6.5.10

Meu mapa de Porto Alegre



Nessa ânsia de cruzar fronteiras, a primeira cidade que me recebeu depois que Caxias já não dava mais foi Porto Alegre. Sempre extremada, encravada num meio termo de Brasil e sul do mundo. -2 ou 40 graus, Inter ou Grêmio, direita ou esquerda, Cidade Baixa ou Moinhos de Vento, Parcão ou Redenção, Brasil ou Rio Grande e por aí vai.

Admito, conheço pouco Porto alegre. Um pouco por apego outro tanto por comodidade. A gente acaba frequentando sempre mais ou menos os mesmos lugares e deixa de explorar a cidade. É preciso ter olhos de turista sempre que possível e fui perdendo eles conforme fui me naturalizando ao paralalelo 30.

Meia culpa feita, segue uma lista que estou desde antes de decidir oficialmente mudar de ares querendo elaborar. Era pra ser um guia pra uma amiga de outros pagos que ia, e no fim já veio e já foi e esse texto não saiu do lugar, passar um tempo na capital dos gaúchos. Agora fica mais como um relicário de memórias, um mapinha mental pra voltar.

A ordem é de lembrança, não de prioridade e convido a todos a acrescentarem as suas também já que a idéia é que esse post siga enquanto houver vontade e lugares para descrever.

O primeiro lugar que me ocorre é, além de um dos mais óbvios, um dos que mais gosto: a Redenção, vulgo parque Farroupilha. Por sorte, sempre fiquei entre 2 e 5 minutos daquele colchonete verde aplacando assim a falta de grama e quintal que só alguém que cresceu em casa sabe como é.

Um lugar diferente a cada dia da semana, a Redenção é única por acolher sem preconceito do adoslecente metaleiro a patricinha mais salto agulha, passando pelos bichos grilos, playboys, esportistas de primeira viagem, esportistas consagrados, o magrão que decidiu começar uma vida saudável cinco minutos atrás, velhinhos, reggueiros, crianças, cults, pseudo cults e o que mais você conseguir pensar.

Cada um tem a sua tradição de Redenção. Eu, das milhares de coisas possíveis de fazer no parque que faz o meio termo entre o Cidade Baixa e o Bonfá, outros dos dois bairros do meu coração, tenho alguns programas preferidos. Pra não entrar em detalhes do tipo banquinho x do lado da árvore tal no Jardim Oriental, vamos ficar com um top 3 de recomendações:


1. Um bom chimarrão (preferencialmente ali pelo coqueiros do lado esquerdo de quem vem do Instituto de Educação ou da Barros Cassal nos áureos tempos de recém moradora) - com os amigos pra dar risada e falar da vida, sozinho pra pensar nela;

2. Pipoca doce (na única pipoca garantida, com duas vezes mais leite condensado que as outras, da barraquinha que fica a direita antes do parquinho em frente ao bar do lago e ao lado de uma freezer de bebidas, por supuesto) - preferencialmente ao pôr-do-sol perto do chafariz, mas essa parte é 'a gosto'. Com os amigos pra dar risada e falar da vida, sozinho pra pensar nela;

3. Ocupar nem que seja o último metro quadrado de verde que tiver no parque no domingo a tarde com ou sem chimarrão, mas com os amigos.

Menções honrosas pro Brique do domingo de manhã, mais pelo pessoal que domina a José Bonifácio – de músicos, a índios e comediantes nem sempre engraçados – que pelas coisas em si, a barriquinha de rapadura do brique do sábado e ao quentão no inverno, que não é necessariamente bom mas é ‘quentão’.

Por hoje é só pessoal. Se der, visitem a Redenção por mim que eu prometo que vou a praia por vocês.

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