28.12.08

Feliz semana flutuante entre o natal e o ano novo?

"Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não"...

24.12.08

One missing word sowed the seeds of catastrophe

Segue um artigo de Robert Fisk, corresponde internacional para o Oriente Médio do jornal The Independent, de Londres. A tradução é de Caia Fittipaldi e encontrei ele lá no blog Vi o mundo. Não sei se o tal tu To foi omitido propositacionalmente ou não, mas fiquei com vontade de ver os relatórios da convenção.

Uma palavra apagada: a semente da catástrofe

Robert Fisk, 20/12/2008 tradução de Caia Fittipaldi

Essa semana, eu e minhas manias. Dado que todos estamos rememorando os direitos humanos, pensei nos palestinos, que os têm tão preciosos e poucos, e nos israelenses, que vivem em orgia de direitos humanos.

E Lord Blair, que semana que vem comungará com Deus, bem poderia pensar que até hoje – que vergonha – não visitou a Faixa de Gaza. Mas estou maníaco, mesmo, é com a Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, mania já antiga. Essa resolução, vocês lembram, deveria orientar todos os esforços seguintes de paz no Oriente Médio; Oslo deveria ter-se baseado nos termos dessa resolução e todos e quaisquer processos, cúpulas, conferências e mapas dos caminhos.

Foi aprovada em novembro de 1967, depois que Israel ocupou Gaza, a Cisjordânia, Jerusalém Leste, o Sinai e Golan. A resolução 242 declarou "a inadmissibilidade de se adquirirem territórios mediante guerra" e ordenou "a retirada das forças armadas de Israel, de territórios ocupados no recente conflito".

Leitores que conheçam o problema, tenham paciência com os que logo perceberão do que se trata. Os israelenses dizem que não são obrigados a retirarem-se de todos os territórios – porque a palavra "todos" não está escrita e porque lá se lê "de territórios", não "dos territórios"; falta o artigo definido "os". Por isso, lá estaria escrito que é direito de Israel decidir que pedaços devolve e que pedaços não devolve.

Assim sendo, Israel pode dizer que devolve o Sinai nos termos da 242, mas não devolve Jerusalém Leste e conserva para seus colonos boa parte da Cisjordânia. Golan depende de negociação com a Síria. E Gaza? Bom, a 242 não proíbe que Israel mantenha aprisionados meio milhão de civis porque elegeram o partido errado.

Ninguém, em 1967, supunha que o conflito entre árabes e israelenses ainda estivesse em furiosa progressão, 41 anos depois. E, como lembrou há alguns anos um leitor do Independent, "é evidente que o Conselho de Segurança da ONU não planejou omitir um artigo definido, só para criar um pretexto para que Israel não saísse da Cisjordânia." Pois é. Infelizmente, nosso leitor errou.

Examinando meus arquivos sobre a Resolução 242, encontrei um documento muito elucidativo, assinado por John McHugo, professor visitante do Scottish Centre for International Law, na Universidade de Edinburgh. McHugo escreveu que "advogados pró-Israel têm dito, repetidas vezes, há anos, que "a Resolução 242 exige claramente a retirada "de territórios", não a retirada "de todos os territórios". As palavras foram cuidadosamente, deliberadamente escolhidas, para que só se discutisse a retirada de alguns territórios, nunca a retirada de todos os territórios."

McHugo é, que eu saiba, o único homem que está re-examinando as atas reais dos debates na ONU, sobre a 242 – coisa tristíssima de ler. Nas versões em francês e em espanhol, realmente há o artigo definido. Mas os ingleses – ao que parece, orientados pela mão pesada dos norte-americanos – omitiram o "os" (ing. the). Lord Caradon, nosso homem na ONU, insistiu para que se inserisse a frase que declara "a inadmissibilidade de se adquirirem territórios mediante guerra", para impedir que Israel se pusesse a escolher os pedaços de terra que lhe interessasse devolver. Os ingleses aceitaram que a Jordânia controlasse a Cisjordânia – a OLP, naquele tempo, era a organização super-terrorista da hora – mas de nada adiantou. Abba Eban, o homem de Israel naquela negociação, fez o diabo para persuadir Caradon a apagar tanto o "os" quanto a parte sobre a "a inadmissibilidade de se adquirirem territórios mediante guerra". Venceu a primeira batalha. Perdeu a segunda.

