceu uma pequena análise da situação.

"Muito do Fogaça ter sido eleito em Porto Alegre vem de um sentimento anti-petista, que foi crescendo no decorrer dos anos e é basicamente uma revolta com a postura arrogante que o partido e a militância foram tomando em Porto Alegre. Isso de "renovação" na verdade era uma coisa do tipo "vamos tirar esses petistas malditos do governo, seja quem for que ganhe deles!". Sim, parece muito mais futebol do que política - e na brincadeira fomos brindados com o Fogaça-a-a-a-a-a, um dos prefeitos mais apagados e omissos de que se tem notícia. Algo semelhante aconteceu no Estado, com a Yeda (a Yeda!) representando o "novo jeito de governar" - uma desculpa para "não quero Olívio Dutra nem a pau". Deu no que deu - e isso não é dizer que se fosse o PT seria lindo, apenas constatar que pela enésima vez elegemos pessoas pelos motivos errados.
E vou dizer aqui: Manuela será a nova prefeita de Porto Alegre. É uma previsão fatalista, que se refere a algo tão inevitável quanto a primavera depois do inverno - não há nada que se possa fazer para impedir isso. E vai ser pelos motivos errados, de novo. Enfim, a vida se repete, que jeito. "

Será que a Manuela tem tanta força? Ok, ela loira, jovem e se escapa bem em entrevistas e afins. Mas ser eleita prefeita são outros quinhentos, ainda mais por uma sigla como o PCdoB, que sofre até para emplacar vereador. Um mês e contando.
Como é triste o encantamento conformado a desencantar.

28.8.08

As eleições porto-alegrenses

Buenas, a Lola pediu como vão as eleições em Porto Alegre. Confesso que não sou a pessoa mais indicada para tecer comentários a respeito - agora se alguém quiser uma análise rasa da situação política no Paquistão é outra história. Nessas horas me vejo obrigada a pedir ajuda aos universitários, amigos que moram na cidade há bem mais tempo e tem uma visão mais ampla da situação (Cristina Rodrigues, cof). No entanto, como eu não estou conseguindo dormir mesmo, vamos ver o que posso fazer.

O Rio Grande do Sul, e Porto Alegre, principalmente, foi considerado por muito tempo uma “aldeia vermelha” por ser um dos primeiros lugares a ter administrações petistas – vide a eleição do Olívio para prefeito da Capital em 1988 e para governador em 1998. Só aqui, o PT emplacou quatro prefeituras consecutivas, isso sem contar outras grandes cidades como Caxias e Pelotas que também adotaram a sigla por um tempo.

Eu ainda não morava em Porto Alegre em 2004, mas pelo que entendi a eleição do atual prefeito, José Fogaça (ex-PPS, atual PMDB), em parte foi motivada pelo desejo de mudança da população e a sensação de descaso com o então prefeito, Tarso Genro (PT), que deixou o cargo para pleitear o posto de candidato a governador pelo partido após ter dito que não o faria.

Apesar de não ter pego a eleição nem ter presenciado os governos anteriores, vivenciei toda a atual administração. O que se houve nas ruas e no rádio corredor da faculdade é que a primeira coisa que o PPS fez ao chegar ao poder foi promover uma caça às bruxas. Tamanho era o ranço com a antiga administração que boa parte dos servidores municipais que tinham alguma ligação com o PT foram removidos de seus cargos, e falo de gente concursada!

Poderia citar a mãe da vó de um amigo meus e diversos outros casos que tomei conhecimento para dar distância e qualidade jornalística, mas ah, as benesses de um blog, fico com a minha tia e uma entrevistada com quem conversei ano passado. Ambas enfermeiras, foram deslocadas de suas funções sem maiores justificativas apenas por terem sido designadas por alguém do partidão. Essa desestruturação foi mais visível nas áreas de saúde e educação. A impressão é que o governo ainda não conseguiu se estruturar. Não por acaso, um dos principais pontos debatidos na campanha é a situação das escolas e hospitais (escolas lembra enturmamento, enturmamento lembra outra grande porcaria que não vem ao caso agora, mas continuemos).

