25.12.10

Tulipa, Jeneci e Muriel - Indicações musicais e quadrinísticas

Darling, deixa eu te contar (que às vezes só subindo no salto e encarnando a drag pra conseguir escrever). Descobri, conheci, passei a ouvir dois cantores fantásticos nesses últimos meses: Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci. Os dois fazem parte da "nova cena musical paulistana", mas mais do que isso, eles têm aquele gosto de é isso aí que eu sinto também com a surpresa boa de uma música que te faz parar para ouvir e consegue dar um pouquinho mais de sabor ao dia.
A Tulipa eu vi cantar ao vivo na Augusta, o Marcelo eu perdi por causa de um temporal e daquela preguiça que ataca o fim de tarde de domingo e faz tudo parecer tãaao longe, mas cara a cara ou interneticamente os dois arrasam. Fica a dica, de presente de natal pra ouvir nesse limbo até o ano novo.



Melhor viver meu bem Pois há um lugar Em que o sol brilha pra você Chorar sorrir também e depois dançar Na chuva quando a chuva vem...

***

Falando em drag, o Laerte tá com uma série de tirinhas que satirizam a suposta ditadura gay muito bacana lá no Muriel Total. Coisa de gênio, bicho. Porque todos nós sabemos que esse mundo tá virado de cabeça pra baixo e só saindo no salto, de tanga e coberto de glitter para ser aceito, right?

Oi, página em branco.
Oi, Paula.
Tudo bem por aí?
Tudo e contigo?
Mais ou menos, ainda na mesma página.

18.12.10

Jabá da 21ª turma do curso Estado de jornalismo intensivo

Fui pra Sampa fazer o Curso Estado de Jornalismo, uma espécie de trainee do Estadão que mistura aulas, palestras, prática na redação e 30 focas de várias partes do país num combo de mais ou menos 12 horas por dia no jornal. O curso acabou na sexta passada e além do vazio de voltar a ter uma vida (ou não, já que ficar de molho sofrendo a perda dos sisos não está exatamente entre as coisas que eu mais gostaria de fazer quando voltasse a ter tempo livre), ficaram também alguns links que eu devia ter indicado antes, mas sacomoé, antes tarde que mais tarde.


Focolândia reunida

No blog Em Foca é possível acompanhar a rotina do povinho nesses três meses e também os bastidores da produção das matérias do caderno Sob nossos pés, sobre os subterrâneos da paulicéia.



Encartado junto com a edição de 11 de dezembro do jornal, o caderno é a cereja do bolo do curso e vem com matérias assinadas e feitas com muito carinho pelos 30 focas. Os texto podem ser lidos em pdf aqui.



Pra completar, com o fim do curso entramos todos para o banco de talentos do Estadão (o que me lembra, se alguém souber de alguma vaga bacana pra repórter em São Paulo ou no Rio, estamos aí). E já que o clima é de fim de feira, segue um vídeo com a formatura e afins.

2010, amigos e saudade

2010 foi - e como faltam menos de 15 dias pra 2011 me sinto no direito de usar foi - um desses anos pra lembrar. Não que 2009, 2008 e os últimos anos não tenham sido memoráveis, mas foi quando terminei um processo de deixar a casa a mãe e os pagos em que cresci que comecei ainda em 2005 quando mudei pra Porto Alegre.
O ano, que começou no paralelo 30º com aquele gosto azedo de quem tinham recém voltado de algum lugar do qual não queria retornar, não ainda (não fosse a monografia, eu tinha atravessado o Titicaca e partido pro Peru e onde mais arranjasse amigos pelo caminho), terminou numa São Paulo carregada de garoa, com um sol escondido e mais 30 e poucos amigos pra sentir saudade. Fora o Rio, que apareceu do nada em março quando o calor abrasador ainda não tinha amenizado e o futuro era um borrão agoniante. Também com mais amigos, mais saudade e menos inverno, além daquele garoto em Ipanema por quem me enamorei.
Agora aqui na grande Caxias do Sul, com quatro sisos a menos e indicações médicas para não sair de casa, nem fazer movimentos bruscos não consigo não pensar que a vida é sim a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
Tem muito mundo, muita gente, muita coisa pra se conhecer e sentir saudade aí fora. E se eu repetir as palavras amigos e saudade mais algumas vezes nesse texto, por favor não pensem que é falta de vocabulário nem desatenção. É mais algo em que me tornei especialista nesses últimos tempos.

15.11.10

Primavera em Porto Alegre


Jacarandás floridos, feira do livro, o frio indo embora de fininho, sol até às 20h, cerveja e manga curta... A melhor época pra se estar na cidade.



(Desenho do Kayser, foto do pátio da Fabico)

14.11.10

Às vezes tenho a sensação de que a vida só existe quando registrada, contada, testemunhada. Terei vivido esses dias se não puder lembrá-los? A memória é mesmo uma ilha de edição? Até que ponto somos o que vivemos ou vivemos para contar?
Construindo castelos de cartas de palavras todos os dias, atrás de histórias que amanhã servirão de banheiro de cachorro, me pergunto se não faria mais sentido estar lá fora testemunhando do que aqui escrevendo.

7.11.10

Wild horses couldn't drag me away

Ando numa vibe ouvir músicas repetidamente. Depois de Vambora da Adriana Calcanhoto e Essa noite não do Lobão o prêmio desta noite vai para.... Wild Horses dos Rolling Stones!

“Eu sou uma parte de tudo o que encontrei”
- Ulysses, de Alfred Lord Tennyson

13.10.10

Perder as ilusões, o entusiasmo, é o pior que se pode pensar. Uma vida que nunca foi vivida é o pior que pode acontecer a alguém”.
Mario Vargas Llosa

11.10.10

E na esquina da rua Eça de Queiroz



Tornando minhas manhãs a caminho do metrô literariamente mais divertidas.
Eu deveria estar escrevendo loucamente, querendo escrever loucamente, soltando palavras pelos poros, mas... não. Escrever tem sido difícil, até mesmo dolorido e vergonhasamente tenho evitado a página em branco. Quem sabe admitir isso já não seja um começo no meu caminho de volta ao texto.

By the way, São Paulo é duca.

5.10.10

Camaradagem jornalística online

Perdida atrás de um personagem para uma matéria nessa pequena cidade de 11 milhões de habitantes, descobri através de uma amiga o site Ajude um repórter. O negócio é simples: você escreve o que precisa (alguém jovem que operou o joelho em Sampa, por ex) e eles espalham a notícia pelo twitter com o teu contato. E taran. As indicações chegam por e-mail.
Uma grande rede de camaradagem jornalística online.

Nossa Senhora das Street de Salvador

15.9.10

Um banho, uma sopa, alguém de salto alto no andar de cima que não para de caminhar pra cá e pra lá e um texto pra escrever pras 23h59. Mais as duas horas diárias de metrô plus bus pra ir e voltar, o depertador eterno pras 6h e alguma que outra cerveja e voi lá: São Paulo.
E ainda assim, uma vontade louca de gritar: quando cruzo a Ipiranga e a Av. São João...

6.9.10

Informe

Então, povinho. Hoje meio que começou oficialmente o Curso do Estadão que me trouxe à Sampa city. Eu e mais 29 coleguinhas assistimos à sabatina do Serra pela manhã e passamos à tarde a cata de pautas no centro a cidade, que sabe ser bonito de uma forma cruelmente cinza. Uma mistura de "de volta aos bancos escolares" e trainee, já que daqui três meses os melhores da turma serão premiados com uma vaga no grupo.

A sabatina foi quatro quatro meia, como diria o grande Tim Maia (só tenho uma coisa a dizer sobre a biografia do Nelson Motta, Tim Maia - Vale tudo: leiam!). Durante pouco mais de duas horas os três entrevistadores pegaram descaradamente leve, chegando a levantar algumas bolas pro homem e deixando ganchos verdes neon para perguntas passarem.

Começou pela questão da quebra de sigilo da filha do candidato, Verônica, que Serra insistiu em ressaltar que deve ser tratada não como uma questão de prejuízo eleitoral, mas como um crime. Além do "somos todos Francesnildos", frase que o candidato soltou na semana passada e que foi multiplicada por todos os jornais do país, Serra afirmou que o PT é um partido que convive com esfoço com a democracia, com uma vocação francamente bolchevique, mas sem a ideologia e por aí vai.

