30.1.10

Pensa que nós vamos conseguir. Pensa que os caminhos estão aí. Meio encobertos, mas aí. Pensa que essa angústia toda é pós-moderna de mais pra angustiar. Pensa que sonhar pode não encher a barriga, mas é tudo que nós não podemos deixar de fazer.

Amanhã

A gente faz aniversário, a gente conhece gente, a gente dá com a cara no muro, a gente cresce, a gente até se forma e quando percebe, bum, o tempo passou.

24.1.10

Programação do Fórum

Aqui ó. E borá lá!

Sabedoria paterna

Papai caminha e levanta as calças, tradicionalmente caindo apesar do cinto.
- Pai, o senhor não tem bunda.
- Tenho, sim.
- Não o suficiente pra segurar a calça.
Indignado.
- Eu acho que eu tenho bunda, e uma bunda muito bonita.

***

- Desculpa dizer que o senhor não tem bunda. O senhor fica bem melhor assim. Já pensou se tivesse um bundão que nem o da mãe?
- É.
pensa um pouco
- Mulher tem que ter bunda. E peito.
- Ahh, eu não tenho peito.
- Mas tu pode colocar silicone.

***

Eu, mamãe e papai estamos tomando café em silêncio.
- Quando tu encontrar um cara que te deixe com frio na barriga, que te trate bem, tu deve namorar esse cara.
risos maternos ao fundo
- OK, pai. Vou manter isso em mente.

***

- Paula, vamo junto na missa. Quem sabe tu te arranja um namorado.
- Não, obrigada. Prefiro um namorado ateu.

P.S. 1. Papai realmente não tem bunda.
2. Não penso em colocar silicone.
3. Suspeito que o casamento da minha prima fez ele lembrar o quanto quer netos.

Ou eu termino essa matéria, ou ela termina comigo. Simples assim.

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Drummond, Mãos Dadas

Nós que esquecemos que queríamos ser humanos

Cá estava quebrando a cabeça com uma matéria, fazendo suco com o coração pelas perspectivas pós-formatura e enrolando mais um domingo de manhã quando abri o Jornalismo B dos amigos e também formandos Cris e Haubrich e encontrei esse texto do Ale.
O artifo fala daquele jeito poeta perdido do gajo de como a gente esquece a nossa humanidade em prol do dia 10, de como na província de São Pedro ou a gente f%&*$ ou pula o muro e principalmente de como é importante regar os sonhos. Vou demorar um rato a voltar a escrever.

- Trabalhar na RBS é o sonho de qualquer um da área da comunicação.Ela disse à entrevistadora e a outros sete candidatos a uma vaga de estágio. Me espantou menos a afirmação do que a sinceridade com que foi dita. Parecia realmente feliz – e um pouco nervosa – por estar ali.Somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter.

21.1.10

Pudesse abrir a cabeça, tirar tudo para fora, arrumar direitinho como quem arruma uma gaveta.

C.F.A

Norte es el Sur

fraudefraudefraudefraudefraudefraudefraudefraudefraudefraudefraude

20.1.10

Sabe aquele papo de "escrevi meus melhores textos enquanto andava de bicicleta ou curtia um congestionamento no busão sem nenhum papel por perto"? Pois eu lembro de ter um texto bacaninha rabiscado num embrulho de pão escrito diretamente da sala-cozinha da grande Bella Torres. Agora achar ele que é bom, necas. Vai entrar pra lista dos grandes textos pensados e nunca levados a cabo.

19.1.10

Ele já voltou e já foi embora algumas vezes, mas há boatos de que agora a coisa engrena. Cowabanga forever!

17.1.10

Fazer

(e meodeos, todo mundo tem twitter! o.O)

Até onde eu sei ficou como @pbbianchi.

Fazer um twitter ou não fazer um twitter

Eis a questã.

Rápidas

Uma série de coisas razoavelmente sérias pra fazer e outras nem tanto - Bolívia, por exemplo. Voia que é bom, necas.

***

Me sinto tremendamente estúpida por seguir escrevendo sobre a Bolívia enquanto o Haiti parece uma panela de pressão.

