24.12.09

Até ano que vem

E que 2010 seja tão encantado quanto 2009 - e bem menos monográfico, off course.

20.12.09

Porque sim não é resposta

Estava conversando com um cara em Cochabamba sobre a nova constituição boliviana, que ficou um chuchuzinho. Me achando muito esperta comentei que a constituição era genial, o problema era ser cumprida. Pra completar, exemplifiquei com a letra mor tupiniquim, que segundo a Ana Lu "Até que é bonitinha. Pena que ninguém dá a mínima…".

Do alto da minha arrogância tive que ouvir um "por quê?". O bicho segue ressoando. Não consegui responder, por isso jogo a pergunta pra vocês. Por que a gente aceita passivamente a transformação da nossa Constituição em letra morta? Por que a constituição brasileira NÃO é cumprida?

Do resto da vida

Na quarta-feira eu apresentei a minha monografia, recebi baldes de elogios (que eu não sofro de modéstia, sorry) e terminei oficialmente a fase de estudante - apesar de ainda ter RU e biblioteca garantidos até a matrícula da galera que entra na UFRGS em 2010. Com isso a minha principal resposta a pergunta E agora? - "não faz pergunta difícil" - também teve que ser deixada pra escanteio. O fato é que eu sei o que eu não quero fazer e em tese também sei o que eu quero, mas as pontes reais pra fazer isso ainda estão um pouco nebulosas.
Eu não quero entrar na máquina de moer carne do mercado jornalísto nem me tornar uma escrava triste do dia 10. Eu não quero sacrificar os meus ideias fartamente alimentados nem ter que baixar a cabeça pra seguir idéias com as quais eu não concordo também para preencher a lacuna do dia 10. Eu quero não arranjar um marido, depois comprar um apartamento e então esperar feliz pelos netos da dona Marlei - não que eu não queira encontrar alguém bacana, ter um cantinho pra chamar de meu e filhos (a parte dos filhos ainda não tenho certeza), só não quero isso como plano de vida nem como marcador de que sou ou não uma pessoa bem sucedida. E também não quero ter uma vida rotineira, marcada por segundas e sextas previsíveis e intermináveis.
Ok, então a bonita acha que dá pra viver de vento?
Ahh, podia, né? Mas como não nasci filha de pai rico, sei que dinheiro não dá em árvore e que a gente precisa trabalhar pra ganhá-lo. Mas daí que está. Ganhar dinheiro não pode ser o mote da vida, muito menos fazer as coisas que os outros acham que a gente tem que fazer. E daí se eu não tiver um carro do ano ou as roupas da moda? Eu prefiro uma alma bem grande e a certeza de que entre as minhas orelhas o espaço é imensurável.
E também a-do-ro trabalhar. Me sinto bem pacas. Só que quero trabalhar em algo que eu acredite, que faça diferença no mundo e que não seja um eterna cena de Tempos Modernos. Como não tenhos planos de ficar rica, não acho que seja impossível nem pedir de mais. Além disso ainda quero estudar mais e viajar bastante, o que também não me parecem planos tão porra-loucas.
Penso que a maior parte das pessoas nunca pensou seriamente no que queria da vida. Acabou na onda - a onda do carro, do aluguel, do casamento, das expectativas alheias - e quando viu, se viu, já não era tão fácil repensar.
A vida é feita de escolhas, saca. E eu escolho ter uma vida extraordinária.

*20 anos depois, alguém aparece com o post impresso na repartição pública em que a moça trabalha. "E a vida extraordinária?". "Ah, a juventude...".

19.12.09

Aeroporto de El alto parte 1

Olá.
Olá.
Passaporte, por favor.
Pode ser identidade? (e entrega a carteira de motorista)
...
...
Hmn, a senhora não está no vôo.
Como assim a senhora não está no vôo?
Não está.
Procura de novo.
Hmn. Não, não tem o seu nome.
Bom. Toma aí o passaporte, a identidade e se precisar devo ter meu título de eleitor em algum lugar.
...
...
Nada.
Nada?
Nada.
Tá. Tem uma tomada?(abre o lap top, abre o e-mail, abre a confirmação de viagem)
Tava vendo aqui, ó. Viagem confirmada.
É, mas aqui não tem nada.
Mas aqui diz viagem confirmada.
Mas aqui não tem nada.
Mas aqui diz viagem confirmada.
...
...
Mas eu comprei a passagem.
Mas a senhora não está no vôo.
Mas me confirmaram a viagem (mostrando freneticamente a confirmação do e-mail)!
Mas a senhora não está no vôo.
Tá, e agora?
A senhora vai me desculpar, mas é que a gente não está acostumado a vender passagens pela internet.

May the farm be with you


Daqui.
Eu sofro de vida lá fora. Não dá pra me concentrar com o verão entrando pela janela.

Porto Alegre sauna city


Adoro quando o termômetro aqui do PC abre o jogo e admite. Não é apenas quente, é infernal.

18.12.09

"E vou escrever essa história pra provar que sou sublime."

F.P.

17.12.09

Change

By the way

A todos que acompanharam o meu tormento monográfico, que no fim terminou por nem ser tão tormentoso assim, só tenho uma coisa a dizer sobre a apresentação de ontem:
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
E tenho dito.
Paula versus o baixo astral e o seu pior inimigo: a concentração. Custa tanto assim ficar sentada quietinha fazendo uma coisa e solamente uma coisa como escrever a matéria da sua vida (so far, off course)?

15.12.09

Bolívia na veia

A viagem terminou, mas o caminho continua. Ao menos até que esgote o meu histórico de historietas hermanas.
Pra quem esqueceu ou ainda não leu:

Suspeito que viver vicia. Internet ilimitada também.

Meia tigela o caramba



A moça pediu pra divulgar e os bichinhos merecem. Após passar anos usando fofices alheias, a dona Schossler resolveu partir pra máquina de costura e criar os seus próprios broches e monstrinhos. Claro que esse post é interesseiro e está de olho no dia em que a Fer for uma magnata da Toy Art (é isso?) e passar os dias no seu yate verde pra cá e pra lá, mas ok. Ainda faltam uns aninhos pra isso.

Por enquanto, se eu fosse vocês e estivesse em dúvida e sem grana em relação aos presentes de natal dava uma olhadenha lá no Meia Tigela, o blog em que a supra citada moça-Schossler-Fer mostra e vende, afinal é um mundo capitalista, todas as meninices que anda fazendo.
Divulgado?


Esse aí por exemplo ainda não tem dono.

Monografia - último round

Se é pra terminar, que seja em grande estilo.
Como todo mundo mais ou menos sabe eu rodei a baiana, fechei a mono e me toquei pra Bolívia. Agora voltei pra encerrar mais esse pedacinho da minha vida e tocar adiante sabe-se lá pra onde. O último round, momento derradeiro, agora é que são elas de Fabico - ou seja, a apresentação da famigerada monografia -, é amanhã às 10h na sala 400 e alguma coisa da, ta ta, Fabico. Ninguém precisa acordar cedo (cof) pra ver os meus lindos olhos verdes, mas quem quiser será muito bem vindo.
O título ficou uma coisa bonita, mas no fim gostei bastante do trabalho:

Análise da construção da informação através dos links no blog “O Biscoito Fino e a Massa” durante o ataque de Israel a Gaza em dezembro de 2008

Quem quiser dar uma olhada me avisa que eu mando o bicho. E se tiver algum erro, foram as amigas do peito irmãs camaradas Ana Lúcia e Cris Rodrigues que corrigiram. A Ana ainda imprimiu e encadernou, o que significa que eu vou imprimir, encadernar e corrigir uma monografia ano que vem... :)

De qualquer forma, fica o convite.
Vejo vocês lá, ou não.

E pra ver como uma moça pode ser piegas, os agradecimentos, escritos direto de Samaipata, BO:

Agradecimentos


À minha família, em especial aos meus pais que sempre tiveram como uma única condição que eu fosse feliz.

A minha irmã Caroline, por acreditar em mi mesmo quando eu não acreditava.

Aos meus amigos, por estarem sempre presentes e assim ajudarem a manter a minha sanidade mental.

À sociedade brasileira, que custeou os meus estudos e me proporcionou uma educação pública e de qualidade, um privilégio raro em um país como o Brasil.

À Fabico, que entre erros e acertos me proporcionou cinco anos inesquecíveis e me permitiu conhecer pessoas muito especiais que levarei por toda a vida.

À minha orientadora, Laura Strelow Storch, pela paciência, amizade e grande dedicação na hora da orientação, essenciais para a realização deste trabalho.

Aos professores Wladymir Ungaretti, Clarice Esperança e Cida Golin por ensinarem jornalismo para além das paredes da Fabico.

Ao povo palestino, que sofre sozinho frente a um Ocidente silencioso.

À Ryzard Kapuscisnk, Gabriel García Márquez e todos os escritores que me fizeram crescer sonhando em cruzar fronteiras.

Aos caminhos e descaminhos da Bolívia, país onde escrevo estas linhas e que espero ser o começo de uma série de outros desbravamentos.

12.12.09

A moça voltou e não sabe pra quê. As pessoas sérias perguntam, não tem o que responder.

9.12.09

So/Entonces

Eu náo mudei o mundo.
Náo me consagrei.
Nao fiz a melhor cobertura que poderia ter feito.
Por outro lado conheci pessoas que estáo trabalhando duro para mudar o mundo - and Im bealiver. Eles vao conseguir.
Fui presa e conheci a truculência da policIa.
E conheci uma améerica latina que pulsa náo só com a cumbia, mas com uma vontade enorme de mudar.
Além, de claro, o mais importante.
Aprendi a usar "táo pouco".

E manhê, que me perdoem todos os meus amigos, mas eu nao quero voltar.

