7.3.10

Reflexões aeropórticas

* Os amigos só podem nos levar até o portão de embarque. Daí pra frente é com a gente.

* O Michel sacou bem. Não é uma questão de quando você volta, o Rio está a 2h de avião tal e coisa, coisa e tal. É de fim de capítulo.

* Sei que janela lado direito não faz diferença em avião, mas por via das dúvidas 12D.

* Logo que entrei reconheci a aeromoça. É a mesma que me deu gelo quando vomitei pouco antes de chegar no Rio em abril do ano passado. Será um sinal?

* Dizem que só as mães são felizes. Então o que a minha tá fazendo do lado de lá do portão, chorando como se tivesse perdido um pedaço?

* - Tu vai levar o travesserio? - pegunda miss Débora Gastal com ar zombateiro.
- Eu já vo deixar a minha família, os meus amigos e as minhas cidades. O travesseiro fica.

* A primeira leitura carioca vai ser O estrangeiro do Camus. Tirei o plástico agorinha.

* A minha cachorra, Picorrucha, morreu quinta. Ela tinha 14 anos. Meu pai acha que foi o coração. Luto, por favor.

* É mais rápido ir pro Rio de avião que pra Caxias. 1h40 x 1h45-2h de ônibus. Grande Santos Dumond - o cara, não o aeroporto.

* Comandante: Tenho duas notícias. Ruim: Fomos informados que não vamos conseguir descer no Rio por causa da chuva. Boa: Felizmente, nós temos bastante combustível.

* A liberdade não tem chaves. Nem mãe.

Fim do capítulo Porto Alegre-faculdade.

8 comentários:

Evangelho disse...

Posso sugerir um livro? "Por que a criança cozinha na polenta" de uma escritora chamada Aglaja Veteranyi.

A história de uma menina filha de artistas de circo que acompanha seus pais pela europa central. Um trecho pra voce entender a que me refiro:

"se estivéssemos em casa, tudo cheiraria como no estrangeiro?"

Cris Rodrigues disse...

Não consegui ir ao aeroporto. Só não fiquei mais triste pq sei q tu vem logo nos ver (isso é uma intimação). Como estão as coisas aí? Já ajeitada?

Manda notícias sempre, tá.

Só pra lembrar, q nunca é demais: tu vai longe, hein. Comentário de mãe: a Paula não volta mais pra cá, né? Tudo bem, tu vai voar longe, eu já sabia. Desde que tua mãe não leia...

Signorina Benvenuti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Signorina Benvenuti disse...

boa sorte no novo capítulo. e o travesseiro a gente manda depois, como eu fiz :P

Isma disse...

É, guria. É daí pra cima pra ti. Certeza.

Mande notíciashhh dashhh primeirashhh impressõeshhh do trabalho novo e da vida carioca com chiado.

Beijo.

Natália Pianegonda disse...

Em resumo: voltar a Porto Alegre, mesmo que pras visitas, é rápido. E, se bobear, tu vira amiga da aeromoça. Mães choram nossa ausência e não fazem parte da liberdade porque a gente cresce, sai da barra da saia e até mesmo do Estado. Rumo à vida própria. Acho ótimo levar o travesseiro, porque ele sempre leva o cheiro dos dias daqui e um pouco dos sonhos também, só pra que a gente não esqueça. Tudo é sempre um desafio, às vezes maior, às vezes menor. Mas veja bem: tu vai estar sob os braços abençoados do Cristo na Cidade Maravilhosa. Cheia de céu e mar pra pensar, aproveitar e cheia de gente e acontecimentos e oportunidades pra que tua liberdade se torne, pouco a pouco, maior ainda. É por isso que ela não tem chaves, diga-se de pasasgem. Porque não tem limite. E é daí pra frente. E se os amigos deixam no portão ou sequer vão até o aeroporto, espera, porque daqui a pouco eles aparecem pra uma grande festa, ou tu aparece pra uma grande festa também, pra celebrar as conquistas e, como mandam os ciclos da vida, ficar falando com saudades do passado.

Caroline disse...

Bom ainda que tu leva o travesseiro para adultos e não um travesseirinho que conta com vinte e um anos de idade (só tu vai entender)..hehehe

ps. não gostei do tom irônico do teu luto, ela era muito importante para mim

Paula disse...

Evangelho, gostei da sugestão! Dei uma procurada no Google e parece que o livro virou até peça. Lerei em breve!

Pro resto do people, gracias pela força e vamo que vamo!