4.1.10

Retrospectiva pessoal e de km 2009

O ano começou na praia da Pinheira, com uma amiga do peito por perto, a cabeça em Porto Alegre e uma enchente monumental que fechou as estradas pra coroar. Pulei as sete ondes e pedi o de sempre. Saude pra mim e pra família, paz, amor, ser uma boa jornalista e acho que num momento de estupidez também pedi pra me apaixonar.
Janeiro e fevereiro seguiram com uns pulinhos em Porto e uns em Caxias, afinal a cabeça não saia da capital, até parar por uma semana em Buenos Aires pouco antes do carnaval. Saí enamorada pela cidade, decidida a voltar e com a sensação de ter passado um mês por lá.
Em março passei de estudante de alemão, inglês, jornalismo, estagiária do JC e nadadora nas horas vagas tudo ao mesmo tempo a vagabunda o que me levou a ir atrás de um jornalzinho bacana em que eu tinha feito umas matérias. Lá conheci vários jornalistas muito bons, que fazem o troço de coração não pelo salário (como se alguém fizesse isso pela grana ao ver o contra-cheque) e junto jornalista doido e tremendamente bom que preencheu minhas tardes de não fazer nada além da monografia com histórias jornalísticas e matérias improváveis. Também foi ele o responsável por eu ter passado um pedacinho de abril no Rio de Janeiro atrás de um certo general.
Maio foi algo como um buraco negro com um coração em frangalhos doendo, doendo e de junho eu não lembro muita coisa além de que passou. Regado a cafés da tarde com croassants de chocolate e mais matérias improvavéis, off course, mas ainda assim doido.
Julho ia seguir sendo o mês mais frio do ano não fosse um lugar num ônibus com os últimos românticos do movimento estudantil e alguns dos mais novos carreiristas também. O busão tocou pra Brasília pra brigar pela União Nacional dos Estudantes ou o que restou dela e eu fui atrás, ainda atrás do tal general.
Aí pelo finzinho do mês a dúvida era ficar, voltar ou parar em São Paulo de todos os santos a espera de um prova do Estadão marcada pro dia 2 do mês do cachorro louco. Na dúvida, toquei o barco pra Fortaleza numa das mais improváveis e melhores decisões do ano. Como disse um amigo enquanto eu jogava cara e coroa com a consciência, "no fim, o melhor da vida é se aventurar". E é.
Foi assim que agosto começou em São Paulo, ali pertinho da Ipiranga com a São João, com uma alma pulsando forte, um bando de novos amigos nordestinos na bagagem e uma baita saudade do Rio Grande do Norte. O Rio Grande do Sul é Brasil e não é. E defendo que a gente perde por isso. Prova feita de volta a Caxias City de bus. Depois das 42 horas até o Lula, as 18 horas até o meu sweet home foram fichinha.
De Caxias a Porto e mais uma vez Porto Alegre em agosto. Depois de ter corrido o país a única conclusão era de que eu não queria ficar por aqui se agosto não foi o mês do desgosto foi o da nostalgia.
Setembro abriu meio de banzo, como quem olha as janelas e enxerga grades. A monografia não começada pesava e a falta da ponte aérea e da estrada mais ainda. O mês ia seguir assim não fosse a imaginação galopante do tal jornalista lá do começo que me viu cobrindo as eleições na Bolívia. E eu fui, mas não sem antes passar por um outubro colado a frente do computador para terminar a monografia, condição pessoal que estabeleci para viajar. Monografia pronta (eu sei, eu sei. A ABNT e o protuguês não estavam corrigidos), finalzinho de outro passei uma semana em São Paulo exercitando a caradurisse atrás de freelas até fechar com o Terra TV.
Novembro e Bolívia podem ser dados como a mesma coisa pra mim esse ano. Pisei no país pela primeira vez no dia 6/11 e fui sair de lá só no dia 11 de dezembro e ainda assim porque o dever - leia-se defesa da mono - chamava.
Me enamorei pela Bolívia também e me apaixonei platonicamente umas quantas vezes, prova que é sempre bom ter um coração em dia e funcionando. Acabei não fazendo a melhor cobertura do mundo - e enquanto escrevo essas linhas me agonio pelas que não escrevi lá e sobre lá -, mas aprendi muito e fiz mais uma penca de amigos. Além de ter sido presa e e aprendido a falar espanhol.
Um dia em Caxias, meia dúzia em Porto, mais Caxias, Bella Torres e Pinheira e dezembro desapareceu. Voltei hoje a Porto e pensando bem, desde outubro que não passo mais de uma semana no mesmo lugar. Por mim seguia assim.
O ano novo foi de novo na Pinheira, que em time que está ganhando não se mexe e de novo sou apenas uma vagabunda. Um ano sabe ser tanto tempo que vai saber? Eu não mudei e mudei muito do dia 3 do ano passado até aqui. Na hora de pular as ondas não sabia nem bem o que pedir. Se vier como 2009 já tá de bom tamanho.
Ahh, e feliz novo.

* Faltou agradecer também todos os amigos e a mágica que percorreu o ano. Os amigos que eu fiz e os que continuaram ali do lado, tornando os dias melhores.

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