4.12.09

3 e 15 da tarde no Bra-si-u.
Me acostumei a dizer que sou do Brasill por aqui, daí só preciso falar uma vez - não que acreditem muito, todo caso...
E como nosotros estamos longe da América Latina. E como perdemos com isso.

2.12.09

Joaquina hablando

Como eu ia dizendo às moscas que frequentam esse bloguinho, a caminho do rio náo turìstico de P.Q encontrei uma boliviana chamada Mimi. Mas coo ontem foi ontem e hoje a memòria está melhor, ates da Mimi é bom mencionar que troquei menos de uma dúzia de palavras com um italiano que também esperava o trem da morte. O suficiente pra que ele tomasse conta da minha mala de rodinhas por um tempinho. Ok, back to Mimi. Professora de inglês naquele fim de mundo, me perdoem os moradores da cidade, ela náo tinha muito com quem praticar e ao me ver suspeitou do jeito yanke da minha lata e achou que tinha encontrado alguém pra praticar. Apesar de eu passar bem longe do sangue anglosaxáo, tinha mesmo. Aquela altura do campeonato eu preferia mil vezes hablar em inglês com alguém que arriscar um portunhol. Vestígios de Montevídeo e Buenos Aiers onde bons amigos riram da minha cara por tentar e me deixaram suficientemente constragida pra achar que nao tinha jeito pra isso - é, sintam-se culpados.
Mimi falava um inglês tímido e náo muito conjugado e vivia repetindo que a prática leva a prefeiçao. Apesar de ter passado cinco anos estudando em Cochabamba, uma das maiores cidades daqui e onde escrevo estas linhas, ela fez questáo de voltar e há seis meses dava aulas num dos dois colégios da cidade. E a seis meses nao recebia por isso. "Alguém tem que se preocupar com as crianças", explicou, sem nem um tom de veja como eu tenho um grande coraçao. Apenas como alguém que tem um grande coraçao.´
A descriçao do colégio, que eu só lembrei de pedir pra olhar com o trem estava quase saindo, era o Serra no inferno tocando tambor. Uma sala pequena, com telhado de zinco em que quarenta alunos se apertavam para aprender o To Be. Isso quando o tempo ajudava. Se fazia calor - e sempre fazia calor - era impossível dar aula à tarde . Nem ela nem os alunos conseguiam prestar atençao. E se por acaso náo fizesse calor, mas chovesse as aulas também eram cancelada.Era quarta-feira e naquela semana ela só tinha dado uma aula.
O governo até construiu outra escola, bacaninha, com salas largas e grandes janelas azuis, mas náo adiantou muito. Além de ter lugar só pros alunos do segundo grau a maior parte do pessoal prefere o outro colégio, mais perto. Pra piorar, parece que i prefeito da cidade associa Evo ao diabo prefere manter os alunos fritando a aceitar dinheiro federal para fazer outro prèdio e assim permitir que todas as crianças de P.Q estudem num local decente.
Desse jeito, o que sobra pra galera trabalhar na regiáo é o turismo. A maioria dos moradores ou é taxista - caso de todos os quatro irmáos da Mimi - ou vendedor de tudo e qualquer coisa na rua, uma profissáo bem comum por aqui.
Outro dia tomando um café com um israelense, que pode ou nao aparecer por aqui, depende de como estiver a minha memória até que esses relatos cheguem a La Paz, comentou que a Bolívia é um grande mercado a céu aberto. E é. Náo há indùstrias, táo pouco trabalho e a populaçao se vira do jeito que pode. Entre as três quadras que me separam do hotel eu posso tanto fazer um lanche, quanto renovar meu vestuàrio, comprar uma escova de dentes pra viagem e ligar pra casa pra dizer que estou viva e respirando. Isso sem entrar em uma loja sequer.
Voltando a Mimi, eu posso nao ter visto a escola mas vi a sua casa. Na mataçao de tempo entre a hora de pegar o trem e a decpeçao por descobrir que havia um rio, que ele até era bonitinho, mas que nao tinha jeito de chegar perto dele sem atravessar um mini lixáo, a acompanhei enquanto buscava dinheiro pra enviar pro pai que estava cá em Cocha. Admito, náo fotografei a casinha porque fiquei com vergonha de parecer indelicada. Baixinha e de material, o lugar eram como três quatros grudados. O da Mimi tinha uma cama com colcha de florzinhas, uma mesa com uma TV de girar o botáo que parecia pb, umas roupas num cantinho e só. Paupèrrimo é apelido.
Pedi para ir ao banheiro e ela me indicou um galpáo de madeira nos fundos. Desviei algumas crianças ranhentas que brincavam no chao, dei holas pra umas duas moças que conversavam por perto e entrei. O lugar era meio banheiro meio depósito. Tinha madeira, ferramenta, de tudo um pouco. O vaso era um vaso normal, só que sem tampa com um papel higiênico rosa pinkáo do lado e no lugar da pia, uma bacia também rosa com um negóio de metal improvisado que ao mesmo tempo que segurava ela, segurava um espelho.
De novo esse relato ficou mais comprido do que deveria. I will be back, ou náo.
Hasta!
Sou uma pessoa feliz. Descobri pães de queijo por aqui. Eles são raros, mas existem e se chamam "cunhapê".

1.12.09

E lá por Porto Quijarro eu conheci...

Enquanto os arquivo que eu estou tentando mandar pro Terra não carregam (tem mais matérias lá, viu), vamos exercitar a memória e os dedos com a esquecida lista da pessoas pelo caminho. De Corumbá a nossa viagem pelos acasos que acometem quem está na estrada parte para Porto Quijarro, de a pé mesmo, que para atravessar a fronteira não são mais de 15 metros.]
A primeira coisa que eu pensei quando pisei na Bolívia foi "caramba, cheguei no terceiro mundo". Ok, talvez sem o caramba. Pode parecer exageiro, mas entre Corumbá e Porto Quijarro a diferença não é só notável, é admirável. A cidade brasileira é toda pavimentada, com casas na maioria de material, pequenas mas bem construídas. Já em P.Q o calçamento é um luxo que só a avenida principal e a quadra da praça tem - isso pra não falar das casas, que se encaixam bem na descrição de "malocas". Mas vamos e venhamos, a descrição que importa aqui é as das pessoas, não? Fora que quem quiser saber da Bolívia pode muito bem acessar o super atualizado Caminhos Bolivianos...
Entonces, depois de pegar um táxi pelo roubo de CINCO reais (quanto mais tempo eu passo na Bolívia, mas p*&% da cara eu fico por ter caído nessa) eu cheguei na estação do famoso trem na morte. Eu, eu mesma e minha mala de rodinhas subimos a escada que levava ao ponto de embarque e demos de cara com um relógio estranho que marcava nove da manhã. Eu que tinha saido de Corumba perto das onze pensei por uns 15 segundos que tinha viajado no tempo. Só quinze, então recordei que na Bolívia o relógio marca duas horas a menos que o Brasil. Como o trem só saia a uma menos quinze, como dizem os nativos, decidi dar uma volta pela cidade e engolir um pouco de poeira e calor.
Perguntei por pontos turísticos, o que só faltou rirem da minha cara. Sabia mais ou menos que tinha um rio por perto e segui uma estrada de chão com cara de caminho para alguma coisa - na dúvida, era bem em frente da estação. Difícil se perder em linha reta. Lá pelo meio do caminho uma moça veio falar comigo em inglês, o que é bem comum por aqui e na hora não foi nenhuma supresa. A primeira coisa que me disseram na Bolívia foi "one information, miss". Seguido rola um olhar de yanke desgraçada, que é bem desagradável. Dá vontade de gritar eu sou tão latino-americana quanto vocês, porcaria! Na verdade, eu disse isso hoje pra um boliviano e um chileno que estavam me torrando a paciência. "Ahh, mas tu não pode ser brasileira...". "O melhor do Brasil é que todo mundo pode ser tupiniquim, meu bem", sorri rangendo os dentes de volta. Tudo bem, ainda é melhor que ser tirada pra estrangeira no Rio e em Fortaleza.
Opa, o arquivo foi. Time to go folks! MAs esse texto termina manana ou ão me chamo Joaquina!
Tava me passando assim pela cabeça agora como quem não quer nada. Eu sou uma correspondente internacional.

Frases preferidas de mamãe

Tu tá comendo direito?
Tu tem dinheiro?
Tu tem certeza que tu tá comendo direito?

27.11.09

Sorte do orkut

If you're never scared or embarrassed or hurt, it means you never take any chances.

24.11.09

Manhê, eu tô no Terra TV

Com vocês, minha primeira matéria boliviana. Não é o bicho, mas é um começo.

23.11.09

Personas, versão sulmatogrossense

No Mato Grosso a coisa não foi tão prolixa assim. Também só passei um dia em Corumbá, uma noite pra ser mais exata. Como entre Sampa e a fronteira são belas 22 horas de bus e o trem só saia no outro dia decidi fazer uma para no Corumbá hostel. Acomodação de luxo pra quem tinha passado uma semana em São Paulo entre um quarto fuleiro no centro da cidade com pagode de baixo da janela todas as madrugadas e um quarto de seis camas compartilhado com mais três chilenos que sabiam tudo, menos falar português e ir dormir as quatro da manhã sem acender a luz, bater a porta e rir. Aqui vai uma nota contra o meu esquecimento dos chilenos. Uns amores. Eu tava no beliche de cima e o Léo não podia ver eu mencionar descer que já estendia a mão pra me ajudar. Eles fizeram tanta festa durante o tempo que estavam lá que o pobre Bóris acabou parando no hospital por desidratação...
Mas voltando ao hostel em Corumbá. Além do lugar ser um luxo - piscina e desayuno - estava completamente vazio! Quando a gente passa muito tempo numa cidade em que tem gente saindo pelos postes é estranho estar numa casa cheia de quartos com camas sem dono. Aproveitei pra dar umas braçadas e redimir um pouco do calor de quase quarenta graus que não tinha amenizado nem com a chuva que fez questão de cair na hora que eu cheguei e bater papo com a dona do lugar, outra coisa querida. Perto dos cinquenta, com o cabelo curto, baixinha, gordinha e com cara de mãezona o negócio dela era novela das sete, que ali passava as oito por causa da diferença de uma hora no fuso e a necessidade de manter esses degenerados do Manuel Carlos longe das criancinhas que ligam a TV antes das nove.

