30.3.10

Terça-feira de folga na cidade maravilhosa

Sempre tive muita sorte e costumava cair de para-quedas em casas prontas e mobiliadas, esperando apenas o ar da minha graça. Dessa vez peguei um apartamento pra dividir do zero e venho acompanhando com um pouquinho de irritação e encanto as coisas irem devagarinho para o seu lugar.
Alguns móveis ficaram, o que poupou o trabalho de procurar uma cama (apesar de ainda estar sem colchão) e as gurias, como boas donas de casa, trouxeram até baldes na bagagem deixando pouca coisa da casa de fora.
Falta ligar o gás - mas convenhamos, banho quente no Rio? Só se eu fosse do Pará 'mermão'. Outra dia, um tanto puta da cara por ter chegado no trabalho e cruzado com um termômetro que marcava alegremente insuportáveis 40 graus perguntei por pessoal quando começava a refrescar. Eles me olharam. Hmn, o tempo fica assim mais ou menos do dia 1 de janeiro até 31 de dezembro. Engraçadinhos, Sibéria pra vocês, mas divago... - a internet, o telefone, consertar a máquina de lavar, instalar o fogão e a geladeira, que se deus quiser e as Casas Bahia abençoarem chega amanhã.
Essas coisas pequenas que são um trabalho duro, mas que alguém tem que fazer. Eu fico só medindo a quantidade de luz que bate no meu quarto, feliz da vida por ele ser tão agradável, e pensando nas plantas que eu vou colocar na janela e nas comidas que vou cozinhar assim que a cozinha puder ser realmente chamada de cozinha.
São coisas bem Maria e rotineiras, mas acho que faltava um pouquinho de rotina - sim, Eu estou mesmo dizendo isso - na minha vidinha. Vivo num liquidificador desde o inverno e por mais que eu goste disso um lado meu que é bem mais parecido com a minha mãe do que eu gostaria estava pedindo uma folga pra respirar.
Fora isso, hoje desencanei e decidi curtir o Rio a minha maneira. Eu não enxergo essa cidade incrível que todo mundo que veio aqui antes de mim descreve, por mais que goste bastante daqui. Acho um lugar difícil e um tanto cruel, que te lembra o tempo todo de que lado da corda bamba da sociedade brasileira tu tá, e da quantidade de gente que sofre por causa disso. Mas isso é assunto pra um post mais sociológico do que os meus dedos estão dispostos a digitar hoje.
Me lembrei duma viagem que eu e a Cris Rodrigues fizemos a Buenos Aires - A viagem, que viagem, só de pensar nessa viagem o simples fato de não estar em Buenos Aires agora me parece um pecado. Um colega da agência que também tem o mesmo sentimento fez uma promessa. Ir pra Meca, digo BsAs, todos os anos, sempre e pelo maior tempo possível . Eu também ainda volto lá, pra morar. Ah se volto. Nem que seja com a desculpa de treinar o espanhol - , enfim. Durante a nossa curta estadia numa cidade que tem milhões de coisas legais e interessantes pra fazer a gente queria fazer no mínimo milhares de coisas legais e interessantes, até que a gente percebeu que por mais coisas que a gente fizesse não ia fazer nunca em uma semana todas as coisas e que fazia mais sentido a gente fazer só o que a gente queria.
Ah, mas vocês dirão. Vocês já não estavam fazendo só o que vocês queriam já que viajaram pra onde queriam quando queriam? Quem já foi além do seu bairro com o desejo especial de conhecer um lugar novo aquecendo o coração sabe que não é bem assim. Inconscientemente a gente acaba criando um dever de aproveitar e se divertir ao máximo e, como diria o Calvin, a diversão quando levada realmente a sério não é lá tão divertida assim.
Por isso eu e madame C. decidimos alegremente nos libertar dos grilhões das obrigações de divertimento e fazer aquilo e solamente o aquilo que a gente quisesse e tivesse vontade. Nenhuma meja luna - e como comemos mejas lunas - a mais. Nem que isso significasse passar à noite conversando, jogando sinuca e tomando cerveja no hostel ao invés de ir numa das milhares de festas supermegabombásticas numa das cidades que tem as melhores entre as melhores festas supermegabombásticas do mundo.
E foi bom. Na verdade não foi bom. Foi muito bom. Foi a melhor coisa que poderiamos ter feito. Aconselho firmemente que todos tirem um dia pra seguir a nossa receita de ócio. Começar fazendo absolutamente o que se quer, depois fazer mas um pouquinho do que se quer, continuar fazendo só o que der vontade e pra fechar com chave de ouro, fazer mais um pouco do que der vontade.
Então acordei hoje assim. Ao invés de me sentir mal por Ainda não ter visto ido no Cristo, subido no bondinho, pegado praia no posto 9 e todas as milhares de coisas que você TEM que fazer já que está no Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, a terra do sol na América do Sul e afins, decidi apenas fazer o que me desse vontade. Claro que o fato do dia estar mais pra sol que pra chuva ajuda.
No fim passei uma bela manhã lendo, um pedaço da tarde caminhando por uns bairros simpáticos mas que com certeza não estão nos mapas dos turistas, tomando sorvete, dormindo, lendo mais um pouco e agora aqui. Net roubada e refrigerante numa taça já que a gente ainda não tem copos.
Arrivedecci, que deu vontade de escrever mas passou. Vou lá curtir a dor e a delícia de estar só.

