19.6.10

Até o infinito



"Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está por baixo. Não é minha culpa se de vez em quando me saem monstros."
José Saramago

Da mesma forma que acredito que livros podem salvar vidas, vejo escritores como parte da família. Amigos distantes, com quem apesar de não ter contato converso telepaticamente sempre que possível. Alguns deles tem o pode único de ler meus pensamentos e transcrever emoções que eu sabia que tinha, mas não como formular, ou ainda de me levar pra outros lugares e momentos. são capazes de fazer a cabeça e o mundo girar.

Assim me sinto no direito de ficar de luto pela morte do Saramago já que perdi um amigo querido, com quem passei muitas horas entre ensaios, teorias, e ilhas desconhecidas.
Uma dessas pessoas que é bom saber que vivem entre nós. Que afirma apenas por existir que é possível ser coerente, lutar pelo que acreditamos e fazer alguma diferença. Além de ser um dos meus escritores preferidos, é claro.

Que vá em paz e sem deus, se diluir no infinito já que como dizia ele, morrer é apenas a diferença entre estar aqui e não estar mais.

4 comentários:

Natália Pianegonda disse...

Muito bom isso. Identificação imediata: "Da mesma forma que acredito que livros podem salvar vidas, vejo escritores como parte da família."

Tatiana Matzenbacher disse...

Muito foda mesmo. Bom texto!

Paula disse...

E não são da família? hehe

Cris Rodrigues disse...

Descreveu melhor que ninguém o que senti. Uma tristeza pela morte de alguém que nunca conheci pessoalmente, que nunca conheceria provavelmente. Que deixou escrito o suficiente para eu ler e reler o resto da vida, sem cansar. Que eu posso encontrar sempre que quiser através de uma visita ao youtube ou à biblioteca. Mas que parece que não podia ir, que faz falta. E faz.