Sabe, acho que já destravei. Borá pra matéria!

5.9.10

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Fernando Pessoa

30.8.10

Até logo, Rio

(cuidado, texto pingando de clichês)

Estou a caminho de Sampa após memoráveis seis meses de Rio de Janeiro. Nesse meio tempo não subi nenhuma favela, comecei a chiar, peguei praia todos os dias ou acabei num baile funk. Tão pouco escrevi as reportagens da minha vida. Mas fiz um bocado de bons amigos, desses pra guardar pra vida, suficientes pra me fazer pensar três vezes antes de abandonar a cidade maravilhosa.
No fim, indo atrás de uma vida nova e aventureira acabei em meio a uma rotina acomodada, com um cobertor de orelha e uma pseudo-família que apesar de não serem o que eu achava que queria eram justo o que eu precisava. Às vezes me sinto um tanto franco-atiradora em relação à vida, indo sempre de acordo com a maré sem construir nada, mas talvez semear amigos seja tão importante quando erguer castelos invisíveis.

E quem é que sabe o que vai acontecer semana que vem?

Sorte pra todos nós, que eu vou seguir me espalhando por aí feliz de ter muitos braços para os quais voltar. Seja em Caxias, Porto Alegre, no Rio ou na Bolívia.

9.8.10

Gaza

"Outro exemplo da informalidade econômica crescente em Gaza é a economia dos túneis, que começou a emergir há muito tempo, como primeira resposta ao bloqueio, e criou uma linha vital de abastecimento para uma população que vivia numa prisão a céu aberto. Segundo economistas locais, cerca de 2/3 da atividade econômica em Gaza é hoje orientada para o contrabando de bens que entram em (mas não saem). Mesmo essa última linha vital de abastecimento pode ser diminuída em breve, se o Egito – com a colaboração de engenheiros do governo dos EUA – concluir as obras de construção de uma muralha de aço, parte dela enterrada até o subsolo, ao longo da fronteira com Gaza, numa tentativa para conter o contrabando e o ir e vir de pessoas. Se a muralha chegar a ser completada, terá cerca de 8 km de comprimento e 15m de profundidade.

Os túneis, que Israel tolera em nome de manter inalteráveis as regras do bloqueio, são também importante fonte de renda para o governo do Hamás e as empresas associadas a ele, o que efetivamente enfraquece as modalidades tradicionais e formais de negócios e qualquer possibilidade de reconstruir um setor viável de comércio e negócios. Desse modo, o bloqueio de Gaza levou a um processo lento mas regular pelo qual se substituiu o setor formal de negócios por outro, quase totalmente marginal e paralelo, um mercado negro, que resiste e rejeita qualquer tipo de registros, regulação ou transparência e que, desgraçadamente, tem o máximo interesse em que as coisas mantenham-se exatamente como estão hoje.

Pelo menos duas novas classes econômicas emergiram em Gaza, fenômeno que teve antecedentes no período de Oslo: uma dessas classes tornou-se extraordinariamente rica, em boa parte por causa da economia de mercado negro dos túneis; a outra é constituída de alguns empregados do setor públicos, pagos (pela Autoridade Palestina na Cisjordânia) para não trabalhar (para o governo do Hamás). Assim, não apenas muitos trabalhadores de Gaza foram forçados a parar de produzir por ação de pressões externas; há hoje, além disso, uma nova categoria de pessoas recompensadas por não produzir – o que não deixa de ser espantosa ilustração-exemplo da realidade cada dia mais distorcida na qual a população de Gaza tem de sobreviver. Tudo isso levou a disparidades econômicas visíveis e monstruosas entre os que têm e os que não têm – como se constata no consumismo pervertido, em restaurantes e shopping-centers, nos quais só pisam os que têm."

3.8.10

"Aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo,vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém."
John Lennon

29.7.10

Torcida

Tava lendo "O Diário" do Alê quase como quem lê ficção. Curiosa, querendo saber a continuação, triste por que mais só amanhã ou depois. Mas mais do que tudo, torcendo muito. Gritando por dentro 'Vai lá, Alê, não desiste, daqui a pouco rola".
É fácil dizer vai longe do fogo cruzado, e ao mesmo parece que se alguém que a gente realmente acredita conseguir o mundo faz um pouquinho mais de sentido e a gente pode conseguir também. Fora que torcer nos exime temporariamente de lutar também.
E sabe que dá até vontade de escrever um diário?

Enfim.

Vai lá Alê, não desiste, daqui a pouco rola.

Lembrando que é possível acompanhar a saga do Alê e da Thais nOs Estrangeiros.
E o diário de bordo (ou seria diário de dentro?) do Alê no O diário.

27.7.10

Antes tarde do que mais tarde, a manifestação do dia da mulher da Via Campesina


Em março, alguns dias antes do dia da mulher, acompanhei uma manifestação da Via Campesina pelo centro de Porto Alegre. Mulheres de todo o estado acompanhadas de estudantes e representantes de outros movimentos sociais se reuniram para marchar contra a opressão e mais especificamente contra a aprovação de um projeto que permitia a plantação de arroz transgênico.

Toda a manifestação foi pensada para englobar a idéia da mulher, contemplando o dia 8, e fazer com que a pessoas e o Governo refletissem sobre os males do uso de transgênicos. Enquanto parte delas foi a Esteio protestar em frente a uma fazenda que trabalha com transgênicos outra foi ao Ministério da Agricultura no centro da Capital.



Segundo elas, os químicos presentes nos alimentos trasgênicos podem ser transmitidos pelo leite materno até a quarta geração. Para lembrar isso, cada uma fez um bonequinho de papel machê em forma de caveira, carregado para todos os lados como um bebê. Os nossos bebês no futuro.

Acompanhei esse segundo grupo.

Vestidas com os lenços lilazes da Via e muita coragem elas fizeram um protestos muito bonito que acabou nos jornais como apenas mais uma marcha que atrapalhou o trânsito. Depois de espalhar milho e arroz transgênico no chão do ministério, uma delas leu os motivos do protesto e as reinvidações e todas juntas começaram a cantar e amamentar os "bebês", que elas apelidaram de "filhos do capitalismo".


Munida de uma grande irresponsabilidade jornalística, esqueci de checar a bateria da minha máquina e só consegui capturar uns pedaços da manifestação. Como essa quarta também foi o dia que descobri que viria por Rio (e no sábado eu já havia pousado aqui), acabei esquecendo as fotos, mas não a história. Hoje arrumando meus arquivos as encontrei.

Uma selecionada rápida, deu pra salvar um pouco do material que pode ser visto aqui.

Duas amigas jornalistas estavam lá e escreveram um texto com todo o calor da hora que tentamos mandar pra deus e o mundo, mas que acabou apenas nas nossas caixas postais:

Mulheres da Via Campesina fazem protesto contra os transgênicos e o capital

“Esse é o nosso país, essa é a nossa bandeira. É por amor a essa pátria, Brasil, que a gente segue em fileira, É POR AMOR A ESSA PÁTRIA, BRASIL, QUE A GENTE SEGUE EM FILEIRA.”

Foi sob o sol das duas da tarde da quarta-feira, 3 de março, que cerca de 900 mulheres - agricultoras, operárias e estudantes - entoaram esta canção que sintetiza a razão de sua luta. Se algum jornalista da mídia corporativa quisesse ouvi-las, bastaria segui-las nos 3 km de caminhada, isto seria o bastante para uma REPORTAGEM. Não, não seria necessário realizar inúmeras entrevistas. Bastava ouvir as palavras de ordem e canções entoadas por elas.

“Globalizemos a luta! Globalizemos a esperança!” “Pátria livre! Venceremos” “Sem feminismo, não há socialismo!” “Na luta do povo... ninguém se cansa!” “A nossa luta é na roça e na cidade, pra construir uma nova sociedade.” “Pra mudar a sociedade do jeito que a gente quer, participando sem medo de ser mulher...”

Para informações mais concretas, bastava ler seu panfleto (sim, além de discursar, cantar e puxar palavras de ordem, elas sabem se comunicar muito bem através da escrita. Deixam a maioria dos jornalistazinhos da mídia corporativa para trás).