***

Ó, cantando a pedra. Essa é a pauta, mas pra ir lá e ficar pelo menos meio ano. Uma passagem até a República Dominicana tá cerca de dois mil dólares. Inscrições para mecenas na caixa de comentários, please.

***

"..se tem prova definitiva da inexistência, ou pelo menos da injustiça, de deus, é terremoto no Haiti. Algum outro país precisa menos de um terremoto que o Haiti?"


15.1.10

Anos 00


Post boliviano novo no pedaço

*

Pra quem duvidava, já tinha esquecido ou nem sabe do que se trata, tem post fresquinho no Caminhos Bolivianos! Com foto e tudo que nós é chique no úrtimo, benhê. Corram .

* Garoto boliviano se prepara pra entrar no trem pra vender refresco de limão. Foto por Paula Bianchi (jo, no caso).

Gamei

Larica Total

Porque tem uma diferença entre cozinhar e fazer comida e toda cozinha universitária que se preze é de guerrilha.
Xáblablau, mermão. Xáblablau!

14.1.10

Moi

Ih, dia 31 chegando. Tá na hora de mudar essa descrição aí.

Alguém que anda por aí. Jornalista em dias inspirados, perdida nos outros. Estou no fim do curso na Faculdade de Comunicação da UFRGS, vulga Fabico, o que ocupa boa parte do meu tempo e idéias - o jornalismo, não a Fabico. Como boa estudante de periodismo, Recém formada em jornalismo, seja lá o que isso signifique. Ainda não faço a mínima idéia do que quero fazer da vida, mas gostaria de fazer alguma diferença. Acredito que a verdade é revolucionário (apud Lenin), que o bom jornalismo é uma forma de mudar a realidade e em coelhinho da páscoa. No mas, sigo tentiando, convencida de que não nasci para sambar, assoviar ou falar alemão. Glück!

Diálogo mezzo rimado com a consciência

Ele me diz pra contar isso como se eu estivesse falando pela janela com a vizinha e eu tropeço em cada linha que não sei como escrever. Ele me diz que tenho talento, que sei disso e que é pra deixar de enrolação. Eu digo que tenho nada, que sou é uma bela farsa e jogo pra cima uma insegurança que nem eu sabia que tinha. Ele me diz que sei que não sou e toca o orgulho guardado que costumava andar tão a solta. Eu digo que sabia e esqueci e que talvez nunca volta a lembrar enquanto cruzo os dedos escondido pra esse banzo ir embora. Ele me diz que no fim tudo dá certo que eu sei que é assim. Eu digo que a vida não é que nem novela das oito e que a inspiração corre longe de mim. Ele me diz pra parar, respirar fundo e deixar de bobagem que é só começar a escrever. Eu não digo nada, mas sei que é verdade e tento ter paciência pra pagar pra ver.
"Queríamos ser épicos heróicos românticos descabelados suicidas, porque era duro lá fora fingir que éramos pessoas como as outras."

C.F.A

13.1.10

The big bang theory

Leonard: So, tell us about you.
Penny: Um, me? Okay - I'm a Sagittarius, which probably tells you way more than you need to know.
Sheldon: Yes - it tells us that you participate in the mass cultural delusion that the sun's apparent position relative to arbitrarily defined constellations at the time of your birth somehow affects your personality.
Penny: [stares at Sheldon in utter confusion] Participateinthewhat?
Leonard: [scrambling to save face] I think what Sheldon is trying to say is that Sagittarius wouldn't have been our first guess.
Penny: Oh, yeah - lot of people think I'm a water sign.

Mais aqui.

A terrível página em branco

Tem uma matéria apodrecendo feito carniça na minha consciência. Ou escrevo ela ou escrevo ela. Ironicamente, o problema é o excesso não a falta de informação. Como a gente condensa um mundo todo novo em umas poucas páginas sem se sentir um traidor?

12.1.10

Um pouco de chile para além do paralelo 50

Neste domingo acontece o segundo turno das eleições chilenas, parte das inúmeras eleições que vão redesenhar o espectro político latino-americano nesse ano – incluindo aí a reeleição de Evo Morales na Bolívia e a votação em outubro no Brasil.

