29.4.09

Dúvidas II

E se for tudo uma questão de contar histórias?

19.4.09

Dúvidas

Me digam uma coisa. Jornalismo é uma profissão ou uma vocação? Um jornalista deve ser jornalista 24h por dia? Por quem a gente faz isso?

13.4.09

Pra dizer Oi e leiam a matéria da CRT

Tenho andado distraída com milhares de coisinhas, que, se não me impedem de postar no blog - isso é vagabundagem minha mesmo -, me tomam um bom espaço. A principal delas é um jornal de bairro deverás simpático que atende por Já (percebam a inversão de valores. Calma monografia querida (sic), um dia desses eu arrumo espaço pra ti também).
Há mais de vinte anos na praça, o Já é um jornal guerreiro e independente feito por alguns jornalistas das antigas, mais por que pra eles jornalismo é igual a respirar do que pelo dinheiro (se é que alguém faz jornalismo de coração pelo dinheiro – ou mesmo em sã consciência). E como bom jornal independente, ele anda meio mal das pernas e atualmente é mais fácil encontrar a versão online do que a impressa.
Aos que ficaram curiosos, aqui vai o site do , mas a verdade é que todo esse lenga lenga é só pra dizer que saiu hoje a minha primeira reportagem com R maiúsculo pra casa.
Trata de telefonia, o que pode parecer um assunto chato à primeira vista, mas envolve uma pancada de gente e uma sacanagem maior ainda por parte do governo e das empresas envolvidas. Fora aquele gostinho de mesmo que à la Davi estar cumprindo a tal função social do jornalismo.
Como eu quero dar ibope por site também, segue só o lide da matéria. Leiam (e comentem, e espalhem, e entrem na Justiça vocês também. Tá, vocês entenderam)!

80 mil gaúchos vão à Justiça contra
calote das ações da antiga CRT


Por Paula Bianca Bianchi



Alô? Seu número de telefone é ainda do tempo da antiga CRT? Então você pode, sem saber, ter R$ 30 mil para receber de indenização de sua companhia telefônica. Isto acontece porque até 1996 o consumidor era obrigado a comprar ações da CRT para ter acesso a uma linha telefônica, o que o transformava num acionista minoritário. Mas, quando a empresa foi vendida pelo governo, os novos compradores “esqueceram” de recomprar as ações dos minoritários, hoje avaliadas em R$ 2.4 bi.

Mais, no Jornal Já - em breve, impresso.

9.4.09

Eu, repórter

Luís Fernando Veríssimo

Reminiscências, reminiscências... Trabalho em jornal há mais de 40 anos mas uma única vez saí da redação para fazer uma reportagem. Dizem que só o repórter é jornalista mesmo, no sentido em que só quem está na linha de frente é soldado mesmo – o resto é burocracia fardada. Pois fui repórter por um dia, em 1968. O sul-africano Christian Barnard, que meses antes fizera o primeiro transplante de coração da História, viria participar de um congresso em Buenos Aires. Eu fazia de tudo na redação do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Até, como já contei mais de uma vez, o Horóscopo. Quando faltavam artigos para a página de opinião eu fazia, usando pseudônimos. Certa vez dois dos meus pseudônimos polemizaram violentamente, pois tinham opiniões radicalmente opostas sobre determinado assunto. Eu também fazia um guia de bares e restaurantes da cidade e vez que outra inventava personalidades que os frequentavam (o conde italiano Ettore Fanfani, o empresário e bom vivant Aldo Gabarito) e davam seus palpites. Quer dizer, nada menos sério e mais longe da reportagem do que minha enclausurada atividade jornalística na época. Mas eu falava inglês, e fui o escolhido para entrevistar o Barnard. Me botaram num avião para Buenos Aires. Junto com um cinegrafista, o Leca, porque a matéria que eu conseguisse também seria para a TV.

O dr. Barnard se tornara uma celebridade mundial com seu feito. Havia uma multidão querendo entrevistá-lo em Buenos Aires. Ele atenderia a imprensa de uma vez só, numa coletiva, e depois responderia a perguntas individuais – mas só uma pergunta por repórter. Entrei na fila. O Leca ficaria perto do doutor e ligaria a câmera quando eu chegasse lá. Fiquei pensando no que perguntar ao Barnard. O argentino atrás de mim me cutucava com seu microfone à altura dos rins. Ouvi uma altercação vindo do começo da fila. Um repórter desobedecera ordens, tentara fazer uma segunda pergunta ao cirurgião e ouvia protestos dos colegas. Eu não conseguia pensar na pergunta que faria ao Barnard. Tinha que ser uma única pergunta. Uma pergunta definitiva.

– O que o senhor está achando de Buenos Aires?

Não! Algo mais científico. Como está passando o paciente que recebeu o coração transplantado? Não! O paciente poderia já ter morrido, a pergunta seria vista como provocação. Falar do apartheit na África do Sul? Não, nada a ver.

Perguntar o quê?

Eu chegava cada vez mais perto do começo da fila. O Leca me fazia sinal de positivo, estava a postos. A ansiedade do argentino atrás de mim aumentava e as cutucadas também. Perguntar o quê?

Finalmente cheguei na frente do dr. Barnard e...

Sabe que eu não me lembro o que perguntei? Tenho a vaga lembrança de alguma coisa como “O senhor espera operar num brasileiro, um dia?” mas prefiro estar enganado. Minha única vontade era estar de volta na redação do Zero Hora, inventando frases para o conde Fanfani ou o Aldo Gabarito, em vez de para mim.

Desde então, só aumentou a minha admiração por repórteres.

5.4.09

http://pangeahostel.wordpress.com/

Presente de aniversário

Cem anos, um dia e mais um grenal pra chamar de nosso.

4.4.09

Caras-pintadas, o retorno


Manifestação do dia 30.3.2009

3.4.09

Dos dias

S'as babe, queria sentar aqui e escrever e escrever. Colocar um que outro demônio pra fora a pontapés e contar algumas histórias dos dias e noites que seguem. Mas as coisas andam andando de forma tão forte que quando penso em transformá-las em palavras ou tem outro leão bafando meu pescoço ou qualquer redução é intragável, e a preguiça de não saber lidar com mais que pedaços me impede de continuar. Posto isso, preciso fazer um registro. Amarrei um bilhete com um pedido de entrevista na coleira de um cachorro ontem. E isso não é uma metáfora, seja lá o que possa significar em termos de realidade.