“Dados do censo agropecuário mostram que o pequeno agricultor produz cerca de 80% da comida que chega à mesa do brasileiro. É a agricultura camponesa que pode produzir alimentos variados e agroecológicos (sem o uso de venenos), garantindo comida saudável à população.

Por isso, reivindicamos:

· Que os governos federal e estadual priorizem a agricultura camponesa coom subsídios que incentivem a produção e a comercialização de alimentos saudáveis;

· Exigimos que seja revisada a liberação do milho transgênico;

· Que a CTNBio não libere o arroz transgênico. O cultivo não é liberado em nenhum outro país do mundo;

· Fiscalização às empresas para fazerem cumprirem a Lei da Rotulagem (obriga que os produtos que tenham sementes transgênicas em sua composição sejam rotulados), que permite às pessoas escolherem o que querem comer;

· Que seja retirada de votação no Consun (Conselho Universitário) da UFRGS o projeto do Parque Tecnológico. Que o projeto seja discutido e tenha a participação dos estudantes e movimentos sociais;

· Que a legislação de vigilância sanitária seja flexibilizada a fim de facilitar a comercialização dos produtos da agricultura camponesa.

Assinam este panfleto: Via Campesina – MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados) – Intersindical – Levante da Juventude”

A ação direta da Via Campesina, uma articulação formada em sua maior parte por movimentos camponeses, iniciou cedo: às 6h da manhã cerca de 400 mulheres saíram da rodoviária de Porto Alegre em direção a transnacional Solae, em Esteio. A empresa é um dos maiores complexos de processamento de soja transgênica (90% da que temos na mesa) da América Latina. Só isso. Outro grupo menor, de cerca de 50 mulheres, realizou a ação direta na delegacia do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Nos dois atos, as mulheres amamentaram os “filhos do capitalismo”: pequenas caveiras feitas de papel machê. Uma das representações deste ato é que os agrotóxicos e transgênicos contaminam o leite materno por quatro gerações. Além disso,os transgênicos aumentam o índice de câncer e outras doenças na população.

É necessário esclarecer que os transgênicos implicam o uso de agrotóxico. Obrigatoriamente. Por isso quem circulou no sétimo andar do MAPA viu grãos de milho e arroz (as mais recentes espécies transgênicas liberadas pela CTNBio) e também galões de agrotóxicos esparramados pelo chão.

REPRESSÃO – Direito de ir e vir? Direito à livre manifestação? A criminalização dos movimentos sociais no dia de hoje não foi diferente do que sempre ocorre em manifestações e encontros organizados pela Via Campesina, que sempre são consideradas instauradoras do ódio e da destruição do chamado “Estado de Direito”.

Já em Esteio, a BM cercou as mulheres durante todo o ato. Não satisfeitos, levaram-nas escoltadas até o Parque Harmonia (embora não fosse seu destino). Antes das manifestantes chegarem à Reitoria da UFRGS, estudantes se confrontaram com seguranças a fim de que o portão da universidade pública se mantivesse aberto quando a Via chegasse. Quando isto aconteceu, movimentos camponeses e urbanos ocuparam juntos a Reitoria. Uma comissão de 20 pessoas foi solicitar ao reitor que adiasse a votação do projeto do Parque Tecnológico, que estava programada estrategicamente para a sexta-feira (detalhe número um: este projeto está sendo tocado sem o mínimo debate com a comunidade acadêmica; detalhe número dois: as aulas na UFRGS iniciam na segunda-feira).


Ana Lúcia Mohr e Aline Rodrigues

Não sei a quantas andas essa história do arroz. A última notícia que tive é que o negócio estava mesmo para ser liberado.

Enfim, antes tarde do que mais tarde.

Pra fechar um vídeo com um pedacinho da música que elas cantavam. A bonita aqui conseguiu pegar apenas o pedaço mais sem graça...


video

Mais valia



Malvados

18.7.10

Sobre o fim do Jornal do Brasil

“Essa semana uma senhora de idade que vem sempre aqui na banca me ligou chorando. “Alexandre, como que eu fico agora? Eu leio o jornal do Brasil há 50 anos!” As pessoas trabalham no Globo porque paga melhor, mas não amam o jornal. As pessoas amavam o Jornal do Brasil.”

Seu Alexandre, da banca lá na frente de casa sobre o fim do JB, que já foi o mais jornal do Brasil e que essa semana apenas decretou o fim de uma morte que todos anunciavam há tempos.

“Quando alguém me perguntava onde eu trabalhava, eu tinha orgulho de dizer: Avenida Brasil, 500 (antigo endereço do JB). Eu amava aquele lugar.”, taxista que trabalhou na cozidoria (distribuição?) do Jornal do Brasil 15 anos atrás.

Quem foi que disse mesmo que os jornais não são apenas jornais? Eles têm alma.

5.7.10

Começo a entender porque as pessoas vem pra cá morar três meses e acabam 50 anos. O Rio te irrita, é caótico, mas ao mesmo tempo te pega pela jugular e deixa mal acostumado. Afinal, não é qualquer um que pode dizer que mora num cartão postal.

4.7.10

Deriva carioca

Retratos de uma humilde tarde de domingo na cidade maravilhosa.

Começamos com um Cristo a espreita, insistindo em colocar a cabecinha pra fora além do cemitério.


Depois a galera curtindo o jornal de domingo. Cada um do seu jeito.



E bem no meio da cidade a natureza teima em aparecer.


Os macaquinhos, que não são bobos, são os que mais se dão bem na terra das bananas.


E pra fechar, mais Cristo. Verde amarelo e torcedor. Mesmo com o Brasil fora Copa.

1.7.10

A terceira guerra mundial passou lá em casa e deixou confetes de lembrança


.
A terceira guerra mundial passou lá em casa e deixou confetes de lembrança
Entre risos, lazanhas e taças de vinho entornado o gosto de segurar um pouco o tempo e a rotina
A máquina de moer carne que nos faz acordar às seis e dormir às dez, sem forças e sedentos de vida
Um brinde a vida, um brinde a vontade de brindar
Um brinde ao dia em que teremos coragem de fazer a roda parar
.

29.6.10

Des memórias paulistas

Tentando escrever sobre a Bolívia que vai fugindo pouco a pouco e às vezes a galope da minha cabeça, achei esse pedaço de diário de bordo - que eu pretendia manter, mas abortei - do primeiro dia de São Paulo e da "operação" oficialmente.

"Garoa na terra da garoa.

Sempre que venho a São Paulo me dá uma vontade de sair gritando: “São Paaaaaulo, São Paaaulo”. A garoa, os prédios, o cinza. A cidade pulsa como uma megalópelo e os seus cerca de 11 milhões de habitantes fazem questão de caminhar como se soubessem estar em um dos lugares mais importantes do mundo.

Fiquei num hotel no centro, perto da praça da República e da Av. São João, clássicos da cidade. O que eu mais gosto daqui são as lancherias, que se empilham uma do lado da outra com seus mistos quentes e frutas penduradas na porta.

Ironicamentei, terminei a noite num restaurante gaúcho com duas africanas.

27.10.2009"

Em tempo,

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João...


Desenho #1


Desenhei hoje "a sério" pela primeira vez em algum tempo. Nada de mais. Cadeiras, a minha mão. só pelo gosto de escorregar o lápis (6b recém adquirido, ê, ê) pelo papel.

Enfim, a famigerada monografia

Todos aqueles que acompanharam - ou não - o meu tormento monográfico provavelmente devem ter sentido falta de uma coisa, a cereja do bolo, a prova de que eu não estava reclamando à toa e viajando no ácido, a bichinha final, aquela que se pudesse ser traduzida em horas equivaleria a uma bunda quadrada e noites sem dormir de digitação e preocupação: a monografia.

Antes tarde do que mais tarde, segue o pdf da bichinha (hoje acordei com um pézinho no nordeste).

Ok, essa vontade de publicação súbita me-ses depois da banca teve um empurrãozinho. O autor do finado blog "O Biscoito Fino e a Massa", que analiso, por uma dessas coincidências internéticas da vida leu o texto e gostou (e bastante), o que me dá um certo alívio e um bocado de orgulho, afinal não dormi, engordei e me esforcei estudando para que a pesquisa ficasse bacana ou ao menos razoável.