O grande estadista norte-americano George Ball teria de recontar como, quando os árabes negociavam a resolução 242, no início de novembro de 1967 – no Waldorf Astoria (esses caras sabiam escolher hotel para construir traições políticas!) –, o embaixador dos EUA na ONU, Arthur Goldberg, contou ao Rei Hussein que os EUA não garantiam "que Israel devolverá tudo". Os árabes não confiaram em Goldberg, porque era conhecido por suas posições pró-sionismo, mas Hussein sentiu-se mais seguro, quando o secretário de Estado norte-americano, Dean Rusk, garantiu-lhe, em Washington, que os EUA "desaprovam que Israel mantenha para si a Cisjordânia". Hussein sentiu-se ainda mais seguro quando se encontrou com o Presidente Johnson, que lhe disse que Israel se retiraria "num prazo de seis meses". E sentiu-se ainda mais seguro quando Goldberg lhe disse "Fique sossegado. [Os israelenses] Estão embarcando." Quá-quá-quá.

O que intriga é que várias nações, na ONU, incomodaram-se com a ausência daquele "os". O delegado indiano, por exemplo, chamou atenção para o fato de que a resolução referia-se a "todos os territórios" – repito: todos os territórios – ocupados por Israel..." e a URSS (especialista em ocupar países dos outros) declarou que "entendemos que a decisão refere-se à retirada das forças de Israel de todos, e repetimos, de todos os territórios de Estados árabes ocupados por Israel...". O Presidente Johnson não deu conversa aos sovietes e ostensivamente se recusou a inserir aquele "todos os" na resolução. A Bulgária, como seria de esperar, disse o que disseram os soviéticos. O Brasil manifestou reservas – com muita razão – sobre "a clareza do texto escrito". Os argentinos "prefeririam um texto mais claro". Em outras palavras, muitos viram, a tempo, a tragédia que viria. Mas nada fizemos.

Os norte-americanos já tinham tudo alinhavado e os ingleses deixamos andar. Os árabes não estavam satisfeitos, mas tolamente – e tipicamente – confiaram no que Caradon lhes disse, que a 242 referia-se a "todos os" territórios... mesmo que não se referisse. Israel ainda lutou muito para livrar-se também da "inadmissibilidade", mesmo depois de já ter conseguido extrair o "os".

Santo deus! Assim se semearam as sementes da catástrofe que viria, como veio. Bom, Colin Powell, quando secretário de Estado de George W Bush, recomendou covardemente aos diplomatas dos EUA que dissessem sempre "Cisjordânia disputada", em vez de "Cisjordânia ocupada" – o que foi como açúcar no mamão para Israel, como observa McHugo, porque Israel passou a chamar de "disputados" também os territórios não incluídos na partilha original determinada pela ONU. Além disso, a carta infame de George W a Ariel Sharon, em que diz que Israel poderia, de fato, continuar ocupando grandes áreas da Cisjordânia, foi o arremate, no golpe iniciado por Johnson.

McHugo acrescenta, com ironia, que placas de parque em que se leia "Cães devem ser mantidos em coleiras, em áreas próximas de lagos" valem para "todos" os cães e "todos" os lagos. Atualmente, Israel usa muros para afastar animais perigosos. Como os palestinos.

* "Robert Fisk's World: One missing word sowed the seeds of catastrophe", © The Independent, UK, 20/12/2008, em http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fiskrsquos-world-one-missing-word-sowed-the-seeds-of-catastrophe-1205017.html

21.12.08

Duas da manhã

"Já reparou que a esta hora da noite e a este nível do álcool o corpo se começa a emancipar de nós, a recusar-se a acender o cigarro, a segurar o copo num incerteza tacteante, a vaguear dentro da roupa oscilações de gelatina? O encantamento dos bares, não é?, consiste em, a partir das duas da manhã, não ser a alma a libertar-se do seu invólucro terrestre e a seguir verticalmente para o céu no esvoaçar místico de cortinas brancas das mortes do missal, mas a carne que se livra, um pouco espantada, do espírito, e inicia uma dança pastosa de estátua de cera que se funde até terminar nas lágrimas de remorso da aurora, quando a primeira luz oblíqua no revela, com implacabilidade radioscópica, o triste esqueleto da solidão sem remédio. Se nos observarmos bem, aliás, podemos principiar a entrever já o perfil dos nossos ossos, que as vírgulas das olheiras e o acento circunflexo da boca disfarçam de sorrisos melancólicos de que pendem restos murchos de ironia idênticos ao braço inerte de um ferido."