Voltando a administração Fogaça, projetos que antes recebiam atenção foram deixados de lado por estarem muito vinculados a imagem do PT (Sim. PT, PT, PT, PT. Foram 16 anos, é muita raiva acumulada). O Fórum Social Mundial, por exemplo, foi praticamente banido da cidade - não que ele trouxesse apenas benefícios, mas é uma iniciativa interessante que agrega valor cultural e turístico, além de, em termos práticos, situar Porto Alegre no mundo -, enquanto que o Orçamento Participativo, apesar de permanecer em funcionamento, sofreu sérias modificações que o afastaram da idéia original e diminuíram o grau de participação da população.

Na questão da segurança, outra plataforma comum, não tenho muito o que dizer. Porto Alegre me parece tão insegura quanto a minha cara terra natal, Caxias do Sul. Todos falam em conversar com o governo do Estado, aumentar o efetivo da Brigada Militar, acabar com a criminalidade, etc. o que soa como um discurso vazio. Uma das ações mais visíveis nessa área foi o armamento da Guarda Municipal, supostamente para aumentar a segurança dos moradores e dos próprios guardas. Só que a tal “sensação de segurança” é um conceito relativo. Não me sinto mais protegida por saber que pessoas sem o treinamento adequado - nem mesmo os brigadianos têm um bom treinamento – andam pelos parques e ruas da cidade carregando armas de fogo.

No mais, o governo Fogaça foi tão apagado quanto o seu prefeito. Como governante ele é um ótimo compositor. Quem já viu o Fogaça falando pessoalmente há de concordar que até uma samambaia tem mais presença de espírito. Várias das realizações estampadas nos folhetos de campanha que trazem o slogan “primeiro a gente faz, depois a gente mostra” já haviam sido encaminhadas por administrações anteriores. Muito projetos, como é tradicional, só foram tocados para valer este ano, caso do shopping popular, inaugurado mês passado. Outros, de extrema importância, como o a discussão de um Plano Diretor sério para a cidade, foram abafadas e transferidas para o próximo ano. Sou responsável por um caderno para advogados no jornal em que trabalho. Todos os dias “leio” os diários oficiais da União e do Estado atrás de medidas interessantes. Este mês as páginas com as leis saíram porque tinham que sair. Quase não se aprova nada de importante até outubro, medo de reflexo negativo nas eleições, acho.

O primeiro turno conta com uma penca de candidatos – José Fogaça (PMDB), Maria do Rosário (PT), Manuela D’Avilla (PcdoB), Luciana Genro (Psol), Onyx Lorenzoni (DEM), Nélson Marchezan Júnior (PSDB), Vera Guasso (PSTU) e mais um cara que eu não lembro agora. Com chance, Fogaça, que lidera as pesquisas de intenção de voto, Rosário, sustentada pela estrutura do partido e a Manuela, colocando medo em todo mundo e de quem podemos esperar qualquer coisa após a força que mostrou nas urnas na votação para deputado federal. Em menor grau, Onix e Luciana, que a meu ver possuem os discursos mais coerentes.

Fala-se muito em votar em x para impedir y entre, apesar da preferência pela pessoinha w. Nesses momentos, respiro aliviada ao lembrar que voto em Caxias, onde a situação é menos caótica. Tudo depende de quem passar para o segundo turno - e essa é certamente a pergunta que mais atazana os analistas políticos de plantão. Agora, isso é assunto para outro post.

Comecei com a idéia de esboçar um breve perfil dos candidatos e dizer que a Luciana, ao menos publicamente, fez as pazes com o pai e exagerei. Ele até aparece rapidinho na propaganda eleitoral dela, meio que pra constar já que pertence ao partido rival. Quem fala mesmo é a mamãe Genro, de cabelos igualmente lisos. Como disse no começo, não tenho autoridade para falar disso. Gostaria muito de saber a opinião do Igor e da Cris – dessa vez chamei na xinxa, hein – que como porto-alegrenses da gema acompanham essa história há bem mais tempo que eu.

