12.1.10

Um pouco de chile para além do paralelo 50

Neste domingo acontece o segundo turno das eleições chilenas, parte das inúmeras eleições que vão redesenhar o espectro político latino-americano nesse ano – incluindo aí a reeleição de Evo Morales na Bolívia e a votação em outubro no Brasil.

De um lado Eduardo Frei, 64 anos. Um ex-presidente filho de ex-presidente e parte da concertacion, coalização de centro-esquerda que governa o Chile há vinte anos e da qual a atual presidenteMichele Bachalet faz parte.

Dou outro Sebastián Pinera, 59 anos, o homem mais rico do Chile, acionário da companhia área Lan e dono do canal de televisão Chilevision. Ele representa o direitoso xx e ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais de 2005, quando perdeu para a socialista Bachelet.

A grande diferença é que agora o jogo se inverteu e Pinera está na frente de Frei com uma votação que surpreendeu até os seus eleitores. Na primeira volta ele ficou com 44,03% dos votos contra minguados 29,06% do ex-presidente.

Em um cenário político tranqüilo em que Bachelet deu a volta na crise mantendo a economia forte graças aos saldos economizados em caixa, terminando o governo com 85% de aprovação a última coisa que a concertacíon esperava era a não conseguir fazer um sucessor.

Longe de macumbas ou maracás, o problema foi a falta de visão da coalizão que acomodada deixou de investir na formação de quadros, fechou o caminho para a ascenção de membros de outros partidos da esquerda e perdeu de vista a nova geração de chilenos representados nos 20% dos votos alcançado pelo independente Marco Enríquez-Ominami. Com 36 anos o jovem deixou a Concertácion, conseguiu 70 mil assinaturas e agora tem seu apoio disputado a tapa por Frei e Pinera.

Em um país em que a forma como a economia é conduzida é consenso entre a maior parte dos cidadãos, Enríquez-Ominami focou a campanha em temas polêmicos como aborto e união civil entre homessexuais e obrigou seus opositores a seguirem por aí também. MEO, como é conhecido, tens planos de criar um novo partido ainda esse ano e já liberou seus eleitores para votarem em quem quiserem já que para ele os dois candidatos são farinha do mesmo saco já declarou suas pretensões de criar um novo partido ainda nesse ano.

Dessa salada sobraram os comunistas representados por Jorge Arrate e que terminaram o primeiro turno com 6% dos votos. O partido já declarou apoio a Frei nos termos de dos males o pior apesar de manter sérias reservas a forma neoliberal cmo a economia vem sendo dirigida.

Especulações a parte, o destino do Palácio de la Moneda está nas mãos dos cerca de oito milhões de eleitores chilenos habilitados. Se a campanha se resumir a matemática talvez a Concertácion se salve. Os 6% dos comunistas mais que a porcentagem mais dos eleitores de MEO que nunca iriam a favor de um amigo de Pinochet seriam suficiente para colocar Frei na frente. Só a segunda-feira dirá.

3 comentários:

Cris Rodrigues disse...

Aí é q tá, eu acho q o problema é falta de renovação. Os chilenos já estão cansados dos mesmos rostos e dos mesmos discursos. O mundo gira, as coisas mudam, os discursos têm q evoluir também. Não precisa endireitar, mas evoluir, sim. O Frei já foi presidente e ainda por cima é filho de ex-presidente. Tá faltando gente nova, propostas novas, ideias novas. Se fala tanto no empasse da esquerda... No Chile não há de ser diferente, os caras não sabem mais o q fazer. É como no Brasil (mas aqui tá menos grave), na Europa, no mundo todo. A esquerda anda perdida.

Paula disse...

Bem nessa! E parece que vai dar Pinerã mesmo, por uma diferençazinha rídicula.

Paula disse...

Pronto, agora é oficial. Direita no poder.