30.9.08

Veja x Carta Capital

Ou mais uma sacada do Mino
16 de setembro de 2008, economia norte-americana vai para o brejo. Acionistas perdem o resto dos cabelos. Muitos comparam a data a temida quebra da bolsa de 1929. O presidente Bush tentar aprovar um projeto para injetar 700 bilhões de doláres dos contribuintes na economia - deles.
Perceba a diferença com que as duas maiores revistas semanais do país encaram o fato.


Veja da semana passada Carta Capital dessa semana

28.9.08

Redenção. Domingo à tarde. Sol. Graminha. Canga. Pseudo-jornalista com bloquinho na mão e nenhuma idéia na cabeça, tentando encontrar um jeito de colocar uma vida em duas páginas. Um guri se aproxima e pergunta:
– Tu conhece tarot?
Vamos ignorar a descrição de feelings tradicional (como assim tu conhece tarot?, eu tenho cara de quem leva a vida pelas cartas e por aí vai).
– Conheço.
– Quer tirar uma carta?
Pseudo-jornalista atrás de qualquer desculpa para não escrever. Ahh, que se dane.
– Quero.

Olé

Dois empates depois...
4x1!


Isso aí rapaz, continua assim

E lá se foi a ponta do campeonato brasileiro. Grande grenal 373, grande domingo.
Só faltou o Clemer fazer um gol de pênalti.

***

— O time está de parabéns. A gente mostra dentro de campo. Falaram muita besteira durante a semana, que a máquina viria atropelar. Acho que esqueceram de avisar que a máquina vinha amarela e lenta.
Índio para a rádio Gaúcha

27.9.08

"Qual a palavra para dizer que as coisas não são iguais o tempo todo? A coisa que faz você saber que o tempo está passando? Essa palavra - responde Sonho - é mudança."

Sandman, Vidas Breves (?)

Perfis

Contar a história de alguém. Um pedaço da história de alguém. Sempre apenas um pedaço. Outro dia o Saramago escreveu no blog dele - bacana poder acompanhar o mestre cotidianamente - que todas as vidas mereciam serem escritas e lembradas. Mesmo aquelas que não tomassem mais que cinco linhas.
Se você tivesse que escrever a sua história em cinco linhas, o que diria? Na faculdade estamos trabalhando em um revista de perfis. Curtos, longos, biografias. Me deu vontade de sair à rua perguntando a esmo, "Me diga amigo, qual foi o momento mais importante da sua vida?".
Me diga amigo, qual foi o momento mais importante da sua vida?
Idéias. Muitas idéias. Idéias ululantes. Falta de paciência ou cabeça para colocá-las em prática. Velhas histórias. Novas histórias. Um certo não sei o que incomodando. Quem sabe com a música certa. Quem sabe meter os peitos e por o pé na rua. Quem sabe apenas ler e tomar sol.

Neologismos

– Falando sério agora. O que te impede de criar palavras?
– E quem disse que eu não invento?

