23.10.09

Tá tudo assim queimando em mim


Ago/2009 - Terminal rodoviário do Tietê/São Paulo - SP Autoproclamada 2ª maior rodoviária do mundo

Queridos dois leitores

A partir de hoje esse bloguinho entra em recesso temporário (não que ele já não tenha entrado em recesso várias vezes sem aviso). Eu sei, eu sei. Vocês vão sentir a minha falta, vai ser muito difícil conviver sem os posts tri semanais aqui do Palimpsesto, mas é preciso.
Estou com o estômago que é um nó só e um vôo marcado pra daqui a pouco rumo a Bolívia, as eleições e quem sabe ao meu futuro como uma grande correspondente internacional. Assim que eu tiver notícias mais concretas (o que pode ser semana que vem ou em dezembro) aviso. Quero fazer um blog, essas coisas internéticas, mas vai depender da conexão.
Por hora, torçam por mim. Bastante.

Hasta,
Paula

21.10.09

Terminei

Terminei a mono. Ainda falta a introdução, a conclusão, a Laura revisar e eu acertar uma que outra coisinha. Mas a parte pesada, as quase 70 páginas de fundamentação plus análise eu terminei. Zé fini. Deu pra ti trabalho acadêmico.

Agora posso ir pra Pasárgada em paz.

E terminei no mesmo dia que acabei de ler a Carmem do Ruy Castro. Ano passo, quando tive o prazer de entrevistá-lo com duas colegas ele disse que escrever o livro salvou a vida dele, que na época sofria de câncer. Também salvou a minha, ao menos a sanidade mental que quando ameaçava entrar se mantinha longe do vermelho graças as aventuras da pequena notável.

Rumando contra a solitária vanguarda de nós mesmos

Tenho conversado bastante com Ana sobre a dificuldade que é "deixarmos de ser essa solitária vanguarda de nós mesmos" e partir para uma ação coletiva não-utópica de mudança da sociedade. Foi um pouco muito por causa disso que entrei no jornalismo, apesar da Fabico se esforçar em nos tornar seres niilistas, e me dói o vazio de ás vezes não saber nem por onde começar.
Esse ano flertei com o movimento estudantil, de comunicação e diversas outras formas coletivas de organização que me deram esperança e apontaram caminhos. Não caminhos fáceis, muito pelo contrário. Mas esse é um papo que não tenho gás pra explorar aqui, ao menos não enquanto não terminar a joça da mono.
Isso tudo, só pra introduzir esse poema do Thiago de Mello que acordou na minha cabeça essa manhã. Ele me dói tanto e é assim, tão bonito, explicando a parte que esse post prefere deixar pra uma mesa de bar por aí.

Para os que virão


Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
( Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros. )
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.

20.10.09

Só lembrando

A conferência livre de comunicaça começa amanhã (hoje pra quem já foi dormir) às 9h na antiga na Casa dos Bancários!

Sou fã. Há tempos



Grande Ale lá dos Estrangeiros. Além da poesia ser linda, o vídeo é finalista da Fliporto. Todo mundo de dedinhos cruzados.

Borá votar!

Macarronada de gala em 15 minutos

Bateu a fome e a vontade de correr da monografia (ou de qualquer outro dever (ahh, um livro pra ler e não fazer...)), mas você não tem nem tempo nem grana para fazer coisas complicas ou jantar fora? Eu tenho a solução! Uma macarronada que enche o estômago com classe e ainda consegue passar a impressão que demorou duas horas para ser feita sem ser um atentado a boa saúde (já falei que ela é "light?").
First, já que tempo é monografia e a fome é uma mãe cruel, coloque a água pra ferver na panela com um cadinho de sal e corra pro mercado.
A lista de compras é simples, e fica mais simples ainda se você for um ser prevenido e mantiver comida em casa:
- 1 pacote/lata de molho de tomate tradicional;
- macarrão de acordo com a fome (aqui em casa só se faz de pacote inteiro, porque se não são os habitues do ap que aparecem pra janta alguém bate na porta. E bem, é macarrão. Quanto mais, melhor);
- 1 colher de requeijão light;
- meia ricota
- óregano e ou pimenta e ou manjericão e ou o que tiver a mão que cozinha universitária é cozinha de guerra (na falta de tudo, já manda o molho temperado);
Volta do mercado e coloca o macarrão na água, que conforme a distância do bolicho já deve estar fervendo. Em outra panela, mistura o molho com o requeijão. Assim que o dito cujo tiver derretido, coloca a ricota esmigalhada (é pegar com a mãozinha e ir descontado toda a raiva da ABNT acumulada até ela virar farelos) e o tempero existente no recinto. Como a ricota é salgada, não precisa de sal.
Pronto! O molho tá no ponto assim que a massa estiver. É só escorrer o macarrão, colocar o molho por cima e ta ta ta. Manja che te fa benne! Não exige prática nem tão pouco habilidade.

* Antes que vocês comecem a achar que eu sou um gênio da cozinha (o que (cof) eu sou), achei essa receita semana passada lá no blog Alimentação sem mitos. Entrou pros favoritos (o blog e o macarrão).

Modernidade II

Já não bastasse minha tia ter entrado no orkut e usar o msn, ela agora também é uma feliz usuária do Facebook. Não vou estranhar se daqui a pouco ela criar um blog e começar a twittar.

Coisas que aprendi com Holywood

Não deixe o medo de errar impedir que você jogue.