Os Cus de Judas, António Lobo Antunes

* Descobri há pouco esse luso que, dizem às más línguas, deveria ter ganho o nobel no lugar do Saramago, que teria levado o prêmio mais pelo choque de mostrar Jesus adolescente que pelo valor da obra. Fã de Saramago que sou, decidi conhecer o desafeto do mestre. Os parágrafos longos e com dezenas de idéias entrelaçadas lembram bastante o Zé, e, junto com observações anteriores da BBC África, me fizeram teorizar que isso deve ser coisa de português mesmo. Anyway, com vocês um trecho de "os Cús do Judas", a obra mais famosa do Lobo Antunes (escolhi uma parte mais lírica, mas despúes posto um trecho que trata diretamente da guerra de Angola).

17.12.08

Títulos que sozinhos já valem uma história

O jardim dos caminhos que se bifurcam
O passado
Dois perdidos numa noite suja
As coisas que perdemos pelos caminho
Nossa vida não cabe num opala
Ainda orangotangos

11.12.08

Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma.

Todo se transforma, Jorge Drexler

Quem tem alma não tem calma

ou 2008

Darling, I have no idea. Foram quantas semanas mesmo? Duas ou duas dezenas? Balanço de fim de ano antecipado, 2008 foi um ano bacana. Desses marcantes e com jeito de que vão piscar na memória por um bom tempo. Nova casa, nova casa novamente. E pessoas. Muitas pessoas. God save the people. Foi divertido sentir, até sofrer, e sorrir, e sentir mais um pouco. Lembra que estamos vivos, certo?
Momento querido diário, teve o rapaz. Ahh, o rapaz. Se as coisas acabam quando elas terminam, que sejam eternas enquanto durem. Não ele, mas algo que despertou com ele, meio que me salvou de uma certa amargura que vinha tomando lugar aos poucos. E como foi bom caminhar sem encostar o chão para variar.
O ano novo promete demais. Talvez bem provavelmente não seja capaz de cumprir. Formatura, as europa, a vida abanando de longe. Mas só de saber o nariz pra fora da porta sem cobertura, só pelo frio na barriga, só...só por isso ele já parece que vai ser tão incrível quanto apregoa.
E que venha 2009, recheado dessas coisas que a gente não pode controlar, de sentimentos, de novas velhas idéias e de pessoas. Muitas pessoas. Porque darling, eu continuo sem fazer idéia.

7.12.08

Após cinco ou seis viagens e umas caminhadas para completar a mudança, não consigo não pensar "a minha vida não cabe num gol".

5.12.08

Saudações coloradas

Só para registro. Vinte e sete meses, todos os títulos internacionais possíveis: Libertadores, Mundial, Recopa e Sul-Americana. Isso sem contar os tupiniquins Estadual, Copa do Brasil e Brasileiro, já há tempos pegando poeira no Beira Rio.


Campeões de TUDO.
É pouco ou quer mais?

4.12.08

Conversas com o teto

– E tu tem certeza que essa é a coisa certa a se fazer?
– Claro... que não. Mas eu não posso não fazer alguma coisa.

***

Aplicável há nove entre dez dos meus problemas atuais.

"Esse caso da RBS é um escândalo, ela governa o estado."

Ok, você deve estar pensando, grande novidade. A novidade é que quem disse isso foi o procurador do Ministério Público Federal em Tubarão (SC), Celso Tres, que deve ingressar, ainda neste ano, com uma Ação Civil Pública contra o maior grupo de comunicação social do Sul do país. É. É sério.

"Quando a lei diz que tu não podes ser titular de mais de dois veículos, qual é o objetivo dela? É evitar concentração. Se é da mesma família, se tem a mesma programação, está concentrado, é evidente. É uma fraude clara ao objetivo da lei. Não teria sentido proibir que alguém seja proprietário de mais de dois meios de comunicação e permitir que esse meio de comunicação transmita a mesma programação, tenha a mesma linha editorial, etc. É a mesma coisa que nada."

