21.11.09

As pessoas do caminho

De toda a viagem até agora, o mais especial tem sido as pessoas que conheci pelo caminho. Ainda em São Paulo parei em um hostel bem bacana e em conta pros preços brasilenos. Gastar em bolivianos deixa a gente meio pão dura. Só de pensar que estava gastando 33 reais por noite por um quarto com seis camas meu bolso já morde. Isso são quase 116 bolivianos, o que vale um hotel se não de luxo bem caprichado por aqui!

De qualquer forma, no hotel começou oficialmente a minha coleção de pessoas bacanas pelo caminho. De cara conheci o Rámon, um brasileiro que trabalha no hostel e é fascinado pela Bolívia. Foi ele que me deu o toque de que em Sampa tem bairros tradicionalmente italianos virando tradicionalmente bolivianos. Caso do Brás e do Bexiga. O pessoal vem pra cá trabalhar em fábricas de costura pra ganhar em reais e em prestígio. O trabalho é semi-escravo mas como um real é o equivalente a 3,50 bolivianos, parece que compensa tamanha é a galera que continua vindo pra cá. No trem até Santa Cruz conheci uma menina que estava indo pra casa pela primeira vez em um ano de Brasil. Eles vem pra cá, ficam em uma espécie de gueto, não aprendem português e tudo que fazem é trabalhar pra remeter dinheiro pra casa. Eu sei, seu sei. Puta matéria. Mas não deu tempo de passar por lá pra checar. Quem sabe na volta...

Depois foi a vez do Nate, vocalista de uma banda australiana que tem aquele inglês meeega charmoso e um jeito de Cobain perdido. Parei pra ouvir um pouquinho do Faker e só pude expressar um BAH. Sabe quando um negócio é tão bom que te pega de surpresa? Também, quem é que espera encontrar um cantor super bom pelo caminho nessa mar de covers e música mais ou menos? Já na Bolívia conversei com um guarda-parque australiano e descobri que a banda do Nate é só a segunda mais escutada do país.

Se fizer alguma diferença pra alguém, o Nate é amigo do carinha do Silverchair - pra mim não faz muita, mas pra guria que trabalha na Onu que eu conheci fazia muito o que nos leva a próxima pessoa. A Carol. Como o mundo é um ovo, nós começamos a conversar e eu descobri que - antes dessa revelação favor lembrar que São Paulo tem 11 milhões de habitantes, o Rio Grande do Sul outros 9 milhões e Brasília, onde a moça mora, mais dois, ok? - é uma das melhores amigas do guri com quem divido apartamento em Porto Alegre city. Sim.

- Estudantes da UFRGS me perseguem. Um dos meus melhores amigos se formou lá. Quem sabe tu conheça. É Endrigo...
- Valadão (rosto de perplexidade²)?
- Isso! Conhece?
- Endrigo Valadão (rosto de perplexidade³)? Ahh, sim... Ele só MORA comigo.

Gostei da conclusão da Carol. "Minha mãe sempre me diz 'não faz merda que eu descubro'. Nesses momentos vejo que ela tem razão." Pra aumentar o grau de sabedoria da mãe da Carol, a caminho de Samaipata consegui tomar um táxi não só com um casal de brasileiros, como com um casal de brasileiros de Caxias do Sul! E um casal de brasileiros de Caxias do Sul de 24 anos, ou seja, nos cruzamos pelas festas do circuitos colégios metidinhos da cidade com certeza! E eles não encontravam nenhum tupiniquim a meses, quiça de Caxias!

Ainda no hostel, também conheci um fotógrafo belga que ahh... Pode por aí na lista com os suecos. Pena que não podia ir comigo pra Bolívia. Não que um peruano que estava por lá também não tivesse tentado convencer ele disso. By the way, esse era mais um caso a parte. Me fugiu o nome da figura, mas acho que a combinação peruano da Opus Dei divorciado de uma gaúcha por si só já diz bastante coisa.

Pra não tornar esse post uma Bíblia, vou fechar só com os paulistas com uma menção honrosa para o irlandês que estava no hostel com a mãe atrás de móveis pro filho fruto de uma one night stand que ia ter com uma também peruana que estava morando em sampa no momento.
E claro, a africana e o gaúcho de barba pintada. São pessoas incríveis hour concours, mas é bom deixar registrado.

Próximo post, Mato Grosso do Sul.

2 comentários:

Juliano Tatsch disse...

Obrigado pelo comentário lá. Só de ler tu descrevendo as situações já dá para imaginar o teu encantamento com a grande experiência. Parabéns Paula. Temos de marcar um barzinho na volta para ouvirmos tudo isso pessoalmente.

PS: Traz um pulôver igual aos do Evo para mim. rsrsrs.

PS2: A Marcha dos Sem desta sexta-feira não foi a mesma sem a tua presença em meio às bombas e balas de borracha. Aliás, nem isso teve.

Abraço, bj, hasta.

natusch disse...

A lembrança da minha humilde pessoa, em meio a tanta coisa acontecendo, muito me envaidece ^^