28.2.10

"Às vezes a gente se imagina incompleto e é apenas jovem."

Ítalo Calvino

27.2.10

Dom Casmurrice feminina

Gamei, gamei, gamei. Mulher de um homem só do Alex Castro. Grande livro (pra não falar da genialidade e coragem da publicação, via mecenato internético). Fim da sessão babação de ovo. De volta pro livro.

(Dá pra dar uma espiada aqui, ó)

*

Adendo: Não consegui parar de ler, como há temos não me acontecia. Só não varei a madrugada com a história por que meus amigos me tiraram de casa quase a força.
O livro fala da passagem dos 18 e poucos pros vinte e tantos pela voz da Carla, e só da Carla. Com aquelas paranóiazinhas que tem toda mulher (e todo homem, nem vem) ela vai teorizando a amizade desde sempre do marido Murilo com Júlia.
Ela fica nessa meio Dom Casmurro, questionando se o Murilo tá com a Júlia desde sempre e só a gente e ela que não sabe e... só lendo. Por isso segue um trechinho do texto que tá lá no blog do Alex Castro.

História de Libeca

Mas às vezes ele me choca, me choca de verdade. Algumas histórias não sei se teria casado se soubesse. A primeira vez que esses ideais inconstantes do Murilo foram postos à prova foi com o caso da Libeca e, nessa prova, o Murilo não passou não, não passou mesmo, teria ido direto pra recuperação e ia ficar dezembro todo na sala de aula. Mas acho que sou eu. Religiosa ou não, não interessa, sou muito passional, muito apegada à vida: uma vida, um minuto a mais de vida que seja, não vale todas as teorias e argumentações e racionalizações do Murilo, e não entendo como ele pode ser tão frio, como pode colocar idéias antes de gente, e isso me assusta, porque decidi passar a vida com esse homem, e ele é o pai da minha filha, e não sei se posso confiar nas decisões dele, se o seu bom senso errático não poderia preferir lealdade a algum ideal abstrato do que à vida de Raquel. E essa história me bota medo, mas vou contar mesmo assim, vou contar o que Murilo fez com a Libeca porque isso tem tudo a ver com o que houve depois.

(o resto da Libeca)

Sinto que passei o verão murchando.
Terremoto de 8,8 no Chile, assassinato do Eliseu Santos na capitar. calmae Murphy.

Eu corro através de poças

26.2.10

Mais sabedoria orkutiana

"Tomorrow's life is too late. Live today."

Ok, ok. Já entendi.

23.2.10

Hoje é dia de Maria

Baixou a Maria. Limpei a sala, a cozinha, o banheiro e desentulhei o quartinho dos entulhos. Em homenagem a máquina de lavar roupa recém consertada fiz ainda duas belas maquinadas com panos que estavam rolando sujos pela casa. Só faltou passar kiboa no teto e descongelar a geladeira. Dona Marlei ficaria orgulhosa. E o teto e a geladeira que me aguardem.

***



* Nesses momentos em que se torna difícil até abrir a portinha do freezer dá uma saudade na nossa geladeira antiga. Ela não congelava lhufas mas em compensação estava sempre em modo degelo.
Na foto a dita cuja - reparem na classe da ferrugem fazendo par com o azul anos 50 - e os companheiros de guerrilha universitária Marina aka alemôa e Endrigo. No fundo, branquinha e discreta, a nova velha protagonista da cozinha: o "fregeder" da Analu.

Tomara que chova três dias sem parar


E chove em Porto alegre. Vontade de sair pra rua e tomar um banho de chuva de caso pensado. Lavar a alma e as idéias. Quem sabe criar um pouco daquela certa coragem necessária nessa altura do campeonato.

22.2.10

Como fazer uma reportagem

Em homenagem aos enlatados televisivos.