P.S. Possíveis erros escabrosos de português podem ser encontrados. Blogueira insone, mas cansada. Favor avisar a redação.

Um carneirinho, dois carneirinhos

Já passei uma hora e pouco me revirando à toa na cama, li, fiz polichinelo, escrevi um texto gigante à mão, tomei leite quente, tentei dar uma espiada no Corujão e cheguei ao cúmulo de limpar o banheiro e nada, NADA do sono aparecer. Um mundo insone não é um mundo legal.
A decisão de dormir é o problema. É tudo uma questã de enganar o subconsciente. Aposto que se tudo que eu quissesse fosse continuar com os olhos abertos para para terminar um livro, fazer um trabalho ou qualquer outra coisa já estaria no quinto sono.

***

Quem sabe se eu passar o texto a limpo...

24.8.08

Um cara bom pra estar no ambiente

Na metade do semestre passado entrevistei, com outros quatro colegas, o vocalista dos Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger. Como estávamos fazendo uma revista especial sobre amor (baita revista, hein) a idéia era, bem, falar de amor. Após quase duas horas de conversa sai meio zonza. Falamos, ele falou, sobre tudo, mais um pouco e amor.
A matéria saiu com o título Não respeite meus cabelos brancos! mas poderia muito bem ser Uma conversa sobre amor com Humberto Gessinger e outros causos. Outros muitos causos. Por questões de espaço e bom senso o texto terminou editado e passou de 47 para 16 mil caracteres. A versão completa da entrevista, apesar de enorme, vale muito a pena e pode se conferida aqui.
Entre as histórias mais legais está a participação dos Engenheiros na campanha para presidência do Brizola em 1989. Eu ctrl+c, ctrl+v o trechinho cá pra baixo - o que não significa que vocês não devem conferir o texto completo, viu! É bacana ver como as coisas eram amadoras naquela épocam, mas amadoras no sentido de amor a camiseta mesmo. Eles apoiavam o Briza mais pela poesia de ter um caudilho no poder que pelas chances reais dele. Como falou o Gessinger, "Era um cara bom pra estar no ambiente".

3×4 – Vocês fizeram comício pra ele [Brizola]?

HG – A gente fez dois comícios de graça pra ele. Nós e o Arthur Moreira Lima [pianista]. Cara, o que eu aprendi nesses comícios! Foram em Curitiba e Maringá. O Arthur Moreira Lima viajava num caminhão com o piano dele. Era surreal. O partido não tinha estrutura nenhuma, um caos. Rolava passagem de avião em cima da hora, cada um da banda num avião diferente, nuns teco-tecos. Era a maior chinelagem. E na época o Collor vinha correndo. Os comícios dele eram todos certinhos, com Xitãozinho e Xororó. Aí, um dia antes de fazer o comício em Maringá, veio um cara da campanha e disse: “Viram ontem o programa do Collor? Pô, agora ele faz o seguinte: o palco está aqui, ele entra pelo meio do público, sobe pela frente. É a maior cena do caralho, ele vem pelo povo! Nós vamos fazer igual!”. Aí eu olhei o palco: “Caraca, eles vão fazer igual” [risos] Aí estávamos tocando, acabou e o cara falou: “Toca mais que o governador não chegou!”. Tocamos mais. “Toca mais que o governador não chegou!”. Tocamos mais. Dali a pouco eu vejo uma confusão. O Brizola tinha chegado e os caras estavam tentando fazer ele chegar daquele jeito. Só que o Collor tinha o maior marketing atrás, era tudo ensaiado. Cara, jogaram o Brizola no palco! Ele gritou: “Aaaah!! Aaah!! Me machucaram!!” [risos] Cara, era hilária aquela campanha. Hoje eu dou graças a Deus que ele não se elegeu, porque eu me responsabilizaria. Não era uma onda muito racional. Era um lance meio poético, meio caudilho, visionário. Era um cara bom pra estar no ambiente.