De um lado Eduardo Frei, 64 anos. Um ex-presidente filho de ex-presidente e parte da concertacion, coalização de centro-esquerda que governa o Chile há vinte anos e da qual a atual presidenteMichele Bachalet faz parte.

Dou outro Sebastián Pinera, 59 anos, o homem mais rico do Chile, acionário da companhia área Lan e dono do canal de televisão Chilevision. Ele representa o direitoso xx e ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais de 2005, quando perdeu para a socialista Bachelet.

A grande diferença é que agora o jogo se inverteu e Pinera está na frente de Frei com uma votação que surpreendeu até os seus eleitores. Na primeira volta ele ficou com 44,03% dos votos contra minguados 29,06% do ex-presidente.

Em um cenário político tranqüilo em que Bachelet deu a volta na crise mantendo a economia forte graças aos saldos economizados em caixa, terminando o governo com 85% de aprovação a última coisa que a concertacíon esperava era a não conseguir fazer um sucessor.

Longe de macumbas ou maracás, o problema foi a falta de visão da coalizão que acomodada deixou de investir na formação de quadros, fechou o caminho para a ascenção de membros de outros partidos da esquerda e perdeu de vista a nova geração de chilenos representados nos 20% dos votos alcançado pelo independente Marco Enríquez-Ominami. Com 36 anos o jovem deixou a Concertácion, conseguiu 70 mil assinaturas e agora tem seu apoio disputado a tapa por Frei e Pinera.

Em um país em que a forma como a economia é conduzida é consenso entre a maior parte dos cidadãos, Enríquez-Ominami focou a campanha em temas polêmicos como aborto e união civil entre homessexuais e obrigou seus opositores a seguirem por aí também. MEO, como é conhecido, tens planos de criar um novo partido ainda esse ano e já liberou seus eleitores para votarem em quem quiserem já que para ele os dois candidatos são farinha do mesmo saco já declarou suas pretensões de criar um novo partido ainda nesse ano.

Dessa salada sobraram os comunistas representados por Jorge Arrate e que terminaram o primeiro turno com 6% dos votos. O partido já declarou apoio a Frei nos termos de dos males o pior apesar de manter sérias reservas a forma neoliberal cmo a economia vem sendo dirigida.

Especulações a parte, o destino do Palácio de la Moneda está nas mãos dos cerca de oito milhões de eleitores chilenos habilitados. Se a campanha se resumir a matemática talvez a Concertácion se salve. Os 6% dos comunistas mais que a porcentagem mais dos eleitores de MEO que nunca iriam a favor de um amigo de Pinochet seriam suficiente para colocar Frei na frente. Só a segunda-feira dirá.

10.1.10

PNDH-3

O decreto do Programa Nacional de Direitos Humanos - PNDH-3, pra quem quiser dar uma olhada.

6.1.10

'Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além'.
Paulo Leminski

5.1.10

Madame Paula

Em um momento a la Walter Mercado descobri que a minha lua é áries. Fui bisoiar o que é isso e me deparei com "a lista de presentes para pessoas com lua em áries":

"Bom acendedor de chispa no fogão."

E depois dizem que a astrologia não é uma ciência exata.