Aqui tem a matéria completa, feita pelo jornal universitário da UFSC, o Zero, que junto com o Diarinho é um dos bastiões de resistência da mídia em Santa. Oremos irmãos.

2.12.08

Abandonar o navio!

1.12.08

Cheio dos deuses

Há um tempinho atrás estava eu, novamente, animada pra caramba em escrever aqui (já deve ter dado para perceber que bloggar por essas bandas é algo meio sazonal). Cheguei, pasmem, a pensar em pautas. Na palestra do Galeano em Porto Alegre mandei ver no bloquinho, pensando especificamente no Palimp. Mas como acontece geralmente, idéia na cabeça e papel longe (no caso, bloquinho com anotações perdido), não levei o texto adiante. Lembro até do começo. Opa, quer dizer, lembrava, mas era algo assim "Entre estudantes do jornalismo é comum dizer que o Galeano é o cara. Dane-se. Ele é." Olha só o que vocês perderam, hein?
De qualquer forma, cheguei passado o começo da conversa e, além de querer matar o entrevistador pelas interrupções desnecessárias e perguntas capengas, fiquei muito emocionada com várias coisas que ele disse. O Galeano tá batendo na casa dos 80 e chegou nessa idade em que tanto faz como tanto fez e agradar a qualquer um além dele mesmo é uma bobagem. Chega até a parecer meio estrelinha. Ele veio falar do livro Espelhos, para mim um livro de perguntas que ele se fez ao longo da vida e resolver dar eco agora - para ele, e para o resto do povo que teceu críticas a respeito (as que li), uma ode aos excluídos. Também.
Entre as tais linhas que me emocionaram está uma reposta, mais um meio de resposta. Parece que com 23 ele ficou encarregado de um jornal de "faquiris", já que eles tinham tudo, menos dinheiro (a pergunta se referia a sua mania de ler de tudo, adquirida nessa época). Diz o velhinho, autor das Veia abertas da america latina e tantos outros tapas na cara, que naquele tempo não importava porque eles tinha algo mágico e mais que o suficiente, originado em uma palavra grega que significa "cheio dos deuses": entusiasmo. E como é bonito o entusiasmo. É tipo de coisa que todos deveriam ter. É o tipo de coisa que nós deveríamos ter. Dá vontade de falar sempre assim, dialogando com o Olimpo. En-tu-si-as-mo.

"Sobre o Pontal eu não posso e não quero responder"



Para quem não leu ainda, segue a entrevista que o prefeito José Fogaça concedeu à repórter Naira Hofmeister do Jornal Já sobre a questão do Pontal do Estaleiro. Ele tem pouco menos de duas semanas para vetar ou aprovar o projeto que já foi sancionado pela câmara dos vereadores. Pelamordedeus leiam até o fim. O nosso prefeito, que como admistrador público é um grande poeta, solta uma pérola atrás da outra. Parabéns à repórter por fugir do vício dos jornalistas gaúchos de questionamentos café-com-leite.




Esse projeto tramita há bastante tempo a Secretaria Municipal de Planejamento. Em 2006, foi avaliado pela Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento, formada por todas as secretarias do município. Também foi alvo um estudo prévio de viabilidade urbana. No entanto ele não foi encaminhado pelo Executivo. Por quê?
Porque eu precisava de uma audiência à população e à comunidade, uma vez que isso mexe com valores que são históricos na vida da cidade. Eu inclusive disse aos mentores do projeto que eles precisavam formar massa crítica. Ou seja, fazer a população conhecer, debater e se manifestar a respeito dessa idéia. Não poderia ser algo assim, partindo de uma empresa e o poder público, simplesmente por uma opção técnica toma uma decisão. Precisava - e precisa - de uma ampla manifestação da cidade a esse respeito.

Mas o senhor sabia que apresentar esse tipo de projeto é competência do Executivo?
Evidente que sabia! Tanto que pedi ao Secretario de Planejamento que fosse à Comissão na Câmara e dizer que eu, Prefeito, precisava de muito espaço e tempo porque precisava ouvir muito a comunidade. Isso está registrado. Colocar o projeto em votação foi uma decisão unilateral do Legislativo? Foi uma decisão do legislativo e deve ser respeitada pois os vereadores têm autonomia e o direito de fazer isso. Eles têm suas maneiras de formar convicção.