Também foi muito legal descobrir - e agora a modéstia que vá pras cucuias - que a monografia foi baixada mais de cem vezes do site da UFRGS, em locais tão diferentes quanto os Estados Unidos, a Argentina e a Alemanha e que um trabalho que inicialmente "no máximo oito pessoas iam ler em vinte anos", como disse certa vez um professor, serviu para alguma coisa e está por aí. Servindo de tijolinho pra outros trabalhos e ajudando a construir, quiçá, conhecimento (seja lá o que signifique isso).

De novo, agradeço aos amigos do peito irmãos camaradas que ajudaram, quando não lendo e corrigindo, me ouvindo pirar sobre links e a Palestina ou apenas confiando que ia acabar tudo bem - em especial a Analu, que imprimiu ela quando eu estava em outro pagos, sofrendo por outros textos -, e a minha grande orientadora Laura Storch. Sempre que ouço comentários de orientação faço questão de destacar como foi importante ter a Laura por perto, podendo recorrer a ela a qualquer hora - mesmo.

Ok, sem mais blá blá, a monografia (só não se assustem com o tamanho do título):


Em breve e com sorte na versão artigo para congresso.

22.6.10

"Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas".

Riobaldo, Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa

21.6.10

Sopa de ervilhas S.O.S Malibu

Então o trabalho não está aquela coisa, o frio pegou pra capar e pra completar uma gripe abana de longe. Na falta de pai, mãe, cobertor de orelha ou coisa que o valha capaz de ter um efeito dorflex reconfortante (ou mesmo com tudo isso e ainda com a barriga vazia), é hora de apelar pras panelas e pupilas gustativas, e tomar aquela que a decisão que apesar de resultar invariavelmente numa pia de louça suja, sempre tem o seu valor: cozinhar.

O momento pede algo que alie gostosura, facilidade, sensação quentinha e, de preferência, um Benegripe no fim pra evitar problemas futuros. Que fazer então? Sopa de ervilhas, ora bolas! E não venham me dizer que ervilhas são insossas, verdes e deveriam ser excluídas do cardápio de qualquer pessoa em sã consciência (meu antigo argumento de RU). Com um pouquinho de jeito elas não só salvam a noite, como ainda ficam com cara de mamãe que fez.

Primeiro, a passada básica no mercado ou em casos mais prevenidos, na dispensa (a porção é dessas pra fazer e sobraaar. Na dúvida divide por dois, três, quatro... ).

Você vai precisar de:

  • meio kg de ervilha seca (aquela de pacote que de longe lembra lentilha. Inclusive, ela fica perto das lentilhas e grãos assemelhados no mercado);
  • algum bacon ou calabresa ou os dois;
  • 1 cebola média
  • sal, pimenta e todo e qualquer tempero velho de guerra que estiver sobrando e você achar interessante;

Detalhes descartáveis altamente recomendados:

  • 1 dente de alho
  • louro
  • 1 tomate ou extrato
  • caldo de galinha
Com a bateria de ingredientes em mãos, vamos ao preparo. A sopa é facílima, o único pense duas vezes é o tempo (1 horas e pouquinhos) que leva pra ficar pronta. Em dias animados, eu faço um panelão e aproveito pra guardar porções na geladeira e ter assim uma home made food em tempo de fast food pros dias de necessidade.

Mas tergiverso, enfim a receita:

Pegue a ervilha e coloque numa panela com bastante água e tempere. Temperar é uma coisa relativa, mas recomendo os clássicos sal e pimenta, mais uma folha de louro e um caldo de galinha. A idéia é cozinhar até a ervilha ficar macia, o que depende de cada fogão. Na dúvida, de dez em dez minutos dá uma boa mexida e avalia a situação. Em mais menos uma hora ela deve chegar lá. Quando a ervilha estiver quase pronta é hora de picar a calabresa ou o baicon ou os dois, a cebola, o alho e o tomate e mandar pra frigideira rock´n´roll. Assim que a gordurinha escolhida torrar, é só jogar na panela com a ervilha, mexer e ser feliz.

Em casos de vontade de algo mais feijãozinho feliz, antes de misturar tudo dá pra bater ou esmagar um pouco a ervilha com uma espumadeira e beber de canequinha com aquele pão dormindo de anteontem.

A felicidade está nas pequenas coisas. Às vezes nas grandes canecas de sopa.

19.6.10

Até o infinito



"Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está por baixo. Não é minha culpa se de vez em quando me saem monstros."
José Saramago

Da mesma forma que acredito que livros podem salvar vidas, vejo escritores como parte da família. Amigos distantes, com quem apesar de não ter contato converso telepaticamente sempre que possível. Alguns deles tem o pode único de ler meus pensamentos e transcrever emoções que eu sabia que tinha, mas não como formular, ou ainda de me levar pra outros lugares e momentos. são capazes de fazer a cabeça e o mundo girar.

Assim me sinto no direito de ficar de luto pela morte do Saramago já que perdi um amigo querido, com quem passei muitas horas entre ensaios, teorias, e ilhas desconhecidas.
Uma dessas pessoas que é bom saber que vivem entre nós. Que afirma apenas por existir que é possível ser coerente, lutar pelo que acreditamos e fazer alguma diferença. Além de ser um dos meus escritores preferidos, é claro.

Que vá em paz e sem deus, se diluir no infinito já que como dizia ele, morrer é apenas a diferença entre estar aqui e não estar mais.

14.6.10

Quase parindo um filho chamado Angústia

"Nós não lutamos por um mundo no qual a garantia para não se morrer de fome troca-se pelo risco de morrer de tédio."

Raul Vanengein
(em Tratado da sabedoria de viver para uso das jovens gerações)


Citação presente no livro Sem tesão não há solução do Roberto Freire.

13.6.10

13 graus

Faz 13 graus no Rio de Janeiro (e só durante à noite, à tarde o mundo é lindo está sempre em 20, 25), e é quase como se estivesse nevando. As pessoas se enchem de mantas, botas, casacos. Esfregam as mãos e andam curtinho, mais ou menos como a gente caminha quando faz seis graus e o vento sopra forte, rangueando os cuscos e imitando o minuano. No meio disso tudo, os estrangeiros que vieram de lugares onde 13 graus é alto verão andam despreocupados com a camisa da seleção e bermudas. O estrangeirismo é um estado de espírito e uma noção de temperatura.

11.6.10

Índice Butão, minha gente. Índice Butão. A gente tem que ir atrás é de ser feliz, o resto é resto.

2.6.10

Escrever, eu disse escrever?

31.5.10

Viciei nessa mulé

Deus


Via @benetti.

If I had the chance I’d ask the world to dance

Uma certa timidez que me acompanha desde sempre e um virginianismo tremendo tem me tirado a vontade de escrever por aqui. Enjoei do layout, fiz outro e vi que no fundo isso não era o problema. Pirei um pouquinho, fiz outro blog e pensei "lá ninguém vai me ler, ha ha ha", mas vi que isto também não tinha sentido. Afinal um blog sem leitores não é um blog, certo? Daí deixei o negócio em banho maria, fui pra outros pagos e... também não era por aí.
Na falta de saber o que fazer, decidi enfrentar a questã de frente: escrevendo. Prometo solenemente escrever um pouquinho por dia, todos os dias... pelo próximo mês (também não vamos exagerar). Nem que seja um paragrafinho. É uma forma de domar a minha falta de disciplina literária e me fazer sentir um pouquinho mais útil. Digamos que é uma espécie de 'saving Paula program', só que pra me salvar da acomodação de ser gente de segunda a sexta com sete horas de trabalho e uma de intervalo. Haja coração pra aguentar tamanha rotina.
O programa também inclui ô de sempre: mais livros, mais exercício e mais amigos. Como a parte dos amigos fica geograficamente prejudicada, vamos entrar com mais estudo e menos comida. Quero ao menos ir ou voltar caminhando os 3 km que separam do job todos os dias - isso pra não falar subir a escada que me separa do sexto andar la labuta porque aíte m que acordar mais cedo, pra chegar mais cedo e sair mas cedo... e vamos uma coisa pro vez.
O fator livros foi resolvido com uma visita a Porto Alegre de Todos os Santos e uma mala de rodinhas vazia que voltou abarrotada - um bom livro pode salvar uma vida, ou ao menos levar a gente pra outro lugar. Ao menos comigo é assim desde sempre (o que lembra - Extremamente Alto & Incrivelmente Perto do Jonathan Safran Foer. Chorei lendo. E eu não choro lendo - nunca. Lindo, lindo, lindo). Também descobri uma biblioteca nos fundos de uma praça florida que me fez dar pulos de alegria e onde devo passar os meus 60 minutos de intervalo de agora em diante.
O estudar é simples. Google acadêmico, a tal biblioteca e polígrafos resgatados do fundo das caixas de papelão que guardavam os meus últimos cinco anos.
Sei que esse blog não é um diário, nem pretende ser. Mas como disse o Ale uma vez num post muito bonito que pingava de tão sincero que a minha memória de elefante guardou - talvez eu precise de um diário.