Enquanto charlavamos alegremente chegou o hóspede número dois, um senhor de uns cinqüenta e poucos anos que trabalha no Inep com quem eu divide uma enorme mesa de café da manhã com apenas duas xícaras na manhã seguinte. Ele tinha recém voltados da sua última visita a Amazônia, mais especificamente a Terra do Meio. Longe de fazer parte da saga de Tolkien, é aquela região entre rios extremamente disputada na pontinha do Pará. Te digo uma coisa. Fui sola pra região onde plantam coca e costumavam matar jornalistas aqui na Bolívia, mas não me atreveria a passar por esse pedação da Amazônia sem ao menos um fotógrafo de guarda-espalda. Ele contava que nas duas semanas que passou por lá medindo o desmatamento tiveram apenas dois assassinatos. Dois. Um cabra que mandou matar outro cabra e um marido que matou a mulher. Ambos ficaram sem solução, fim tradicional dos mortos do Faroeste que é bem o que é o norte brasileiro.
Fofocas a parte, ele conferia as imagens dos satélites que controlam o desmatamento na região. Parece que as imagens sozinhas não fornecem a situação real e precisam ser confirmadas em terra. Segundo ele essa história de que o desmatamento no Brasil diminuiu é balela. Ele aumentou e segue aumentando, principalmente no Pará e no Mato Grosso. O senhor disse também que foi por causa disso que a Marina caiu e que ela é um baita embuste. Não só fez vista grossa ao desmatamento como ajudou a desmantelar o sistema que protege a Amazônia. Um exemplo foi a divisão do Ibama e o suposto fortalecimento do Instituto Chico Mendes, que no fim ao invés de melhorar só bagunçou tudo.
Um fotógrafo de natureza que eu conheci em Santa Cruz e que entra nessa lista na parte boliviana confirmou isso e disse ainda que a política do governo tanto dos parques quanto de controle da Amazônia é desastrosa. Manhê, eu quero ir pra Amazônia!
No próximo post, personagens além das fronteiras bolivianas.

22.11.09

Nunca, nunca deixe de acreditar na mágica



Desde que cheguei na Bolívia tenho vontade de escrever sobre a mágica das coincidências que tem me acompanhado. Tem gente que chama de impulsividade suicida, eu de sorte e instinto. Se não fosse por isso, não teria nem saído de Porto Alegre city. Tenho feito as malas ao sabor do vento e pro lado que eu sinto que é certo ir e tem dado bem certo. Quer dizer, estava. Esses dias em La Paz parecia que a mágica havia partido pra outro lado o que me deixou bastante mal-humorada e desanimada.

Esta manhã jo estava em El Alto, uma cidade grudada em La Paz a merrequentos 4.200 metros de altitude. Procurava uma concentração do MAS que deveria receber o vice-presidente e após ter pego dois ônibus errados devido a informações mal-humoradas e mal passadas - os meus olhos claros tem me atrapalhado muito mais do que ajudado, passo fácil por alemã, americana, qualquer coisa longe da América Latina - caminhava pela calle me sentindo um restinho de gente quando um senhor me olhou e me deu uma rosa. Uma rosa, sabe? No meio do cinza, da poeira alta, dos carros passado, uma rosa vermelha cheirosa. Não quis aceitar, pensei que ele estivesse vendendo. Não estava. Simplesmente largou a rosa comigo, sorriu e seguiu caminhando.

Calma, a rosa não faz parte da mágica. Mas às vezes uma rosa ou um sorriso quando a gente está precisando sabe ser um sinal. No ônibus de volta eu pensava em que matéria poderia fazer, já que a ida a El Alto havia sido fracasso, e lembrei de uma senhora quem eu tinha conversado. Raramente simpática - as mulheres que vendem coisas nas ruas odeiam tanto turistas quanto e talvez principalmente máquinas fotográficas -, ela trabalha todos os dias, da amanhã à noite, vendendo panos na rua e assim sustenta a família. E assim se sustentam milhares de bolivianos. Uma caminhadinha e a gente já percebe isso. As ruas estão carregadas de mulheres em trajes típicos vendendo de tudo um pouco.

Desci do bus em qualquer lugar que fosse La Paz - afinal, "quando a gente não sabe pra onde ir o caminho não importa" - e segui caminhando por uma rua em que eu espera encontrar algum restaurante pra matar o meu desanimo com carboidratos. Estava meditando sobre a enorme quantidade de turistas com turista escrito na testa - pra quem não consegue acompanhar a descrição, imagine uma pessoa com um chapelão, a pele branca um pouco vermelha do sol e uma combinação descombinada de tênis, meias e bermudas-, quando encontrei a tal senhora. Mágica.

Da mesma forma que semana retrasada, quando estava perguntando o endereço do principal jornal de Santa Cruz a recepcionista do hotel buscando desesperada algum lugar por onde começar, acabei encontrando um fotógrado brasileiro, que me apresentou um escritor chileno, que me apresentadou um candidato a deputado boliviano, que me apresentou um dos candidatos a presidente. Da mesma forma que quando estava xingando deus e o mundo pelo taxista ter me dito a direção errada e me levado uma hora adentro do Chaparre, região de tropical onde o que a gente mais vê são bandeiras do MAS e plantas de coca - e por ainda por cima me largar numa beirinha de estrada pra tomar um taxi de volta encontrei um taxista que plantava coca. E que me mostrou a plantação. E por aí vai.

Às vezes são coincidências pequenas - rosas -, às vezes não. Do mesmo jeito que eu estava sentada neste café tentando conectar a internet sem sucesso há uma meia hora atrás. Pedi ajuda a um senhor sentando por perto com um lap top e acabei conseguindo o nome de três professores importantes de uma faculdade daqui pra conversar amanhã e também mais um amigo. Mágica.
Sabe, ela existe. Mesmo quando não acreditamos nela.

21.11.09

As pessoas do caminho

De toda a viagem até agora, o mais especial tem sido as pessoas que conheci pelo caminho. Ainda em São Paulo parei em um hostel bem bacana e em conta pros preços brasilenos. Gastar em bolivianos deixa a gente meio pão dura. Só de pensar que estava gastando 33 reais por noite por um quarto com seis camas meu bolso já morde. Isso são quase 116 bolivianos, o que vale um hotel se não de luxo bem caprichado por aqui!

De qualquer forma, no hotel começou oficialmente a minha coleção de pessoas bacanas pelo caminho. De cara conheci o Rámon, um brasileiro que trabalha no hostel e é fascinado pela Bolívia. Foi ele que me deu o toque de que em Sampa tem bairros tradicionalmente italianos virando tradicionalmente bolivianos. Caso do Brás e do Bexiga. O pessoal vem pra cá trabalhar em fábricas de costura pra ganhar em reais e em prestígio. O trabalho é semi-escravo mas como um real é o equivalente a 3,50 bolivianos, parece que compensa tamanha é a galera que continua vindo pra cá. No trem até Santa Cruz conheci uma menina que estava indo pra casa pela primeira vez em um ano de Brasil. Eles vem pra cá, ficam em uma espécie de gueto, não aprendem português e tudo que fazem é trabalhar pra remeter dinheiro pra casa. Eu sei, seu sei. Puta matéria. Mas não deu tempo de passar por lá pra checar. Quem sabe na volta...

Depois foi a vez do Nate, vocalista de uma banda australiana que tem aquele inglês meeega charmoso e um jeito de Cobain perdido. Parei pra ouvir um pouquinho do Faker e só pude expressar um BAH. Sabe quando um negócio é tão bom que te pega de surpresa? Também, quem é que espera encontrar um cantor super bom pelo caminho nessa mar de covers e música mais ou menos? Já na Bolívia conversei com um guarda-parque australiano e descobri que a banda do Nate é só a segunda mais escutada do país.

Se fizer alguma diferença pra alguém, o Nate é amigo do carinha do Silverchair - pra mim não faz muita, mas pra guria que trabalha na Onu que eu conheci fazia muito o que nos leva a próxima pessoa. A Carol. Como o mundo é um ovo, nós começamos a conversar e eu descobri que - antes dessa revelação favor lembrar que São Paulo tem 11 milhões de habitantes, o Rio Grande do Sul outros 9 milhões e Brasília, onde a moça mora, mais dois, ok? - é uma das melhores amigas do guri com quem divido apartamento em Porto Alegre city. Sim.

- Estudantes da UFRGS me perseguem. Um dos meus melhores amigos se formou lá. Quem sabe tu conheça. É Endrigo...
- Valadão (rosto de perplexidade²)?
- Isso! Conhece?
- Endrigo Valadão (rosto de perplexidade³)? Ahh, sim... Ele só MORA comigo.

Gostei da conclusão da Carol. "Minha mãe sempre me diz 'não faz merda que eu descubro'. Nesses momentos vejo que ela tem razão." Pra aumentar o grau de sabedoria da mãe da Carol, a caminho de Samaipata consegui tomar um táxi não só com um casal de brasileiros, como com um casal de brasileiros de Caxias do Sul! E um casal de brasileiros de Caxias do Sul de 24 anos, ou seja, nos cruzamos pelas festas do circuitos colégios metidinhos da cidade com certeza! E eles não encontravam nenhum tupiniquim a meses, quiça de Caxias!

