21.11.09

Bolívia cá estamos

Cheguei na Bolívia no dia 6 de novembro, após um tempinho em Sampa city tentando conseguir financiamento. Corri o país de trem, ônibus e táxi o que são experiências únicas se tratando de Bolívia - para ter uma idéia não só qualquer pessoa pode ter um táxi (só basta um adesivo no painel - o que me lembra, já peguei um táxi com 11 pessoas por aqui) como os ônibus param em qualquer lugar a qualquer momento e estão todos se lixando para coisas como sinaleiras e faixas de pedestres (imaginem o Douglas atravessando a rua, agora imaginem que todos são o Douglas atravessando a rua).
Cheguei há pouco em La Paz que é como estar em outro país dentro do mesmo país. A Bolívia é assim. Vários países dentro de outros países que às vezes nem se quer falam a mesma língua mas que buscam desesperadamente um futuro comum.
Como eu ia dizendo, entre Santa Cruz e La Paz há quase só diferenças. A primeira teve colonização jesuítica, uma relação pacífica com os espanhois e está numa parte quente e tropical do país - além de extremamente rica, diga-se de passagem. A segunda sofreu com a escravidão, a exploração e graças aos seus mais de 3,500 metros de altitude e frio constante pode ser chamada do Tibet da América do Sul.
Enquanto em Santa Cruz as pessoas no geral tem barriguinhas salientes e rostos redondos que lembram a ascendência guarani, em La Paz a maior parte da população é baixa e com as costas largas, fruto da adeptação milenar do corpo dos indígenas locais ao pouco oxigênio. São cambas e collas e essa divisão se reflete não só na forma como falam e se portam, mas na maneira como sentem o país.
E essa diferença de sentimento que move as eleições do dia 6. Exagerando um pouco, não deixa de ser a velha luta dos que nunca tiveram nada contra os que sempre tiveram tudo e cabe ao povo boliviano o papel de fiel da balança.

Um comentário:

natusch disse...

Pelo menos três ótimos ganchos para excelentes matérias, em um singelo post de blog.

E tu me fala de bloqueio criativo. Hunf =P