3×4 – Tu apoiava sem esperar que ele se elegesse?

HG – Ele não tinha chance, né velho? Ele saía aqui do Rio Grande do Sul e não tinha chance! A maneira dele falar, cara… não tinha a menor chance.

3×4 – Se tivesse chance, talvez tu não fizesse o show?

HG – Aí é… aí é melhor assim, PT, alguém que tivesse um partido atrás. O Brizola quase não tinha partido, era um caos. E tinha um monte de picareta atrás dele. Mas ele tinha essa coisa do visionário, do político não acreditar em pesquisa. Ele não via pesquisa. Todo mundo cercado de pesquisa, tudo científico e ele não tava nem aí. O programa de tv dele, cara, era parado e não tinha fundo. Pô, ele queria proibir computação gráfica na revista Veja. Isso é maravilhoso, né cara? [risos] Claro que é uma bobagem, mas olha o que ele tá falando… faz sentido! Pô, ele sabia que se colocar um dragão com a cabeça de um cara tem um discurso rolando que vai além do discurso do texto. Ele tinha uma coisa muito bacana, que era esse lance meio poético do Darcy Ribeiro. Pô, e o primeiro governo deles no Rio foi muito legal. Essa coisa do socialismo moreno, eu achava muito bacana.

***

Já esta nas bancas (sic) o jornal/revista 3x4 amor, a melhor 3x4 sobre amor que você já viu! O jornal é um projeto da cadeira Redação Jornalística IV da faculdade de Jornalismo da UFRGS, produzido pelos alunos do 7º semestre sob a orientação do professor Wladymir Ungaretti. Quem quiser um exemplar favor entrar em contato. Disponibilidade limitada ao nº de revistas remanescentes no meu quarto. Por questões de gestalt este post ainda não terminou. La la la. "Closing time, open all the doors and let you out into the world/ Closing time, turn all of the lights on/ Over every boy and every girl..." Fim da encheção de linguiça descarada.

21.8.08

Os cabelos da Luciana



Lá vou eu fazer um comentário baseado na aparência e não no conteúdo das candidatas a prefeita de Porto Alegre... Ao ver ontem a propaganda eleitoral da Luciana Genro (dirigida pela Mauren alguma coisa, ex-patrolete) me surpreendi pelas suas madeichas lisas.
Tá, e daí? Toda garota tem o direito inalienável de fazer o que quiser com a própria vida, incluindo aí cabelo. Concordo, mas é que na hora que vi aquilo percebi como mesmo alguém como a Luciana, que já declarou várias vezes que queria ser reconhecida na política como um ser pensante, não como dupla de cromossos X, teve que entrar na dança para participar da campanha para prefeitura de Porto Alegre. (Lembrei na hora de uma matéria da Veja de 2003 (é, da Veja, sim, irônico). Na época fizeram um antes e depois com ela e outras mulheres publicamente não-vaidosas. Ao ver o resultado ela foi clara, "Está muito bonito, mas não serve para mim".)
Provavelmente a sua assessora de imprensa decidiu que frente a Manuelas e Rosários da vida a juba cacheada e a cara lavada tradicional não pegavam bem, e lá foi a Luciana encarar a chapinha, passar batom e subir no salto. Como se já não bastasse a maior parte das análises políticas sobre a campanha para o paço municipal da capital gaúcha partirem da feminilidade das candidatas.

