29.2.08

Das notícias que deveriam vir em Caixa Alta

Esse mesmo parágrafo pode ser encontrado em vários jornais essa semana. Nem vou entrar em detalhes sobre a forma como as notícias sobre a Palestina, e em especial sobre Gaza, são tratadas (ataque de Israel é sempre incursão, resistência palestina é militância rebelde e por aí vai) para não fugir do assunto. Entre as coisas que mais me enputecem está a forma como as mortes dos palestinos são tratadas como perdas de videogame - e em como a população se acostuma com elas. Por essas e outras que eu acho que às vezes certas coisas deveriam vir em caixa alta...

"A morte em Sderot eleva a 13 o número de israelenses mortos em disparos de foguetes efetuados por rebeldes palestinos nos últimos sete anos. No mesmo período, ataques israelenses contra Gaza resultaram na morte de CENTENAS de palestinos."


É, Jihad.

15.2.08

Conversa com a Fátima

Na quarta conversei com a presidente da Sociedade Arábe Palestina da Grande Porto Alegre, Fátima Ali. Ela faz parte de uma associação voltada para a preservação dos vínculos culturais e de irmandade entre os patrícios palestinos perdidos pela capital gaúcha e arredores.
Já faz um tempo me interesso pela causa e sempre estranhei que quase ninguém fale disso nos jornais além do tradicional explodiu uma bomba aqui, morreu outro ali. "Tudo que os palestinos pedem é que o mundo olhe para eles, apenas olhe" relata Fátima, que viaja com frequência para a região. Como pode uma população estar sitiada, sem direitos básicos como ir e vir ou julgamentos e isso não ser pauta mundial? A autoridade palestina, criada com os Acordos de Oslo, tem apenas poderes representativos. Quem gere as fronteiras e policia os territórios ocupados é o governo de Israel - qualquer um pode ser detido como preso político, o que exime a necessidade de provas e de julgamento.
Fátima fala em termos de guetos e compara a situação com o regime do Aparthaid na África do Sul. Todo o território palestino é dividido por um muro de 700 km e 8 metros de altura - o muro de Berlim tinha 155 km. Conversei com um professor da PUC-RJ, Nizar Messari, e ele me disse que o temor é que essa divisa representasse a fronteira final de um futuro estado palestino, mas que hoje em dia é difícil que isso aconteça devido a condenação mundial unanime que ele sofreu. Já para Fátima, a divisão - que corta cidades ao meio - é uma forma de controle. As placas dos carros de palestinos e israelenses são de cores diferentes e para passar de um lado para o outro do muro é preciso parar em um check point, quer dizer, os palestinos tem que parar. "O grande mérito em Israel é ser israelense", explica ela. Lá, são revistados os documentos e, se receber permissão de passagem, a pessoa deve atrevassar a pé a divisa e então embarcar em outro veículo. Ir de Ramalah a Nablos, duas cidades cuja distância não ultrapassa os 50 km, leva em média quatro horas. Como muitas pessoas que vivem na palestina estão com seus vistos e documentos vencidos elas ficam ilhadas em certas regiões.
Um dos temores do governo de Israel em relação a um futuro acordo de paz é a chamada "claúsula de retorno" que permitiria aos palestinos refugiados a volta a suas terras. Há um controle muito grande de quem entra no território. Vários palestinos brasileiros, com passaporte brasileiro, foram enviados de volta assim que chegaram ao aeroporto do país. Quando conversei com o professor Messari ele me explicou que os palestinos deveriam desistir dessa idéia, uma vez que os refugiados já não vivem naquela terra há tanto tempo. Perguntei para a Fátima se ela voltaria, e ela sorriu. "Não é uma questão só de querer voltar, é sobre poder voltar."

14.2.08

Sobre a palestina - começo de história

Isso não pretende ser nada mais que uma forma de organizar as idéias na minha cabeça e conseguir descansar. Todos os dados são baseados em entrevistas e leituras e qualquer dúvida ou xingamento é só falar comigo. Termina quando eu 1. estiver tão saturada que não consiga mais escrever a respeito, 2. estiver com as idéias devidamente organizadas.