19.10.09

Modernidade

– Mãe, vi um doce lá na casa da Dé que parece gostoso. Como que eu faço pra fazer?
– Ah, não sei minha filha. Por que tu não procura na internet?
Tem gente que escreve com se arrotasse pérolas. Até arroz com feijão vira poesia, mas de um jeito bonito que não revira o estômago. Outros de uma forma tão seca e tocante que cada parágrafo é como um murro e você quer continuar apanhando. Eu só queria contar histórias. Ao menos era o que achava.

18.10.09

Experiência científica

Sou o tipo de pessoa que não dorme se tomar chá preto depois das 22h. Cá estou, frente a uma dose de Guaraná cerebral. Será?
Nos vemos pela madrugada.
Despassarada.

17.10.09

"Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte."

Caio F.

15.10.09

Bem vinda ao resto da sua vida

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

António Machado

Ironia

Tenho que pegar uns dados pra construir uma linha cronológica do massacre em Gaza no começo do ano. A forma mais fácil de conseguir isso é através de matéria de jornais, mas sigo procurando textos de historiadores. Uma vozinha lá no fundo fica lembrando, ' quem pode confiar em jornalistas?'.

14.10.09

Somos todos palestinos


Imagem pintada no "Muro da vergonha", que divide os territórios palestinos de Israel. Com 350 km de extensão planejados- contra 155 km do muro de Berlim - e oito metro de altura em alguns pontos, a barreira, condenada pela Corte Internacional de Justiça e pela ONU, segue em construção.

"A única fonte de otimismo, a meu ver, continua sendo a coragem dos palestinos para resistir. Foi por causa da Intifada e porque os palestinos se recusaram a capitular diante dos israelenses que chegamos à mesa de negociação — e não apesar de tudo isso, como alguns insistem em dizer. O povo palestino vai continuar se opondo aos assentamentos ilegais, ao exército de ocupação, aos esforços políticos para pôr um ponto final em sua aspiração legítima de ter um Estado. A sociedade palestina vai subsistir, apesar de todos os esforços que têm sido feitos para sufocá-la."
Edward Said

Sabedoria pauliana

Monografia não tem querer, tem fazer. É sentar a bunda na cadeira (que a esta altura do campeonato já passou do quadrada) e espremer os miolos até que saia algo que preste. O incrível é que quando a gente menos espera, consegue tecer conexões bem interessantes.
Afora isso, google.books é o que há.
Sigo monografando como se não houvesse amanhã, e, se tudo der certo, semana que vem não haverá mais monografia.

12.10.09

Sabedoria orkutiana

"Tomorrow's life is too late. Live today."

9.10.09

Salve Che


Hasta la victoria siempre!

Desgovernos do sul

A governadora do estado do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, mobiliou a casa com dinheiro do governo. Operação aprovada pelo TCU, segundo ela, o que nos leva a reflexão de Trasël (2009) - só pra não perder o clima monográfico:
"Quando o CPERS protesta em frente, a casa da #Yeda é particular. Quando é para mobiliar, é imóvel funcional."
Ouié.

Ahh, e o impeachment também foi pro saco. Falta só o plenário confirmar a cara dura da comissão. Afinal, o que significam os os 97 mil votos do julgamento popular da Yeda? Foram só 94%,
86.948 pessoas que a consideram culpada. Como lembra o Weissheimer, ao citar o blog da desgovernadora (“O melhor modo de reduzir e evitar a corrupção, é dar eficiência e transparência aos gastos feitos através de dinheiro público). Yeda debocha dos gaúchos.

8.10.09

A magia da escrita

Não é genial que exista um sistema capaz de codificar pensamentos em caracteres passíves de serem compreendidos por outros seres humanos?

7.10.09

The World Factbook

Continuando com as procuras internéticas monográficas, encontrei o The World Factbook, nada mais nada menos que o Almanaque da CIA. O site tem um resuminho sobre a política, população e afins de, tipo assim, TODOS os países do mundo. Botsuwana? Tá lá. Madagascar? Também. Fora a implicações ideológicas, o site é mega útil nesse mundinho jornalístico, nem que seja pra matar a curiosidade.

6.10.09

"Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime. Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?”
Bertold Brecht

2.10.09

1.10.09

Google scholar

Devo ser uma das últimas pessoas a ter descoberto isso (grande Kauê), anyway. O google/deus/etc. tem um serviço chamado scholar que é muiiito legal. Além de catar artigos web afora, disponibiliza livros in-te-i-ros em pdf! Quase correu uma lágrima agora...

Palestina ocupada

"Movido antes por compaixão que por raiva, um querido amgo refletia certa noite, enquanto conversávamos em sua casa em Hebron, que "a história não perdoará o que foi feito com o povo inocente da Palestina". Já eu não tenho tanta certeza a respeito do que a história efetivamente fará: afinal de contas, tudo depende de quem estiver escrevendo – o conquistador ou o conquistado. Mas nem por um momento tenho dúvidas quanto ao que a história deveria fazer. Certa vez ouvi uma pessoa que muito admiro e respeito falar sobre suas experiências no gueto de Varsóvia e nos campos de morte nazistas. Questionada posteriormente sobre sua opinião sobre o conflito no Oriente Médio, minha mãe respondeu sucintamente: "Que crime cometeram os palestino senão nascer na Palestina?". É esta a realidade fundamental esquecida em todas as imagens fabricadas sobre o conflito israelense-palestino. O grande crime cometido pelos palestinos foi terem se recusado a cometer a auto-espoliação; não quiseram "escafeder-se" para dar lugar aos judeus. Talvez seja verdade que o código de ética comum da humanidade seja - pelo menos no momento - bastante rudimentar; mas este padrão rudimentar é suficiente para entender que o povo da Palestina foi vítima de uma injustiça colossal."
Normam G. Finkelstein, Imagem e realidade do conflito Israel-Palestina