1.12.08

Cheio dos deuses

Há um tempinho atrás estava eu, novamente, animada pra caramba em escrever aqui (já deve ter dado para perceber que bloggar por essas bandas é algo meio sazonal). Cheguei, pasmem, a pensar em pautas. Na palestra do Galeano em Porto Alegre mandei ver no bloquinho, pensando especificamente no Palimp. Mas como acontece geralmente, idéia na cabeça e papel longe (no caso, bloquinho com anotações perdido), não levei o texto adiante. Lembro até do começo. Opa, quer dizer, lembrava, mas era algo assim "Entre estudantes do jornalismo é comum dizer que o Galeano é o cara. Dane-se. Ele é." Olha só o que vocês perderam, hein?
De qualquer forma, cheguei passado o começo da conversa e, além de querer matar o entrevistador pelas interrupções desnecessárias e perguntas capengas, fiquei muito emocionada com várias coisas que ele disse. O Galeano tá batendo na casa dos 80 e chegou nessa idade em que tanto faz como tanto fez e agradar a qualquer um além dele mesmo é uma bobagem. Chega até a parecer meio estrelinha. Ele veio falar do livro Espelhos, para mim um livro de perguntas que ele se fez ao longo da vida e resolver dar eco agora - para ele, e para o resto do povo que teceu críticas a respeito (as que li), uma ode aos excluídos. Também.
Entre as tais linhas que me emocionaram está uma reposta, mais um meio de resposta. Parece que com 23 ele ficou encarregado de um jornal de "faquiris", já que eles tinham tudo, menos dinheiro (a pergunta se referia a sua mania de ler de tudo, adquirida nessa época). Diz o velhinho, autor das Veia abertas da america latina e tantos outros tapas na cara, que naquele tempo não importava porque eles tinha algo mágico e mais que o suficiente, originado em uma palavra grega que significa "cheio dos deuses": entusiasmo. E como é bonito o entusiasmo. É tipo de coisa que todos deveriam ter. É o tipo de coisa que nós deveríamos ter. Dá vontade de falar sempre assim, dialogando com o Olimpo. En-tu-si-as-mo.

Um comentário:

Kauê disse...

entusiasmo? o que é isso?