1.5.09

Sextiando

Num momento de falta de inspiração para posts e egocêntrismo descarado decidi colocar aqui no blog as minhas matérias para a Sextante 2008/2 (em breve quero colocar também o especial 3x4 Índios). A revista é uma produção desses vagabundos bem intecionados do fim do curso de jornalismo da UFRGS.
Cada semestre, a turma escolhe um tema e viaja/escreve sobre ele. Ano passado decidimos trabalhar com perfis. Tem pra todos os gostos. De indigente a palhaço, passando por um maestro cego, personagens de quadrinhos, vassouras e por aí vai.
Gostei bastante do resultado e dá um orgulho danado ver os textos de todo mundo reunidos numa revista tão bacana. No fim, a Sextante é mais um fotografia do que nós somos ou éramos ano passado e termina por ser, junto com a 3x4, um documento muito maior que a monografia da nossa passagem pela faculdade.


González, Aurélio González

* O primeiro perfil fala de Aurélio González, um fotógrafo uruguaio ainda na ativa que tem fotos e histórias de sobra para contar. Se eu fosse conversar com ele hoje o texto seria completamente diferente - descobri depois que o Aurélio foi amigo até do Che!
Na época, entrevistei ele pensando em escrever sobre os negativos (que negativos? Pois leia o texto, ora bola carambola!), mas me embananei e fiquei sem gancho para colocar o Aurélio em um jornal diário. Continuei com a história na cabeça e por dificuldades geográficas não pude falar com ele de novo, mas assim que surgiu a idéia de fazer uma revista sobre perfis acendeu a luzinha "Aurélio". O resultado é o texto que segue.
*


Aurélio González desembarcou no Uruguai com 33 liras e a roupa do corpo, graças a bondade da tripulação do navio italiano em que embarcou como clandestino, fugido de um Marrocos dividido, faminto e em guerra. Os marinheiros simpatizaram com o rapaz de apenas 17 anos – e aparentemente não muita coisa na cabeça –, e ao invés de jogá-lo no mar o jogaram entre os hermanos, mas não sem antes passar o chapéu e garantir que Aurélio ao menos não iria passar fome.
As liras valiam ouro perto dos pesos uruguaios do pós-guerra, e foram suficientes para que Aurélio se mantivesse. De bico em bico, foi fazendo amigos. E foi uma dessas pessoas iluminadas que lhe deu a primeira câmera e a profissão que iria carregar como missão pelo resto da vida: fotógrafo.
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Estudante, militante, judeu, ateu, comunista, exilado
Um pedaço da história de Jaime Rodrigues

*O segundo perfil fala de um exilado político next door, Jaime Rodrigues, vulgo pai da Cris. O texto do Jaime quase não saiu – haja auto-pressão escrever sobre alguém que a gente conhece e ainda por cima foi um dos responsáveis por botar no mundo um dos nossos melhores amigos! – e foi justo esse bloguinho aqui que ajudou a destravar ele. Foi depois de um post sem compromisso que contava um dos causos do seu Jaime que consegui dar o pontapé inicial da matéria.
O título ainda é um problema. Prometo que se algum diz pensar em um melhor faço uma retratação pública e renomeio o texto. Ele fez tanta coisa que nem eu nem os quatro pseudo-editores da revista conseguimos ficar com uma definição só.
Um pouco depois que escrevi o perfil o Jaime foi anistiado e teve o diploma reconhecido, o que também mudaria a matéria. Por preguiça e falta de tempo, faltou o asterisco lá no fim contando esse detalhão. A anistia foi uma alegria muito grande pra família e pros amigos que acompanharam essa história de perto. Não consigo escapar nos meus pruídos anti-anti-dictadura. Foi muito bacana perceber que o país começou a emergir do esquecimento. *

Jaime Rodrigues, 64 anos, é uma dessas nem tão muitas pessoas que teve a vida virada do avesso por causa do golpe de 64. Militou no movimento estudantil, no partidão, na clandestinidade. Saiu do país antes que a coisa ficasse preta a ponto de ter que vestir um paletó de madeira. Viveu o Chile de Allende, a Europa pós-maio de 68 e a incerteza de saber se poderia voltar para casa. Voltou. Ajudou a fundar o PT. Militou mais um pouco. Viu o Lula perder três eleições e ganhar a quarta. Viu o PT balançar e quase perder o rumo. Chorou. Agüentou no peito. Continuou lutando. Fez dois filhos no meio do caminho. Hoje anda por aí com uma pasta de couro cheia de papéis debaixo do braço e um diploma de história, já que o de urbanismo concluído no estrangeiro não serve mais para muita coisa, a procura de um emprego normal. Militando ainda. Sonhando sempre.
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P.S. O link pros textos completos também vai ficar ali na barrinha lateral onde diz "Do bloquinho" junto com outro apanhado de matérias não necessariamente publicadas por aqui.

2 comentários:

Kauê disse...

putz
nem vi essa sextante
alguém guardou uma pra mim?

Paula disse...

Eu tenho uma sobrando. ;)