31.5.08



- Tu não vai jantar?

Gosma grossa e verde é despejada do liquidificador para uma panela com outra gosma creme enquanto alguém mexe o “sistema” alegremente.

- Não. Ainda mais depois que eu vi isso.

- Que quê tu acha que acontece quando a comida vai para o teu estômago?

- É, mas eu não vejo.

25.5.08

Babe, babe, babe
A vida tem sido engraçada, surreal, estressante, circular, supreendente, tediosa, contraditória, tudo ao mesmo tempo e agora e desconectada - o que sempre me faz pensar se o tempo que passamos na frente do PC é realmente necessário. Quase sempre concluo que não é.

***

Breve algo mais palpável - ou não.

***

E mataram o Marulanda. E agora?

10.5.08

Sobre a situação do Líbano

O Líbano está pegando fogo. O país está sem um presidente desde novembro. Dezoito tentativas depois, necas da oposição e do governo entrarem em acordo. A 19ª tentativa está marcada para esta terça - marcada, porque do jeito que as coisas estão por lá é difícil que o pessoal entre em acordo. Desde quarta-feira, confrontos armados nas ruas entre partidários do primeiro ministro e a oposição pró-síria já mataram 37 pessoas. Hoje, o Hezbolla anunciou uma trégua e entregou Beirute para o Exército. Ainda assim a situação é instável. Cabe aguardar. Parece que o que menos importa hoje no Líbano é o Líbano


País está próximo de uma guerra civil


P. B. B.

especial para o JC 9,10 e 11/05/2008


A cada dia que passa a tensão cresce no Líbano. Historicamente dividido, o país sofre com a indecisão. A recente decisão do governo do premiê Fuad Sionara de declarar o canal de telecomunicações pertencente ao grupo guerrilheiro Hezbollah ilegal piorou ainda mais a situação.

Há confrontos armados em diversas partes do país entre partidários ligados ao governo e militantes da oposição. O aeroporto internacional permanece fechado. Na capital Beirute, ruas e avenidas foram bloqueadas por manifestantes, muitos armados com fuzis. Ao menos oito pessoas morreram e outras 30 ficaram feridas nesta quinta-feira.

Após 18 tentativas frustradas, o Parlamento ainda não elegeu um presidente para o país. A próxima eleição está marcada para o dia 13 de maio. A crise gerada pelos adiamentos recorrentes é a pior desde a guerra civil, que durou de 1975 até 1990. O nome do general Michel Suleiman é consenso entre a oposição pró-Síria, apoiada pelo Irã e pelo Hezbollah, e a coalizão governista, que conta com o apoio dos Estados Unidos e da Arábia Saudita. No entanto, a nomeação esbarra na disputa pela formação de um novo gabinete de governo e a reivindicação de uma nova lei geral para as eleições parlamentares.

Conforme a Constituição do país, os cargos de presidente da república, primeiro-ministro e porta-voz do parlamento devem ser ocupados, respectivamente, por um cristão maronita, um muçulmano sunita e um muçulmano xiita.

O Jornal do Comércio conversou com o correspondente internacional da BBC, Tariq Saleh, que no momento vive em Beirute e acompanha de perto o desenrolar dos acontecimentos. Ele teme que o país tenha dado o passo final para a eclosão de uma guerra civil.


Jornal do Comércio - Ainda há possibilidade de eleições?

Tariq Saleh - As coisas estão cada vez piores. Ninguém mais fala disso. O desenrolar dos acontecimentos nos próximos dias dirão o que vai acontecer. O cenário está voltado para resolver o conflito interno. Os dois lados estão em colisão, se enfrentando nas ruas. Acho que pode haver guerra civil se os confrontos continuarem e o governo libanês perder o controle da situação, como parece que está acontecendo.



JC - Quais as conseqüências do “vazio no poder”?

Saleh - E o perigo está aí, quando não haver mais diálogo, a razão dará lugar à emoção e à retórica que pode gerar violência. Um vazio no poder dará aos dois lados o direito de eleger cada qual um presidente. E dois presidentes significa dois governos. Isso poderia causar uma deterioração das instituições libanesas e levar à dissolução das mesmas, inclusive o Exército, hoje a única instituição que mantém o país unido.