Ainda no hostel, também conheci um fotógrafo belga que ahh... Pode por aí na lista com os suecos. Pena que não podia ir comigo pra Bolívia. Não que um peruano que estava por lá também não tivesse tentado convencer ele disso. By the way, esse era mais um caso a parte. Me fugiu o nome da figura, mas acho que a combinação peruano da Opus Dei divorciado de uma gaúcha por si só já diz bastante coisa.

Pra não tornar esse post uma Bíblia, vou fechar só com os paulistas com uma menção honrosa para o irlandês que estava no hostel com a mãe atrás de móveis pro filho fruto de uma one night stand que ia ter com uma também peruana que estava morando em sampa no momento.
E claro, a africana e o gaúcho de barba pintada. São pessoas incríveis hour concours, mas é bom deixar registrado.

Próximo post, Mato Grosso do Sul.

A chica, a coca e o Lapo


Estamos eu, o lapo, uma garrafinha de coca yanque e o estômago cheio de salchipapas (uma iguária vendida pelas calles que tem a genialidade de misturar salsicha picada com batata frita e pimenta. Altamente não-recomendada para viajantes - como as comidas vendidas nas ruas bolivianas em geral - mas por isso mesmo tremendamente desejável) prestes a ir onde nenhuma Paula Bianca foi antes. Escrever decentemente sobre a situação boliviana.
Desejem-me sorte. E confiança. Costumava ter galões dela, mas ultimamente não sei onde larguei eles.

P.S. Acabo de receber um mail da Dé dizendo que os pais dela estão preocupados comigo aqui. Agora temos quatro pais preocupado, mais três tias e alguns amigos. Só um bolivianos doido pra me fazer alguma coisa com tanta energia protetiva brasilena atrás de mim.

P.S.S. Eu vi uma plantação de coca, vocês não. Na na na na.

P.S.S.S. Eu queria fazer uma lista só das pessoas que eu conheci. Uma ex-hippie suiça de 60 e poucos anos, um fotógrafo brasileiro que mora numa casa de barro no meio da chapada dos guimarães, um ladrão colombiano que me pagou um almoço... Quer saber, vou fazer. Afinal, só tenho tudo o que vivi na Bolívia até agora pra descrever.

P.S.S.S.S Com todo o etnocentrismo do mundo e excluindo as saudades piegas - descobri que sou uma companhia muito boa e a sensação de estar só e nunca estar sozinha cresce cada vez mais - tudo que eu queria encontrar por aqui era uma padaria. Uminha que fosse. Não que falte pão. Tem por todas as esquinas. Duro e com cara de ontem. Falta pãaaao, sabe? Tá, talvez só os filhos de padeiros me entendam...

By the way, essa foto aí em cima és Bolívia.
"Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

GGM

Bolívia cá estamos

Cheguei na Bolívia no dia 6 de novembro, após um tempinho em Sampa city tentando conseguir financiamento. Corri o país de trem, ônibus e táxi o que são experiências únicas se tratando de Bolívia - para ter uma idéia não só qualquer pessoa pode ter um táxi (só basta um adesivo no painel - o que me lembra, já peguei um táxi com 11 pessoas por aqui) como os ônibus param em qualquer lugar a qualquer momento e estão todos se lixando para coisas como sinaleiras e faixas de pedestres (imaginem o Douglas atravessando a rua, agora imaginem que todos são o Douglas atravessando a rua).
Cheguei há pouco em La Paz que é como estar em outro país dentro do mesmo país. A Bolívia é assim. Vários países dentro de outros países que às vezes nem se quer falam a mesma língua mas que buscam desesperadamente um futuro comum.
Como eu ia dizendo, entre Santa Cruz e La Paz há quase só diferenças. A primeira teve colonização jesuítica, uma relação pacífica com os espanhois e está numa parte quente e tropical do país - além de extremamente rica, diga-se de passagem. A segunda sofreu com a escravidão, a exploração e graças aos seus mais de 3,500 metros de altitude e frio constante pode ser chamada do Tibet da América do Sul.
Enquanto em Santa Cruz as pessoas no geral tem barriguinhas salientes e rostos redondos que lembram a ascendência guarani, em La Paz a maior parte da população é baixa e com as costas largas, fruto da adeptação milenar do corpo dos indígenas locais ao pouco oxigênio. São cambas e collas e essa divisão se reflete não só na forma como falam e se portam, mas na maneira como sentem o país.
E essa diferença de sentimento que move as eleições do dia 6. Exagerando um pouco, não deixa de ser a velha luta dos que nunca tiveram nada contra os que sempre tiveram tudo e cabe ao povo boliviano o papel de fiel da balança.

23.10.09

Tá tudo assim queimando em mim


Ago/2009 - Terminal rodoviário do Tietê/São Paulo - SP Autoproclamada 2ª maior rodoviária do mundo

Queridos dois leitores

A partir de hoje esse bloguinho entra em recesso temporário (não que ele já não tenha entrado em recesso várias vezes sem aviso). Eu sei, eu sei. Vocês vão sentir a minha falta, vai ser muito difícil conviver sem os posts tri semanais aqui do Palimpsesto, mas é preciso.
Estou com o estômago que é um nó só e um vôo marcado pra daqui a pouco rumo a Bolívia, as eleições e quem sabe ao meu futuro como uma grande correspondente internacional. Assim que eu tiver notícias mais concretas (o que pode ser semana que vem ou em dezembro) aviso. Quero fazer um blog, essas coisas internéticas, mas vai depender da conexão.
Por hora, torçam por mim. Bastante.

Hasta,
Paula

21.10.09

Terminei

Terminei a mono. Ainda falta a introdução, a conclusão, a Laura revisar e eu acertar uma que outra coisinha. Mas a parte pesada, as quase 70 páginas de fundamentação plus análise eu terminei. Zé fini. Deu pra ti trabalho acadêmico.

Agora posso ir pra Pasárgada em paz.

E terminei no mesmo dia que acabei de ler a Carmem do Ruy Castro. Ano passo, quando tive o prazer de entrevistá-lo com duas colegas ele disse que escrever o livro salvou a vida dele, que na época sofria de câncer. Também salvou a minha, ao menos a sanidade mental que quando ameaçava entrar se mantinha longe do vermelho graças as aventuras da pequena notável.

Rumando contra a solitária vanguarda de nós mesmos

Tenho conversado bastante com Ana sobre a dificuldade que é "deixarmos de ser essa solitária vanguarda de nós mesmos" e partir para uma ação coletiva não-utópica de mudança da sociedade. Foi um pouco muito por causa disso que entrei no jornalismo, apesar da Fabico se esforçar em nos tornar seres niilistas, e me dói o vazio de ás vezes não saber nem por onde começar.
Esse ano flertei com o movimento estudantil, de comunicação e diversas outras formas coletivas de organização que me deram esperança e apontaram caminhos. Não caminhos fáceis, muito pelo contrário. Mas esse é um papo que não tenho gás pra explorar aqui, ao menos não enquanto não terminar a joça da mono.
Isso tudo, só pra introduzir esse poema do Thiago de Mello que acordou na minha cabeça essa manhã. Ele me dói tanto e é assim, tão bonito, explicando a parte que esse post prefere deixar pra uma mesa de bar por aí.

Para os que virão


Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
( Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros. )
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.

20.10.09

Só lembrando

A conferência livre de comunicaça começa amanhã (hoje pra quem já foi dormir) às 9h na antiga na Casa dos Bancários!

Sou fã. Há tempos



Grande Ale lá dos Estrangeiros. Além da poesia ser linda, o vídeo é finalista da Fliporto. Todo mundo de dedinhos cruzados.

Borá votar!

Macarronada de gala em 15 minutos

Bateu a fome e a vontade de correr da monografia (ou de qualquer outro dever (ahh, um livro pra ler e não fazer...)), mas você não tem nem tempo nem grana para fazer coisas complicas ou jantar fora? Eu tenho a solução! Uma macarronada que enche o estômago com classe e ainda consegue passar a impressão que demorou duas horas para ser feita sem ser um atentado a boa saúde (já falei que ela é "light?").
First, já que tempo é monografia e a fome é uma mãe cruel, coloque a água pra ferver na panela com um cadinho de sal e corra pro mercado.
A lista de compras é simples, e fica mais simples ainda se você for um ser prevenido e mantiver comida em casa:
- 1 pacote/lata de molho de tomate tradicional;
- macarrão de acordo com a fome (aqui em casa só se faz de pacote inteiro, porque se não são os habitues do ap que aparecem pra janta alguém bate na porta. E bem, é macarrão. Quanto mais, melhor);
- 1 colher de requeijão light;
- meia ricota
- óregano e ou pimenta e ou manjericão e ou o que tiver a mão que cozinha universitária é cozinha de guerra (na falta de tudo, já manda o molho temperado);
Volta do mercado e coloca o macarrão na água, que conforme a distância do bolicho já deve estar fervendo. Em outra panela, mistura o molho com o requeijão. Assim que o dito cujo tiver derretido, coloca a ricota esmigalhada (é pegar com a mãozinha e ir descontado toda a raiva da ABNT acumulada até ela virar farelos) e o tempero existente no recinto. Como a ricota é salgada, não precisa de sal.
Pronto! O molho tá no ponto assim que a massa estiver. É só escorrer o macarrão, colocar o molho por cima e ta ta ta. Manja che te fa benne! Não exige prática nem tão pouco habilidade.