24.9.08

"O medo do tempo que passa nos faz falar do tempo que faz."
R. Teixeira

22.9.08

Sobre o Paraguai

Esse texto foi publicado hoje no jornal (e como meu nome, ê) e é o resultado de uma conversa que tive com o embaixador de relações exteriores do Paraguai, Mário Sandoval. Muito bacana, ele concordou em falar comigo em um intervalo de uma conferência sobre a abertura dos arquivos das ditaduras do cone sul aqui em Porto Alegre . O Paraguai está bem avançado nesse sentido, e já entregou a justiça uma lista com todas as pessoas que cometeram crimes contra os direitos humanos que eles conseguiram retirar dos chamados "arquivos do terror". A versão impressa ficou sem a última questão, que não é o bixo, mas trata desse assunto. Participei de parte do seminário e antes de conseguir a entrevista conversei um pouquinho com ele sobre isso também. Outra hora, se faltar assunto e sobrar vontade, escrevo sobre isso por aqui.
Quem vê o Paraguai hoje não tem idéia da importância histórica da nação, que chegou a ter níveis de analfetismo beirando ao zero em uma época que a prioridade dos governantes do nosso continente não era a educação, mas a fome (tá, não que as coisas tenham mudado taanto). Nossos livros de história são muitos omissos nessa parte, mas a guerra do Paraguai, além de apoiar o imperialismo inglês, serviu para parar em pelo menos dois séculos uma nação que se encaminhava para ser a mais desenvolvida da América do Sul.
Falei com Sandoval numa manhã de quarta-feira, bem no começo de setembro, após o presidente recém empossado Francisco Lugo ter anunciado na terça à noite que o ex-presidente Nicanor Duarte, o candidato derrotado Lino Oviedo entre outros estavam articulando um golpe de Estado. Como ele estava no Brasil durante a tal crise, não sabia de muita coisa e minhas ambições de ter um relato da situação foram por água a baixo. No fim, tivemos uma conversa bem menos política do que eu gostaria, mas ainda assim interessante visto que o Paraguai sempre foi deixado de lado na hora das grandes negociações.


Uma nova forma de olhar o futuro

Paula Bianca Bianchi

Dos 6 milhões de habitantes do Paraguai, 1, 1 milhão sobrevivem com menos de 1 dólar por dia, o que os coloca em nível de pobreza aguda. Além disso, estima-se que 500 famílias possuem 90% das terras do país, enquanto outras 320 mil carecem delas. Os números são extremos e expõem apenas algumas das contradições com que o recém-empossado presidente, Fernando Lugo, terá de lidar.
A eleição do ex-bispo terminou com 61 anos de hegemonia do Partido Colorado no poder e transformou o dia 20 de abril de 2008 em data histórica. No entanto, já é possível perceber reações da oposição, que não parece disposta a aceitar a nova posição. Primeiro governante de esquerda a assumir o comando do país pela via democrática, Lugo assustou os vizinhos ao tocar em assuntos até então tidos como resolvidos, como a distribuição dos lucros da Usina Hidrelétrica de Itaipu e a reforma agrária.
Em entrevista exclusiva ao Jornal do Comércio, o embaixador de relações exteriores do Paraguai, Mário Sandoval, falou sobre os desafios do novo governo e se disse confiante quanto a implementação das propostas de campanha de Lugo. Para Sandoval não há como prever o que vai acontecer e é hora de "apostar para ganhar".

Jornal do Comércio - Qual o reflexo da entrada do presidente Fernando Lugo após 61 anos de governo colorado?
Mário Sandoval - Fazendo uma análise em profundidade, a questão não é o governo Lugo. O problema básico é uma forma de governar, que abrange não só o Partido Colorado, mas situações anteriores do Paraguai, de 30, 50 anos atrás, foi substituída. Depois de 1989, a sociedade civil muda de rol dentro do jogo de poder. A sociedade assume o protagonismo no dia 20 de abril de 2008, data das eleições. Há uma nova forma de olhar o futuro. As pessoas ficam com o dever de encontrar um novo caminho, uma nova organização de forças. Isso é o mais importante. Vai ter resultados positivos para país ou não? Ninguém sabe ainda. Nós temos que apostar para ganhar.

JC - Houve um amadurecimento da democracia?
Sandoval - Sim. A democracia no Paraguai iniciou em 1989 por uma situação de golpe de Estado que derrocou o ditador (general Alfredo Stroessner). Depois disso, em 1992, tivemos uma nova Constituição, que incorporou todos os elementos novos do mundo da democracia, mas esse foi apenas o marco legal. O passo seguinte foram as eleições. A votação do dia 20 virou todo o sistema. Há agora uma nova maneira de relacionamento entre o poder e a sociedade. Como vai ser, depende da habilidade do presidente, dos políticos, dos grupos de poder, dos empresários... Inclusive do meio internacional regional, em especial de Brasil e Argentina, que têm muita influência no Paraguai. Sessenta e cinco por cento do nosso comércio exterior é com o Brasil. Também temos uma relação muito forte com a Argentina. Há mais de um milhão de paraguaios morando lá. Temos que saber conjugar o relacionamento com a região.

