23.9.09

Padrão de ocultamento

Estava relendo alguns posts do meu objeto de pesquisa, o excelente Biscoito Fino e a Massa, e meu sangue voltou a ferver de indignação. Pela cobertura porca da grande mídia, pelo absurdo de Gaza, pelo silêncio assassino em que estamos mergulhados.

Meu momento preferido aconteceu quando eu disse que jornalistas têm de ter lado, e que o lado dos jornalistas têm de ser o lado dos que mais sofrem. Se me mandassem cobrir o tráfico de escravos no século 18, eu jamais daria destaque, no que escrevesse, à opinião do capitão do navio mercador de escravos. Se me mandassem cobrir a libertação num campo de concentração nazista, eu não entrevistaria o porta-voz da SS. Nesse ponto, um jornalista do Jewish Telegraph em Praga “argumentou” que “o exército israelense não é Hitler”. Claro que não. Eu não disse que é. Aqueles jornalistas, sim, é que temem que seja.

Por onde ando, sempre as mesmas velhas idéias sobre o Oriente médio, Robert Fisk, tradução de Caia Fittipaldi

4 comentários:

Anônimo disse...

Isso sem contar o silêncio criminoso de toda a classe média pra cima, e da classe intelectual do país, frente ao massacre perpetrado diariamente pela "polícia" - e não somente no RJ (lá no Nordeste é pior). Coisa de fazer Gaza parecer brincadeira de criança.

daniel disse...

oi, Paula, tudo bem? sou editor do Amálgama, onde está esse texto traduzido pela Caia. o blog do Idelber tmb é dos meus preferidos. quando você acabar seu trabalho sobre ele, posso ler? :-)

abraço e boa sorte.

Paula disse...

Anônimo
Concordo que o silêncio sobre essas mortes também é criminoso, mas não faz Gaza parecer coisa de criança. É um erro burguês/pseudo/intelectual olhar/se conpadecer com o que acontece fora do país e não enxergar o que acontece no seu. Mas daí a gente também tem a questão de desinformação. Que que acontece no Rio e no nordeste? Eu sei muito pouco, sei bem mais de Gaza. E me doer por Gaza não signfica achar que o que acontece por aqui é certo.
Em Gaza a coisa é terrível. Já fiz muitas entrevistas com gente que esteve lá. As pessoas não tem o direito de ir e vir por ex - tem barreiras que cuidam as passagens dos carros e das pessoas e liberam israelenses. Isso pra não falar do muro, que é 7 vezes maior do que o de Berlim.
A gente silencia muito, sim. E é errado. Mas eu não voud eixar de me doer por Gaza por esquecer o Rio.

Paula disse...

Oi Daniel
Conheço a Amalgáma, leio sempre. =)
Ahh, a minha mono tá virando qualquer outra coisa diferente do que eu tinha pensando no começo. Se ficar algo apresentável, te mando (mas não confie muito no meu potencial acdêmico, meu negócio é reportagem).