* Antes que vocês comecem a achar que eu sou um gênio da cozinha (o que (cof) eu sou), achei essa receita semana passada lá no blog Alimentação sem mitos. Entrou pros favoritos (o blog e o macarrão).

Modernidade II

Já não bastasse minha tia ter entrado no orkut e usar o msn, ela agora também é uma feliz usuária do Facebook. Não vou estranhar se daqui a pouco ela criar um blog e começar a twittar.

Coisas que aprendi com Holywood

Não deixe o medo de errar impedir que você jogue.

19.10.09

Modernidade

– Mãe, vi um doce lá na casa da Dé que parece gostoso. Como que eu faço pra fazer?
– Ah, não sei minha filha. Por que tu não procura na internet?
Tem gente que escreve com se arrotasse pérolas. Até arroz com feijão vira poesia, mas de um jeito bonito que não revira o estômago. Outros de uma forma tão seca e tocante que cada parágrafo é como um murro e você quer continuar apanhando. Eu só queria contar histórias. Ao menos era o que achava.

18.10.09

Experiência científica

Sou o tipo de pessoa que não dorme se tomar chá preto depois das 22h. Cá estou, frente a uma dose de Guaraná cerebral. Será?
Nos vemos pela madrugada.
Despassarada.

17.10.09

"Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte."

Caio F.

15.10.09

Bem vinda ao resto da sua vida

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

António Machado

Ironia

Tenho que pegar uns dados pra construir uma linha cronológica do massacre em Gaza no começo do ano. A forma mais fácil de conseguir isso é através de matéria de jornais, mas sigo procurando textos de historiadores. Uma vozinha lá no fundo fica lembrando, ' quem pode confiar em jornalistas?'.

14.10.09

Somos todos palestinos


Imagem pintada no "Muro da vergonha", que divide os territórios palestinos de Israel. Com 350 km de extensão planejados- contra 155 km do muro de Berlim - e oito metro de altura em alguns pontos, a barreira, condenada pela Corte Internacional de Justiça e pela ONU, segue em construção.

"A única fonte de otimismo, a meu ver, continua sendo a coragem dos palestinos para resistir. Foi por causa da Intifada e porque os palestinos se recusaram a capitular diante dos israelenses que chegamos à mesa de negociação — e não apesar de tudo isso, como alguns insistem em dizer. O povo palestino vai continuar se opondo aos assentamentos ilegais, ao exército de ocupação, aos esforços políticos para pôr um ponto final em sua aspiração legítima de ter um Estado. A sociedade palestina vai subsistir, apesar de todos os esforços que têm sido feitos para sufocá-la."
Edward Said

Sabedoria pauliana

Monografia não tem querer, tem fazer. É sentar a bunda na cadeira (que a esta altura do campeonato já passou do quadrada) e espremer os miolos até que saia algo que preste. O incrível é que quando a gente menos espera, consegue tecer conexões bem interessantes.
Afora isso, google.books é o que há.
Sigo monografando como se não houvesse amanhã, e, se tudo der certo, semana que vem não haverá mais monografia.

12.10.09

Sabedoria orkutiana

"Tomorrow's life is too late. Live today."

9.10.09

Salve Che


Hasta la victoria siempre!

Desgovernos do sul

A governadora do estado do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, mobiliou a casa com dinheiro do governo. Operação aprovada pelo TCU, segundo ela, o que nos leva a reflexão de Trasël (2009) - só pra não perder o clima monográfico:
"Quando o CPERS protesta em frente, a casa da #Yeda é particular. Quando é para mobiliar, é imóvel funcional."
Ouié.

Ahh, e o impeachment também foi pro saco. Falta só o plenário confirmar a cara dura da comissão. Afinal, o que significam os os 97 mil votos do julgamento popular da Yeda? Foram só 94%,
86.948 pessoas que a consideram culpada. Como lembra o Weissheimer, ao citar o blog da desgovernadora (“O melhor modo de reduzir e evitar a corrupção, é dar eficiência e transparência aos gastos feitos através de dinheiro público). Yeda debocha dos gaúchos.

8.10.09

A magia da escrita

Não é genial que exista um sistema capaz de codificar pensamentos em caracteres passíves de serem compreendidos por outros seres humanos?

7.10.09

The World Factbook

Continuando com as procuras internéticas monográficas, encontrei o The World Factbook, nada mais nada menos que o Almanaque da CIA. O site tem um resuminho sobre a política, população e afins de, tipo assim, TODOS os países do mundo. Botsuwana? Tá lá. Madagascar? Também. Fora a implicações ideológicas, o site é mega útil nesse mundinho jornalístico, nem que seja pra matar a curiosidade.

6.10.09

"Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?”
Bertold Brecht

2.10.09

1.10.09

Google scholar

Devo ser uma das últimas pessoas a ter descoberto isso (grande Kauê), anyway. O google/deus/etc. tem um serviço chamado scholar que é muiiito legal. Além de catar artigos web afora, disponibiliza livros in-te-i-ros em pdf! Quase correu uma lágrima agora...

Palestina ocupada

"Movido antes por compaixão que por raiva, um querido amgo refletia certa noite, enquanto conversávamos em sua casa em Hebron, que "a história não perdoará o que foi feito com o povo inocente da Palestina". Já eu não tenho tanta certeza a respeito do que a história efetivamente fará: afinal de contas, tudo depende de quem estiver escrevendo – o conquistador ou o conquistado. Mas nem por um momento tenho dúvidas quanto ao que a história deveria fazer. Certa vez ouvi uma pessoa que muito admiro e respeito falar sobre suas experiências no gueto de Varsóvia e nos campos de morte nazistas. Questionada posteriormente sobre sua opinião sobre o conflito no Oriente Médio, minha mãe respondeu sucintamente: "Que crime cometeram os palestino senão nascer na Palestina?". É esta a realidade fundamental esquecida em todas as imagens fabricadas sobre o conflito israelense-palestino. O grande crime cometido pelos palestinos foi terem se recusado a cometer a auto-espoliação; não quiseram "escafeder-se" para dar lugar aos judeus. Talvez seja verdade que o código de ética comum da humanidade seja - pelo menos no momento - bastante rudimentar; mas este padrão rudimentar é suficiente para entender que o povo da Palestina foi vítima de uma injustiça colossal."
Normam G. Finkelstein, Imagem e realidade do conflito Israel-Palestina

30.9.09

Carmem Miranda está salvando a minha sanidade mental.

Blog da Yeda

Depois da Petrobras, da presidência da República e da dona Maria da banca de frutas criarem blogs é a vez da... Yeda! Sim, a desgovernadora Yeda Crusius agora tem um blog e um twitter em que renova sua relação como "pessoa, e pessoa pública, com o mundo aberto da rede". Atença para os comentários.
Ainda prefiro @yedacrusius.

29.9.09

Monografia time 3 1/2

* Nada melhor pra incentivar a leituras de livros e artigos acadêmicos do que se apaixonar por um calhamaço de 500 páginas viciante - e nada acadêmico.

* Nunca limpei um banheiro tão bem na vida. Uma hora esfregando o chão pode parecer maçante, mas causa menos culpra que uma hora de bobeira na internet.

Aos estudantes e curiosos em geral

Fiquei feliz da vida ao encontrar esse site da universidade portuguesa de Beira do Interior. Ele disponibiliza gratuitamente em pdf todos os livros produzidos pelo seu laboratório de comunicação, o que facilita pra pesquisa e pro bolso. As novas tecnologias aparecem disparado entre as publicações, mas também há estudos sobre a relação entre a comunicação e os movimentos sociais, por exemplo. A Ufrgs tem um site equivalente, o Limk, que traz os artigos produzidos pelos mestrandos, doutarandos e professores da Fabico (cavocando mais um pouco descobri o LUME, Repositório Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que também tem as teses e dissertações online). Outra universidade brasileira que disponibiliza as suas teses e dissertações pro povão é a USP, com a sua biblioteca digital. É o conhecimento acadêmico deixando de pegar pó nas prateleiras e migrando pra internet!

'Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada'

O André Dahmer é um dos melhores cartunistas/artistas brasileiros. Depois de tomar minha dose diária de Malvados, entrei no blog dele pra matar mais um pouco de tempo da monografia e dei de cara com esse texto. Dói de tão bom.

Monumento a um monolito


Idiota, Iberê Camargo

"Aos completar trinta anos, você ganhará os olhos duros dos sobreviventes. Só verá sua amada na parte da manhã e da noite, só encontrará seus pais de vinte em vinte dias. E quando seus velhos morrerem, você ganhará um dia de folga para soluçar e gritar que deveria ter ficado mais próximo deles. Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada. O trabalho é uma grande cadeia e você sentirá muito alívio por ter uma. A cadeia engrandece o homem. E o sangue do dinheiro tem poder. Reze. Reze ajoelhado por uma carreira, dê a sua vida por ela. Viva como todo mundo vive, você não é melhor que ninguém. Porque o dinheiro move montanhas, o dinheiro é a igreja que lhe dará o céu. Sorria, você é um jovem monolito e o mundo é uma pedreira. Eles irão moer você todinho. De brinde, muitos domingos para chorar sua falta de tempo ou operar uma tendinite. Nas terríveis noites de domingo, beba. Beba para conseguir dormir e abraçar mais uma monstruosa segunda-feira. Aquela segunda-feira que deixa cacetes moles e xoxotas secas para sempre. A vida é uma grande seca, mas ninguém sente calor: Nas salas refrigeradas, seus colegas de trabalho fabricam informação e, frios, sonham com o dia dez do próximo mês. Você é o Babaca do Dia Dez, não há como mudar o seu próprio destino. Babaca que acorda assustado, porque ninguém deve atrasar mais de vinte e cinco minutos. Eles descontam em folha e você é refém da folha, do salário, do medo. Ninguém tem o direito de ser feliz, mas você ganhará a sua esmola de seis feriados por ano. E todos nós vamos enfrentar, juntos, um imenso engarrafamento até a praia. Para fingir que ainda estamos vivos. Para mostrar que ainda somos capazes de sentir prazer. Para tomar um porre de caipirinha sentado em uma cadeirinha de praia. É uma grande solução. E você ainda ganhará quinze dias de férias para consertar a persiana, pagar contas, fazer uma bateria de exames. Ninguém quer morrer do coração, ninguém quer viver de coração. Eu não duvido da sua capacidade de vencer: Lembre disso no primeiro divórcio, no primeiro infarto, no primeiro AVC."