JC - Qual o clima no país? Como a população vê a indefinição do governo?
Saleh - Os libaneses em geral estão muito cansados desta indefinição na eleição de um presidente. Mesmo militantes dos dois lados políticos começam a dar sinais de cansaço. Os políticos passaram a ter uma péssima imagem junto à população.
Com a economia parada, os preços aumentando e a falta de empregos, está havendo um êxodo de libaneses que o governo não está conseguindo reverter. O medo de uma guerra civil ou novo conflito com Israel só piorou o clima de medo e incertezas. O país está apreensivo e anda com uma onda de pessimismo sobre o futuro.

JC - Por que um novo governo não foi formado ainda?
Saleh - O Líbano vive uma situação em que não tem um presidente, o chefe de Estado, mas tem um chefe de governo, o primeiro-ministro, cujo governo não é reconhecido pela oposição que retirou seis ministros seus e, pela constituição, deveria ser dissolvido.
O problema do país é que há claramente uma divisão entre duas forças políticas - o movimento pró-Síria chamado de 8 de Março e liderado pelo partido Hezbollah; e o movimento governista anti-Síria 14 de Março, que tem o apoio dos Estados Unidos, Egito, Árabia Saudita e Ocidente. A questão não gira mais no nome do novo presidente, mas na divisão de poder num futuro novo govenro, mudanças na lei eleitoral visando as eleições parlamentares de 2009 e um poder de veto para a oposição.
Há duas agendas no Líbano hoje, uma sírio-iraniana e outra norte-americana. Os EUA querem desarmar o Hezbollah para proteger Israel e isolar Síria e Irã. Já o Hezbollah claramente criou um Estado dentro de um Estado e conta com forte apoio sírio e iraniano para criar uma frente contra os EUA e Israel. Mas a oposição também representa uma parcela da população, inclusive cristã, que luta por reivindicações sociais. Mas o problema é que a luta pelo poder se transformou em uma luta dos outros, o Líbano virou uma arena para uma batalha regional ente Irã e EUA. Para piorar, governistas e oposição só aumentaram suas diferenças nos últimos meses, com mais reivindicações e pré-condições para chegarem a um acordo.

JC - É possível manter a estrutura tripartide de divisão de poder?
Saleh - É consenso no país que o sistema de divisão de poder já está ultrapassado.
Há debates em centros de pesquisa e universidades para um reforma, mas a sociedade libanesa aprendeu a viver no medo - o medo perpétuo de que uma comunidade tenha mais poder que a outra. A mentalidade do sectarismo, ao invés do secularismo, está enraizada no Líbano e é difícil mudar. Também não há uma vontade política para mudar este cenário. Com isto, haverá sempre lutas por poder para que cada comunidade/secto garanta sua hegemonia, quando que o ideal seria a eleição de grupos que tenham o melhor projeto para o país.

JC - A eleição de Suleiman é suficiente para apaziguar o país?
Saleh - Suleiman já provou que tem muita capacidade como comandante do Exército libanês, mas talvez não teria o mesmo sucesso como presidente. Politicamente, ele é mais neutro, mas até que ponto esta neutralidade seria mantida, uma vez presidente, é difícil dizer. Suleiman tem abertura com oposição e governistas, isso conta muito. Mas a questão vai além disso. A questão é que, hoje, o Hezbollah é a maior força política e militar no Líbano e o novo presidente teria que saber lidar com este fato.
Além disso, a crise libanesa vai além do nome dele como consenso. Ela passa por pressões externas no Líbano como Irã, EUA, Síria, Israel e outros países árabes. E Suleiman teria que ter muita habilidade para lidar com todos estes fatores.


7.5.08

Sumiço

Passou um ciclone extra-tropical por Porto Alegre no fim de semana e estou sem internet e telefone até segunda ordem (tá, não é beem por causa do cilclone, mas não é sempre que a gente tem uma catástrofe natural para culpar).