Começo de história


Assim, no fim do século XIX um grupo de judeus, que hoje a gente chamaria de sociedade civil, se reuniu em torno da idéia de criar um Estado, a tal pátria prometida biblíca. Eles se auto intitularam sionistas e começaram a mexer os pauzinhos mundo a fora para que isso desse certo. Durante a primeira guerra mundial a Inglaterra precisou de dinheiro e recorreu a uma série de banqueiros que eram - ta ta ta - judeus. Eles emprestaram a grana e em troca um Lord alguma coisa (fugiu o nome) prometeu que o país ajudaria a cosntriur o que viria a ser Israel.
A promessa não foi cumprida e durante a segunda guerra mundial o mundo assistiu quase calado aquela vergonha histórica que foi o Holocausto. Culpados, quando os sionistas voltaram a reinvindicar um estado - que seria melhor forma de proteção de seu povo - a Onu decidiu pela criação de Israel em um então protetorado britânico entre o Egito e a Jordânia. Isso foi em 1948.
No entanto, o local escolhido não era desabitado. Na verdade era bem habitado. A resolução dividia a área em duas partes iguais, uma para os sionistas e outra para a criação de um Estado Palestino. Logo depois que Israel se estabeleu o país foi atacado por sete exércitos arábes, entre eles o Egito e a Jordânia, que prometera a população, palestinos daqui para frente para facilitar, que eles iriam retomar as terras (não que eles fosse bonzinhos, a área era rica em recursos e afins e eles não queriam mais gente se intrometendo). Nessa, cerca de 750 mil pessoas abandonaram as suas casas e se tornaram refugiadas em países como a Jordânia e o Líbano. Todo esse povo continua refugiado até hoje (Direito de Retorno pisca alguma luzinha?). Tanto que foi nessa época que, lá vem a Onu de novo, criou o Alto Comissariado para Refugiados.
O exército de Israel, que sempre contou com o apoio norte-americano, era e é mais forte. Dali em diante o país foi atacado e atacou diversas vezes. Só perdeu uma. Daqueles 50/50 do começo da história chegamos a 2007 com a população palestina - 9 milhões ao redor do mundo, 4 só em Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Faixa de Gaza, e Cisjordânia - ocupando menos de 30% do território. Só nos 360 km² de Gaza vivem 1,5 milhão de pessoas; é uma das áreas mais densamente povoadas do mundo. Para se ter uma idéia a capital gaúcha, que tem quase o mesmo número de habitantes, conta com 496,827 km².

continua

12.2.08

Top 10

Já faz um tempim tenho vontade de responder ao memê/top 10 da Ju sobre os dez homens desejáveis e as dez mulheres invejáveis. E que melhor momento para isso do que agora, quando tenho um monte de coisas mais importantes para fazer? Ah, os subterfúgios do ocio. Lembrando que é ordem de lembrança, não de preferência.

* Jude Law
Eu já gostava dele antes dele ficar famoso, tá. Na verdade, sô bem mais o tempo de Círculo de Fogo do que o Amor Não Tira Férias - o que também não interfere em nada no nível de guapeza do guapo.

* Jonny Deep
Sem a versão Fábrica de Chocolates, por favor. Lembro que uma vez eu vi no orkut uma comunidade chamada "eu pegava o Jonny Deep" ou algo parecido, e tinha uma amigo meu nela - com razão, off course.

* Brad Pitt
Ao contrário da Ju, não preciso invocar os meus 13 anos. Não só os 13. Esse consta na lista há tempos e pelo jeito deve permanecer por mais umas décadas.

* George Clooney
Charme, babe. Charme. Fora que ele se preocupa com o mundo, peita os outros e consegue fazer filmes legais e que dizem alguma coisa sem ser chato. Ele era jornalista, sabia?

* Clint Eastwood novinho
Fazer o que se não se fazem mais homens como antigamente...

* Alexandre Borges
Não é que eu seja tÃo colonizada, o Brasil tá cheio de moços lindos - vide aquele guri que fazia o irmão da Cléo Pires em uma novela das 8 passada (as gurias vão lembrar), mas esse é um Top 10, né. Sendo Assim, o sr. Borges se encaixa muito bem aqui. Na verdade, ele equivale a um Clooney Tupiniquim - descontando os filmes legais e tal.