26.3.10

25.3.10

200 gramas de humanidade, por favor

Fui almoçar num buteco e aproveitei pra pedir a velha e boa combinação bife, feijão e arroz; acabei com um prato feito três refeições. Depois de ter comido mais um pouquinho na janta, decidi descer e entregar a quentinhas pra um dos tantos moradores de rua que ficam me chamando de 'tia' lá na frente do trabalho.
Como não encontrei ninguém e já tava no fim do meu intervalo, pedi pro guri que cuida dos táxis entregar a sacola pra o próximo morador que passasse. Ele me olhou, me olhou e disse: "Ah, mas é que eles são tão abusados". Assim. E coração que é bom lhufas. A melhor parte é que a cena aconteceu bem debaixo de uma placa que dizia "cuidado! pessoas".
Hora de comprar flores.

24.3.10

Porto Alegre, território livre da especulação imobiliária

Reproduzo o post da Cris Rodrigues publicado no RS Urgente sobre a venda do terreno da Fase. Bem localizado, caro e do estado ele está para ser vendido sem que a população tome conhecimento disso. Numa cruzada de Davis, peço aos amigos que divulguem essa informação.


Cris Rodrigues - Jornalismo B

Hoje não vou falar sobre nada que eu tenha lido, ouvido ou visto nos jornais por aí. Vou falar sobre o que eu não vejo, não ouço, não leio. Não lembrava de ter visto na Zero Hora, por exemplo, mas, para não ser injusta, fui ao canal de busca do site. Mas minhas impressões se confirmaram: a informação mais recente que encontrei sobre a possível alienação ou permuta do terreno da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase), que pertence ao estado do Rio Grande do Sul, é datada do dia 11 de março. E tem míseros dois parágrafos. Antes dessa, uma notinha de iguais dois parágrafos do dia 23 de fevereiro, louvando a iniciativa do governo Yeda.

O projeto de lei 388, que autoriza a alienação ou permuta de um terreno de 74 hectares localizado na avenida Padre Cacique, quase em frente ao estádio Beira-Rio – ou seja, extremamente bem localizado, principalmente se considerarmos a iminência de uma Copa do Mundo -, com um vasto patrimônio ambiental e histórico, seria votado hoje, caso tivesse havido quórum, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do RS.

