24.12.09

Até ano que vem

E que 2010 seja tão encantado quanto 2009 - e bem menos monográfico, off course.

20.12.09

Porque sim não é resposta

Estava conversando com um cara em Cochabamba sobre a nova constituição boliviana, que ficou um chuchuzinho. Me achando muito esperta comentei que a constituição era genial, o problema era ser cumprida. Pra completar, exemplifiquei com a letra mor tupiniquim, que segundo a Ana Lu "Até que é bonitinha. Pena que ninguém dá a mínima…".

Do alto da minha arrogância tive que ouvir um "por quê?". O bicho segue ressoando. Não consegui responder, por isso jogo a pergunta pra vocês. Por que a gente aceita passivamente a transformação da nossa Constituição em letra morta? Por que a constituição brasileira NÃO é cumprida?

Do resto da vida

Na quarta-feira eu apresentei a minha monografia, recebi baldes de elogios (que eu não sofro de modéstia, sorry) e terminei oficialmente a fase de estudante - apesar de ainda ter RU e biblioteca garantidos até a matrícula da galera que entra na UFRGS em 2010. Com isso a minha principal resposta a pergunta E agora? - "não faz pergunta difícil" - também teve que ser deixada pra escanteio. O fato é que eu sei o que eu não quero fazer e em tese também sei o que eu quero, mas as pontes reais pra fazer isso ainda estão um pouco nebulosas.
Eu não quero entrar na máquina de moer carne do mercado jornalísto nem me tornar uma escrava triste do dia 10. Eu não quero sacrificar os meus ideias fartamente alimentados nem ter que baixar a cabeça pra seguir idéias com as quais eu não concordo também para preencher a lacuna do dia 10. Eu quero não arranjar um marido, depois comprar um apartamento e então esperar feliz pelos netos da dona Marlei - não que eu não queira encontrar alguém bacana, ter um cantinho pra chamar de meu e filhos (a parte dos filhos ainda não tenho certeza), só não quero isso como plano de vida nem como marcador de que sou ou não uma pessoa bem sucedida. E também não quero ter uma vida rotineira, marcada por segundas e sextas previsíveis e intermináveis.
Ok, então a bonita acha que dá pra viver de vento?
Ahh, podia, né? Mas como não nasci filha de pai rico, sei que dinheiro não dá em árvore e que a gente precisa trabalhar pra ganhá-lo. Mas daí que está. Ganhar dinheiro não pode ser o mote da vida, muito menos fazer as coisas que os outros acham que a gente tem que fazer. E daí se eu não tiver um carro do ano ou as roupas da moda? Eu prefiro uma alma bem grande e a certeza de que entre as minhas orelhas o espaço é imensurável.
E também a-do-ro trabalhar. Me sinto bem pacas. Só que quero trabalhar em algo que eu acredite, que faça diferença no mundo e que não seja um eterna cena de Tempos Modernos. Como não tenhos planos de ficar rica, não acho que seja impossível nem pedir de mais. Além disso ainda quero estudar mais e viajar bastante, o que também não me parecem planos tão porra-loucas.
Penso que a maior parte das pessoas nunca pensou seriamente no que queria da vida. Acabou na onda - a onda do carro, do aluguel, do casamento, das expectativas alheias - e quando viu, se viu, já não era tão fácil repensar.
A vida é feita de escolhas, saca. E eu escolho ter uma vida extraordinária.

*20 anos depois, alguém aparece com o post impresso na repartição pública em que a moça trabalha. "E a vida extraordinária?". "Ah, a juventude...".

19.12.09

Aeroporto de El alto parte 1

Olá.
Olá.
Passaporte, por favor.
Pode ser identidade? (e entrega a carteira de motorista)
...
...
Hmn, a senhora não está no vôo.
Como assim a senhora não está no vôo?
Não está.
Procura de novo.
Hmn. Não, não tem o seu nome.
Bom. Toma aí o passaporte, a identidade e se precisar devo ter meu título de eleitor em algum lugar.
...
...
Nada.
Nada?
Nada.
Tá. Tem uma tomada?(abre o lap top, abre o e-mail, abre a confirmação de viagem)
Tava vendo aqui, ó. Viagem confirmada.
É, mas aqui não tem nada.
Mas aqui diz viagem confirmada.
Mas aqui não tem nada.
Mas aqui diz viagem confirmada.
...
...
Mas eu comprei a passagem.
Mas a senhora não está no vôo.
Mas me confirmaram a viagem (mostrando freneticamente a confirmação do e-mail)!
Mas a senhora não está no vôo.
Tá, e agora?
A senhora vai me desculpar, mas é que a gente não está acostumado a vender passagens pela internet.

