22.11.09

Nunca, nunca deixe de acreditar na mágica



Desde que cheguei na Bolívia tenho vontade de escrever sobre a mágica das coincidências que tem me acompanhado. Tem gente que chama de impulsividade suicida, eu de sorte e instinto. Se não fosse por isso, não teria nem saído de Porto Alegre city. Tenho feito as malas ao sabor do vento e pro lado que eu sinto que é certo ir e tem dado bem certo. Quer dizer, estava. Esses dias em La Paz parecia que a mágica havia partido pra outro lado o que me deixou bastante mal-humorada e desanimada.

Esta manhã jo estava em El Alto, uma cidade grudada em La Paz a merrequentos 4.200 metros de altitude. Procurava uma concentração do MAS que deveria receber o vice-presidente e após ter pego dois ônibus errados devido a informações mal-humoradas e mal passadas - os meus olhos claros tem me atrapalhado muito mais do que ajudado, passo fácil por alemã, americana, qualquer coisa longe da América Latina - caminhava pela calle me sentindo um restinho de gente quando um senhor me olhou e me deu uma rosa. Uma rosa, sabe? No meio do cinza, da poeira alta, dos carros passado, uma rosa vermelha cheirosa. Não quis aceitar, pensei que ele estivesse vendendo. Não estava. Simplesmente largou a rosa comigo, sorriu e seguiu caminhando.

Calma, a rosa não faz parte da mágica. Mas às vezes uma rosa ou um sorriso quando a gente está precisando sabe ser um sinal. No ônibus de volta eu pensava em que matéria poderia fazer, já que a ida a El Alto havia sido fracasso, e lembrei de uma senhora quem eu tinha conversado. Raramente simpática - as mulheres que vendem coisas nas ruas odeiam tanto turistas quanto e talvez principalmente máquinas fotográficas -, ela trabalha todos os dias, da amanhã à noite, vendendo panos na rua e assim sustenta a família. E assim se sustentam milhares de bolivianos. Uma caminhadinha e a gente já percebe isso. As ruas estão carregadas de mulheres em trajes típicos vendendo de tudo um pouco.

Desci do bus em qualquer lugar que fosse La Paz - afinal, "quando a gente não sabe pra onde ir o caminho não importa" - e segui caminhando por uma rua em que eu espera encontrar algum restaurante pra matar o meu desanimo com carboidratos. Estava meditando sobre a enorme quantidade de turistas com turista escrito na testa - pra quem não consegue acompanhar a descrição, imagine uma pessoa com um chapelão, a pele branca um pouco vermelha do sol e uma combinação descombinada de tênis, meias e bermudas-, quando encontrei a tal senhora. Mágica.

Da mesma forma que semana retrasada, quando estava perguntando o endereço do principal jornal de Santa Cruz a recepcionista do hotel buscando desesperada algum lugar por onde começar, acabei encontrando um fotógrado brasileiro, que me apresentou um escritor chileno, que me apresentadou um candidato a deputado boliviano, que me apresentou um dos candidatos a presidente. Da mesma forma que quando estava xingando deus e o mundo pelo taxista ter me dito a direção errada e me levado uma hora adentro do Chaparre, região de tropical onde o que a gente mais vê são bandeiras do MAS e plantas de coca - e por ainda por cima me largar numa beirinha de estrada pra tomar um taxi de volta encontrei um taxista que plantava coca. E que me mostrou a plantação. E por aí vai.

Às vezes são coincidências pequenas - rosas -, às vezes não. Do mesmo jeito que eu estava sentada neste café tentando conectar a internet sem sucesso há uma meia hora atrás. Pedi ajuda a um senhor sentando por perto com um lap top e acabei conseguindo o nome de três professores importantes de uma faculdade daqui pra conversar amanhã e também mais um amigo. Mágica.
Sabe, ela existe. Mesmo quando não acreditamos nela.

3 comentários:

Anônimo disse...

"Al Alto"? Nome estranhamente apropriado :P

natusch disse...

Muitas vezes, minha amiga, a mágica é a ÚNICA coisa que existe. Na maior parte das vezes, aliás.

Bem, na verdade é sempre.

sindia disse...

Concordo que ela existe mesmo, Paula. E digo que a Rosa foi coisa do mágico dos mágicos, talvez o de OZ.
Força na peruca, Paula, para nós todos,
Sindia.