4.1.10

Retrospectiva pessoal e de km 2009

O ano começou na praia da Pinheira, com uma amiga do peito por perto, a cabeça em Porto Alegre e uma enchente monumental que fechou as estradas pra coroar. Pulei as sete ondes e pedi o de sempre. Saude pra mim e pra família, paz, amor, ser uma boa jornalista e acho que num momento de estupidez também pedi pra me apaixonar.
Janeiro e fevereiro seguiram com uns pulinhos em Porto e uns em Caxias, afinal a cabeça não saia da capital, até parar por uma semana em Buenos Aires pouco antes do carnaval. Saí enamorada pela cidade, decidida a voltar e com a sensação de ter passado um mês por lá.
Em março passei de estudante de alemão, inglês, jornalismo, estagiária do JC e nadadora nas horas vagas tudo ao mesmo tempo a vagabunda o que me levou a ir atrás de um jornalzinho bacana em que eu tinha feito umas matérias. Lá conheci vários jornalistas muito bons, que fazem o troço de coração não pelo salário (como se alguém fizesse isso pela grana ao ver o contra-cheque) e junto jornalista doido e tremendamente bom que preencheu minhas tardes de não fazer nada além da monografia com histórias jornalísticas e matérias improváveis. Também foi ele o responsável por eu ter passado um pedacinho de abril no Rio de Janeiro atrás de um certo general.
Maio foi algo como um buraco negro com um coração em frangalhos doendo, doendo e de junho eu não lembro muita coisa além de que passou. Regado a cafés da tarde com croassants de chocolate e mais matérias improvavéis, off course, mas ainda assim doido.
Julho ia seguir sendo o mês mais frio do ano não fosse um lugar num ônibus com os últimos românticos do movimento estudantil e alguns dos mais novos carreiristas também. O busão tocou pra Brasília pra brigar pela União Nacional dos Estudantes ou o que restou dela e eu fui atrás, ainda atrás do tal general.
Aí pelo finzinho do mês a dúvida era ficar, voltar ou parar em São Paulo de todos os santos a espera de um prova do Estadão marcada pro dia 2 do mês do cachorro louco. Na dúvida, toquei o barco pra Fortaleza numa das mais improváveis e melhores decisões do ano. Como disse um amigo enquanto eu jogava cara e coroa com a consciência, "no fim, o melhor da vida é se aventurar". E é.
Foi assim que agosto começou em São Paulo, ali pertinho da Ipiranga com a São João, com uma alma pulsando forte, um bando de novos amigos nordestinos na bagagem e uma baita saudade do Rio Grande do Norte. O Rio Grande do Sul é Brasil e não é. E defendo que a gente perde por isso. Prova feita de volta a Caxias City de bus. Depois das 42 horas até o Lula, as 18 horas até o meu sweet home foram fichinha.
De Caxias a Porto e mais uma vez Porto Alegre em agosto. Depois de ter corrido o país a única conclusão era de que eu não queria ficar por aqui se agosto não foi o mês do desgosto foi o da nostalgia.
Setembro abriu meio de banzo, como quem olha as janelas e enxerga grades. A monografia não começada pesava e a falta da ponte aérea e da estrada mais ainda. O mês ia seguir assim não fosse a imaginação galopante do tal jornalista lá do começo que me viu cobrindo as eleições na Bolívia. E eu fui, mas não sem antes passar por um outubro colado a frente do computador para terminar a monografia, condição pessoal que estabeleci para viajar. Monografia pronta (eu sei, eu sei. A ABNT e o protuguês não estavam corrigidos), finalzinho de outro passei uma semana em São Paulo exercitando a caradurisse atrás de freelas até fechar com o Terra TV.
Novembro e Bolívia podem ser dados como a mesma coisa pra mim esse ano. Pisei no país pela primeira vez no dia 6/11 e fui sair de lá só no dia 11 de dezembro e ainda assim porque o dever - leia-se defesa da mono - chamava.
Me enamorei pela Bolívia também e me apaixonei platonicamente umas quantas vezes, prova que é sempre bom ter um coração em dia e funcionando. Acabei não fazendo a melhor cobertura do mundo - e enquanto escrevo essas linhas me agonio pelas que não escrevi lá e sobre lá -, mas aprendi muito e fiz mais uma penca de amigos. Além de ter sido presa e e aprendido a falar espanhol.
Um dia em Caxias, meia dúzia em Porto, mais Caxias, Bella Torres e Pinheira e dezembro desapareceu. Voltei hoje a Porto e pensando bem, desde outubro que não passo mais de uma semana no mesmo lugar. Por mim seguia assim.
O ano novo foi de novo na Pinheira, que em time que está ganhando não se mexe e de novo sou apenas uma vagabunda. Um ano sabe ser tanto tempo que vai saber? Eu não mudei e mudei muito do dia 3 do ano passado até aqui. Na hora de pular as ondas não sabia nem bem o que pedir. Se vier como 2009 já tá de bom tamanho.
Ahh, e feliz novo.

* Faltou agradecer também todos os amigos e a mágica que percorreu o ano. Os amigos que eu fiz e os que continuaram ali do lado, tornando os dias melhores.