Por hoje é só pessoal.

20.5.10

Deu, cansei. I can blogspot anymore.

17.5.10

Segunda-feira de manhã perigosa. Estou pensando seriamente em comemorar o dia da internet com um blogcídio.

Domingo à noite vamos sair pra dançar, por favor

E esse foi o ano em que viramos todos oficialmente "adultinhos". Sem a desculpa da prova terça-feira de manhã, sem pai nem mãe pra rechear a conta bancária, pagar o aluguel e evitar semanas de miojo, sem alguém pra pôr o lixo na rua, fazer o almoço, dizer que vai ficar tudo bem.
Só você, a metralhadora da sua cabeça e o peso das suas escolhas. Cada passo um caminho, cada caminho 99 que ficam para trás em progressão geométrica. Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução.

15.5.10

"mais que fragilidade das forças sociais, o que vivemos é uma crise das alternativas. Boaventura de Souza Santos tem uma ideia interessante: a hegemonia não se dá mais pela imposição dos interesses da classe dominante como se fosse algo bom para toda a população, mas porque não existe alternativa. As coisas são do jeito que são porque não há alternativas, eis uma noção muito presente nos discursos dos administradores políticos, por exemplo. Um contexto em que o pensamento alternativo é tratado como inviável acaba impondo muitas dificuldades para a imprensa de resistência ao pensamento dominante."

Aqui.

9.5.10

Matemática

Se você trabalha 8 horas por dia e ok, segue os supostos preceitos da boa saúde e também dorme 8 horas sobram, em tese, 8 horas pra basicamente, viver. Bastante, né? Mas claro, dessas 8 temos que descontar ao menos 1 de ida e volta do trabalho. Ok, ainda sobram 7 horas inteirinhas. Perae, tira mais meia pra tomar banho e escovar os dentes. Tranquilo. 6 e meia. Tá, mas se você por acaso almoça no trabalho ainda faltam o café e a janta que devem consumir ao menos uma horinha nos deixando com 5 e meia horas de vida, pernas pra cima, ócio criativo, o que der na telha. Desconsiderando que é preciso pagar contas, limpar as casa, colocar o lixo pra fora e todas essas coisas que mantém o lar funcionando, o que a gente dá, com sorte, meia hora, ainda sobram 5 horinhas pra viver. Espremidas entre a hora de trabalhar e a de dormir. Sou só eu ou tem alguma coisa muito errada nesse cálculo?

6.5.10

Um pouquinho de Manaus



Aqui estão algumas fotos de Manaus. Pra dar uma olhada é só ir lá no Flickr. Se não me engano, o adress permanente é http://www.flickr.com/photos/pbbianchi.
Lembrando que a palavra da cidade é "água". Tudo gira em torno dos Rios Negro e Amazonas, que olhando do avião parecem o mar.

* O "vida difícil" é uma relação com a expressão "vida fácil" usada para designar prostitutas. Por que ganhar a vida assim é tudo, menos fácil.

Meu mapa de Porto Alegre



Nessa ânsia de cruzar fronteiras, a primeira cidade que me recebeu depois que Caxias já não dava mais foi Porto Alegre. Sempre extremada, encravada num meio termo de Brasil e sul do mundo. -2 ou 40 graus, Inter ou Grêmio, direita ou esquerda, Cidade Baixa ou Moinhos de Vento, Parcão ou Redenção, Brasil ou Rio Grande e por aí vai.

Admito, conheço pouco Porto alegre. Um pouco por apego outro tanto por comodidade. A gente acaba frequentando sempre mais ou menos os mesmos lugares e deixa de explorar a cidade. É preciso ter olhos de turista sempre que possível e fui perdendo eles conforme fui me naturalizando ao paralalelo 30.

Meia culpa feita, segue uma lista que estou desde antes de decidir oficialmente mudar de ares querendo elaborar. Era pra ser um guia pra uma amiga de outros pagos que ia, e no fim já veio e já foi e esse texto não saiu do lugar, passar um tempo na capital dos gaúchos. Agora fica mais como um relicário de memórias, um mapinha mental pra voltar.

A ordem é de lembrança, não de prioridade e convido a todos a acrescentarem as suas também já que a idéia é que esse post siga enquanto houver vontade e lugares para descrever.

O primeiro lugar que me ocorre é, além de um dos mais óbvios, um dos que mais gosto: a Redenção, vulgo parque Farroupilha. Por sorte, sempre fiquei entre 2 e 5 minutos daquele colchonete verde aplacando assim a falta de grama e quintal que só alguém que cresceu em casa sabe como é.

Um lugar diferente a cada dia da semana, a Redenção é única por acolher sem preconceito do adoslecente metaleiro a patricinha mais salto agulha, passando pelos bichos grilos, playboys, esportistas de primeira viagem, esportistas consagrados, o magrão que decidiu começar uma vida saudável cinco minutos atrás, velhinhos, reggueiros, crianças, cults, pseudo cults e o que mais você conseguir pensar.

Cada um tem a sua tradição de Redenção. Eu, das milhares de coisas possíveis de fazer no parque que faz o meio termo entre o Cidade Baixa e o Bonfá, outros dos dois bairros do meu coração, tenho alguns programas preferidos. Pra não entrar em detalhes do tipo banquinho x do lado da árvore tal no Jardim Oriental, vamos ficar com um top 3 de recomendações:


1. Um bom chimarrão (preferencialmente ali pelo coqueiros do lado esquerdo de quem vem do Instituto de Educação ou da Barros Cassal nos áureos tempos de recém moradora) - com os amigos pra dar risada e falar da vida, sozinho pra pensar nela;

2. Pipoca doce (na única pipoca garantida, com duas vezes mais leite condensado que as outras, da barraquinha que fica a direita antes do parquinho em frente ao bar do lago e ao lado de uma freezer de bebidas, por supuesto) - preferencialmente ao pôr-do-sol perto do chafariz, mas essa parte é 'a gosto'. Com os amigos pra dar risada e falar da vida, sozinho pra pensar nela;

3. Ocupar nem que seja o último metro quadrado de verde que tiver no parque no domingo a tarde com ou sem chimarrão, mas com os amigos.

Menções honrosas pro Brique do domingo de manhã, mais pelo pessoal que domina a José Bonifácio – de músicos, a índios e comediantes nem sempre engraçados – que pelas coisas em si, a barriquinha de rapadura do brique do sábado e ao quentão no inverno, que não é necessariamente bom mas é ‘quentão’.

Por hoje é só pessoal. Se der, visitem a Redenção por mim que eu prometo que vou a praia por vocês.

4.5.10

Jabá de coração

Esse post está no forno mental há dias mas.. mas essa que vos fala não é necessariamente a pessoa mais blogueiramente responsável do planeta. Mea culpas a parte, segue uma lista de indicações que se por um lado servem pra dizer ‘rá, vejam como tenho amigos legais” por outro também servem para um “rá, que orgulho desse pessoal”.