May the farm be with you


Daqui.
Eu sofro de vida lá fora. Não dá pra me concentrar com o verão entrando pela janela.

Porto Alegre sauna city


Adoro quando o termômetro aqui do PC abre o jogo e admite. Não é apenas quente, é infernal.

18.12.09

"E vou escrever essa história pra provar que sou sublime."

F.P.

17.12.09

Change

By the way

A todos que acompanharam o meu tormento monográfico, que no fim terminou por nem ser tão tormentoso assim, só tenho uma coisa a dizer sobre a apresentação de ontem:
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
E tenho dito.
Paula versus o baixo astral e o seu pior inimigo: a concentração. Custa tanto assim ficar sentada quietinha fazendo uma coisa e solamente uma coisa como escrever a matéria da sua vida (so far, off course)?

15.12.09

Bolívia na veia

A viagem terminou, mas o caminho continua. Ao menos até que esgote o meu histórico de historietas hermanas.
Pra quem esqueceu ou ainda não leu:

Suspeito que viver vicia. Internet ilimitada também.

Meia tigela o caramba



A moça pediu pra divulgar e os bichinhos merecem. Após passar anos usando fofices alheias, a dona Schossler resolveu partir pra máquina de costura e criar os seus próprios broches e monstrinhos. Claro que esse post é interesseiro e está de olho no dia em que a Fer for uma magnata da Toy Art (é isso?) e passar os dias no seu yate verde pra cá e pra lá, mas ok. Ainda faltam uns aninhos pra isso.

Por enquanto, se eu fosse vocês e estivesse em dúvida e sem grana em relação aos presentes de natal dava uma olhadenha lá no Meia Tigela, o blog em que a supra citada moça-Schossler-Fer mostra e vende, afinal é um mundo capitalista, todas as meninices que anda fazendo.
Divulgado?


Esse aí por exemplo ainda não tem dono.

Monografia - último round

Se é pra terminar, que seja em grande estilo.
Como todo mundo mais ou menos sabe eu rodei a baiana, fechei a mono e me toquei pra Bolívia. Agora voltei pra encerrar mais esse pedacinho da minha vida e tocar adiante sabe-se lá pra onde. O último round, momento derradeiro, agora é que são elas de Fabico - ou seja, a apresentação da famigerada monografia -, é amanhã às 10h na sala 400 e alguma coisa da, ta ta, Fabico. Ninguém precisa acordar cedo (cof) pra ver os meus lindos olhos verdes, mas quem quiser será muito bem vindo.
O título ficou uma coisa bonita, mas no fim gostei bastante do trabalho:

Análise da construção da informação através dos links no blog “O Biscoito Fino e a Massa” durante o ataque de Israel a Gaza em dezembro de 2008

Quem quiser dar uma olhada me avisa que eu mando o bicho. E se tiver algum erro, foram as amigas do peito irmãs camaradas Ana Lúcia e Cris Rodrigues que corrigiram. A Ana ainda imprimiu e encadernou, o que significa que eu vou imprimir, encadernar e corrigir uma monografia ano que vem... :)

De qualquer forma, fica o convite.
Vejo vocês lá, ou não.

E pra ver como uma moça pode ser piegas, os agradecimentos, escritos direto de Samaipata, BO:

Agradecimentos


À minha família, em especial aos meus pais que sempre tiveram como uma única condição que eu fosse feliz.

A minha irmã Caroline, por acreditar em mi mesmo quando eu não acreditava.

Aos meus amigos, por estarem sempre presentes e assim ajudarem a manter a minha sanidade mental.

À sociedade brasileira, que custeou os meus estudos e me proporcionou uma educação pública e de qualidade, um privilégio raro em um país como o Brasil.

À Fabico, que entre erros e acertos me proporcionou cinco anos inesquecíveis e me permitiu conhecer pessoas muito especiais que levarei por toda a vida.

À minha orientadora, Laura Strelow Storch, pela paciência, amizade e grande dedicação na hora da orientação, essenciais para a realização deste trabalho.

Aos professores Wladymir Ungaretti, Clarice Esperança e Cida Golin por ensinarem jornalismo para além das paredes da Fabico.

Ao povo palestino, que sofre sozinho frente a um Ocidente silencioso.

À Ryzard Kapuscisnk, Gabriel García Márquez e todos os escritores que me fizeram crescer sonhando em cruzar fronteiras.

Aos caminhos e descaminhos da Bolívia, país onde escrevo estas linhas e que espero ser o começo de uma série de outros desbravamentos.

12.12.09

A moça voltou e não sabe pra quê. As pessoas sérias perguntam, não tem o que responder.

9.12.09

So/Entonces

Eu náo mudei o mundo.
Náo me consagrei.
Nao fiz a melhor cobertura que poderia ter feito.
Por outro lado conheci pessoas que estáo trabalhando duro para mudar o mundo - and Im bealiver. Eles vao conseguir.
Fui presa e conheci a truculência da policIa.
E conheci uma améerica latina que pulsa náo só com a cumbia, mas com uma vontade enorme de mudar.
Além, de claro, o mais importante.
Aprendi a usar "táo pouco".

E manhê, que me perdoem todos os meus amigos, mas eu nao quero voltar.

4.12.09

3 e 15 da tarde no Bra-si-u.
Me acostumei a dizer que sou do Brasill por aqui, daí só preciso falar uma vez - não que acreditem muito, todo caso...
E como nosotros estamos longe da América Latina. E como perdemos com isso.

2.12.09

Joaquina hablando

Como eu ia dizendo às moscas que frequentam esse bloguinho, a caminho do rio náo turìstico de P.Q encontrei uma boliviana chamada Mimi. Mas coo ontem foi ontem e hoje a memòria está melhor, ates da Mimi é bom mencionar que troquei menos de uma dúzia de palavras com um italiano que também esperava o trem da morte. O suficiente pra que ele tomasse conta da minha mala de rodinhas por um tempinho. Ok, back to Mimi. Professora de inglês naquele fim de mundo, me perdoem os moradores da cidade, ela náo tinha muito com quem praticar e ao me ver suspeitou do jeito yanke da minha lata e achou que tinha encontrado alguém pra praticar. Apesar de eu passar bem longe do sangue anglosaxáo, tinha mesmo. Aquela altura do campeonato eu preferia mil vezes hablar em inglês com alguém que arriscar um portunhol. Vestígios de Montevídeo e Buenos Aiers onde bons amigos riram da minha cara por tentar e me deixaram suficientemente constragida pra achar que nao tinha jeito pra isso - é, sintam-se culpados.
Mimi falava um inglês tímido e náo muito conjugado e vivia repetindo que a prática leva a prefeiçao. Apesar de ter passado cinco anos estudando em Cochabamba, uma das maiores cidades daqui e onde escrevo estas linhas, ela fez questáo de voltar e há seis meses dava aulas num dos dois colégios da cidade. E a seis meses nao recebia por isso. "Alguém tem que se preocupar com as crianças", explicou, sem nem um tom de veja como eu tenho um grande coraçao. Apenas como alguém que tem um grande coraçao.´
A descriçao do colégio, que eu só lembrei de pedir pra olhar com o trem estava quase saindo, era o Serra no inferno tocando tambor. Uma sala pequena, com telhado de zinco em que quarenta alunos se apertavam para aprender o To Be. Isso quando o tempo ajudava. Se fazia calor - e sempre fazia calor - era impossível dar aula à tarde . Nem ela nem os alunos conseguiam prestar atençao. E se por acaso náo fizesse calor, mas chovesse as aulas também eram cancelada.Era quarta-feira e naquela semana ela só tinha dado uma aula.
O governo até construiu outra escola, bacaninha, com salas largas e grandes janelas azuis, mas náo adiantou muito. Além de ter lugar só pros alunos do segundo grau a maior parte do pessoal prefere o outro colégio, mais perto. Pra piorar, parece que i prefeito da cidade associa Evo ao diabo prefere manter os alunos fritando a aceitar dinheiro federal para fazer outro prèdio e assim permitir que todas as crianças de P.Q estudem num local decente.
Desse jeito, o que sobra pra galera trabalhar na regiáo é o turismo. A maioria dos moradores ou é taxista - caso de todos os quatro irmáos da Mimi - ou vendedor de tudo e qualquer coisa na rua, uma profissáo bem comum por aqui.
Outro dia tomando um café com um israelense, que pode ou nao aparecer por aqui, depende de como estiver a minha memória até que esses relatos cheguem a La Paz, comentou que a Bolívia é um grande mercado a céu aberto. E é. Náo há indùstrias, táo pouco trabalho e a populaçao se vira do jeito que pode. Entre as três quadras que me separam do hotel eu posso tanto fazer um lanche, quanto renovar meu vestuàrio, comprar uma escova de dentes pra viagem e ligar pra casa pra dizer que estou viva e respirando. Isso sem entrar em uma loja sequer.
Voltando a Mimi, eu posso nao ter visto a escola mas vi a sua casa. Na mataçao de tempo entre a hora de pegar o trem e a decpeçao por descobrir que havia um rio, que ele até era bonitinho, mas que nao tinha jeito de chegar perto dele sem atravessar um mini lixáo, a acompanhei enquanto buscava dinheiro pra enviar pro pai que estava cá em Cocha. Admito, náo fotografei a casinha porque fiquei com vergonha de parecer indelicada. Baixinha e de material, o lugar eram como três quatros grudados. O da Mimi tinha uma cama com colcha de florzinhas, uma mesa com uma TV de girar o botáo que parecia pb, umas roupas num cantinho e só. Paupèrrimo é apelido.
Pedi para ir ao banheiro e ela me indicou um galpáo de madeira nos fundos. Desviei algumas crianças ranhentas que brincavam no chao, dei holas pra umas duas moças que conversavam por perto e entrei. O lugar era meio banheiro meio depósito. Tinha madeira, ferramenta, de tudo um pouco. O vaso era um vaso normal, só que sem tampa com um papel higiênico rosa pinkáo do lado e no lugar da pia, uma bacia também rosa com um negóio de metal improvisado que ao mesmo tempo que segurava ela, segurava um espelho.
De novo esse relato ficou mais comprido do que deveria. I will be back, ou náo.
Hasta!
Sou uma pessoa feliz. Descobri pães de queijo por aqui. Eles são raros, mas existem e se chamam "cunhapê".

1.12.09

E lá por Porto Quijarro eu conheci...

Enquanto os arquivo que eu estou tentando mandar pro Terra não carregam (tem mais matérias lá, viu), vamos exercitar a memória e os dedos com a esquecida lista da pessoas pelo caminho. De Corumbá a nossa viagem pelos acasos que acometem quem está na estrada parte para Porto Quijarro, de a pé mesmo, que para atravessar a fronteira não são mais de 15 metros.]
A primeira coisa que eu pensei quando pisei na Bolívia foi "caramba, cheguei no terceiro mundo". Ok, talvez sem o caramba. Pode parecer exageiro, mas entre Corumbá e Porto Quijarro a diferença não é só notável, é admirável. A cidade brasileira é toda pavimentada, com casas na maioria de material, pequenas mas bem construídas. Já em P.Q o calçamento é um luxo que só a avenida principal e a quadra da praça tem - isso pra não falar das casas, que se encaixam bem na descrição de "malocas". Mas vamos e venhamos, a descrição que importa aqui é as das pessoas, não? Fora que quem quiser saber da Bolívia pode muito bem acessar o super atualizado Caminhos Bolivianos...
Entonces, depois de pegar um táxi pelo roubo de CINCO reais (quanto mais tempo eu passo na Bolívia, mas p*&% da cara eu fico por ter caído nessa) eu cheguei na estação do famoso trem na morte. Eu, eu mesma e minha mala de rodinhas subimos a escada que levava ao ponto de embarque e demos de cara com um relógio estranho que marcava nove da manhã. Eu que tinha saido de Corumba perto das onze pensei por uns 15 segundos que tinha viajado no tempo. Só quinze, então recordei que na Bolívia o relógio marca duas horas a menos que o Brasil. Como o trem só saia a uma menos quinze, como dizem os nativos, decidi dar uma volta pela cidade e engolir um pouco de poeira e calor.
Perguntei por pontos turísticos, o que só faltou rirem da minha cara. Sabia mais ou menos que tinha um rio por perto e segui uma estrada de chão com cara de caminho para alguma coisa - na dúvida, era bem em frente da estação. Difícil se perder em linha reta. Lá pelo meio do caminho uma moça veio falar comigo em inglês, o que é bem comum por aqui e na hora não foi nenhuma supresa. A primeira coisa que me disseram na Bolívia foi "one information, miss". Seguido rola um olhar de yanke desgraçada, que é bem desagradável. Dá vontade de gritar eu sou tão latino-americana quanto vocês, porcaria! Na verdade, eu disse isso hoje pra um boliviano e um chileno que estavam me torrando a paciência. "Ahh, mas tu não pode ser brasileira...". "O melhor do Brasil é que todo mundo pode ser tupiniquim, meu bem", sorri rangendo os dentes de volta. Tudo bem, ainda é melhor que ser tirada pra estrangeira no Rio e em Fortaleza.
Opa, o arquivo foi. Time to go folks! MAs esse texto termina manana ou ão me chamo Joaquina!
Tava me passando assim pela cabeça agora como quem não quer nada. Eu sou uma correspondente internacional.

Frases preferidas de mamãe

Tu tá comendo direito?
Tu tem dinheiro?
Tu tem certeza que tu tá comendo direito?