Além do patrimônio riquíssimo que o governo quer entregar para a iniciativa privada, o terreno tem também pelo menos 10 mil pessoas que moram ali e não estão sendo ouvidas. A ideia é trocar o terreno por outros menores, com o suposto objetivo de descentralizar a Fase, mas não há planejamento para isso, e a imprensa se cala. Mais informações sobre o caso no Somos andando, no RS Urgente e no Jornal do Comércio.

É possível que o governo entregue a última área que ainda conserva vegetação típica de Porto Alegre para construtoras, mas a mídia não diz. Sei que a Band cobriu alguma coisa na rádio. Sei que o Marcelo Noah está se esforçando na Ipanema para fazer alguma divulgação. Fora isso, silêncio (peço perdão se faltou citar alguém, mas não dou conta de rastrear toda a cobertura da imprensa, sei apenas que foram pouquíssimos os que noticiaram).

A explicação óbvia seria por si só bem plausível diante do que estamos acostumados a ver na imprensa: interessa mais valorizar a iniciativa privada nos meios de comunicação. Não interessa o que pode ser bom para a população. Ainda mais se quem tiver proposto o projeto for um governo amigo. É sempre bom preservar esse tipo de amizade. Amizades poderosas.

Mas a coisa vai mais longe: os Sirotsky, a quem pertence o maior, quase único, grupo de comunicação do Rio Grande do Sul, a RBS (conhecido por alguns como PRBS, por conta de suas características de partido político nas atitudes que toma), são também donos de uma empresa chamada Maiojama (uma mistura breguíssima dos nomes MAurício; IOne, mulher de Maurício; JAyme; e MArlene, mulher de Jayme). A Maiojama é uma construtora, ou melhor, como diz em seu site, “atua no planejamento e desenvolvimento de edificações residenciais, comerciais, flats e shopping centers”.

Agora peço um esforço mínimo de dedução lógica dos leitores: o governo do estado quer entregar um terreno por um valor muito abaixo do de mercado; o terreno é gigante, muito bem localizado, num dos pontos atualmente mais disputados de Porto Alegre; seria perfeito, do ponto de vista empresarial, para construir um grande complexo, que poderia envolver dúzias de torres de apartamentos, comércio, shopping, mil coisas; quem faria isso seria uma construtora; os Sirotsky têm uma construtora; os Sirotsky têm um grupo de comunicação; o grupo de comunicação se cala diante de um empreendimento que pode prejudicar a população. Logo, há um grande interesse por trás que orienta o silêncio absolutamente antiético da empresa de comunicação.

A ética jornalística manda colocar o cidadão em primeiro lugar e não se deixar corromper. Os interesses privados não podem transpor os coletivos. Ou seja, a RBS adota uma postura nitidamente, escancaradamente, maldosamente antiética.

Mais informações no Somos Andando e RS Urgente.

Momento almanaque

Você sabia que mais de 80% das ruas e prédios da cidade de Tirana, capital da Albânia não tem nome nem número?
Pra dar um jeito nisso, há dez anos um prefeito mandou pintar e decorar tudo o que leva os carteiros a procurar o prédio das folhas, por exemplo.


E depois a gente acha que não aprende nada editando matérias em ritmo industrial.
(agora a União Européia liberou uma grana pra 'normalizar' a cidade, eliminando toda a poesia do caos)

23.3.10

Assim que eu tiver uma casa eu vou

Encher ela de flores. Coloridas, perfumadas. E de temperos e ervas. Manjericão, alecrim, hortelã, cidreira, salsa e por aí vai;
Comprar uma bicicleta ou dar um jeito de mandar a minha lá de Porto dos casais pra cá e pedalar pela orla e pela cidade (aqui tem ciclovias, e elas são respeitadas!);
Assinar um jornal, só pelo prazer de acordar de manhã e tomar um chá lendo e me revoltando com as notícias do mundo;
Fazer um estoque de chá preto;
Criar uma rotina de escrita e tirar as teias de aranha do Caminhosbolivianos.wordpress.com;
Encher a geladeira de frutas e a despensa dessas coisas naturebas e gostosas que só parecem certas se compradas a granel no mercado público;
Pagar a promessa, porque parece que o único jeito de conseguir um ap razoável por aqui é recorrendo a forças ocultas e afins.

