20.12.09

Do resto da vida

Na quarta-feira eu apresentei a minha monografia, recebi baldes de elogios (que eu não sofro de modéstia, sorry) e terminei oficialmente a fase de estudante - apesar de ainda ter RU e biblioteca garantidos até a matrícula da galera que entra na UFRGS em 2010. Com isso a minha principal resposta a pergunta E agora? - "não faz pergunta difícil" - também teve que ser deixada pra escanteio. O fato é que eu sei o que eu não quero fazer e em tese também sei o que eu quero, mas as pontes reais pra fazer isso ainda estão um pouco nebulosas.
Eu não quero entrar na máquina de moer carne do mercado jornalísto nem me tornar uma escrava triste do dia 10. Eu não quero sacrificar os meus ideias fartamente alimentados nem ter que baixar a cabeça pra seguir idéias com as quais eu não concordo também para preencher a lacuna do dia 10. Eu quero não arranjar um marido, depois comprar um apartamento e então esperar feliz pelos netos da dona Marlei - não que eu não queira encontrar alguém bacana, ter um cantinho pra chamar de meu e filhos (a parte dos filhos ainda não tenho certeza), só não quero isso como plano de vida nem como marcador de que sou ou não uma pessoa bem sucedida. E também não quero ter uma vida rotineira, marcada por segundas e sextas previsíveis e intermináveis.
Ok, então a bonita acha que dá pra viver de vento?
Ahh, podia, né? Mas como não nasci filha de pai rico, sei que dinheiro não dá em árvore e que a gente precisa trabalhar pra ganhá-lo. Mas daí que está. Ganhar dinheiro não pode ser o mote da vida, muito menos fazer as coisas que os outros acham que a gente tem que fazer. E daí se eu não tiver um carro do ano ou as roupas da moda? Eu prefiro uma alma bem grande e a certeza de que entre as minhas orelhas o espaço é imensurável.
E também a-do-ro trabalhar. Me sinto bem pacas. Só que quero trabalhar em algo que eu acredite, que faça diferença no mundo e que não seja um eterna cena de Tempos Modernos. Como não tenhos planos de ficar rica, não acho que seja impossível nem pedir de mais. Além disso ainda quero estudar mais e viajar bastante, o que também não me parecem planos tão porra-loucas.
Penso que a maior parte das pessoas nunca pensou seriamente no que queria da vida. Acabou na onda - a onda do carro, do aluguel, do casamento, das expectativas alheias - e quando viu, se viu, já não era tão fácil repensar.
A vida é feita de escolhas, saca. E eu escolho ter uma vida extraordinária.

*20 anos depois, alguém aparece com o post impresso na repartição pública em que a moça trabalha. "E a vida extraordinária?". "Ah, a juventude...".

Um comentário:

natusch disse...

Escolhe bem. Pode ter certeza :)