3.9.09

Caso churrasquinho

ou jornalismo mercenário

Pra não dizer que passo os dias só olhando o teto. Hasta la vista, babe - Fugiu para a Espanha o empresário que queimou a mulher viva em Novo Hambugo, no Rio Grande do Sul.

Ou só a parte do fugiu pra Espanha

Por onde andará Sanfelice

Por Paula Bianca Bianchi

Pouco mais de três anos depois de ter sido condenado por júri popular a 19 anos e três meses de prisão pela morte da jornalista Beatriz de Oliveira Rodrigues, Luiz Henrique Sanfelice curte férias prolongadas na Europa – ao menos é o que acredita a polícia gaúcha, que já acionou até a Interpol para encontrar o empresário.
O delegado Eduardo de Oliveira Cesar, do Departamento Estadual de Investigações Criminais, prefere evitar especulações e diz que Sanfelice está “foragido, em local incerto e não sabido”, mas graças a cidadania espanhola do empresário a Europa é o esconderijo mais citado.
Devido a falta de antecedentes e o bom comportamento, em março de 2007 Sanfelice ganhou direito a progressão de pena e passou do regime fechado para o semi-aberto no presídio Estadual de Novo Hamburgo. No dia 10 de abril do ano passado, ao saber da decisão do Tribunal de Justiça que o obrigava a voltar ao regime fechado preferiu nem voltar para a cadeia.
Seu Rudimar, dono da padaria Novo Pan, pertinho do presídio, diz que ele era um cara legal. “Comprava o lanche aqui todo dia, tratava todo mundo bem e voltava pra prisão.” Bem longe do assassino condenado que chocou o estado há cinco anos por queimar a esposa, Beatriz, viva dentro de um carro no dia dos namorados.
O crime aconteceu em junho de 2004, num matagal conhecido como Santuário das Mães em Novo Hamburgo e terminou com a condenação de Sanfelice em dezembro de 2006 por homicídio triplamente qualificado.
Depois da fuga, Sanfelice ainda teve tempo de visitar o filho que teve com a amante, Andréia Soares, grávida de 3 meses na época do julgamento, e comemorar o aniversário com os amigos. A polícia correu para o apartamento de Andréia, no bairro Partenon em Porto Alegre, mas fora algumas fotos com o filho e um exame de DNA comprovando a paternidade nem vestígio do empresário.
Os advogados de Sanfelice, Gabriela Michaelsen e Mathias Nagelstein, dizem não ter notícias do cliente desde abril e insistem na sua inocência. Eles esperam que até o fim do ano seja julgado um recurso de apelação anulando o júri que sentenciou o empresário.
Enquanto isso, a polícia segue na pista ou não pista do empresário. Por um detalhe do código de execução penal, mesmo se encontrado, Sanfelice não deve passar mais de dois meses em regime fechado, afinal fugiu do semi-aberto. “É um jogo de gato e rato”, lembra o delegado Eduardo. E o rato segue passeando.

* Convenhamos, muito chique aquele Paula Bianchi é repórter em Porto Alegre.

Nenhum comentário: