14.1.10

Diálogo mezzo rimado com a consciência

Ele me diz pra contar isso como se eu estivesse falando pela janela com a vizinha e eu tropeço em cada linha que não sei como escrever. Ele me diz que tenho talento, que sei disso e que é pra deixar de enrolação. Eu digo que tenho nada, que sou é uma bela farsa e jogo pra cima uma insegurança que nem eu sabia que tinha. Ele me diz que sei que não sou e toca o orgulho guardado que costumava andar tão a solta. Eu digo que sabia e esqueci e que talvez nunca volta a lembrar enquanto cruzo os dedos escondido pra esse banzo ir embora. Ele me diz que no fim tudo dá certo que eu sei que é assim. Eu digo que a vida não é que nem novela das oito e que a inspiração corre longe de mim. Ele me diz pra parar, respirar fundo e deixar de bobagem que é só começar a escrever. Eu não digo nada, mas sei que é verdade e tento ter paciência pra pagar pra ver.

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