1.12.09

E lá por Porto Quijarro eu conheci...

Enquanto os arquivo que eu estou tentando mandar pro Terra não carregam (tem mais matérias lá, viu), vamos exercitar a memória e os dedos com a esquecida lista da pessoas pelo caminho. De Corumbá a nossa viagem pelos acasos que acometem quem está na estrada parte para Porto Quijarro, de a pé mesmo, que para atravessar a fronteira não são mais de 15 metros.]
A primeira coisa que eu pensei quando pisei na Bolívia foi "caramba, cheguei no terceiro mundo". Ok, talvez sem o caramba. Pode parecer exageiro, mas entre Corumbá e Porto Quijarro a diferença não é só notável, é admirável. A cidade brasileira é toda pavimentada, com casas na maioria de material, pequenas mas bem construídas. Já em P.Q o calçamento é um luxo que só a avenida principal e a quadra da praça tem - isso pra não falar das casas, que se encaixam bem na descrição de "malocas". Mas vamos e venhamos, a descrição que importa aqui é as das pessoas, não? Fora que quem quiser saber da Bolívia pode muito bem acessar o super atualizado Caminhos Bolivianos...
Entonces, depois de pegar um táxi pelo roubo de CINCO reais (quanto mais tempo eu passo na Bolívia, mas p*&% da cara eu fico por ter caído nessa) eu cheguei na estação do famoso trem na morte. Eu, eu mesma e minha mala de rodinhas subimos a escada que levava ao ponto de embarque e demos de cara com um relógio estranho que marcava nove da manhã. Eu que tinha saido de Corumba perto das onze pensei por uns 15 segundos que tinha viajado no tempo. Só quinze, então recordei que na Bolívia o relógio marca duas horas a menos que o Brasil. Como o trem só saia a uma menos quinze, como dizem os nativos, decidi dar uma volta pela cidade e engolir um pouco de poeira e calor.
Perguntei por pontos turísticos, o que só faltou rirem da minha cara. Sabia mais ou menos que tinha um rio por perto e segui uma estrada de chão com cara de caminho para alguma coisa - na dúvida, era bem em frente da estação. Difícil se perder em linha reta. Lá pelo meio do caminho uma moça veio falar comigo em inglês, o que é bem comum por aqui e na hora não foi nenhuma supresa. A primeira coisa que me disseram na Bolívia foi "one information, miss". Seguido rola um olhar de yanke desgraçada, que é bem desagradável. Dá vontade de gritar eu sou tão latino-americana quanto vocês, porcaria! Na verdade, eu disse isso hoje pra um boliviano e um chileno que estavam me torrando a paciência. "Ahh, mas tu não pode ser brasileira...". "O melhor do Brasil é que todo mundo pode ser tupiniquim, meu bem", sorri rangendo os dentes de volta. Tudo bem, ainda é melhor que ser tirada pra estrangeira no Rio e em Fortaleza.
Opa, o arquivo foi. Time to go folks! MAs esse texto termina manana ou ão me chamo Joaquina!

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