JC - Qual a importância do apoio brasileiro ao Paraguai?
Sandoval - É fundamental. O presidente Lula, com quem Lugo já conversou, abriu as portas para uma nova forma de relacionamento entre as nações. Agora temos que negociar. Isso não é fácil, mas também não é impossível. É preciso encontrar uma correlação exata de interesses superiores, que não tenham a ver com as dimensões do país, sejam elas geográficas, populacionais ou produtivas. Se não, dimensões de direitos humanos, de defesa da democracia na região, que é o mais importante. De benefício mútuo à população.

JC - O senhor acha que esse novo governo vai conseguir implementar as reformas que estavam na plataforma de campanha, como a reforma tributária e a agrária?
Sandoval - Confio, confio firmemente que sim.

JC - Mas a reforma agrária, principalmente, não enfrenta muitos problemas, da concentração da terra...
Sandoval - A concentração de terra no Paraguai é uma das mais robustas que existe. Os pequenos proprietários têm muito pouco espaço. Todo o tema da reforma agrária é fundamental para colocar em branco e preto a economia e o aspecto social do país. Os campesinos devem ter terra, mas não só terra. Também os outros elementos, tecnologia, crédito etc. Mais que isso, devem ter uma cultura de cultivar. A cultura do campo foi perdida por muito tempo, por que eles não tinham mais onde plantar e tiveram que migrar para a cidade. Hoje há uma "re-volta" para o passado, nesse sentido. Mas não para um passado mau, regressivo.

JC – Hoje mais da metade da população vive nas cidades. A idéia é tornar o Paraguai um país mais agrário?
Sandoval - Talvez não um país mais agrário, mas que mais pessoas ocupem o campo. A produtividade geral do Paraguai em termos agrícolas é alta, mas isso está concentrado em poucas empresas multinacionais. Marginalmente, tem muita gente que poderia ser agricultora, mas não é. É provedora de serviços secundários, fora do comércio formal. O que se deve fazer é incorporar todo esse mundo de pessoas ao sistema agrícola granadeiro, que até agora é a base da economia do Paraguai. Não apenas buscando uma atividade comum, mas produtiva. Esse é um desafio muito grande

JC - Quais são os principais problemas enfrentados pelo Paraguai atualmente?
Sandoval - Temos dificuldade, por exemplo, na produção. Temos uma das melhores carnes de gado do mundo, mas a produtividade paraguaia não é do nível do Uruguai, por exemplo. Nós temos apenas nove milhões e meio de cabeças de gado. O Uruguai, mesmo sendo um país menor, tem 14 milhões, ou mais. Outro é o tema da soja. Apesar de pequeno, o Paraguai participa com o Brasil e a Argentina na produção mundial do produto. A soja tem dificuldades. Ela envolve a distribuição de terra, os campesinos que a cultivam e as empresas multinacionais que estão trabalhando nesse negócio. Tudo isso deve ser revisto. As multinacionais pagam um imposto muito baixo, poderiam pagar mais, talvez. Tudo isso está sendo estudado por uma equipe econômica. Você também tem o problema do contrabando. Há uma forte intenção de legalizar tudo que for ilegal. O comércio ilegal não traz benefícios para o Paraguai. Nesse ponto temos que ver a relação com nossos vizinhos, principalmente com o Brasil, que também tem uma cota de responsabilidade, porque o comércio é feito por duas partes. Os países devem trabalhar juntos, tanto o Estado quanto o empresariado, para legalizar todo o comércio que atualmente é ilegal.

JC - Para fechar a questão dos direitos humanos: o Paraguai é um dos primeiros países a abrir os arquivos da ditadura, os chamados "arquivos do terror". Qual a importância disso para a democracia?
Sandoval - Fundamental. Temos muita informação que vai possibilitar definir o que aconteceu. Já temos um panorama geral, mas isso pode incrementar as provas e os documentos que irão respaldar os processos futuros para punir os responsáveis pelas violações dos direitos humanos.

* E aí, alguém notou o furo da matéria?