O senhor se sentiu atropelado?
Nada que a Câmara faça atropela o Executivo. É um poder soberano e autônomo. Somos interdependentes mas separados como poderes. Cada um tem seu papel. Que peso terá a aprovação do Legislativo na sua avaliação? Houve uma decisão da Câmara e isso é um fato político relevante que tem que ser levado em conta.

O senhor disse que em 2006 não encaminhou o projeto por falta de tempo para análise. Agora o senhor acredita conseguirá ouvir todos os lados?
É difícil dizer, muito difícil. Realmente o tempo não é suficiente para uma ampla e consistente formação de lastro de opinião. É óbvio, não é preciso dizer isso com muita ênfase. Uma audiência pública está nos seus planos? É uma avaliação que tenho que fazer para tomar essa decisão. Mas não quero emitir opinião agora. Eu ainda não assumi nem decidi nada. E só depois de ter comunicado aos vereadores, vou falar com a imprensa.

Depois da decisão do Legislativo – e se for o caso, com a sanção da Prefeitura – o terreno de propriedade da BM Par Empreendimentos será muito valorizado. A ação do poder público vai beneficiar economicamente um empreendedor privado. Qual sua opinião sobre isso?
Posso falar sobre isso em tese e sobre outras situações. Sempre que uma empresa tem um projeto aprovado, quando vai desenvolver precisa fazer compensações à cidade. Ou seja, adotar uma série de medidas e empreendimentos voltados principalmente para obras públicas de infraestrutura: sistema viário, saneamento, projetos sócio-habitacionais. Isso – em tese – vale para várias situações que a Prefeitura adotou.

O senhor quer dizer que os benefícios públicos realizados pelo empreendedor justificariam a valorização de seu patrimônio?
Não foi isso que eu disse. Não respondi a respeito do Pontal, mas sobre várias outras situações. Quando um construtor gera valor imobiliário para determinada região, ele gera também conseqüências – mais gente circula, utiliza redes de águia e esgotos, precisa ter creches, escolas… Sobrecarrega. Logo, ele tem que produzir uma compensação equivalente à repercussão e conseqüências que ele produz.

Mas sobre o patrimônio privado, especificamente…
Isso não é feito com base na valorização imobiliária, mas na repercussão urbana, nas conseqüências de um empreendimento. O que eu vejo é que valorização também exige compensação. Isso é um princípio institucional. Tem que haver uma compensação para cidade. O senhor pode dar um exemplo? O Internacional acaba de ganhar da cidade uma doação, uma cessão de uso do estacionamento lateral. Em contrapartida, está cuidando de 150 crianças durante quatro horas por dia. É como se estivéssemos fundando uma escola no Beira Rio. E ainda paga um valor de 25 mil reais por mês para a cidade, para os fundos de investimento. Para tu ver que toda a vez que algo é valorizado, existe uma compensação.

Já existem possibilidades de compensação para a obra do Pontal?
Esse estudo será feito por técnicos, como em qualquer caso. No caso do Pontal eu não posso, não quero responder, e não estou respondendo ainda. Porque tenho que tomar uma decisão de contornos políticos. Mas o senhor pode adiantar quais critérios serão colocados na balança? O primeiro e mais importante é a necessidade de ter um recall, um lastro de opinião consistente e significativo da cidade, que vai desde o Clube de Mães da Vila Assunção até a Federação das Indústrias. Tudo o que passar no meio disso é a cidade.

Entre esses critérios estão os problemas ambientais e legais levantados pelo Fórum de Entidades?
Mas tu vai fazer um cerco a respeito desse assunto do Pontal? Assim fica muito difícil te responder!

Só estou tentando ser clara…
A clareza é a seguinte: eu não posso falar sobre esse assunto, gostaria de não ficar respondendo sobre questões laterais. É altamente delicado, seria inclusive um desrespeito à Câmara e aos vereadores. Depois que a minha decisão for tomada e anunciada ao presidente da Câmara Municipal é que vou me manifestar para a imprensa.