* Adam Brody (Seth Cohen) e Chad Michael Murry
Dois na mesma não pode. Pode sim, ainda mais se os dois estão aí em homenagem ao grande tempo que eu perdi vendo seriados - e foi um bom tempo perdido.

* Alex
Gostei dessa história de colocar personagens da ficção. Sendo assim, não pelo atributos notáveis mas pela doçura - sem parecer gay, que isso fique bem claro - Daniel Brühl. Quem? O carinha do Adeus, Lênin, sa´s. Uma gracinha.

* Tomas, da Insustentável Leveza do Ser
Para fechar, outro que não existe mas poderia. Safado, cachorro e sem-vergonha, mas, mas... a Tereza, o existir, as metáforas. Sem contar que o livro é fantástico. Tá, isso não é sobre livros, but, quem liga?

Menção especial para Joaquin Phoenix, Colin Farrel, Ethan Hawke (em grande parte por causa de Antes do Amanhecer) e Keanu Reeves, que só não estão nessa lista porque eu lembrei de Adeus, Lênin e The O.C primeiro. Mas que merecem, merecem. Ah, e põe também o Cannavaro aí. Grande copa do mundo. Vi muita guria virar torcedora de carteirinha da Itália.

Quanto as mulheres invejáveis, rapidão: Catherina Zeta Jones, Maria Fernanda Candido, Eva Longoria, Jéssica Alba, Ava Gardner, Anjelina Jolie, Eva Green, Ana Paula Arósio, Carolina Ferraz e a Holly Golightly. Tá todo mundo convidado para seguir o memê - e vou chamar na xinxa o Igor, que é o quem tem o blog mais respirandinho.
Agora Ju, a Gina? Pô, tão ruivinha sem graça...

11.2.08

Um dia na vida, ou uma manhã e uns minutos

Passei as últimas horas em um estado de preciso-arranjar-alguma-coisa-para-fazer-só-não-tenho-idéia-o-quê-antes-que-eu-entre-em-parafuso. Tentei os clássicos comer - nada de bom na geladeira, quem liga, o importante é mastigar - e dormir, mas nem assim me aquietei. Claro que as coisas não teriam chegado a esse ponto se a minha querrida irmã não tivesse me acordado as SEIS da madrugada para vir tomar café da manhã aqui em casa, o que alongou deveras o tempo em que estou acordada. "Oiii! Não tinha nada na geladeira, mas não te preoupa comigo, vai dormir." 1. Oiii o #$%&*, que tal "por favor me perdoe, prometo nunca mais fazer isso, eu trouxe um pé-de-moleque pra ti" ( sacomequeé, açúcar sempre ajuda nessas horas). 2. Só porque a minha mãe tem uma padaria a minha casa precisa ser uma filial? Tá, sempre tem pão, leite, chimia e essas coisas aqui, mas a Lancheria do parque é ali do lado... 3. Não te preocupa comigo o caramba, que adinta deitar se vou ter que abrir o portão depois? 4. Ok, ela é o meu bebe, ao menos assim eu me despeço dela direito.
Voltando. Fiz a árvore genealógica da minha família até onde eu consegui, listei os documentos necessários para fazer a minha cidadania, cortei as unhas do pé antes que, numa expressão viamonense comumente usada pelos meus colegas de ap, elas fossem capazes de arrancar repolhos a chute, li o jornal, reli o jornal, li o outro jornal, vi um pedaço de uma entrevista com o Umberto Eco sobre a História do Feio (segundo ele os vícios são sempre muito mais interessantes de serem analisados do que as virtudes, por isso as pessoas preferem o inferno ao paraíso de Dante - um dia eu leio para comprovar ou não a teoria).
Pensei em ir correr, nadar, andar de bicicleta ou simplesmente levar a Preta para passear, mas está chovendo. E eu tenho um grande quê Garfield. Já desgosto as segundas por natureza, as chuvosas pós domingo chuvoso guardam um rancor especial. Cogitei sair apenas andando na chuva e lembrei que vou ter que fazer isso de qualquer forma depois; ainda tenho que ir para o jornal e guarda-chuva com paradeiro fixo é um item raro por aqui.
Decidi então por em dia todas as coisas que precisam, bem, ser postas em dia. Passei a limpo minha agenda telefônica, o que exige tempo e um espírito arqueológico - não apenas pela dificuldade de decifrar os números escritos. Todo o ano é parecido. Começa com uma seleção do que deve ou não constar - nem sempre ter a mão o telefone da casa da avó de um colega da 8ª série é necessário. Depois vem o fuçar nos arquivos mentais. Karina, mas qual Karina? Custava colocar o sobrenome ao menos em uma das quatro homônimas! Quem raios é Gui? e por aí vai. Após a culpa pela memória avareada a decisão. Ok, esse não tem jeito de lembrar mesmo então é melhor nem passar a limpo, mas e se... Ou seja, no fim metade dos nomes sem nexo continuaram ali just in case.
Ah, e antes da decisão comer/dormir teve também a "vamos responder todos os e-mails marcados como não-lidos e deixados para depois" com a desculpa que esses mereciam mais tempo. E logo após as olhadas de cinco em cinco minutos esperando as respostas das respostas, agravadas pela segunda "preciso-arranjar-alguma-coisa..." - como assim as pessoas não checam suas caixas postais de meia em meia hora? Hmn, uma resposta... Talvez esse post fique comprometido...
E por fim (na verdade, no meio,já que tem uma matéria me agoniando na fila - mas nessa eu não toco hoje, ao menos não até as quatro da tarde) na lista mental das coisas para fazer, o blog, melhor, os blogs. Como já escrevi anteriormete, pretendo escrever. Mas isso envolve sentar aqui e tal, apesar da minha luta incosciente para aceitar que bobagens podem e devem ser apenas bobagens. O plano incial era atualizar o Cowabanga - aquele do link ali do lado ó, tri bacaninha, fala de cultura pop, que nada mais é do que, dã, bobagens. O problema é que eu tenho uma idéia de post, e, uma vez que a idéia existe, inclusive na forma de rascunhos, qualquer coisa que não chegue a metade da grandeza merecida do tema, e é um tema que eu gosto um bocado, irá ser pois decepcionante, raciocínio o qual me faz preferir não escrever a escreve-la – raciocínio de fuinha preguiçosa, concordo.
Ora pois que já se foi mais de meia hora. Iê, iê! Apenas algumas horas para o fim do dia e contando (esses textos sobre o nada sempre acabam maiores do que eu gostaria, sorry).