Em primeiríssimo uma pessoa, três mídias:

Cris Rodrigues

* Recomendo fortemente o texto “Craques da especulação” da moça, publicado há duas semanas na revista Carta Capital.

http://somosandando.wordpress.com/2010/04/26/direto-da-carta-capital-a-materia-sobre-o-terreno-da-fase/

Fico muito feliz te ter acompanhado a evolução da indignação da Cris crescer de uma conversa entre uma garfada de lazanha – dilíça, por sinal – e outra, a matéria e uma série de manifestações contra a sacanagem que o governo Yeda está fazendo contra a vítima da vez, o terreno da Fase.

b. O que me leva a segunda indicação: o Somos Andando, blog em que a Cris fala com propriedade desse e de outros assuntos que a afligem, e no geral, afligem também - ou deveriam - boa parte da sociedade.

Nem vou me arriscar a explicar essa história da Fase, já que ela explica tim tim por tim tim nessa série de posts.

E pra fechar a sessão C.Rodrigues, o twitter da jornalista - @crisprodrigues – que congrega crítica política, indicações interessantes e um pouco de cotidiano que ninguém é de ferro.

Depois desse momento Cris, Cris, Cris é a vez da Revista Vírus Planetário, também em papel, site, blog e twitter.

Feita por um grupo de estudantes de comunicação carioca ela traz um pouco do outro lado da cidade maravilhosa, além de falar de política e afins.

Mas o mais importante, a Vírus faz tudo isso de forma SARCÁSTICA e engraçada. Meu reino por um pouco de ironia na esquerda brasileira! A Carta Capital que me perdoe, mas por mais competente que seja é chata. E é chato ser chato.

Se você não tiver a sorte de estar dando sopa pelas Universidades cariocas para conseguir um exemplar impresso da revista, se avexe não. A Vírus tá toda digitalizada aqui.

E pra fechar a babação de ovo, o twitter que acompanho com mais prazer depois do Calvin e do Caio Fernando Abreu: @fazendoanarcisa, vulga Germana.

Ela é fanfarrona, ela é fanfarrona e, além disso, politizada e divertidíssima. Já disse que ela é fanfarrona?

Diz que não tem disciplina pra manter um blog, mas mantém um roll de seguidores que ficaria feliz em ver a moça esticando um pouco seus pensamentos. Ao menos eu. prontofalei.

E isso é tudo por hoje pessoal. Em breve e se deus quiser, Manaus pra Natipi!

E vão firme que vale a pena!

Elas voltaram

Acordei com uma senhora enxaqueca. A verdade é que fui dormir com uma senhorita dor de cabeça, torcendo pra de manhã ficar tudo bem e a dor só inflou durante à noite. Justo hoje que tinha planos de praia plus escrever antes de bater o ponto as 14h.
Tenho um amigo que sofre com as migranhas também, mas ao contrário de mim faz o tratamento preventivo - um remédio barra pesada azul e branco para todos os dias da vida - porque a simples idéia de que a cabeça dele pode vir a doer já acaba com o seu dia.
"Se eu tenho uma prova penso: minha cabeça vai doer bem na hora da prova e vou me ferrar. Se tenho um entrevista a mesma coisa. Não posso viver com essa expectativa".
Já tentei de tudo. Homeopatia, acupuntura, fingir que não é comigo e ir pro mundo.
Atrás de uma vidinha mais saudável preferi não fazer o tratamento. Ou fazê-lo por pequenos períodos - quem é que lê a bula e vê 'possíveis tentativas de suicídio' e pensa, ok?
São dores esporádicas com as quais supostamente é fácil lidar. Supostamente quando não tem tpm envolvida, like today. Quando a minha cabeça dói assim, que nem um saco de gelo e um quarto escuro consegue abrandar, a vontade é tomar uma injeção e passar o resto do dia dormindo.
O interessante é que a enxaqueca não é exatamente explicada pela medicina. Há um fator genético - vovó, até onde eu sei -, mas vários outros fatorzinhos que os médicos não conseguem pescar. Até as coisas mais simples como café ou molho shoyo, dependendo da pessoa, podem servir como gatilhos para a dor. No meu caso café puro e cerveja. Isso para não falar das mudanças hormonais tradicionais femininas que já fazem as pessoas sofrerem normalmente e em caso de enxaquecosas, em dobro.
Tanto que os tratamentos preventivos são feitos no geral com remédios não necessariamente para enxaqueca, como antidepressivos em doses menores que as recomendadas para pessoas com depressão. Algo relacionado a contração e descontração dos vasos sanguíneos no cérebro. Extremamente interessante, ainda mais se o troço não acontece na sua cabeça.
Ok alopatia, você ganhou. Vou catar as receitas das drogas pesadas que vieram junto de Porto Alegre City só por segurança.

P.S. Fazendo uma pesquisa rápida cruzando o nome dos meus remédios com a palavra enxaqueca me assustei com a quantidade de pessoas que fazem 'consultas' online em fóruns de dúvidas. Hello, amigo! não vá tomar algo faixa vermelha porque algum internauta espertinho acha que sabe do que esta falando.

1.5.10

Longe de mim dizer que o pôr-do-sol de Porto Alegre não é o mais bonito do Brasil

Mas



Salvador



Manaus.

Rápidas

* Os amigos d'Os Estrangeiros estão literalmente colocando o pé na estrada pra tocar a vidinha e correr atrás dos sonhos e das histórias dessa nossa grande desconhecida, a América Latina. Toda sorte do mundo pra Thais e pro Ale. Na falta deles fica o site pra gente ficar lendo e torcendo.

* Fui pra Salvador e pra Manaus, pirei na batatinha fotograficamente e achei uma pena guardar aquilo só pra mim. Bem feito, sobrou pro meu recém inaugurado Flickr.

* Acabei de descobrir que uma das minhas melhores amigas em Caxias fez um blog. O negócio começou a pouco e está, como um bom blog, procurando um cantinho pra qual seguir. Enquanto isso a Joana vai esbanjando delicadeza no Eu Penso, coisa que ela que é um doce de pessoa sempre soube fazer muito bem.

* Que ser humano em sã consciência traz uma ca-mi-so-la pra passar o fim de semana na serra em maio?

* Frio, colo de mãe e um solaço que não racha a cuca. E é tudo que tem pra hoje.

29.4.10

Vamos fazer um pequeno exercício de comparação

Choque de trator com blindado israelense deixa duas crianças palestinas mortas


O choque de um trator com um blindado militar israelense no território ocupado da Palestina deixou duas meninas palestinas mortas e vários feridos, informou a agência de notícias palestina "Ma'an".
O acidente aconteceu no vale do Jordão, ao sul do controle militar de Bisan, na zona de Ein El Bdeia, e provocou a morte instantânea das duas crianças, de 8 e 10 anos, e ferimentos no seu irmão, de 11 anos, e no pai, que permanecem hospitalizados.
Elas estavam em um carro que era arrastado pelo trator.
O Exército israelense afirmou que investiga o incidente.

1. Alguém leu, ouviu, viu essa notícia por aí?
2. Qual seria o tamanho e a atenção que essa matéria receberia se invertessemos "palestinas" por "israelenses"?

24.4.10

Chamas


Laerte, por suposto.
"Eu vou dar um pulo em Manaus
Aqui tá quarenta e dois graus
O sol nunca mais vai se pôr
Eu tenho saudades da nossa canção
Saudades de roça e sertão
Bom mesmo é ter um caminhão
Meu amor"

C.B.

20.4.10

Essas bolas de pelo que a gente cospe pra continuar respirando

As I promisse faz, bom, vamos deixar essa parte de lado, tem texto novo lá no Caminhos. Escrevi há um mês, quando mudei pra cá e pra falar a verdade nem sei bem porque a demora em publicar. Já faz um tempinho deixei de gostar do que escrevo, fora que ele fugiu horrores do propósito inicial de fazer relatos e análises sérias do país, porque vocês sabem que eu sou uma moça séria que só fala e escreve sobre coisas sérias, e descambou para um diário de viagem demasiado detalhado. Apesar de deus estar nos detalhes, nem todo mundo tem paciência pra esperar tanto por um ponto final.
Anyway, está e já está além de mim.

15.4.10

E cá estou dançando sozinha, ouvindo bossa nova e rock'n roll só porque meus amigos toparam sonhar um pouco comigo, abrindo mão por um momento da tal solitária vanguarda de nós mesmos.
"Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver."
T.J
E o que é que resta da gente sem sonhar?
Chove em Salvador. Chove torrencialmente em Salvador. E agora José?