28.9.09

"Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo". Clarice Lispector

Me render ou não me render?

Vejam só, agora tem até twitter do RU da saúde.

25.9.09

Rápidas

Essa história da queda do desmatamento no Amazônia legal é muito bacana, dá a impressão que a consciência ambiental está indo pra frente e por aí vai. Mas por que ninguém escrever que da mesma forma que diminui o corte de árvores por lá aumentou o desmatamento no Mato Grosso e no Pará? Não tá na moda defender o pantanal?

*

Campanha eleitoral bombando nas páginas da Folha. Domingo foi dia de sabatinar a ministra Dilma Roussef, ontem publicaram a pesquisa do Ibope que dava maioria pro Serra e criaram um animosidade entre o Ciro Gomes e o governo. Hoje já vem o Ciro dizendo que a Dilma tem chance, pertinho de uma matéria em que ela aparece alfinetando o Serra. Acho que no fim quem vai ficar de boi de piranha vai ser a Marina Silva, disputada pela direita e pelo centro petista.

*“Cada vez más ciudadanos toman conciencia de esos nuevos peligros y se muestran muy sensibles respecto de las manipulaciones mediáticas, convencidos de que en nuestras sociedades hipermediatizadas, vivimos paradójicamente en estado de inseguridad informativa. La información prolifera, pero sin ninguna garantía de fiabilidad. Asistimos al triunfo del periodismo de especulación y de espectáculo, en detrimento del periodismo de información. La puesta en escena (el embalaje) predomina sobre la verificación de los hechos. Hubert Beuve-Méry, recordaba siempre: "Los hechos son sagrados, la opinión es libre"."
Ignacio Ramonet, Medios de comunicación en crisis, Le monde, janeiro de 2005

24.9.09

Guisado engana carnívoros

Porque nem tudo aqui é monografia e jornalismo. A gente também espera ansiosamente pela hora de encher a pança!
Morando com vegetarianos há um bom tempinho ainda não encontrei motivos fortes o suficientes pra dizer adeus de vez aos bifes - apesar deles não me fazerem muita falta-, mas como o que não mata, engorda, acabei aprendendo uma série de receitas vegans pacas e mega gostosas. Se a gente pensar bem, arroz, feijão, ovo e batata frita é um prato vegetariano!
Voltando a receita, estava eu a cata de algo para comer no meu belo armário universitário - nessa época do mês, principalmente, lembra um pouco os filmes de faroeste (só falta passarem aquelas bolas de grama rolando), quando encontrei um saquinho esquecido de proteína de soja desidratada. Sim, soja! O bom da proteína é que ela pode passar meses guardada que não estraga e basta um pouquinho de água pra ter uma janta. Olhei pra proteína, ela olhou pra mim e com mais um restinho de geladeira deu pra fazer uma refeição caprichada.

Usted vai precisar de:
Uns dois ou três punhados de proteína de soja (tem a graúda e a pequeninha, nesse caso usei a menor que lembra bem guisado);
Tudo que você tiver de legumes na geladeira (eu fui de cenoura, pimentão, tomate e milho. No caso de um mundo sem tomate, molho pronto resolve o problema (com muito menos classe, off course);
1 cebola média;
sal e temperos;

Pra começar, coloca a proteína de soja em um pote e cobre de água. É melhor fazer isso um tempo antes, pra ela fica bem cheinha, mas se não der 15 minutos resolvem. Enquanto a proteína vai desidratando tu pica a cenoura, o tomate, o pimentão e a cebola. Pega uma panela ou uma frigideira - eu uso a frigi, mas tem que ser grandona pra caber toda a comida -, manda ver um fio de óleo e coloca a cebola pra fritar. Quando a cebola estiver soltando aquele cheiro bom, acrescente os legumes. A ordem depende do gosto. Por exemplo, eu ponho o pimentão bem no começo, que daí ele amolece e perde aquele gostão de pimentão que faz a gente arrotar, e a cenoura pra pro fim, pra ficar firme. Tempera isso do jeito que der - sal, pimenta, manjericão, orégano - e espera refogar. Tem um tempero chamado tahime, que basicamente é molho de gergelim, que é O tempeiro nas casas vegetarianas. Se tiver, uma colher de sopa rasa dá pro gasto. Quando a coisa tiver bonita, coloca a proteína de soja previamente escorrida pra não virar sopa de proteína ao invés de guisado. É só mexer bem, deixar refogar mais um pouco, colocar o milho e voalá: guisado de soja com legumes. Saudável no último.
Como a fome foi mais rápida que a máquina fotográfica, vocês vão ter que imaginar a belezura do prato. Aqui em casa a galera se divide entre comedores de carne inveterados e vegetarianos e simpatizantes. Até os carnívoros lamberam os beiços.
Pra acompanhar, também dá uma olhada no estoque. Batatas cozidas ou arroz integral são as melhores pedidas.

Guten Appetit!

Mudaram as diretrizes do curso de jornalismo

Ironicamente, caiu a monografia e o jornalismo foi separado da comunicação. O curso foi dividido em vários eixos temáticos, na tentiva de conseguir a tão sonhada aliança entre teoria e prática. A proposta segue pro conselho nacional de educação e ainda não tem data de aprovação.

Ô, mãe. Eu quero ter quinze anos.

As novas diretrizes completas, acá.
A opinião
presidente da comissão, professor José Marques de Melo, acá.

Esse trechinho nem é o melhor do texto, apenas uma questã de momento histórico.

"O trabalho de Conclusão de Curso (TCC) deve ser entendido como um componente curricular obrigatório, a ser desenvolvido individualmente, realizado sob a supervisão docente e avaliado por uma banca examinadora formada por docentes e também por jornalistas profissionais convidados. Deve envolver a concepção, o planejamento e a execução de um Projeto Experimental constituído por um trabalho prático de cunho jornalístico, acompanhado necessariamente por relatório, memorial ou monografia que realize uma reflexão crítica sobre sua execução, de forma a reunir e consolidar a experiência do aluno com os diversos conteúdos estudados durante o curso."

* Muito obrigada a comunicativista Ana Lúcia pelos links.

23.9.09

Padrão de ocultamento

Estava relendo alguns posts do meu objeto de pesquisa, o excelente Biscoito Fino e a Massa, e meu sangue voltou a ferver de indignação. Pela cobertura porca da grande mídia, pelo absurdo de Gaza, pelo silêncio assassino em que estamos mergulhados.

Meu momento preferido aconteceu quando eu disse que jornalistas têm de ter lado, e que o lado dos jornalistas têm de ser o lado dos que mais sofrem. Se me mandassem cobrir o tráfico de escravos no século 18, eu jamais daria destaque, no que escrevesse, à opinião do capitão do navio mercador de escravos. Se me mandassem cobrir a libertação num campo de concentração nazista, eu não entrevistaria o porta-voz da SS. Nesse ponto, um jornalista do Jewish Telegraph em Praga “argumentou” que “o exército israelense não é Hitler”. Claro que não. Eu não disse que é. Aqueles jornalistas, sim, é que temem que seja.

Por onde ando, sempre as mesmas velhas idéias sobre o Oriente médio, Robert Fisk, tradução de Caia Fittipaldi

22.9.09

Monografia times

Depois do (in)sucesso da pergunta "por que você bloga" a mono me deixou com mais uma pulga. Como definir um blog? O que me leva a seguinte questã: o que é um blog? Favor deixar respostas na caixa de comentários.

21.9.09

#Lávamosnósdenovo

Caçadora de citações

Livremente inspirada na Colcha de retalhos musical natuschiana e em homenagem as horas caçando citações pra embromar a monografia, segue uma lista de citações e trechos de livros mais ou menos sérios postadas em algum momento de um passado longíquo por ninguém mais ninguém menos que... moi, ora, bolas.

"tem horas na vida em que a gente não fica muito escolhendo caminho, nem escolhe, é escolhido. Vai apenas porque tem vontade de ir em frente, arriscar, ver o que acontece, só pra não se arrepender de não ter seguido. O que vêm depois, é conseqüência".
Ricardo Kotscho

"Eu vi a Rita Lee lambendo o microfone. Passei anos da minha vida com vontade de fazer isso e com medo de ser eletrocutada." Elis Regina

"(...)Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez, sem preparação. Como se o ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é esboço de nada, é um esboço sem quadro(...)"
Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser

"O SUPEREGO é solúvel em álcool."
cartaz de uma festa da psicologia

"O diabo desta vida é que entre cem caminhos, temos que escolher apenas um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove."
André Gide


"A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma."
Marina Colasanti

"A gente tem que ser feliz, a gente tem que viver o que a gente pode".
Sabia futura jornalista fodona

"... o que nos define não é o resultado de nossas eventuais inspirações, mas sim o acumúlo de nossas banalidades."
algum revista semanal da vida

"(...) a verdade é que chega-se sempre longe demais quando não se quer Ir Direto Aos Fatos, e o problema de Ir Direto Aos Fatos é que não há cir-cun-ló-quios então, e a maioria das vezes a graça reside justamente nesses Vazios Volteios Virtuosos, digamos assim: que não haja beleza nos fatos desde que se vá direto a eles? ou que não exista mistério, que seja insuportavelmente dispensável gostar dos tais circunlóquios. Ultrapasse-os, ordeno. Acontece que. Não, nada acontece."
Caio Fernando Abreu

"Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime."
Fernando Pessoa, Tabacaria

"(...) existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver -e essa pauta cada um tem - mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que, sozinho, por si, alguém ia poder encontrar, e saber? Mas, esse norteado, tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sendo sempre o confuso dessa doideira que é. E que: para cada dia, e a cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa."
Riobaldo do Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

"O Sertão é sem fim; o Sertão está em toda parte; o Sertão tá dentro da gente".
Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

" If your species will continue, clap your hands. "
Preguiça, Era do gelo 2
(mais alguém com problemas pra postar imagens no blogspot?)

