31.5.09

Mais uma noite no hospital - ontem foi a vez da mãe ficar por aqui. A parte boa. Tá 5 graus lá fora e aqui tem calefação. A parte ruim. Eu já falei do sofá?

30.5.09

Era uma vez uma garota com senso de humor.

29.5.09

Dear Paulo

Vinte e quatro horas no hospital acompanhando meu pai e quem parece doente sou eu. E dificil perceber isso, mas ele ta ficando velho. Os cabelos cada vez mais brancos, reareando, uns fios de rabugisse no agir que nao estavam ali ha um tempo atras. Na maca, com o camisolao e os milhares de soros saindo do braço ele parece tao pequeninho.
Nao e nada serio, mas tambem nao e nada banal. Apos uma vida abusando da sorte, da força e da boa saude o joelho direito jogou a toalha e teve que ser substituido por uma protese.
As enfermeiras passam por aqui a cada duas horas, volta e meia levanto para arrumar as cobertas e ver como vai o soro e a dor. Roubei um pijama dele, confortavelmente folgado devido aos nossos 40 kg de diferença, e estou pronta para uma noite longa no sofa.
Dia 17 ele fez 60 anos. Por mim vivia mais 60.

27.5.09

Being there

Estava há pouco menos de duas horas brincando de filmar moradores de rua numa boca lá da Farrapos. Pro profissão repórter só faltou a estrutura da Globo e o Caco Barcellos.
Vi o pessoal pegar a pedra, acender, fumar e até tive que dar satisfações do que raios estava fazendo com a máquina ligada.
E? E coisa nenhuma, só sei que é being there que as coisas acontecem, e não dentro da redação. Já dizia Robert Cappa. "Se a foto não está boa o bastante é porque você não está perto o bastante". Santa adrenalina Batman, essas coisas viciam.
E não falo do crack.

23.5.09

Babe, não sei direito onde anda o nó. Se é no estômago, na alma, ou no coração. Só sei que ando um nó só.

Friday night lives

Rosa amarela desenhada (diz o García Marquez que só consegue escrever com uma do lado, desespero a parte, ao menos os lápis-de-cor nunca me abandonam), check. Enxaqueca plus drugs to enxaqueca, check. Vinho no lugar da água, check. Nem idéia de por onde começar, check.

Agora só falta o texto de gênio.

22.5.09

"Mãos ao alto, isto é uma entrevista!"

O antropólogo e a sua magia, Vagner Gonçalves da Silva

17.5.09

PSDB vai de Serra, ainda


Como é que o Cérebro conseguiu tirar o Aécio da jogada?

Escrever, meu bem. Escrever

Varda questo* blog. Bonitinho, mas sem conteúdo. Procurando ler um pouco da Cris, vi uma duvidinha que pinta por aqui com frequência. Escrever qualquer coisa ou não escrever nada - já que as tiradas geniais e o humor parecem ter migrado pra longe - ?
Well, por enquanto, ver um filme. Depois penso a respeito.

*forma fonética do italiano pão com chimia lá da serra para "olha só este"

10.5.09

Melhor declaração

"A gripe suína não é o bicho."

Osmar Terra, secretário da saúde do Rio Grande do Sul em coletiva de imprensa sobre a doença

7.5.09

"A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas mas não posso explicar a mim mesma!"

Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll

1.5.09

Sextiando

Num momento de falta de inspiração para posts e egocêntrismo descarado decidi colocar aqui no blog as minhas matérias para a Sextante 2008/2 (em breve quero colocar também o especial 3x4 Índios). A revista é uma produção desses vagabundos bem intecionados do fim do curso de jornalismo da UFRGS.
Cada semestre, a turma escolhe um tema e viaja/escreve sobre ele. Ano passado decidimos trabalhar com perfis. Tem pra todos os gostos. De indigente a palhaço, passando por um maestro cego, personagens de quadrinhos, vassouras e por aí vai.
Gostei bastante do resultado e dá um orgulho danado ver os textos de todo mundo reunidos numa revista tão bacana. No fim, a Sextante é mais um fotografia do que nós somos ou éramos ano passado e termina por ser, junto com a 3x4, um documento muito maior que a monografia da nossa passagem pela faculdade.