14.4.10

A felicidade está nas pequenas coisas

Internet em casa, máquina de lavar funcionando, feira pertinho... Agora só falta responder todos os e-mails que prometi responder quando tivesse internet em casa. Ok, talvez fosse mais fácil ficar sem internet...

7.4.10

Breve relato da cidade mergulhada no caos

Admito. Não acompanhei a maior enchente da história do Rio de Janeiro como uma verdadeira jornalista, de bloquinho e máquina fotográfica na mão. Fiquei sim vendo tudo passar pela janela do meu apartamento e depois da redação, atualizando o número de mortos que continua crescendo assustadoramente (pra ter uma idéia, as chuvas que caíram desde dezembro no Peru mataram 84 pessoas; o temporal do Rio 145 até agora) garantindo assim que todo o Brasil soubesse direitinho do estrago aqui.

Alagamento no Rio é rotina, estranho é quando fica tudo bem. Cheguei aqui em meio a uma enchente, peguei mais duas no cocoruto e isso tudo em male mal um mês de cidade maravilhosa - que casualmente fechou segunda-feira.

O Rio não sabe chover, nunca soube. A cidade não tem infraestrutura pra escoar a água, não existe coleta seletiva, o lixo se acumula nas ruas e os problemas se acumulam sai governo entra governo. 24h de chuva apenas tacam fogo no barril. E o resultado é triste e cinza.

Na segunda à noite tomei um belo banho de chuva, daquele de espremer o cabelo, por ousar cruzar meia quadra, mas escolada pensei - Rio. Me sequei no jeito que deu, segui trabalhando e na hora de voltar pra casa a chuva continuava, o que também não me pareceu estranho.

Peguei um bus aí pelas 22h e demorei 1h20 pra fazer um percurso de pouco mais de 2km que costumo fazer em 10, 12 minutos e que em momentos mais animados faço tranquila em meia hora a pé. As gurias que moram comigo levaram 3 horas pra chegar e isso porque saíram cedo do job. Teve gente que madrugou na parada - só depois, presa no trânsito e no aguaceiro percebi que dei sorte e peguei um dos últimos ônibus que conseguiram chegar a praia de Botafogo.

Como o bus não tinha jeito de seguir - moro num bairro que é caminho pra tudo, em especial pra Lagoa Rodrigo de Freitas e pro túnel Rebouças, que divide a zona sul da zona norte - desci duas paradas antes, caminhei duas quadras com água ora até a canela ora até o joelho até em casa. Molhada, cansada e sem banho quente que a empresa de gás aqui é privatizada e funciona que é uma beleza (pedimos o gás há apenas duas semanas) tomei um banho de gato e fui direto dormir.

Acordei Às 9h da manhã com uma rua vazia, as gurias na sala como num domingo, uma chuva que continuava caindo e um cenário de tragédia apresentado de minuto em minuto na televisão. O prefeito disse, implorou, mandou ninguém sair de casa pelamordedeus que a cidade era uma piscina e a coisa não estava bonita e podia piorar. E piorou.

Calculei que a rua que eu tinha que pegar pra ir pro trabalho era meio morro abaixo, falei com o povo pra saber se o mar tinha baixado, coloquei uma bermuda e um havaianas e na base do fé em deus que deus é fiel fui pra labuta. No caminho uma cidade fantasma com um que outro maluco enfrentando a vida - ou tendo que enfrentar na marra - esperando o ônibus comigo.

Lama e poças d'agua por todos os lados. Um ônibus puxado por um guincho meio amassado. Galhos de árvores, árvores e os morros nas calçadas e na rua. Um faroeste triste e silencioso, complementado pelas pessoas com olheiras e cara de poucos amigos. Isso que naquela altura a gente só sabia dos 33 mortos divulgados pela TV.

Cheguei bem na redação e do meu sexto andar plus conexão à internet na praia de Botafogo segui assistindo os números e as histórias de salvamentos e da enchente aumentarem. Algumas engraçadas, como os pedalinhos que invadiram a pista, outras tristes demais para lembrar como as famílias que desapareceram debaixo da terra tentando salvar outras famílias.

Dessa vez não tinha nenhuma alma na rua às 22h pra pegar um ônibus e a chuva seguia castigando um Rio fantasma. Peguei um táxi, torci pra água ter baixado e cheguei em casa ainda torcendo, só que praquela água parar.

Já vi chuvas de duas semanas em Caxias, já vi chuvas de duas semanas em Porto. Ninguém fica feliz, mas também quase - e sei que esse quase é cruel -, ninguém morre.

Outro dia disse que o Rio é uma cidade cruel em que a gente consegue perceber bem de quem é que se tira pra outra metade ganhar. E em nenhum momento foi possível perceber isso melhor que agora enquanto digito esse texto tranquila no meu computador tendo no máximo corrido o risco de pegar uma gripe ou va lá, uma leptospirose, enquanto tem uma porrada de gente lá fora correndo risco de perder a vida - fora os que perderam - e tudo que isso significa: a família, os amigos, o lugar que a gente chama de lar.

A chuva pode ser igual para todos, mas a tragédia continua tendo classe social.

*Amanhã quero sair com a máquina e ver se sobrou algo pra registrar, daí coloco aqui. De qualquer forma, as galerias dos sites como o Uol dão uma idéia melhor do que do que passou por aqui eu conseguiria mostra no meu trajetinho burguês

* Feliz dia dos jornalistas pra vocês também.

4.4.10

Estamos aqui e estamos vivos



E lá vem o universo de novo, me lembrando pra ter fé no acaso e na vida. Em mais um momento de que raios que estou fazendo aqui, ganhei mais uma rosa vermelha. Sai toda toda, sorrindo pela alma encantadora das ruas.

Pequenezas

Queria deixar o bloguinho mais claro, mais colorido e com uma faixa de texto mais larga mas acho difícil fazer isso aqui no blogspot.com. Bons tempos aqueles em que eu entendia de html e configuração de layouts. Talvez soframos uma mudança brusca pro wordpress. Aguardem.

3.4.10

Eu não sou o John Reed.