19.2.10

Fe-mi-nis-mo

"Feminism is the radical notion that women are people."
Cheris Kramarae
Paula Treichier


Muita gente tem medo de se declarar "feminista" como se isso fosse palavrão ou o mesmo que assinar um atestado de fridigez. Ou como se já não fosse necessário.
Será mesmo?
Nós não temos os mesmos salários. Nós não temos os mesmos direitos. Não somos representadas igualmente e mais uma lista de nós não.
Só que o jogo é virado de tal forma e o machismo tão introjetado que se revoltar contra isso é que parece errado e se apaga um dos não nós mais importantes: nós não estamos lutando pra sermos vaginas de calças compridas. Apenas pelo direito de escolha.
A grande sacada é a escolha.
Quer se arrumar? Se arruma. Quer ter filhos e ficar em casa cuidando deles? Fica. Não quer? That´s ok to. E isso vale pro lado com ou sem cromossomo Y.
Discussões a parte, achei esse teste chiquita bacana no blog da Lud que ilustra bem a questã.
Porque o feminismo luta pela liberdade. De todos nós.

El teste


1. Você acha que (A) uma mulher deve receber o mesmo salário de um homem para realizar o mesmo trabalho ou (B) uma mulher deve receber um salário superior ao de um homem para realizar o mesmo trabalho?

2. Você acha que (A) as atividades domésticas devem ser de responsabilidade de todos os moradores da casa ou (B) as mulheres não devem ser responsáveis pelas tarefas domésticas?

3. Você acha que (A) que homens e mulheres devem receber a mesma educação escolar ou (B) somente as mulheres devem ser admitidas nas faculdades?

4. Você acha que (A) homens e mulheres devem ter direito a votarem e a serem votados ou (B) somente as mulheres devem ter direito a votarem e a serem votadas?

5. Você acha que (A) homens e mulheres devem ter autonomia para possuir bens e administrá-los ou (B) somente as mulheres devem possuir bens e administrá-los?

Resultado do teste:

Se você marcou mais letras (A), surpresa – você é feminista! É isso mesmo: o feminismo defende que todo mundo deve ter direitos e obrigações iguais, independentemente do gênero. É por isso que feminismo e machismo não são opostos: o feminismo quer que tanto mulheres quanto homens tenham acesso às mesmas oportunidades; já o machismo acredita que os homens são superiores e, por causa disso, devem ter direito a vários privilégios. O real oposto do machismo é o femismo, que segue a mesma "lógica" ("sou melhor porque tenho o cromossomo X ou Y") e está representado pelas letras (B) no teste.

Você se chocou com as letras (B)? Pois é, que horror. Que injustiça. Mas perceba que, se você trocar a palavra “mulher(es)” por “homem(ns)” nos itens 1 e 2, eles vão refletir a realidade atual de muitas mulheres. E se você fizer a mesma coisa nos itens 3, 4 e 5, bem, eles correspondiam à verdade não faz muito tempo (e ainda correspondem em certos países). O que aconteceu desde então? O feminismo.


Faço minhas as palavras da Lud. Confessem: vocês já eram feministas e nem sabiam.


Dúvidas internéticas

Alguém sabe pra que serve/o que é essa história de seguidores? Bom, sabendo ou não fiquei feliz da vida ao saber que a minha conterrânea Elisa "me segue". É, preciso de pouco pra ser feliz. Borá fundar uma seita gringa!

18.2.10

Texto novo no Caminhos Bolivianos

Hermanos e hermanas, demorou mas saiu. Aqui ó: Caminhosbolivianos.wordpress.com. Um pouco de eleições, um pouco da viagem, um pouco do que consegui entender de tudo isso.
Fora isso, queria agradecer a todo pessoal que lê o blog e comenta - comigo - que curtiu. Bacana escrever algo que vá além da lista de amigos internéticos tradicionais. Sigam lendo e comentando - no blog, se possível. Deixo o lead aqui de "teaser".

Cheguei na fronteira entre a Bolívia e o Brasil com uma mala de rodinhas, um laptop e o vago propósito de cobrir as eleições presidenciais. Com quase dez milhões de habitantes e 1,098,581 km² de área, o país é um desses lugares míticos. Adorado pelos mochileiros que buscam as raízes da América Latina, visto como a salvação pela esquerda e excomungado pela direita graças as suas alianças e suposta disposição de seguir o diabo, quer dizer, Chávez e Fidel.

15.2.10

“II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente.”
Camilie Claudel

13.2.10

Dicas de livros são muito bem vindas, gracias. Vários vale livraria para preencher. A vida é boa.

Carnavalices

Ahh, que eu ainda pulo um carnaval bacana e com marchinhas, eu pulo. Enquanto isso, servem as marchinhas.

Aaaaai, a bruxa vem aí
e não vem sozinha,
vem na base do saci

Pula, pula, pula
Numa perna só
Vem largando brasa
no cachimbo da vovó!

*

Se vc acha que cachaça é água
cachaça não é água não
cachaça vem do alambique
a água vem do Ribeirão

*

Mamãe eu quero, mamãe eu quero

Mamãe eu quero mamar!

Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta

Dá a chupeta pro bebê não chorar!

Dorme filhinho do meu coração

Pega a mamadeira em vem entra no meu cordão

Eu tenho uma irmã que se chama Ana

De piscar o olho já ficou sem a pestana

Eu olho as pequenas, mas daquele jeito

E tenho muita pena não ser criança de peito

Eu tenho uma irmã que é fenomenal

Ela é da bossa e o marido é um boçal

*

O teu cabelo não nega mulata

Porque és mulata na cor

Mas como a cor não pega mulata

Mulata eu quero o teu amor

Tens um sabor bem do Brasil

Tens a alma cor de anil

Mulata mulatinha meu amor

Fui nomeado teu tenente interventor

Quem te inventou meu pancadão

Teve uma consagração

A lua te invejando faz careta

Porque mulata tu não és deste planeta

Quando meu bem vieste à terra

Portugal declarou guerra

A concorrência então foi colossal

Vasco da gama contra o batalhão naval

Diário de uma pseudo-alcoolatra

Bebi demais na minha formatura, agora minha mãe acha que eu bebo dia sim, dia também. Justo eu que parei até de tomar cerveja por causa da maldita enxaqueca (a formatura foi uma folga consciente de que minha cabeça poderia doer muito, ameaçar explodir, jogar basquete entre os neurônios no outro dia). Como se não bastasse, ela faz questão de me lembrar isso a cada telefonema além de ter incluído a minha "condição" nas suas preocupações diárias, como o aumento da criminalidade nas ruas, o fim do mês e, com sorte, a paz na palestina.

8.2.10

Bolão Cowabanga


Êi, tem bolão do Oscar no Cowabanga! Sem grana e sem concorrentes. Só pelo prazer de estar certo.Vai lá tentar adivinhar quem vai levar o "homenzinho-amarelo-de-barriga-tanquinho" pra casa.

6.2.10

Blog novo no pedaço e blogs velhos na prancha

Uma das características mais fortes dos blogs é a sua facilidade de criação. Você não precisa saber lhufas de html e pum. Faz um blog. O que nos leva a outra característica recorrente. A efemeridade. Ter um blog é quase sinônimo de abandoná-lo. Mais cedo ou mais tarde acontece. O próprio palim amarga longos hiatos - como ele não tem leitores, não chega a ser um problema.
Pensando nisto, passei o pente fino ali no Vai firme que vale a pena com uma dor no coração pelos blogs geniais que a galera deixou juntar poeira a ponto de não serem mais blogs: a primeira pedra, pernas abertas e pos aí vai.
Em compensação, o espaço ganhou um nome novo e promissor: o Somos andando da Cris Rodrigues. A bem dizer, o velho Interpretando de toga, já que a moça decidiu coroar a formatura também com um novo espaço internético.
Fica aqui a recomendação, e o palim segue, balançando mais andando também.

4.2.10

"Meus caros generais"

Por conta da dica do LFV na coluna de hoje fui checar a carta aberta aos milicos do colunista Marcelo Rubens Paiva lá do Estadão. Grande texto em defesa da anistia. Segue um trechinho.


Eu ia dizer “caros milicos”. Não sei se é um termo ofensivo. Estigmatizado é. Preciso enumerar as razões?
Parte da sociedade civil quer rever a Lei da Anistia. Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado.
Num banzo, num banzo, num banzo. Cheia de coisinhas bem inhas pra fazer. Calcular o aluguel, largar currículos por aí, escrever. Bem antigamente se dizia que era impossível fazer ciência nos trópicos por causa do calor. Em semanas assim, concordo.
Maior temperatura em Porto Alegre nos últimos cem anos. Nada como descobrir glândulas sudoríparas em lugares que a gente nem sabe que existiam.

3.2.10

Prazer, Paula Bianchi. Jornalista. Se bem que já me apresento assim há tanto tempo que nem tem tanta graça...