18.9.08

Das conversas que envolvem café e não cevada

A grande questão. Aquela que permeia boa parte das existências, por mais que nunca seja formulada. A pergunta.
Ser feliz ou fazer história?
Já dizia Pessoa,
"(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz)"
Quem sabe.

Eleições em Porto Alegre 33 e 1/3

E há quinze dias das eleições, ao clicar no link "propostas" do site do candidato e atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, aparece, ta ta ta...



Aguarde!
Sim senhores, porque a gente tem que "manter o que está bom e melhorar o que tiver que melhorar". Seja lá o que for isso.
(o grifo é nosso)
Andei pisando no chão sem encostar por algum tempo. Foi bom. Passou.

17.9.08

E não é que até o Saramago decidiu aderir aos blogs?

15.9.08

E assim nós vamos. De uma espera a outra.
Pinicante

12.9.08

11.09.1973

Finjam que não passou da meia noite...
Último discurso do presidente Salvador Allende no dia do Golpe de Estado que derrubou o governo eleito e deu lugar a ditadura comandada pelo general Pinochet.

"Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos.

A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."

Eleições na terrinha

Como já disse, fico feliz de votar em Caxias. Ao contrário de Porto Alegre, a cidade conta com apenas dois candidatos. Isso também é meio inédito por lá e significa que dia 1 de outubro é vai ou racha. De um lado temos o atual prefeito, Ivo Sartori (PMDB). Dou outro, o ex-prefeito Pepe Vargas (PT).
Engraçado que as eleições em Caxias sempre ficam nessa dicotomia PMDB/PT. Meia cidade vota num partido e não abre, independente de propostas e afins, e a outra idem. Inclusive, a última eleição do Pepe foi ganha por coisa de 500 votos (em uma cidade com meio milhão de habitantes e ao menos 200 mil eleitores cadastrados).
Fim de semama fui pra casa. Na minha cabeça a eleição tava ganha pro lado do Pepe, afinal os dois governos dele foram bem bacanas e ele só não fez o sucessor porque errou no candidato ao apostar na vice, a fraquinha Marisa Formolo, e também porque diz uma regra não escrita que variar é bom e tal. Não que o Sartori tenha sido ruim também, mas ele apenas continuou o que estava sendo feito - seria burrice abandonar projetos andando bem - e deixou bastante a desejar em áreas como saúde e educação. E eu esperava um pouquinho de memória dos meus conterrâneos.
Acontece que Caxias é uma cidade rica, desses lugares em que dinheiro chama dinheiro. Crescimento anual de 10%, segundo maior pólo metal-mecânico da América Latina, gringos em ação e por aí vai. Quem não toca um lugar desses? O que a gente escuta na rua é que qualquer um dos dois será um bom prefeito e blá, blá, blá e como o Sartori foi bem por que não continuar com ele...
A primeira eleição do Pepe foi um marco pra cidade, extremamente conservadora. Lembro do choque do Rigotto (yep, o nosso ex-governador morreu na praia em todas as suas tentativas de administrar a pérola das colônias) e do pessoal, que, suponho, esperava hordas vermelhas pelas ruas. O cara foi bem, ganhou um segundo mandato e dobrou muita gente que dizia que não votaria no PT nunca.
Agora, como o Sartori não fez nenhuma cagada - porque basicamente é isso, ele não foi o cara, só não pisou na bola demais - não há porque não continuar tudo como sempre foi e lá se vai a classe média feliz votando nos "seus". É ingenuidade da minha parte, mas pra mim saúde vale mais que asfalto, que foi o que mais vi da atual administração. Buenas, veremos. Acho que dessa vez a coisa fica por uns quinhentos e lá vai pedrada outra vez. Tá, talvez eu não esteja tão feliz assim de votar lá.

