29.6.10

Des memórias paulistas

Tentando escrever sobre a Bolívia que vai fugindo pouco a pouco e às vezes a galope da minha cabeça, achei esse pedaço de diário de bordo - que eu pretendia manter, mas abortei - do primeiro dia de São Paulo e da "operação" oficialmente.

"Garoa na terra da garoa.

Sempre que venho a São Paulo me dá uma vontade de sair gritando: “São Paaaaaulo, São Paaaulo”. A garoa, os prédios, o cinza. A cidade pulsa como uma megalópelo e os seus cerca de 11 milhões de habitantes fazem questão de caminhar como se soubessem estar em um dos lugares mais importantes do mundo.

Fiquei num hotel no centro, perto da praça da República e da Av. São João, clássicos da cidade. O que eu mais gosto daqui são as lancherias, que se empilham uma do lado da outra com seus mistos quentes e frutas penduradas na porta.

Ironicamentei, terminei a noite num restaurante gaúcho com duas africanas.

27.10.2009"

Em tempo,

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João...


6 comentários:

Ale Lucchese disse...

Ah, São Paulo! Foi lá que pela primeira vez senti mais ou menos bem o que é ser brasileiro. É um monstro apaixonante. Se fosse menos cansativa (não demorasse tantas horas pra ir de um bairro pra outro), me mudaria pra lá e ficaria até morrer. E morreria feliz.

Signorina Benvenuti disse...

São Paulo tem algo mesmo de poderosa. Diferente do Rio, que me parece sempre disposta a receber e mostrar como é bonita, São Paulo faz questão de te deixar com medo. É como se te desafiasse todos os dias. E acho que é por isso que eu gosto tanto dela.

Ale Lucchese disse...

Estranho. Nunca me senti com medo em São Paulo. O fato de que quase todo mundo é imigrante lá me fez me sentir em casa desde quando cheguei. Raro mesmo é encontrar quem já nasceu ali.

E todo mundo parece interessado no que tu faz, no que tu produz. A demanda é enorme. Não é como em Porto Alegre, que quando você consegue um emprego se sente culpado por estar matando um colega.

Paula disse...

Não cheguei nem no medo,nem na parte da terra das oportunidades. O que mais me marcou em São Paulo foi a diversidade. Sabem quando tu respira e a alma corre longe? A sensação de que tu pode fazer qualquer coisa, em qualquer lugar a qualquer hora. De nao conseguir encaixar a cidade em mapas mentais.
Mas dai q tá. O Rio engana. Acho São Paulo muito mais acolhedora justo por ser uma terra de ninguém.
Sejam todos muito bem vindos ao rio,mas se você não for magro, bonito, não tiver dinheiro e não gostar de praia não é tão bem vindo assim.

Signorina Benvenuti disse...

Eu falo do medo não no sentido de segurança, mas de te deixar acuado, de tão imensa que ela é.
E eu falo das duas cidades na mesma perspectiva, a da gente, não do pobre pobre. Porque Sâo Paulo é acolhedor na mesma do Rio, nesse sentido: seja bem-vindo, trabalhe mil horas por dia na 25 de março ou na padaria da esquina, demore três horas pra voltar pra casa e seja feliz. ps: e sem praia.
E Sâo Paulo nem faz grande questão de turistas regularmente. E é isso, no fundo tanto faz tu estar aqui ou não.
Mas é claro que é um ponto de vista de quem mora numa cidade, e não noutra, faz diferença...

Paula disse...

Isso não dá pra negar. A praia é democrática.