González, Aurélio González

* O primeiro perfil fala de Aurélio González, um fotógrafo uruguaio ainda na ativa que tem fotos e histórias de sobra para contar. Se eu fosse conversar com ele hoje o texto seria completamente diferente - descobri depois que o Aurélio foi amigo até do Che!
Na época, entrevistei ele pensando em escrever sobre os negativos (que negativos? Pois leia o texto, ora bola carambola!), mas me embananei e fiquei sem gancho para colocar o Aurélio em um jornal diário. Continuei com a história na cabeça e por dificuldades geográficas não pude falar com ele de novo, mas assim que surgiu a idéia de fazer uma revista sobre perfis acendeu a luzinha "Aurélio". O resultado é o texto que segue.
*


Aurélio González desembarcou no Uruguai com 33 liras e a roupa do corpo, graças a bondade da tripulação do navio italiano em que embarcou como clandestino, fugido de um Marrocos dividido, faminto e em guerra. Os marinheiros simpatizaram com o rapaz de apenas 17 anos – e aparentemente não muita coisa na cabeça –, e ao invés de jogá-lo no mar o jogaram entre os hermanos, mas não sem antes passar o chapéu e garantir que Aurélio ao menos não iria passar fome.
As liras valiam ouro perto dos pesos uruguaios do pós-guerra, e foram suficientes para que Aurélio se mantivesse. De bico em bico, foi fazendo amigos. E foi uma dessas pessoas iluminadas que lhe deu a primeira câmera e a profissão que iria carregar como missão pelo resto da vida: fotógrafo.
Continue lendo...

Estudante, militante, judeu, ateu, comunista, exilado
Um pedaço da história de Jaime Rodrigues

*O segundo perfil fala de um exilado político next door, Jaime Rodrigues, vulgo pai da Cris. O texto do Jaime quase não saiu – haja auto-pressão escrever sobre alguém que a gente conhece e ainda por cima foi um dos responsáveis por botar no mundo um dos nossos melhores amigos! – e foi justo esse bloguinho aqui que ajudou a destravar ele. Foi depois de um post sem compromisso que contava um dos causos do seu Jaime que consegui dar o pontapé inicial da matéria.
O título ainda é um problema. Prometo que se algum diz pensar em um melhor faço uma retratação pública e renomeio o texto. Ele fez tanta coisa que nem eu nem os quatro pseudo-editores da revista conseguimos ficar com uma definição só.
Um pouco depois que escrevi o perfil o Jaime foi anistiado e teve o diploma reconhecido, o que também mudaria a matéria. Por preguiça e falta de tempo, faltou o asterisco lá no fim contando esse detalhão. A anistia foi uma alegria muito grande pra família e pros amigos que acompanharam essa história de perto. Não consigo escapar nos meus pruídos anti-anti-dictadura. Foi muito bacana perceber que o país começou a emergir do esquecimento. *

Jaime Rodrigues, 64 anos, é uma dessas nem tão muitas pessoas que teve a vida virada do avesso por causa do golpe de 64. Militou no movimento estudantil, no partidão, na clandestinidade. Saiu do país antes que a coisa ficasse preta a ponto de ter que vestir um paletó de madeira. Viveu o Chile de Allende, a Europa pós-maio de 68 e a incerteza de saber se poderia voltar para casa. Voltou. Ajudou a fundar o PT. Militou mais um pouco. Viu o Lula perder três eleições e ganhar a quarta. Viu o PT balançar e quase perder o rumo. Chorou. Agüentou no peito. Continuou lutando. Fez dois filhos no meio do caminho. Hoje anda por aí com uma pasta de couro cheia de papéis debaixo do braço e um diploma de história, já que o de urbanismo concluído no estrangeiro não serve mais para muita coisa, a procura de um emprego normal. Militando ainda. Sonhando sempre.
Continue lendo...


P.S. O link pros textos completos também vai ficar ali na barrinha lateral onde diz "Do bloquinho" junto com outro apanhado de matérias não necessariamente publicadas por aqui.