10.9.08

Censura

A Justiça mandou tirar do ar parte de um post do Nova Corja que tratava do caso Mansão-Yeda-lama-Banrisul. Como se já não fosse o bastante esse tipo de informação circular quase que só em blogs. Caso para repercussão nacional, como bem colocou o pessoal do jornalismob.
"O homem se tornou sedentário e agricultor há cerca de 10 mil anos, iniciando a revolução neolítica, para beber cerveja e se embriagar, e não com a finalidade de melhorar ou garantir sua alimentação."
Josef H. Reichholf, biólogo e historiador natural alemão, da Folha de ontem

9.9.08

Duas décadas, um ano e contando

De alguma forma estranha, sinto que o ano começa aqui. Um pouco depois do calendário decidir que é dia 9 de setembro. Bobagem das bobagens, pouco antes de setembro engrenar me pego pensando em quem sou, quem fui, o que vai ser desta história daqui por diante. Vai tudo pra balança, e quando a confusão não aumenta demais a ponto de confundir todo o resto, dá pra tirar uma meia dúzias de conclusões.
A verdade é que eu sou uma desssas pessoas sortudas, apesar de nem sempre lembrar disso. Não no sentindo Gastão/Tio Patinhas da palavra. Nunca ganhei na loteria, nem costumo encontrar dinheiro pelo chão. Sortuda por esse monte de pequenas coisas que a gente sente falta quando não tem, mas nem liga quando está ali.
Bons amigos, família legal, trabalho bacana. Um pé de maracujá e uma rede na varanda, mais uma pilha de bons livros no canto do quarto e um mundo cheio de coisas interessantes piscando, esperando só o pé na rua. Soma-se a isso um bocado de momentos memoráveis, desses que fazer a gente rir sozinho enquanto caminha pela rua, e não dá para dizer que a vida não é boa.
O ar cheira a anistia, bem querer. E se eu não tivesse passado a madrugada vomitando a comida que não comi (dica - bolinhos de arroz tem prazo de validade), hoje seria um daqueles dias que raspam a casca da plenitude. E lá vou eu pro chá de boldo, que quem sabe, dá pra salvar a noite. C'est la vie, c'est la vie.

8.9.08

Momento conversas furtadas

Mulher conversa com homem na parada.
– Deu de bebida. Entrei pro AA ontem. Álcool pra mim é que nem tacar água no gremlin.

Energia que dá gosto

Pois bem. Depois de tratar de política municipal, internacional e o diabo a quatro andando de patinete, é hora de falar de coisas realmente sérias. Graças ao esperneio de milhares de internautas, que cresceram tomando mamadeira achocolatada e que até hoje pensam "Não tem leite com nescau?" quando alguém oferece café, ele voltou.



Sem frescuras, firulas e demais acessórios desnecessários.
The one and only: Nescau Tradicional!


7.9.08

Família

– Adivinha do que é a torta (com cara de "é a tua preferida")!
– Morango!!!
– Não.
– Morango moreno!!
– Não.
– Morango albino?
– Não.
– Hmn, não consigo pensar em mais nada com morango...
– ...
– Eu devo excluir o morango?
– Truffada!!!

5.9.08

Paris for president

Falando em eleiçõe norte-americanas, circulou há um tempo atrás um vídeo feito pela campanha do McCain comparando o Obama a Britney Spears e a Paris Hilton. Na fita de 30 segundos passam várias fotos do democrata discursando em Berlim (maior público europeu para um candidato norte-americano desde um discurso do Kennedy no continente há umas décadas) misturadas com fotos da Paris e da Britney, enquanto uma voz feminina em off questiona: "É a maior celebridade mundial, mas estará pronto para liderar?" No fim aparece uma imagem de McCain dizendo "Sou John McCain e aprovo esta mensagem".
Pois bem, a Paris, que é perita em chamar atenção pra si mesma sempre em cima de coisa nenhuma, não gostou e resolveu responder, também com um vídeo. E quem diria, ela tem senso de humor.




* Tentei colocar a versão com legenda, mas não consegui. Aqui tem, junto com o vídeo do Obama.
"Nenhuma lâmpada é trocada em Porto Alegre sem estudar qual é o horário que tenha mais gente passando debaixo do poste."