30.3.10

Terça-feira de folga na cidade maravilhosa

Sempre tive muita sorte e costumava cair de para-quedas em casas prontas e mobiliadas, esperando apenas o ar da minha graça. Dessa vez peguei um apartamento pra dividir do zero e venho acompanhando com um pouquinho de irritação e encanto as coisas irem devagarinho para o seu lugar.
Alguns móveis ficaram, o que poupou o trabalho de procurar uma cama (apesar de ainda estar sem colchão) e as gurias, como boas donas de casa, trouxeram até baldes na bagagem deixando pouca coisa da casa de fora.
Falta ligar o gás - mas convenhamos, banho quente no Rio? Só se eu fosse do Pará 'mermão'. Outra dia, um tanto puta da cara por ter chegado no trabalho e cruzado com um termômetro que marcava alegremente insuportáveis 40 graus perguntei por pessoal quando começava a refrescar. Eles me olharam. Hmn, o tempo fica assim mais ou menos do dia 1 de janeiro até 31 de dezembro. Engraçadinhos, Sibéria pra vocês, mas divago... - a internet, o telefone, consertar a máquina de lavar, instalar o fogão e a geladeira, que se deus quiser e as Casas Bahia abençoarem chega amanhã.
Essas coisas pequenas que são um trabalho duro, mas que alguém tem que fazer. Eu fico só medindo a quantidade de luz que bate no meu quarto, feliz da vida por ele ser tão agradável, e pensando nas plantas que eu vou colocar na janela e nas comidas que vou cozinhar assim que a cozinha puder ser realmente chamada de cozinha.
São coisas bem Maria e rotineiras, mas acho que faltava um pouquinho de rotina - sim, Eu estou mesmo dizendo isso - na minha vidinha. Vivo num liquidificador desde o inverno e por mais que eu goste disso um lado meu que é bem mais parecido com a minha mãe do que eu gostaria estava pedindo uma folga pra respirar.
Fora isso, hoje desencanei e decidi curtir o Rio a minha maneira. Eu não enxergo essa cidade incrível que todo mundo que veio aqui antes de mim descreve, por mais que goste bastante daqui. Acho um lugar difícil e um tanto cruel, que te lembra o tempo todo de que lado da corda bamba da sociedade brasileira tu tá, e da quantidade de gente que sofre por causa disso. Mas isso é assunto pra um post mais sociológico do que os meus dedos estão dispostos a digitar hoje.
Me lembrei duma viagem que eu e a Cris Rodrigues fizemos a Buenos Aires - A viagem, que viagem, só de pensar nessa viagem o simples fato de não estar em Buenos Aires agora me parece um pecado. Um colega da agência que também tem o mesmo sentimento fez uma promessa. Ir pra Meca, digo BsAs, todos os anos, sempre e pelo maior tempo possível . Eu também ainda volto lá, pra morar. Ah se volto. Nem que seja com a desculpa de treinar o espanhol - , enfim. Durante a nossa curta estadia numa cidade que tem milhões de coisas legais e interessantes pra fazer a gente queria fazer no mínimo milhares de coisas legais e interessantes, até que a gente percebeu que por mais coisas que a gente fizesse não ia fazer nunca em uma semana todas as coisas e que fazia mais sentido a gente fazer só o que a gente queria.
Ah, mas vocês dirão. Vocês já não estavam fazendo só o que vocês queriam já que viajaram pra onde queriam quando queriam? Quem já foi além do seu bairro com o desejo especial de conhecer um lugar novo aquecendo o coração sabe que não é bem assim. Inconscientemente a gente acaba criando um dever de aproveitar e se divertir ao máximo e, como diria o Calvin, a diversão quando levada realmente a sério não é lá tão divertida assim.
Por isso eu e madame C. decidimos alegremente nos libertar dos grilhões das obrigações de divertimento e fazer aquilo e solamente o aquilo que a gente quisesse e tivesse vontade. Nenhuma meja luna - e como comemos mejas lunas - a mais. Nem que isso significasse passar à noite conversando, jogando sinuca e tomando cerveja no hostel ao invés de ir numa das milhares de festas supermegabombásticas numa das cidades que tem as melhores entre as melhores festas supermegabombásticas do mundo.
E foi bom. Na verdade não foi bom. Foi muito bom. Foi a melhor coisa que poderiamos ter feito. Aconselho firmemente que todos tirem um dia pra seguir a nossa receita de ócio. Começar fazendo absolutamente o que se quer, depois fazer mas um pouquinho do que se quer, continuar fazendo só o que der vontade e pra fechar com chave de ouro, fazer mais um pouco do que der vontade.
Então acordei hoje assim. Ao invés de me sentir mal por Ainda não ter visto ido no Cristo, subido no bondinho, pegado praia no posto 9 e todas as milhares de coisas que você TEM que fazer já que está no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, a terra do sol na América do Sul e afins, decidi apenas fazer o que me desse vontade. Claro que o fato do dia estar mais pra sol que pra chuva ajuda.
No fim passei uma bela manhã lendo, um pedaço da tarde caminhando por uns bairros simpáticos mas que com certeza não estão nos mapas dos turistas, tomando sorvete, dormindo, lendo mais um pouco e agora aqui. Net roubada e refrigerante numa taça já que a gente ainda não tem copos.
Arrivedecci, que deu vontade de escrever mas passou. Vou lá curtir a dor e a delícia de estar só.

26.3.10

25.3.10

200 gramas de humanidade, por favor

Fui almoçar num buteco e aproveitei pra pedir a velha e boa combinação bife, feijão e arroz; acabei com um prato feito três refeições. Depois de ter comido mais um pouquinho na janta, decidi descer e entregar a quentinhas pra um dos tantos moradores de rua que ficam me chamando de 'tia' lá na frente do trabalho.
Como não encontrei ninguém e já tava no fim do meu intervalo, pedi pro guri que cuida dos táxis entregar a sacola pra o próximo morador que passasse. Ele me olhou, me olhou e disse: "Ah, mas é que eles são tão abusados". Assim. E coração que é bom lhufas. A melhor parte é que a cena aconteceu bem debaixo de uma placa que dizia "cuidado! pessoas".
Hora de comprar flores.

24.3.10

Porto Alegre, território livre da especulação imobiliária

Reproduzo o post da Cris Rodrigues publicado no RS Urgente sobre a venda do terreno da Fase. Bem localizado, caro e do estado ele está para ser vendido sem que a população tome conhecimento disso. Numa cruzada de Davis, peço aos amigos que divulguem essa informação.


Cris Rodrigues - Jornalismo B

Hoje não vou falar sobre nada que eu tenha lido, ouvido ou visto nos jornais por aí. Vou falar sobre o que eu não vejo, não ouço, não leio. Não lembrava de ter visto na Zero Hora, por exemplo, mas, para não ser injusta, fui ao canal de busca do site. Mas minhas impressões se confirmaram: a informação mais recente que encontrei sobre a possível alienação ou permuta do terreno da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase), que pertence ao estado do Rio Grande do Sul, é datada do dia 11 de março. E tem míseros dois parágrafos. Antes dessa, uma notinha de iguais dois parágrafos do dia 23 de fevereiro, louvando a iniciativa do governo Yeda.

O projeto de lei 388, que autoriza a alienação ou permuta de um terreno de 74 hectares localizado na avenida Padre Cacique, quase em frente ao estádio Beira-Rio – ou seja, extremamente bem localizado, principalmente se considerarmos a iminência de uma Copa do Mundo -, com um vasto patrimônio ambiental e histórico, seria votado hoje, caso tivesse havido quórum, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do RS.

Além do patrimônio riquíssimo que o governo quer entregar para a iniciativa privada, o terreno tem também pelo menos 10 mil pessoas que moram ali e não estão sendo ouvidas. A ideia é trocar o terreno por outros menores, com o suposto objetivo de descentralizar a Fase, mas não há planejamento para isso, e a imprensa se cala. Mais informações sobre o caso no Somos andando, no RS Urgente e no Jornal do Comércio.

É possível que o governo entregue a última área que ainda conserva vegetação típica de Porto Alegre para construtoras, mas a mídia não diz. Sei que a Band cobriu alguma coisa na rádio. Sei que o Marcelo Noah está se esforçando na Ipanema para fazer alguma divulgação. Fora isso, silêncio (peço perdão se faltou citar alguém, mas não dou conta de rastrear toda a cobertura da imprensa, sei apenas que foram pouquíssimos os que noticiaram).

A explicação óbvia seria por si só bem plausível diante do que estamos acostumados a ver na imprensa: interessa mais valorizar a iniciativa privada nos meios de comunicação. Não interessa o que pode ser bom para a população. Ainda mais se quem tiver proposto o projeto for um governo amigo. É sempre bom preservar esse tipo de amizade. Amizades poderosas.

Mas a coisa vai mais longe: os Sirotsky, a quem pertence o maior, quase único, grupo de comunicação do Rio Grande do Sul, a RBS (conhecido por alguns como PRBS, por conta de suas características de partido político nas atitudes que toma), são também donos de uma empresa chamada Maiojama (uma mistura breguíssima dos nomes MAurício; IOne, mulher de Maurício; JAyme; e MArlene, mulher de Jayme). A Maiojama é uma construtora, ou melhor, como diz em seu site, “atua no planejamento e desenvolvimento de edificações residenciais, comerciais, flats e shopping centers”.

Agora peço um esforço mínimo de dedução lógica dos leitores: o governo do estado quer entregar um terreno por um valor muito abaixo do de mercado; o terreno é gigante, muito bem localizado, num dos pontos atualmente mais disputados de Porto Alegre; seria perfeito, do ponto de vista empresarial, para construir um grande complexo, que poderia envolver dúzias de torres de apartamentos, comércio, shopping, mil coisas; quem faria isso seria uma construtora; os Sirotsky têm uma construtora; os Sirotsky têm um grupo de comunicação; o grupo de comunicação se cala diante de um empreendimento que pode prejudicar a população. Logo, há um grande interesse por trás que orienta o silêncio absolutamente antiético da empresa de comunicação.

A ética jornalística manda colocar o cidadão em primeiro lugar e não se deixar corromper. Os interesses privados não podem transpor os coletivos. Ou seja, a RBS adota uma postura nitidamente, escancaradamente, maldosamente antiética.

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