8.2.08

Rápidas

– Eu? Eu faço jornalismo.
– Que legal, eu assino o Correio.
(E os meus pais O Pioneiro. Que coisa incrível!)

– Tu é bióloga?
– Não, por quê?
– Porque tu tá de verde.
(Então se eu tivesse de vermelho eu seria uma toureira, certo?)

7.2.08



E esse senhores é quase o meu quarto; virado a ponto de parecer uma pintura expressionista e azul. Tirando é claro os dizeres escritos nas paredes por outra alma em outra estação e acrescentando as pilhas de livros queridas.

Hasta Harry

Estou aqui digitando, mas eu queria estar lendo o Harry. Na verdade, assim que eu desligar esse PC - ou apenas fechar a internet e colocar uma música, que é mais provável - vou ler o Harry. E também, é quase certo, vou terminar o Harry. E é o sétimo, e eu quero e não quero ler ele. Agora, com as páginas rareano, dá uma vontade de prolongar ao máximo o fim. Bons livros são como bons amigos. Estou sofrendo de saudade por antecipação por saber que assim que acabar, acabou.
Ok, vamos lá. Chega de visitar Howargds anualmente. Tá, eu posso reler, mas não é a mesma coisa. Comecei a série com 12 anos e terminei/vou terminar com 20 - a J.K que ratiou, se tivesse seguido o cronograma de um livro por ano a risca eu estaria no máximo com 18 (e não ousem usar os filmes como prêmio de consolação. Eles não tapam a metade da metade do buraco deixado por aqueles bebedores de cerveja amantegada).
Piada interna que não prejudica a leitura final (e que eu não posso compartilhar com ninguém já que aqui em casa todo mundo me olha com aquela cara de "blarg, Harry Potter, infantil" - by the way, quem nunca leu não sabe o que está perdendo):
"... ele consegue se deslocar mais rápido que Severo Snape ameaçado com um xampo."