Celeuma

4.9.08

E a campanha continua

"Contra o muralismo." Pra que(m) serve o teu conhecimento (onde você esconde o seu preconceito) agora na fila do RU da Saúde.

Pseudo-artigo vetado

Já ia começar com o papinho cara-de-pau tradicional "JC, amanhã, pg 19 0u 20, procurem pela assinatura", mas a vida não é um moranguinho. Não rolou. Depois do texto ter passado pela editora, voltar, ser diagramado e corrigido o Editor chefe mandou tirar meu nome. O argumento - "Nem eu faria uma análise sobre a situação nos EUA". E eu com isso?
Mesmo sem nome o texto vai sair igual, o que me leva a pensar. Se como estagiária não tenho condições de escrever tal matéria, qual o sentido de publicá-la? Em respeito a minha chefa, que é gente boa e tentou não falei pra tirarem. Mas a tal exclusividade do jornal eu não vou respeitar não. Segue o texto, primeiro aqui e com o Bianca Bianchi antes do primeiro parágrafo.
De qualquer forma, se alguém quiser dar uma olhada na versão impressa pode procurar amanhã no "JC, pg 19 ou 20". Só não procurem pela assinatura.



McCain está chegando
Após o fim das convenções dos partidos, a corrida presidencial se acirra de olho no dia 4 de novembro


Paula Bianca Bianchi,
especial para o Palimpsesto


Desde o começo da corrida presidencial norte-americana, o foco das atenções sempre esteve sobre o lado democrata. A confirmação da candidatura do republicano John McCain não provocou mais que um levantar de sobrancelhas se comparada à paixão com que a mídia acompanhou a disputada entre a ex-primeira dama e senadora por Nova Iorque, Hillary Clinton, e o senador por Illnois, Barack Obama. Pois bem, senhores. Apesar de toda a Obamania que tomou conta dos Estados Unidos ao longo do ano, as pesquisas só têm uma coisa a dizer: McCain está chegando, e rápido.
Parte do sucesso do cowboy republicano se deve à demora democrata, que marcou passo ao adiar ao máximo a definição do seu candidato. Obama foi confirmado oficialmente apenas há duas semanas. Ainda assim, o nome de Hillary foi incluído na cédula de votação para não desagradar a parcela de eleitores que não engoliu a forma como o "mais jovem" candidato à presidência passou a senadora.
Buscando o voto dos eleitores desapontados com a saída de Hillary, McCain escolheu a jovem e inexperiente governadora do Alasca, Sarah Palin, como companheira de chapa. No entanto, com idéias políticas que a colocam no espectro mais à direita do Partido Republicano, Sarah dificilmente será suficiente para atrair a massa democrata e independente que apoiava a ex-primeira-dama. Obama, por sua vez, preferiu como vice o senador Joe Biden. Presidente do comitê de Relações Exteriores do Senado, ele é visto como uma forma de diminuir as críticas relacionadas a sua suposta falta de habilidade com assuntos relacionados à política internacional.
Dos dois lados as críticas se acirram, nesta que já é considerada a campanha política mais suja dos últimos anos. Por um lado, a idade de McCain, que completou 72 anos em agosto, assusta os eleitores que temem que o senador não seja capaz de concluir o mandato. Por outro, a mudança pregada por Obama parece forte demais para uma nação que reelegeu George W. Bush e vê no sistema público de saúde uma forma de "socializar" os direitos coletivos.
Conseguirá o partido democrata unir seus eleitores a tempo? Os republicanos terão capacidade de se dissociar da imagem do atual presidente e lograr um terceiro mandato? As perguntas não param, e até o dia 4 de novembro muita coisa pode acontecer. Cabe aguardar para ver quem será o escolhido para ser o novo proprietário da democracia no mundo.


* Texto escrito antes de Sarah Palin declarar que a difença entre ela e um pitbull é o batom.

