30.10.08

Entre livros e salva-vidas

Uma das coisas com que mais me identifiquei na longa carta de amor a escrita e a vida que é autobiografia do García Marquez, Viver para contar - além do constante ar de "não sei o que diabos fazer da minha vida"-, é a forma como ele trata livros como salva-vidas. E para mim, é isso que eles são. Formas de nos afastar da realidade, viver outras vidas, olhar o mundo com outros olhos e voltar um pouco diferente, seja melhor ou mais em dúvida. Uma forma de não afundar. O cotidiano, a rotina sabem como ninguém ser um mar revolto, pronto para engolir os desavisados.
Tenho que devolver o livro. Pena. Ainda queria reler um trechos e, se o dito cujo fosse meu, não escaparia as páginas dobradas, marcando a minha falta de coragem de riscar livros, esses salva-vidas ficcionais.

Em tempo, realismo fantástico o caramba. A vida do Gabo é tão ou mais fantastíca que o seus livros e me vi pulando de emoção, (é, eu pulo de emoção e faço escândalo com alguma frequência), ao reconhecer trechos das histórias que ele tornou famosas em forma de embrião na sua biografia. Já dizia o Isma, citando um jornalista qualquer entrevistando o Gabo, perto da infância em Arataca, o escritor torna-se tudo, menos criativo.

Um comentário:

natusch disse...

Criativa é a vida, minha cara. O escritor só escreve.