20.9.09

La revolución de los blogs/ Por que blogar?

Rapidão, entre um artigo e outro. Palmas pra mim, a mono tá saindo aos poucos e eis que começo a achar a pesquisa interessante. o.O
No mar de autores que tenho lido, um me chamou atenção por definir o blog como um meio e não como gênero. Para Jose Luis Orihuela é indiferente definir se um blog é jornalístico, literário ou o diabo a quatro, a sacada é perceber as apropriações que as pessoas estão fazendo dele. E aí que tá a revolução!
Qualquer um, sem a necessidade de dominar conhecimentos de html ou qualquer outra tranqueira internética pode produzir e publicar conteúdo; esse conteúdo, por sua vez, entra numa roda de construção coletiva sendo ampliada a partir dos comentários e hiperlinks. Tudo isso xunto e reunido cria uma rede de conversação e difusão de informação, que se contrapõe a mídia tradicional e a obriga a se repensar e olhar para o público não mais como mero receptor mas parte integrante do processo.
Very, very cool.
Oká, de volta aos artigos.

P.S. O Orihuela também defende que os blogs só tem a força que tem porque as pessoas escrevem, basicamente, porque "ten la gana", o que me deixou curiosa. Aos amigos que tem blogs, o que levou vocês ao primeiro post?
Eu comecei o falecido Nada de muito interessante (o nome era um chiste com a Super interessante e ao mesmo tempo uma forma de baixar as expectativas de quem entrasse lá e me deixar mais desenibida de escrever) lá pelos idos de 2003, acho. Foi logo depois de ler um artigo na Veja (taquem as pedras) sobre o fenônemo das páginas pessoais. Lembro até que um dos exemplos de blog era o site de uma guria chamada Cecília que publica poesias sobre um fundo rosinha, algo impensável de ser citado numa revista como exemplo de blog hoje em dia. Enfim, eu comecei porque parecia legal.
E vocês?

Agora sim, de volta aos artigos. Afinal, é só um belo domingo de sol LÁ FORA.
"Um dia, confundiu-se, o poeta
Disse ao amante que cuidasse do amor
Que da poesia cuidaria ele próprio
Pateta."

Autor (des)conhecido

19.9.09

Tem alguma coisa em crescer e tomar rumos diferentes que faz as pessoas irem se desconhecendo com o tempo.

17.9.09

"O super-homem, o super-homem era jornalista!".
Rosa Nívea

O problema é que eu não sirvo nem pra Chapolim.

Perguntas roubadas

"Os usuários de blogs lêem tanto quanto escrevem? Por que a cada dia aumenta o número blogs na Web? Por que empresas e veículos de comunicação estão criando blogs? Por que os blogs provocam tanto interesse? Os jornalistas e os blogueiros têm a mesma responsabilidade com o conteúdo? Qual o critério para avaliar a qualidade de um blog? O que leva um blog a fazer sucesso? Até que ponto os blogs permitem o exercício da liberdade de expressão? Existe literatura de blog?"
Daqui.

Pneumotórax

(de novo, cause boa poesia é boa poesia e merece ser relida)

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.

- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


Manuel Bandeira
(1886-1968)

11.9.09

Que que junho tá fazendo lá fora?

O prédio cheira a cachorro molhado. A pilha de roupas pra lavar pisca sacana, 'semana que vem, babe. Semana que vem'.
São Pedro, amigão, o pessoal precisa fazer fotossíntese também.

10.9.09

"O que nos impede de ter o que queremos, ser o que sonhamos e fazer o que pensamos é a ousadia que não cultivamos" (Clarice Lispector)

Expediente monográfico

ou Prestes a virar um disco riscado

A minha monografia é sobre blogs, não que ela seja algo grandioso e mega interessante. Quando tive a idéia era apenas uma forma de juntar coisas que eu gostava num trabalho só: jornalismo internacional, Gaza e contra-informação - os blogs, no caso. Mas como monos são monos, o objeto foi fatiado até ficar pequenininho e caiu todo o resto, sobrando só os blogs. E tu sabe que tem uma carrada de coisas pra estudar sobre um troço aparentemente tão simples?
Pra começar, o que é um blog? Um site de cunho pessoal em que as mensagens são escritas em ordem cronológica reversa. Tá, mas nem todos os blogs são pessoais e nem todas as postagens vem em ordem reversa. Uma ferramenta que permite a produção e edição de conteúdos sem que o usuário tenha a necessida de dominar linguagem HTML? Ok, mas daí a gente não reduz o blog a ferramenta, e toda a parte comunicativa?
É pano pra manga que não acaba mais. Fora toda a apropriação dos veículos de comunicações tradicionais e das empresas dos blogs. E agora vou voltar pra teoria, que amanhã tem orientação.
Poesia. Saudade de enxergar poesia pelas esquinas.

9.9.09

09.09.09

às 9h55


Dizem as más línguas e boas memórias que em 1999 eu era uma criança insuportavelmente feliz por fazer aniversário numa combinação tão combinada.
Hoje fico apenas com o feliz (mas que é uma combinação bacana, é).

P.S. Tortas de morango com nata podem ser enviadas para a Ferreira de Abreu.

8.9.09

Monografia times

Hmn, quem sabe se eu organizar as minhas meias por cor...

4.9.09

R. K

Estou apaixonada. Na verdade, a paixão é antiga. Do começo faculdade ainda. Assim que li Ébano, minha vida na África do Ryszard Kapuscinski pela primeira vez descobri quem eu queria ser quando crescer. Agora, lendo Minhas viagens com Heródoto - entre a história e o jornalismo (viva as bibliotecas!), relembrei. Uma jornalista com alma. De preferência capaz de passar isso pros textos e escrever frases da magnitude de "A África é uma eterna permanência" sem que essas soem pretensiosas, apenas verdadeiras.


*R. K nasceu em Pinsk, na Polônia em 1932 e morreu em janeiro de 2007, na Varsóvia. Foi correspondente na Ásia, no Oriente Médio, na África e na América Latina, além de ter presenciado 27 revoluções, vivido 12 frontes de guerra e ter sido condenado à morte por fuzilamento quatro vezes. Ele também escreveu uma dezena de livros e concoreu ao nomel umas quatro vezes.
Digamos que o gajo, além de talento, tinha um santo bem forte.

3.9.09

Caso churrasquinho

ou jornalismo mercenário

Pra não dizer que passo os dias só olhando o teto. Hasta la vista, babe - Fugiu para a Espanha o empresário que queimou a mulher viva em Novo Hambugo, no Rio Grande do Sul.

Ou só a parte do fugiu pra Espanha

Por onde andará Sanfelice

Por Paula Bianca Bianchi

Pouco mais de três anos depois de ter sido condenado por júri popular a 19 anos e três meses de prisão pela morte da jornalista Beatriz de Oliveira Rodrigues, Luiz Henrique Sanfelice curte férias prolongadas na Europa – ao menos é o que acredita a polícia gaúcha, que já acionou até a Interpol para encontrar o empresário.
O delegado Eduardo de Oliveira Cesar, do Departamento Estadual de Investigações Criminais, prefere evitar especulações e diz que Sanfelice está “foragido, em local incerto e não sabido”, mas graças a cidadania espanhola do empresário a Europa é o esconderijo mais citado.
Devido a falta de antecedentes e o bom comportamento, em março de 2007 Sanfelice ganhou direito a progressão de pena e passou do regime fechado para o semi-aberto no presídio Estadual de Novo Hamburgo. No dia 10 de abril do ano passado, ao saber da decisão do Tribunal de Justiça que o obrigava a voltar ao regime fechado preferiu nem voltar para a cadeia.
Seu Rudimar, dono da padaria Novo Pan, pertinho do presídio, diz que ele era um cara legal. “Comprava o lanche aqui todo dia, tratava todo mundo bem e voltava pra prisão.” Bem longe do assassino condenado que chocou o estado há cinco anos por queimar a esposa, Beatriz, viva dentro de um carro no dia dos namorados.
O crime aconteceu em junho de 2004, num matagal conhecido como Santuário das Mães em Novo Hamburgo e terminou com a condenação de Sanfelice em dezembro de 2006 por homicídio triplamente qualificado.
Depois da fuga, Sanfelice ainda teve tempo de visitar o filho que teve com a amante, Andréia Soares, grávida de 3 meses na época do julgamento, e comemorar o aniversário com os amigos. A polícia correu para o apartamento de Andréia, no bairro Partenon em Porto Alegre, mas fora algumas fotos com o filho e um exame de DNA comprovando a paternidade nem vestígio do empresário.
Os advogados de Sanfelice, Gabriela Michaelsen e Mathias Nagelstein, dizem não ter notícias do cliente desde abril e insistem na sua inocência. Eles esperam que até o fim do ano seja julgado um recurso de apelação anulando o júri que sentenciou o empresário.
Enquanto isso, a polícia segue na pista ou não pista do empresário. Por um detalhe do código de execução penal, mesmo se encontrado, Sanfelice não deve passar mais de dois meses em regime fechado, afinal fugiu do semi-aberto. “É um jogo de gato e rato”, lembra o delegado Eduardo. E o rato segue passeando.