Tomara

Noventa por cento das terras do Paraguai são controlada por 500 famílias enquanto outras 350 mil não tem terra nenhuma (lembra algum lugar?). Conversei ontem com o embaixador do país, Mário Sandoval, e perguntei:
"A reforma agrária - uma das plataformas principais da campanha de Lugo - vai sair mesmo?"
Ele não titubeou, tentou me enrolar, nem nada. Apenas disse:
"Sim. Tenho fé que sim."
Um país na América Latina em que a reforma agrária não é só uma promessa, mas uma meta séria de governo. Será?

3.9.08

Porque é começando que se começa

O Diogo Mainardi foi condenado a três meses de prisão após perder um processo movido pelo Paulo Henrique Amorin. Claro, esse tempo vai ser revertido em multa, serviço social e o diabo a quatro.
É pouco. É quase nada. É um começo.

*Informação do sr. A. Haubrich

Pra que (m) serve o teu conhecimento?


Aderindo à campanha.

Pedágios e o Duplica RS

Uma das propostas da governadora do Estado é o Duplica RS. Parte dos programas estruturantes, ele pretende manter as concessionárias nos pedágios por mais 15 anos e assim duplicar 120km de rodovias entre outras coisas além de "ampliar a capacidade de tráfego no sistema rodoviário estadual, visando superar os principais gargalos logísticos e reduzir o custo total do transporte". Reproduzo aqui parte de um post do blog do Fórum Nacional de Usuários de Rodovias Pedagiadas, que pode ser encontrado também lá na Corja junto com outras explicações legais da reação da Yeda a questionamentos sobre a sua relação com as concessionárias.
Admito, fui bairrista e coloquei só os dados referentes a Caxias e a Capitar, mas visitando o FNURP dá pra pegar o rombo de todo o Rio Grande.

Entenda o DUPLICA / RS com números

ASSOCIAÇÃO DOS USUÁRIOS DE RODOVIAS - “ASSURCON / SERRA”
Prorrogação por mais 15 anos após 2.013, fechamento das vias alternativas e instalação de novas praças de pedágios previstas nos contratos, como é o caso da RS030.
Argumento básico para a prorrogação dos contratos através do DUPICA/RS: compensar prejuízos até hoje manifestados pelas concessionárias, mas que não se possuem dados confiáveis, para que façam as obras que seguem relacionadas abaixo e que foram divulgadas em Santa Cruz do Sul.
Critério: como as concessionárias dos Pólos de Pedágios até hoje não fizeram obras, foram somados os valores arrecadados até 2007 e os valores projetados a serem arrecadados pelo DUPLICA/RS e o que representam os “investimentos” em relação a arrecadação total.

PÓLO METROPOLITANO - Porto Alegre
Guaíba até Sentinela do Sul ........ 98 km
Obra de duplicação de 62 km de 2.008 até 2012 ao custo de R$ 194 milhões
Sentinela do Sul até Camaquã ..... 36 km
Obra de duplicação dos 36 km, de 2012 até 2014 ao custo de R$ 112 milhões
Eldorado do Sul até o entroncamento da BR/153.....205 km
Obra de duplicação de 50 km, de 2008 até 2010 ao custo de R$ 170 milhões
Gravataí até Osório na RS 030 ..... 74 km
Obra de aumento de capacidade nos 74 km, de 2008 até 2013 ...R$ 22 milhões
Viamão até Pinhal ..... 84 km
Duplicação de 01 km e aumento de capacidade em 83 km
de 2008 até 2013 ..................... ao custo de R$ 76 milhões
Total dos investimentos de 2008 até 2014..... R$ 574 milhões
Até 2007 o Pólo METROPOLITANO já arrecadou, sem correção, R$ 357.653.014,00
Arrecadação, histórica, projetada de 2008 até 2028 ................R$ 1.467.965.840,00
Portanto, somando o arrecadado, com o arrecadar 32% serão destinados para obras