Não que a pintura mude a pessoa, mas não vejo o Fogaça ou o Onix fazendo dieta e escondendo as rugas. O panfleto da Rosário foi tão retocado que ficamos em dúvida se a foto é dela ou de uma boneca de cera. Elas terem que assumir esse lado a força para serem consideradas é errado. Apenas ressalta a maneira como as mulheres são julgadas dia-a-dia pela forma como se apresentam à sociedade enquanto aos homens é permitido que sejam homens sem maiores interpretações.
Ok, ok. Eu só queria mesmo era mostrar o quem te viu quem te vê.

P.S. Não consegui a foto do mega-liso-hair, mas essa do site já ajuda a ter uma idéia.

20.8.08

Veja way of journalism


Buenas. Hoje recebi um e-mail de uma amiga historiadora comentando a matéria de capa da Veja. Reação pré-abertura do e-mail "ok, o que foi que ele fizeram dessa vez?". Sás, aquele pessoalzinho da abril tá tão acostumado a fazer m#$%&* que com o tempo a indignação se torna um dar ombros... No entanto essa semana eles conseguiram, de novo, passar do tolerável. A minha amiga começou um e-mail com um "Faz História e salva a tua categoria!" tamanha a desfaçatez do texto (o que me lembra, como um periódico desse nível consegue ter uma média de um milhão de leitores?).

Segundo as "jornalistas" Monica Weinberg e Camila Pereira uma pesquisa encomendada pela Veja mostrou que o ensino nas escolas brasileiras comprova a "tendência prevalente entre os professores brasileiros de esquerdizar a cabeça das crianças". Para isso, ela se valem de dados e visitas em escolas, que mesmo colocadas em contexto desfavorável não tem nada de mais, e dos tradicionais insultos descabidos entre outras pérolas.
"
Para 78% dos professores, o discurso engajado faz sentido, uma vez que atribuem à escola, antes de tudo, a função de "formar cidadãos" – à frente de "ensinar a matéria" ou "preparar as crianças para o futuro"." Todos concordam que formar cidadãos é um disparate, off course.
"Os professores esquerdistas veneram muito aquele senhor que viveu à custa de um amigo industrial, fez um filho na empregada da casa e, atacado pela furunculose, sofreu como um mártir boa parte da existência. Gostam muito dele, fariam tudo por ele, menos, é claro, lê-lo", Tio Marx, para quem não reconheceu.
O sindicato do professores gaúcho já se manifestou contra o texto, assim como outros professores e estudantes rede afora. "Pobres alunos", coloca a matéria. Realmente, são eles, os professores de história e geografia, os maiores difusores da visão parcial de mundo tão pouco praticada pela Veja. Só faltou dizer que eles comem criancinhas.

18.8.08

Considerações

* A vida é muito curta para aprender alemão.
Apud Judite, apud Oscar Wilde

* Hoje tive aquele tradicional espanto de meio de mês ao perceber que comecei o Jornal da Lei do dia 26 de agosto. VINTE E SEIS. A vida contada em terças-feiras, e lá se vai quase um ano.

* Engraçado, nem parece assim tão agosto.

7.8.08

Rapidão que eu tenho que voltar pro livro.

"A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la."

Viver para contar, Gabriel García Márquez

4.8.08

Tortura? Capaz

Como todos nós sabemos, e o tio Bush fez questã de confirmar, simular o afogamento de alguém não é tortura, é apenas um modo enfático de conseguir informações. O jornalista da Vanity Fair Christopher Hitchens, defensor da guerra no Iraque e dos tais métodos enfáticos, decidiu fazer um teste e se submeter a técnica.
Já no título da matéria a revelação - Believe Me, its torture, como relata a grande Dorrit Harazim na Piauí desse mês. Demorou apenas onze segundos para o repórter descobrir que o tal "interrogatório extremo", prática que recebe amparo legal por parte do governo norte-americano, merece sim ser classificado como tortura.
A experiência foi documentada é pode ser vista acá. Como bem lembrou Dorrit, ele só esqueceu de dizer que os presos além de não terem todo esse tratamento delicado certamente também não podem parar o "interrogatório" com tanta facilidade.