4.9.08

Pseudo-artigo vetado

Já ia começar com o papinho cara-de-pau tradicional "JC, amanhã, pg 19 0u 20, procurem pela assinatura", mas a vida não é um moranguinho. Não rolou. Depois do texto ter passado pela editora, voltar, ser diagramado e corrigido o Editor chefe mandou tirar meu nome. O argumento - "Nem eu faria uma análise sobre a situação nos EUA". E eu com isso?
Mesmo sem nome o texto vai sair igual, o que me leva a pensar. Se como estagiária não tenho condições de escrever tal matéria, qual o sentido de publicá-la? Em respeito a minha chefa, que é gente boa e tentou não falei pra tirarem. Mas a tal exclusividade do jornal eu não vou respeitar não. Segue o texto, primeiro aqui e com o Bianca Bianchi antes do primeiro parágrafo.
De qualquer forma, se alguém quiser dar uma olhada na versão impressa pode procurar amanhã no "JC, pg 19 ou 20". Só não procurem pela assinatura.



McCain está chegando
Após o fim das convenções dos partidos, a corrida presidencial se acirra de olho no dia 4 de novembro


Paula Bianca Bianchi,
especial para o Palimpsesto


Desde o começo da corrida presidencial norte-americana, o foco das atenções sempre esteve sobre o lado democrata. A confirmação da candidatura do republicano John McCain não provocou mais que um levantar de sobrancelhas se comparada à paixão com que a mídia acompanhou a disputada entre a ex-primeira dama e senadora por Nova Iorque, Hillary Clinton, e o senador por Illnois, Barack Obama. Pois bem, senhores. Apesar de toda a Obamania que tomou conta dos Estados Unidos ao longo do ano, as pesquisas só têm uma coisa a dizer: McCain está chegando, e rápido.
Parte do sucesso do cowboy republicano se deve à demora democrata, que marcou passo ao adiar ao máximo a definição do seu candidato. Obama foi confirmado oficialmente apenas há duas semanas. Ainda assim, o nome de Hillary foi incluído na cédula de votação para não desagradar a parcela de eleitores que não engoliu a forma como o "mais jovem" candidato à presidência passou a senadora.
Buscando o voto dos eleitores desapontados com a saída de Hillary, McCain escolheu a jovem e inexperiente governadora do Alasca, Sarah Palin, como companheira de chapa. No entanto, com idéias políticas que a colocam no espectro mais à direita do Partido Republicano, Sarah dificilmente será suficiente para atrair a massa democrata e independente que apoiava a ex-primeira-dama. Obama, por sua vez, preferiu como vice o senador Joe Biden. Presidente do comitê de Relações Exteriores do Senado, ele é visto como uma forma de diminuir as críticas relacionadas a sua suposta falta de habilidade com assuntos relacionados à política internacional.
Dos dois lados as críticas se acirram, nesta que já é considerada a campanha política mais suja dos últimos anos. Por um lado, a idade de McCain, que completou 72 anos em agosto, assusta os eleitores que temem que o senador não seja capaz de concluir o mandato. Por outro, a mudança pregada por Obama parece forte demais para uma nação que reelegeu George W. Bush e vê no sistema público de saúde uma forma de "socializar" os direitos coletivos.
Conseguirá o partido democrata unir seus eleitores a tempo? Os republicanos terão capacidade de se dissociar da imagem do atual presidente e lograr um terceiro mandato? As perguntas não param, e até o dia 4 de novembro muita coisa pode acontecer. Cabe aguardar para ver quem será o escolhido para ser o novo proprietário da democracia no mundo.


* Texto escrito antes de Sarah Palin declarar que a difença entre ela e um pitbull é o batom.

4 comentários:

lola aronovich disse...

Não entendi. Este é o artigo que vai sair no jornal sem a sua assinatura? E por que seu editor não quer que se escreva sobre as eleições americanas? Amanhã publico mais um texto sobre essas eleições no meu blog (e no jornal de SC onde escrevo). Mas minha editora me chamou pra uma reunião. Tô até com medo...

Paula disse...

Saiu no jornal de hoje, mas sem assinatura. A maior parte das matérias de internacional são de agência, quando fazermos algumacoisa original, assinamos, para diferenciar. A página estava pronta pra ser impressa, quando o editor chefe viu meu nome e mandou tirar. Como sou estagiária, em tese não posso . Pelo que entendi - falei com a minha editora (que havia aprovado o texto), não o editor-chefe - a desculpa é que nem ele teria condições de escrever uma análise sobre as eleições norte-americanas.
Lreie.
ô Lola, tu recebeu de quem aquele e-mail da campanha republicana sobre os "princípios que regem o país"?
E certo que a tua editora quer te colocar de corresponde internacional ho jornal. ;)

lola aronovich disse...

Paula, quando eu estava nos States, me cadastrei pra receber correspondência via email de um grupo conservador chamado Human Events. Daí chega todo tipo de atrocidade - ofertas de livros falando mal dos liberais, colunas do Pat Buchanan e da Ann Coulter, pedidos de doações pra campanha do McCain, e tudo o mais. Dá nojo, mas é ótimo pra se manter up to date com esses loucos. Vc pode receber também, é só se cadastrar. Aqui!

Paula disse...

Brigadão, Lola. Vou me inscrever sim!