PÓLO CAXIAS DO SUL - Convias S/A
Caxias do Sul até Campestre da Serra ........ 75 km
Obra de duplicação de 2 km e aumento da capacidade em 5 km
de 2008 até 2011 ao custo de R$ 24 milhões
Caxias do Sul até Nova Petrópolis ...... 30 km
Obra de duplicação de 01 km e aumento de capacidade de 5 km
de 2008 até 2010 ao custo de R$ 13 milhões
Farroupilha até São Vendelino pela RS 122 .... 12 km
Obra de aumento de capacidade de 4km de 2008 até 2012 ... R$ 7 milhões e 300 m.
Viaduto na RS 122 – Tramontina – Km 60 208 / 2009 ao custo de R$ 10 milhões e 700 m.
Interseção na RS 122/RST 453 para Caxias do Sul / Flores da Cunha
de 2008 / 2009 ao custo de R$ 16 milhões
Duplicação da BR-116 – Marcopolo até a Av. São Leopoldo – 1,8 km ..sem data e valor
Duplicação da BR-116 – em Vila Cristina 1,2 km ... sem data e valor
Total dos investimentos de 2008 até 2011 .... R$ 71 milhões
Até 2007 a CONVIAS já arrecadou, sem correção, R$ 233.355.404,00
Arrecadação, histórica, projetada de 2008 até 2028 ...... R$ 992.194.440,00
Portanto, somando o arrecadado com o arrecadar 7% serão destinados para obras
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SÍNTESE GERAL
Valores, sem correção, já arrecadados até 2007........................ R$ 1.621.461.159,00
Valores da arrecadação, sem correção, se houver a prorrogação R$ 6.440.992.720,00
Soma do item “1” com o “2”, arrecadação histórica de .......... R$ 8.062.453.879,00
isto se continuarmos por 20 anos com o mesmo número de veículos e se as vias alternativas permanecerem abertas, caso contrário irá além dos 15 bilhões, valores de hoje.
Soma total dos valores dos investimentos do DUPLICA/RS até 2017, sem correção...... R$ 1.363.000.000,00 ..... portanto, em média, 16% da arrecadação será para obras
e mais de 80% serão custos. Dá para admitir que se prorroguem os contratos dos Pólos de Pedágios através do DUPLICA/RS?
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CONCLUSÃO
Os Pólos de Pedágios tem como custos mais de 80% da arrecadação
Os Pedágios Comunitários possuem um custo médio de 15%
Os Pólos de Pedágios investem menos de 20% nas rodovias
Os Pedágios Comunitários possuem 85% da arrecadação para obras
Pergunta: por que para ter um benefício (estradas boas) se teima em pagar mais, se
os usuários de rodovias podem pagar menos?
O Governo Estadual quer duplicar o que mesmo?
E os Deputados vão aprovar uma improbidade administrativa evidente?
Agenor Basso – (54) 9974.4008

2.9.08

As pequenas coisas

As pequenas coisas que antes eram engraçadas. As pequenas coisas que antes eram indiferentes. As pequenas coisas que vão juntando, juntando. As pequenas coisas que se transformam naquela bola de pêlo engasgada que você já não sabe como por para fora.
Deus salve aqueles que sobrevivem a convivência.

Indicações

Se fosse para bancar o Unga e indicar alguma coisa essencial, eu diria:
LEIAM a Nova Corja
VEJAM CQC
Essa gurizada faz o que a maior parte dos jornalistas gostaria da fazer e não faz, seja pelas rotinas de produção, falta de tempo, chefia ou preguiça mesmo.

CQC, segunda-feira, 1.9.2008:
carriata seguida de passeata eleitoral
"Daí, Lula. qual teu candidato? McCain ou Obama!"
"Obama!", responde o presidente.
repórter para mulher segurando bandeira:
"Você está aqui por motivação ideológica ou para fazer campanha mesmo?"
"Ideação ideológica."
"E quais as propostas do seu candidato para educação?"
"..."
"Já que voce está aqui por motivação ideológica..."
"Saúde."

Nova Corja, quase todos os dias desde que a "desgonvernadora" tomou posse:
A investigação sobre a mansão da Yeda é um bom exemplo, mas nada perde para o vídeo "A queda da desgovernadora".
Scarlett came to me today with one of those questions actors ask, “What’s my motivation?” I shot back, “Your salary.”

Diário do Woody Allen, lá da MarinaW