Já dizia o Guima. O sertão tá dentro da gente, sabe? O cara pode estar em Botswana, Passo do Sobrado ou Madagascar que a cabeça continua sendo a ilha, o resto é distração, paisagem. Os pepinos que só aparecem nas terças feiras pela manhã continuam lá, assombrando. E todos temos os nossos próprios fantasmas.

Natália Pianegonda agora é

npianegonda.wordpress.com. É, pois é.
E a blogosfera segue, com um tiquinho mais de poesia e bom senso.

País basco do Brasil

- Paula, tu só tem que tomar cuidado que às vezes o tradutor traduz errado. Aqui por exemplo, latrinas e inodoros viraram patentes e vasos sanitários.
- Ah não, aí fui eu que traduzi mesmo.
- Sim, sim. Mas tem que tomar cuidado com o tradutor. Patentes, por ex.
- Sim, mas patentes servem pra latrina.

silêncio de dúvida

- Ahh, tu achou que patentes fossem patentes?
- É.
- Foi mal, lá no Rio Grande isso é sinônimo pra latrina. Achei que fosse assim no resto do país também.

17.3.10

Idiossincrasias cariocas

* O bus custa 2,35 ou 2,70. O critério é a falta ou a presença de ar-condicionado;

* Qualquer chuvinha tem potencial de enchente. Entre os motivos - usado como justificativa pelas autoridades - está o gosto dos moradores da cidade de jogar lixo no chão;

* Apesar de contar com cerca de 6 milhões de habitantes só na capital capital, a coleta seletiva é uma lenda distante;

* O preço da comida muda de acordo com a localização do mercado - mesmo nas redes. Mais caro na zona sul, mais barato na norte (em breve tutorial sobre como acomodar compras no trem da zona norte pra cá);

* O chopp é bem mais barato e está por todas as partes;

* Também ainda não achei nenhum saleiro por essas bandas e os canudinhos vem todos empacotados;

16.3.10

Então


Estou morando no Rio. Admito que ainda não caiu a ficha. Não foi exatamente uma escolha, aconteceu. Mais ou menos como as coisas costumam acontecer. De uma hora para outra e sem aviso.
No comecinho do ano, lagarteando na praia da Pinheira conversei com uma amiga, também recém formada, sobre Deus, o universo e tudo o mais. Aquelas conversas de ano novo, carregadas de um sentimento de venha o que o que vier que eu encaro e milhares de resoluções que por princípio não vão necessariamente ser cumpridas.
Pois bem, ali, há um mês da formatura com zero perspectivas só soube dizer. "Não tenho a mínima idéia do que vai acontecer esse ano, mas sei que vai ser muito bom." E isso resumia todos os meus planos.
Estava em Porto Alegre criando coragem pra ir pra Brasília ou pra São Paulo tentar a vida e juntar uma graninha pra morar nas zooropa por um tempo e criando um pouco de alergia do meu quarto também. Cheguei a pensar em João Pessoa e Fortaleza. Tudo menos no Rio. Ele me atingiu do nada, depois de um teste feito no maior sangue doce.
Não deu tempo nem pra decidir ou se quer se despedir direito. As coisas se arrumaram sozinhas. Quando vi estava desembarcado aqui.
Agora tem uma equatoriana no meu antigo quarto e eu não tenho chaves nem endereço. Só um coração bem aberto porque eu não faço a mínima idéia do que vai acontecer esse ano, mas sei que vai ser muito bom.

* Picture da Caroline em sua visita ao Rio.

14.3.10

Das coisas altamente desgostáveis

  • Enxaqueca e cólica;
  • comprar calças;
  • procurar apartamento na zona sul;

12.3.10

E as coisas vão entrando nos eixos


Com toda a poesia do mundo, para minha irmã e fã de bossa nova, Caroline.

