18.9.08

Das conversas que envolvem café e não cevada

A grande questão. Aquela que permeia boa parte das existências, por mais que nunca seja formulada. A pergunta.
Ser feliz ou fazer história?
Já dizia Pessoa,
"(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz)"
Quem sabe.

12 comentários:

Kauê disse...

sinceramente (e perdão pela sinceridade extrema), pra mim, parece uma pergunta tri idiota
pensei que o objetivo de todo mundo na vida fosse ser feliz
pelo menos o meu é

Cris Rodrigues disse...

Pois é, parece óbvio, mas acho q não é tanto assim. Roubo teu exemplo, Paula. Se fosse óbvio, o Che não teria escolhido fazer história. Ele, Lenin, tantos outros. Eu até tenho uma vontadezinha de fazer história. Não sei se é por vontade de mudar o mundo ou por ego. Talvez um pouco de cada. Mas acho q no fundo o que eu quero mesmo é ser feliz. Aliás, vontade de mudar o mundo nada mais é do q vontade de fazer todo mundo feliz. Pena que não é fácil. Se todo mundo quisesse mudar o mundo na mesma direção, aí talvez fosse. Porque daí cada um faz um esforço pequeno e as coisas acontecem. E todos teriam sua chance de ser feliz. Mas é mais fácil ser feliz sem querer mudar o mundo, mesmo que isso precise de um esforcinho de nada. Mas é possível ser feliz sem fazer história? Oh, shit!

Ale Lucchese disse...

acho q o grande lance é simplesmente viver, dar vazão aos sentidos.. Fazer o q o coração aponta. ser feliz ou infeliz, entrar pra historia ou pro anonimato: acho q td isso pouco importa.

Pelo q entendo, o q o Pessoa talvez queira dizer é q seria mto mais simples, mto mais lógico casar com a filha da lavadeira. Ela devia ser bonitinha, se contentar com pouco e saber cuidar da casa. O problema é q a lógica pouco importa nesse momento, seria como dar um tiro em si próprio, sacrificar o q se sente q se deva fazer pelo q parece mais simples e ordenado.

lola aronovich disse...

Não dá pra ser os dois? Eu não quero escolher!

Frederick Martins disse...

É muito difícil de ser os dois.
Nietzsche e Kant foram grandes filósofos, mas em vida não tiveram sucessos pessoais. Tanto que morreram virgens.

Álvares de Azevedo morreu cedo e amargurado. Tinha tudo para ser um dos maiores escritores nacionais de todos os tempos.

Diferentemente disso, a faxineira que vai toda semana lá em casa já foi casada duas vezes, teve um filho com cada um dos ex-maridos e mora na mesma rua que os dois!
E é feliz assim.
Como? Não me pergunte.

Alexandre Haubrich disse...

Olha, dá pra desenvolver muito sobre isso. Mas tem uma frase do Raul que dá uma boa base pra começar e talvez explique um pouca a história da faxineira do Fred... "Pena não ser burro, não sofria tanto".

Ale Lucchese disse...

sei lah. a faxineira da minha mãe sustenta o marido, ela diz q "ele não gosta de trabalhar...", mas o cara cuida da casa e tals... jah teve marido carrasco, jah foi puta, jah teve o filho preso.
hoje ela trabalha o dia td, vai numa igreja evangelica td semana, cozinha bem pra caralho, tem a conversa mais deliciosa q jah ouvi, eh com certeza a pessoa e o sorriso mais amável do mundo. Burrice? Não. É com certeza a única pessoa verdadeiramente iluminada q conheci.

Paula disse...

É mais ou menor por aí. Pra mim a faxineira é muito inteligente. Ela não vive a vida em teoria - já dizia Spinoza (?), o conceito de cão não late -, mas vivendo. A dor é dor, o amor é amor e a porcaria do vazio existencial é só uma bobagem que não faz diferença porque não é palpável.
Realmente espero que dê pra fazer história e ser feliz ao mesmo tempo, mas o que me inquieta é até que ponto as causas tomam as pessoas e as pessoas toma as causas em busca de sentido sem se perder.

natusch disse...

Acho que, na verdade verdadeira das coisas, ser feliz é MUITO mais fácil do que parece. Não que basta querer ser feliz para ser feliz de fato, mas alcançar a felicidade requer bem pouco - é basicamente viver cada momento do melhor modo possível e não esperar da vida mais do que ela pode dar ou do que fazemos por merecer. O problema é que para muita gente isso não basta - e daí a gente fica aqui, discutindo sobre felicidade e tal =P

Por outro lado, certos tipos de escolha de vida meio que abdicam da felicidade, por assim dizer. Não tem como ser Kant e ser feliz ao mesmo tempo, por ex, hehehe. Os artistas, de modo geral, não são felizes - de fato, a infelicidade em maior ou menor intensidade é um dos grandes motores da criação, se não o maior deles. Acho que, mais do que felicidade ou entrar para história, a questão é "viver" ou "tentar entender a vida". Os que vivem, geralmente, são felizes; aos que tentam entender a vida, restam outros consolos.

Acho que é isso aí =P

Cris Rodrigues disse...

ô lucchese, escreve um perfil dessa mulher, pelamordedeus!

Ale Lucchese disse...

daria um bom perfil, não tem dúvida. E ela ainda tem nome de pedra preciosa: Esmeralda. Poético-cômico.

pois é, teria q conversar com ela. me gusta mucho. se a comissão aprovar...

Paula disse...

Que tu tá esperando, guri! Eu não sou da comissão, mas dou total apoio. Se ela se chamasse Mariovanda tudo bem o pessoal descartar, mas Esmeralda...