* Convenhamos, muito chique aquele Paula Bianchi é repórter em Porto Alegre.

2.9.09

One day Alice came to a fork in the road and saw a Cheshire cat in a tree. 'Which road do I take?' she asked. His response was a question: 'Where do you want to go?' 'I don't know,' Alice answered. 'Then,' said the cat, 'it doesn't matter.'

Lewis Carroll
1864-1928

Hello primavera

E não me venham com calendários. Ou só eu que vi os ipês floridos na rua?

31.8.09

May you live in interesting times.

29.8.09

Meu bem, meu bem, meu bem. Se eu fosse uma pessoa disciplinada, quem sabe? Poderia ter uma monografia andando, umas tantas matérias escritas e não apenas imaginadas e um pouco menos de consciência pesada.

26.8.09

Páginas da utopia



Sabe a supracitada Revista Versus, um dos canônes da integração latino-americana e afins? Pois bem, ela está razoavelmente na íntegra na internet - ao menos os artigos da antologia Versus, páginas da Utopia. Viva a rede!

24.8.09

Confecom - recado da Ana Lúcia

"Olá, pessoas do bem,
a Comissão Pró-Conferência de Comunicação RS realizará amanhã sua primeira atividade. Pra quem não sabe (e quase ninguém sabe), enquanto já tivemos "nesse país" 13 conferências de saúde, teremos nossa PRIMEIRA conferência nacional de comunicação (Confecom) em dezembro. As mobilizações nos estados já iniciaram. Antes da nacional, haverá conferências municipais e estaduais.
Óbvio que a conferência ocorrerá (ou não) somente este ano devido a certos "interésses" que a barraram até então. E óbvio também que ela não sairá assim, na maior. Apesar de, numa tentativa deliberada de deslegitimar o espaço, a maior parte das entidades empresariais terem se retirado da Comissão Organizadora (restando apenas DUAS), o governo federal insiste na divisão de votos em 40% para o empresariado, 40% para os mov. sociais e 20% para o governo, noutras palavras, um verdadeiro absurdo. Ah, como se não bastasse, defendem também o voto qualificado de 60% (isto é, para aprovar qualquer coisa, seria necessário, no mínimo, os votos dos movimentos sociais e de alguém do governo ou do empresariado, rídiculo)!

ENTÃO, justamente na terça-feira os movimentos sociais se reunirão com o empresariado para tentar chegar num consenso sobre a divisão de votos.
Por isso é fundamental que, independente da área de atuação, compareçamos nos atos da Comissão Estadual Pró-Conferência e metamos pressão.
10h - Plenária no CPERS
12h - Ato na esquina democrática
18h30 - Formação com Altamiro Borges ( Portal Vermelho). Também no CPERS

Mais informações: http://rsproconferencia.blogspot.com/ e http://www.intervozes.org.br/

Abraço,
Ana Lúcia"

Preza no Senado

Grande Capitão Presença no Senado. Adorei o PC a lá Pensador.

23.8.09

"A tua monografia tá dentro de ti." professor Pablo, RP
Pode até ser, mas ela tá muito bem escondida.

21.8.09

Êi, êi, êi, êi

Dia 25 - terça-feira porsupuesto - tem o Altamiro Borges às 18h30 lá no Cpers falando da ditadura na mídia no Brasil e lançando oficialmente aqui na província de São Pedro a movimentação pela I Conferência de Comunicação. Para os mais aguerridos, de meio dia tem ato público na esquina democrática e às 10h também no Cpers uma plenária com as entidades que participam do grupo pró-conferência explicando que bixo é esse.


Espalhem!

*

19.8.09

Tenho andado de trégua comigo. Hoje no ônibus, vendo a cidade e tentando enxergar ela além do que me acostumei a ver rotineiramente - rotina, a assassina no encantamento - lembrei que era agosto. E nem parece. Agosto também é um estado de espírito.

Palmas para os obstinados

Lembrei do comecinho de cem anos depois de ler esse pedaço de discurso do García Marquez. E como uma coisa leva a outra e tudo é mais importante que a mono, desenterrei Os funerais da Mamãe Grande, um dos primeiros livros dele. É assustador notar como ele era obcecado pelas histórias. Nos contos do livro, que se compararmos aos romances não fazem mais que raspar a tinta do realismo fantátisco, já é possível encontrar o embrião das histórias que ele escreveu depois. Tem o Aureliano, citado num que outro lugar, a Rebecca e o marido morto sabe-se lá como. Tudo gestando mais ou menos desde de sempre na ficção do gajo.


Extracto del discurso de Gabriel García Márquez leído en Cartagena de Indias.

Ni en el más delirante de mis sueños en los días en que escribía Cien años de soledadllegue a imaginar en asistir a este acto para sustentar la edición de un millón de ejemplares. Pensar que un millón de personas pudieran leer algo escrito en la soledad de mi cuarto con 28 letras del alfabeto y dos dedos como todo arsenal parecería a todas luces una locura, hoy las academias de la lengua lo hacen con un gesto hacia una novela que ha pasado ante los ojos de cincuenta veces un millón de lectores y ante un artesano insomne como yo, que no sale de la sorpresa por todo lo que le ha sucedido.

No sé a que horas sucedió todo; sólo sé que desde que tenía 17 años y hasta la mañana de hoy, no he hecho cosa distinta que levantarme todo los días temprano y sentarme ante un teclado para llenar una página en blanco o una pantalla de computador con la única misión de escribir una historia aún no contada por nadie que le haga más feliz la vida a un lector inexistente. En mi rutina de escribir nada ha cambiado desde entonces. [...]

Los lectores de Cien años de soledad son hoy una comunidad que si se uniera en una misma tierra sería uno de los 20 países más poblados del mundo. No se trata de una afirmación pretenciosa. Quiero apenas mostrar que hay una gigantesca cantidad de personas que han demostrado con su hábito de lectura que tienen un alma abierta para ser llenada con mensajes en castellano. El desafío es para todos los escritores, poetas, narradores para alimentar esa sed y multiplicar esa muchedumbre razón de ser de nosotros mismos.

A mis 38 años y ya con cuatro libros publicados desde mis 20 años, me senté en mi máquina de escribir y empecé: "Muchos años después, frente al pelotón de fusilamiento, el coronel Aureliano Buendía había de recordar aquella tarde remota en que su padre lo llevó a conocer el hielo". No tenía la menor idea del significado ni del origen de esa frase ni hacia dónde debía conducirme. Lo que hoy sé es que no dejé de escribir durante 18 meses hasta que terminé el libro. [...] Esperanza Araiza, la inolvidable Pera, era una mecanógrafa de poetas y cineastas que había pasado en limpio grandes obras de escritores mexicanos [...]. Cuando le propuse que me sacara en limpio la obra, la novela era un borrador acribillado a remiendos [...]. Pocos años después Pera me confesó que, cuando llevaba a su casa la última versión corregida por mí, resbaló al bajarse del autobús con un aguacero diluvial y las cuartillas quedaron flotando en el cenegal de la calle. Las recogió empapadas y casi ilegibles con la ayuda de otros pasajeros y las secó en su casa hoja por hoja con una plancha de ropa.

Y otro libro mejor sería cómo sobrevivimos Mercedes y yo con nuestros dos hijos durante ese tiempo en que no gané ni un centavo. Ni siquiera sé cómo hizo Mercedes durante esos meses para que no faltara ni un día la comida en la casa.

Después de los alivios efímeros con ciertas cosas menudas, hubo que apelar a las joyas que Mercedes había recibido de sus familiares a través de los años. El experto las examinó con rigor de cirujano, pasó y pasó con sus ojos mágicos las esmeraldas del collar, los rubíes de las sortijas [...]. Y al final volvió con una larga verónica de novillero: "Todo esto es puro vidrio" [...].

Por fin, a principios de agosto de 1966, Mercedes y yo fuimos la oficina de correos de México para enviar a Buenos Aires la versión terminada de Cien años de soledad, un paquete de 590 cuartillas escritas a máquina a doble espacio y en papel ordinario dirigidas a Francisco Porrua, director literario de la editorial Suramericana. El empleado del correo puso el paquete en la balanza, hizo sus cálculos mentales y dijo: "Son 82 pesos". Mercedes contó los billetes y las monedas sueltas que le quedaban en la cartera y se enfrentó a la realidad: "Sólo tenemos 53". Abrimos el paquete, lo dividimos en dos partes iguales y mandamos una a Buenos Aires sin preguntar siquiera cómo íbamos a conseguir el dinero para mandar el resto. Sólo después caímos en la cuenta de que no habíamos mandado la primera sino la última parte. Pero antes de que consiguiéramos el dinero para enviarla, Paco Porrúa, nuestro hombre en la editorial Suramericana, ansioso de leer la primera parte, nos anticipó dinero para que pudiéramos enviarlo.

Así es como volvimos a nacer en nuestra vida de hoy.

audácia
s. f.
1. Impulso que leva a realizar actos!atos difíceis ou perigosos.
2. Insolência, ousadia, atrevimento.

O ministério do sono adverte

Sonhar acordada demais pode causar insônia.

17.8.09

"Muchos años después, frente al pelotón de fusilamiento, el coronel Aureliano Buendía había de recordar aquella tarde remota en que su padre lo llevó a conocer el hielo".
GGM

Pelos velhos tempos


Caneta coreana esferográfica de bolinha (aquelali da foto aí em cima) em bloquinho de papel jornal/brinde d'algum evento