Retratação

Fiquei realmente triste com a morte da picorrucha. O luto, por favor não tinha nada de irônico. Significa luto, por favor.

9.3.10

Códigos vanderianos pra reconher as minhas matérias na Efe

Gentilmente criados pelo nosso repórter-escravo branco Vander Côrrea.

Acaba a festa da Uva na Gringolândia

A loka de Cristina Kirchner briga de novo com os deputados argentinos

O gostoso do Gael García Bernal estrela novo filme

A passiva do Ismael Cardoso viaja ao RJ

A Kassab não engana ninguém

Luhmann bem que avisou


Se isso não funcionar, procurem pelo PB no fim do texto.

P.S. A minha vida não é uma novela, mas em breve dou mais notícias. Por enquanto a net tá bem limitada.

7.3.10

Reflexões aeropórticas

* Os amigos só podem nos levar até o portão de embarque. Daí pra frente é com a gente.

* O Michel sacou bem. Não é uma questão de quando você volta, o Rio está a 2h de avião tal e coisa, coisa e tal. É de fim de capítulo.

* Sei que janela lado direito não faz diferença em avião, mas por via das dúvidas 12D.

* Logo que entrei reconheci a aeromoça. É a mesma que me deu gelo quando vomitei pouco antes de chegar no Rio em abril do ano passado. Será um sinal?

* Dizem que só as mães são felizes. Então o que a minha tá fazendo do lado de lá do portão, chorando como se tivesse perdido um pedaço?

* - Tu vai levar o travesserio? - pegunda miss Débora Gastal com ar zombateiro.
- Eu já vo deixar a minha família, os meus amigos e as minhas cidades. O travesseiro fica.

* A primeira leitura carioca vai ser O estrangeiro do Camus. Tirei o plástico agorinha.

* A minha cachorra, Picorrucha, morreu quinta. Ela tinha 14 anos. Meu pai acha que foi o coração. Luto, por favor.

* É mais rápido ir pro Rio de avião que pra Caxias. 1h40 x 1h45-2h de ônibus. Grande Santos Dumond - o cara, não o aeroporto.

* Comandante: Tenho duas notícias. Ruim: Fomos informados que não vamos conseguir descer no Rio por causa da chuva. Boa: Felizmente, nós temos bastante combustível.

* A liberdade não tem chaves. Nem mãe.

Fim do capítulo Porto Alegre-faculdade.

5.3.10

Pequenezas

E os livros-bibliotecas como é que ficam nesse desapego?

Aviso aos navegantes

Estou indo pro Rio sábado... morar. Notícias assim que a maré baixar. Torçam por mim.

4.3.10

Eu tô empacotando a minha vida, saca?
A tal mágica que existe quando a gente viaja existe por aqui também. A gente é que está anestesiado demais pra perceber.
'cause Im leavin on a jet plane...

Sobre o risco

"...o bom mesmo é arriscar justamente quando a gente não tem nadinha a perder, porque além do chão não sei vai, então é só levantar."

Miss Benvenuti

2.3.10

Estava aqui pensando no que não poderia deixar de levar caso fosse embora amanhã. E a verdade é que não precisava mais que uma mochila. As roupas a gente usa conforme a estação, os livros lidos estão na memória e o que ainda não li nas bibliotecas de todos os lugares. A minha família e amigos, esses meio que estão comigo o tempo todo mesmo quando não sabem. Batendo colóquios mentais intermináveis enquanto miro em silêncio a paisagem. Um par de tênis, um havaianas, um casaco, um lenço, umas três quatro camisetas, duas calças e mais uma meia dúzia de calcinhas. Viajaria leve e com um coração bem aberto. Pro mundo, pra vida, pra janela além do meu quarto.

Maria, Maria

É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta

Maria,Maria É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas agüenta

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Se o meu nome fosse Raimundo


Laerte

1.3.10

Esconde esconde culinário

Se você amigo está cansando de gastar os tubos em pretensos restaurantes nordestinos pra comer uma mísera cumbuquinha de escondidinho, seus problemas acabaram. Agora se você amigo não faz a mínima idéia do que é esse tal de escondidinho, os seus problemas acabaram também. O Palim vestiu o avental e ensina você não só o que é o bicho, como ainda explica direitinho comofaz.

Sim.

O mundo caindo e eu vou de falar de... comida. É. Porque comida é uma parte importante da vida. Porque é justo quando o mundo cai que dá mais fome e talvez, mas um talvez bem zinho, porque eu queira exibir meus parcos (mentira) dotes culinários por aqui.

Introduções a parte, o escondidinho é bom. Muito bom. Quer desculpa melho pra comer-aprender a fazer?

A minha versão é meio fim de festa como toda boa versão home alone e veio como uma epifania num fim de domingo. Enquanto no escondidinho clássico mistura mandioca e carne seca o meu reafirma o seu gaúchismo com sobras de churrasco. De quebra ainda é uma opção para o também clássico carreteiro pós churrasco da segunda-feira.

Você vai precisar de:
  • Macaxeira, aipim ou mandioca. Depende a região do vivente;
  • Aquela carne que sobrou do churrasco. No caso dos hereges, também dá pra se virar com um bifão recém comprado;
  • Um tiquinho de leite;
  • Um tiquinho de margarina;
  • Queijo - ralado, fatiado, o que tiver por perto. Se tiver os dois, melhor;
  • oléo, azeite de oliva, oquetiver;
  • Sal;
  • Pimenta;
  • Mais alguns temperos que tiverem sobrevivido a verão, como orégano;

A quantidade de aipim depende da quantidade de carne e da quantidade de comida que tu quer fazer. Todo caso um bom pedaço mais ou menos do tamanho de uma régua de colégio rende ao menos quatro porções bem servidas.

Pra começar descasca a mandioca, corta em pedaços e coloca pra ferver. Imagina que tu vai fazer um purê, só que de macaxeira. Como o aipim é bem mais fibroso que a batata tem que ferver mais. Colocou a colher e esmagou um cantinho numa boa sem fazer força, you go man. Estamos prontos pro step 2.

Claro que antes do 2 tem o 1,5. Enquanto ferve a mandioca tu pega a carne de churras-bife feito a uns minutos atrás e corta em tirinhas bem pequeninas. Falando francamente, esquece a faca e ataca com a tesoura de cortar caixa de leite. Estamos em 2010. Pra que sofrer?

Uma vez esfiapado a carne, põe na frigideira com um pouquinho de azeite plus pimenta plus orégano plus os temperos que der vontade. No caso do churrasco é melhor maneirar no sal. Aqui em casa a galera não tem apreço pelos rins. Ou seja. Se a carne já bem estiver salgada não precisa de mais pózinho branco.

Voltando a mandioca agora fervida, é só uma questão de escorrer e esmagar. Em casas mais sortudas é possível contar com aparelhos estranhos e interessantes, com furinhos embaixo e pegadores longos, vulgos esmagadores. Se esse não for o seu caso, não entre em pânico. Um bom garfo serve e ainda por cima exercita as graxinhas.

Macaxeira esmagada volta pra panela, dessa vez com o pouquinho de leite, o pouquinho de margarina mais o sal e os temperos. Mexe até incorporar bem o leite ou ficar com aquela cara de purê, saca?

Com a carne e o aipim pronto já dá quase pra partir pro abraço. É só uma questão de pegar uma travessa-cumbuquinha-oquetiver e fazer uma caminha de mandioca. Cobre com a carne e cobre de novo com a macaxeira e voilà.

Falta só cobrir tudo com o queijo, colocar pra gratinar (sabe forno? isso), esperar o derivado do leite borbulhar e partir pro abraço.Não exige prática, tão pouco habilidade. Oxênte pra vocês também.

Pra quem dúvida da gostosura do prato, um google images de dar água na boca: